Fui na primeira reunião das famílias de adolescentes infratores. Não que eu seja melhor do que qualquer uma daquelas pessoas. Certamente não sou, mas não consigo aceitar que estou entre pessoas com tanta limitação para educar filhos. A palestra era sobre drogas.
Ouvi que temos que vigiar nossos filhos para que não entrem por esse caminho. Como identificar comportamentos estranhos e saber diferenciar uma droga de outra. Como se eu não soubesse de nada... como outros pais que estavam ali.
Eu estava lá, sozinha... me sentindo um ET. bem vestida, bem informada, e tão frágil, segurando as lágrimas que queriam descer. Não é justo... mil vezes não é justo...
Ou é...
Falei com Deus... tantas pessoas sofrendo tanto ou mais que eu... mas hoje me sinto vítima... me sinto uma coitadinha... sei que não sou...
Essa semana estou doente... não sei ao certo o que tenho, mas me falta ar... eu acredito em sintomas psicossomáticos... a pressão está alta... a escola está me cansando mais que que sempre cansou...
Ainda bem que teremos 4 dias de folga... vou dormir bastante e descansar... Talvez não seja nada mais do que estresse...
Depois da reunião liguei o rádio em alto volume... sei que me faltava isso... Música alta, bem alta para me acalmar...
E a música que ouvi ajudou a chorar... despejar pra fora toda a angústia acumulada desde o dia que o João Guilherme me mandou dar o cú... sim... meu filho me mandou dar o cú... e você não sabe o que é ouvir isso...
Quanta dor está nessas minhas palavras... imagine que de cada letra escorrem lágrimas abundantes... assim estou eu, nesse exato momento... não consigo entender tamanha grosseria, não consigo entender tanto desprezo... fiz tanto por ele... fiz mais por ele do que pelo Fernando e o Pedro e em retribuição recebo o mal...
Me dói o coração, literalmente...
Agora ouço repetidas vezes a música que me trouxe as emoções pra fora... vou ouvi-la mais algumas vezes até que a dor de cabeça ceda lugar ao sono... vou ouvir o mais alto possível...
Quero que você também ouça...
Essa canção me lembra meu namoro com o João... sim, eu tinha a esperança de uma vida de amor quando me casei...
Um amigo cantou essa mesma canção no meu casamento...
Hoje já não tenho mais aquele amor... nem aquela esperança...
O que tenho são os frutos de um casamento falido...
E o João Guilherme é o que o João sempre foi para mim desde a primeira semana de casamento...
E hoje tenho medo de deixar de amar meu filho... e talvez as mais salgadas das lágrimas sejam exatamente por esse motivo...
As feridas da alma são tão doloridas... insuportavelmente doloridas...
Ficar sem falar com meu filho e ter que quebrar uma filosofia de vida de anos me parte em pequenos pedaços que não acredito que se poderão colar em algum momento...
"Não se ponha o sol sobre vossa ira"
Nunca vamos dormir brigados...
Estamos dormindo brigados...
Estou trancando a porta...
...
Sei que nem tudo é como a gente quer...
Mas está escrito no céu a nossa história...
Perdoa se eu chorar...
Talvez eu esteja aprendendo a ser mãe...
Deus, estou??
