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sábado, 29 de setembro de 2012

Ontem era dia de muita correria, sextas-feiras têm sido assim, mas especialmente as últimas do mês.
Compras, contas e a dor nas costas me tiram o pouco de força que me resta.
Mas deve ter sido melhor assim, ontem eu não estava bem para escrever.
Embora seja importante pensar nos sentimentos que me vieram ontem.

Faz dias que estou profundamente triste com o colégio Amanda.
Desde o dia que a diretora me chamou lá para me dizer que os alunos tinhas escrito uma carta sobre mim.
Até eu encontrar a verdade sobre tudo isso, usei de uma força maior do que eu queria dispor. Aparentemente estou bem, mas eu me sei fraca.
Essa fraqueza dura pouco, é certo, mas não gosto de estar assim, pois nessas horas que os ataques menores podem me machucar mais do que normalmente me machucariam.
No Amanda a palhaçada da avaliação dos professores começou. As pedagogas vão até as salas e entregam uma folha para cada aluno responder o que pensam sobre os professores, equipe pedagógica e direção.
Como se eles fossem capazes de julgar seus professores com tanta destreza quanto se dão bem nas aulas e nas avaliações.
Com isso querem o que?
Juntar provas contra um professor ou outro?
Querem melhorar o desempenho dos professores?
Querem melhorar a união da equipe pedagógica que é visivelmente dividida em rainha e subordinados, um absolutamente passivo e outras rebeldes com causa...
Quando questionei a posição de duas linhas pedagógicas diferentes na mesma escola, de forma simplista e medíocre me respondem que não há problema algum nisso.
Então porque me fazem suportar semana pedagógica e a frase costumeira de todo o início de ano "Vamos falar a mesma língua"???
Não falam a mesma língua e se acham no direito de apontar defeitos dos professores.
O PPP da escola está datado de 2006, mas ainda esse ano não estava concluído.
Mas essas coisas os alunos não sabem, não percebem, o que percebem é o professor que está dando sua cara para bater  a cada dia. Esse sim é julgado pessoalmente.
E como em terra de macaco o certo é sentar em  cima do próprio rabo e falar do rabo do outro, estamos no caminho certo.
Bem, nem sei se certo... já trabalhei em muitas escolas... em quase todas dessa cidade e nada de ver algo tão despótico, tendencioso e patético.
Mas tudo bem... que seja
O que se pode esperar de uma pessoa que não sabe nem o que é meritocracia??
Tenho comigo que nem ler, não lê... opinião pessoal...
Ano passado, como eu estava responsável pelo processo de eleição da escola organizei um debate entre o candidatos que foi um sucesso (há quem se pelando de medo, achasse que não era necessário). Entre as perguntas, estava a seguinte: "O que você pensa sobre meritocracia? E se a favor, qual será sua atitude em relação a isso?"
A resposta não podia ser pior:
"Nossa, a gente precisa de um dicionário para poder responder essas perguntas!" e o que se seguiu depois disso foram abobrinhas e mais abobrinhas de um político enrolando o povo até que o seu tempo para responder acabasse... e deu certinho
Na última reunião pedagógica veio um palestrante que usa um livro de 1920 para mudar o mundo hoje. Pior do que isso é a palestra em si.
Ele resumiu os relacionamentos humanos à uma pirâmide, onde atitude e habilidades somavam juntas 85% do que se precisa na vida e que apenas 15% é o espaço do conhecimento.
Mais importante do que ser bom em algo e necessário abrir as pernas em forma de enlaçar meu interlocutor e me fingir interessado no que ele tem a dizer... política... imagino que teve gente que adorou a palestra... a mim só me valeu a imagem física do palestrante que ao menos reafirmou meu preconceito sobre beleza e conteúdo...
Nessa escola, com essa visão eu trabalho.
Amo meus alunos e meu trabalho, mas lidar com gente medíocre é muito complicado... insuportável até.
Essa semana um professor abandonou as aulas lá na escola porque achou que era insuportável... teve um problema com alunos do 6º ano e pediu ajuda da "Equipe" pedagógica... como a forma deles trabalharem é particularmente fora da realidade o resultado foi o professor abandonando as aulas, uma semana após tê-las assumido. 
Imagina como vai sair falando bem da escola?
Num dos recreios da tarde o assunto era esse, na sala dos professores.
Como não é de se estranhar mais, mas eu sempre me estranho e me estresso, uma pessoa desprezível já tratou de massacrar o professor e dizer que quem não tem capacidade de dar aula, devia procurar outra coisa pra fazer. ou se não tá bom a escola, tem concurso de remoção.
Não consigo aguentar quieta quase nada, mas isso é impossível, mais que tudo.
- Não temos o direito de dizer o que o outro deve fazer, principalmente quando o outro não está aqui para se defender e não somos juízes para determinar as coisas para os outros.
Como todo ignorante, esta pessoa sempre acha algo mais absurdo para falar...
Daí pra adiante me dou o direito de levantar e sair.
A escola está incontrolável
A direção é lunática
E ainda tem umas pérolas para defender o indefensável.
Custa olhar realmente para o problema, solucionar o que dá e remediar o que não dá???
Isso é união??
Isso e trabalho em equipe???
Não, mil vezes não!!!
Saí, mas não fui a primeira... quando estávamos na outra sala uma amiga olhou pra mim e deu risada...
Não havia necessidade de nenhuma palavra, concordamos...
Pena que mesmo sendo vários descontentes, muitos preferem o silêncio a enfrentar o problema...
Assim não saímos de onde estamos...
E estamos cavando buraco mais profundo...
Que pena!
Salve-se quem puder!
Estou triste e angustiada, porque queria muito mais para minha escola...
Essa angústia me fez lembrar as crises do tempo de gravidez...
Ontem ao ir para o Jardim, chorei.
Quem dera a direção da escola nos desse a oportunidade de anonimamente também expor nossa opinião sobre o funcionamento da escola. E isso não foi ideia minha, foi uma colega que compartilha da minha angústia.

O lado bom da semana foi que descobri quem é a pessoa falsa que fica levando informações da sala dos professores... é inacreditável o quanto uma pessoa pode ser mau-caráter. Vai lá fuxicar da gente, falar mal de professor... mas o bom desse tipo de gente é que uma vez descoberto ele é facilmente manipulado...
Puxa-sacos, via de regra são burros que pretendem ascender, e sendo assim são falsos, 100% falsos... Falam de nós, falam da direção, falam da equipe, falam dos secretários e fingem que são santinhos, que tem um posicionamento... São perigosos enquanto não descobertos... mas são infinitamente piores que os medíocres...

Essa foi a semana... ela se foi!


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Muito frio, agora a temperatura está 11°C diz meu celular, mas a sensação é de que voltamos ao inverno. Pior que ontem, porque não tem sol e o vento fica ainda mais gelado. 
Dormi gostoso. O Pedro é muito bom para aquecer  a minha cama... acho que ele também pensa assim de mim... dormimos grudadinhos e deu uma preguiça de levantar da cama. Ainda mais quando acordo com meu pequeno me passando a mão quentinha  no rosto e me dando beijinhos. É bom ter filhos pequenos porque eles não tem vergonha de demonstrar o que sentem e nos beijam o tempo todo. Ontem fui ver se os maiores estavam bem cobertos e dei um beijo no Fernando relembrando o tempo em que ele me pedia para ir cobri-lo. Todas as noites me pedia: "Vem me cobrir?!" eu ia, sempre, mas as vezes achava desnecessário. Hoje sinto falta de tê-lo assim tão próximo. 

Quando relembramos, ele sorriu... sei que está crescendo e se afastando naturalmente de mim... que pena...
Vai ver  é por isso que os filhos mais velhos acham que as mães têm preferência pelos menores.
Não é isso.
Só tentamos com eles, esticar uma fase que fatalmente acabará. 
Quem dera não crescessem os filhos.
Quem dera pudéssemos tê-los nos esperando ansiosos depois do dia cansativo.
Quem dera viver a vida fugindo deles pela manhã para não ver que choram a nossa ausência.
O tempo nos leva tudo...
Eles vão crescer e vão me deixar, eu sei!
Pensar sobre isso me entristece profundamente.
Me caem as lágrimas...
Não quero pensar nisso agora.
Vou continuar a dar-lhes o melhor que tenho.
Assim tenho certo que voltarão nos fins de semana me visitar...


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Tivemos mais algumas brigas depois de encerrada a terapia e numa dessas, tranquei a porta da casa para que o Moacir não entrasse. Lembro dele correndo atrás de mim como um louco na rua, mas eu gritei e ele me soltou. Ele não teve tempo nem de pegar seu celular. 
Eu aproveitei para esconder celular e carteira com seus documentos pessoais. Coloquei-os dentro do puxa-saco, junto com as sacolas para lixo. Mas por mais que eu fosse rápida, ele era muito mais rápido que eu. 
Fui trabalhar acreditando que ele não poderia fazer nada sem documentos e sem roupas. Mas ele fez. Sem que eu soubesse, ele tinha a chave da casa, no quartel.
Me esperou ir trabalhar para entrar na minha casa e pegar suas coisas. Menos a carteira e o celular escondidos. 
Sempre o achei muito inteligente, mas tinha horas que me parecia um idiota. 
Se tivesse ligado no seu celular teria encontrado facilmente. Quando voltei, tinha levado até sua televisão. Fiquei com muita raiva, mas não paramos por aí. 
Logo que cheguei em casa, recebi um telefonema da delegacia. Um policial queria saber o que tinha acontecido pois "seu Moacir" tinha ido lá reclamar que eu estava com seus documentos pessoais.
Desliguei o telefone dizendo para o policial que em menos de 5 minutos eu estaria lá e assim o fiz.
Me pelando de medo e muito nervosa bati na delegacia que já estava fechada para atendimento ao público e entrei pelo portão lateral, por onde certamente entram os criminosos. 
Lá dentro com cara de homem ofendido estava um Moacir fardado acompanhado de seu comandante, um policial civil e eu, uma mulher de pouco mais de um metro e meio.
Não sei de onde me veio toda a força que me veio mas acabei com a moral dele na frente de todos. Se ele queria se fazer de vítima de uma mulher desequilibrada, seu defensores se depararam com uma professora honesta, trabalhadora e mãe de família que coloca uma pessoa em sua casa com boa-fé e agora está passando por uma situação vexatória enquanto seus filhos estão sozinhos em casa. Contei que ele entrou em minha casa com uma chave que ele copiou, sem autorização minha. 
O comandante do bombeiro não pronunciou uma única palavra e ficou de cabeça baixa o tempo todo. O Moacir me fuzilava com o olhar e o policial tentava me convencer a entregar a carteira com os documentos dele e eu convencia todos eles de que o Moacir os tinha manipulado e que agora estavam todos passando por fanfarrões. 
Fui embora dizendo que no dia seguinte certamente entregaria tudo o que era dele, desde que ele me desse o que era meu e o que eu havia gasto com ele.
Cheguei em casa muito nervosa e chorando. 
Tenho raiva de mim, pois choro facilmente...
Na manhã seguinte o comandante me ligou pedindo para nos encontrarmos para uma conversa informal. Sugeri que viesse até minha casa e ele o fez, sem demora.
O que se seguiu foi um pedido de desculpas regado de grandes revelações sobre o homem que tinha tornado minha vida um inferno.
Ficamos conversando por quase duas horas. 
Agora eu entendo bem o porque do Moacir continuar comigo depois de tantas coisas. Ele me odiava e a cada dia mais. Seu objetivo era me destruir. Inicialmente uma destruição do coração, mas depois disso comecei a ver que ele queria mais que isso.
A conversa com o comandante resultou na transferência do Moacir para Telêmaco Borba.
Ouvi muitos conselhos do comandante que me contou um pouco de sua vida e de como se livrou do alcoolismo. Posso dizer que nos tornamos amigos, mesmo que depois nunca mais nos vimos.
Fiquei sabendo que uma das preocupações do comando era o porte de armas do Moacir, que nos dias de serviço gastava horas desmontando e limpando armas com uma obsessão assustadora. Disse ele que  o Moacir fumava compulsivamente. 
Nossa, como ele podia fumar se eu nunca tinha percebido nada? A mim sempre falava contra o cigarro. 
Não eram as primeiras e nem seriam as últimas mentiras dele.
Depois dessa visita o Moacir demorou 15 dias para voltar a me procurar, mas voltou e voltou para dentro da casa também. 
E assim começamos uma outra rotina doentia. Ele voltava, e sempre me presenteava. Ganhei muitas coisas, muitas roupas, sapatos, móveis, acessórios. Ele as vezes escolhia, e as vezes me levava escolher. De certa forma me comprava. Mas o preço que eu pagava depois era bem caro.
Quando ele ia embora eu ficava muito nervosa, sem comer, sem dormir por uns 3 dias e quando voltava a vida normal ele aparecia, para decepção dos meninos. O ciclo recomeçava.
Como eu pude ser tão idiota? até hoje não consigo entender.



A delegacia, o Comandante e Davi


O frio de hoje está horrível. Estou com sono. Amanhã, sendo quinta-feira, dormirei até tarde... não vou tirar o Pedro da cama hoje, vou dormir agarradinha com meu docinho...maravilha!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Estou com muita dor no olho. Eu sabia que esse negócio de lavar os olhos com shampoo neutro só serviria pra piorar ainda mais minha dor. Semana passada já me apareceram terçóis e hoje estou com mais dois. 
O jeito é ir a outro médico logo que tenha o resultado dos exames. 
Vou dormir confiante que amanhá isso estará melhor.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Estou ultra cansada, o dia foi de muita correção de avaliações. Não tem nada mais exaustivo do que recuperar conteúdos com alunos que nem conteúdo têm. 
É frustrante ver os resultados. Poucos são comprometidos com sua aprendizagem.

Semana passada uma turma de alunos me procurou, pois disseram não ter obtido ação da equipe pedagógica e nem da direção. Hoje foi a vez das tias que trabalham na escola. Bateram na sala que eu estava e me pediram ajuda. Estavam com medo da reação de um aluno cheio de problemas. Fui ajudar... 
Acho engraçado tudo isso... gosto de saber que têm gente que reconhece meu trabalho e meu caráter. 
Se por um lado isso me dá prazer, por outro me traz uma angústia enorme.

Ainda não consigo olhar só para o lado bom das coisas... mas logo vou conseguir...
Enquanto isso vou dando risada das idiotices que me cercam...

Estar sempre em busca de fazer o certo me dá a tranquilidade de ser tratada injustamente...  Com isso posso ver o quanto as pessoas se equivocam e se amedrontam... metem os pés pelas mãos.
Falam mais que a boca e são pegas constantemente em mentiras e trapaças. Não tenho pena, tenho nojo de gente assim... 


Que raiva de ver gente incompetente agindo como se fosse competente.
Não estou estabelecendo nenhuma conexão textual... vou parar por aqui... 
Dormir que amanhã tem mais um dia cansativo.

domingo, 23 de setembro de 2012

A sessões de musicoterapia tomaram um rumo óbvio: acabei por usar o Marcelo para me livrar da ansiedade da atualidade. Ficava o tempo todo da consulta falando sobre as coisas que o Moacir me causava e eu achava que era culpada. 
Como bom terapeuta, ele ficava me ouvindo 90% do tempo. De música, me lembro apenas uma vez que ouvi. Das 10 sessões, apenas uma... se dependesse de mim, teria que mudar o nome da terapia. Hoje sei que perdi dinheiro em perder nosso tempo com o Moacir. 
Na época tudo o que me movia era a paixão que eu tinha.
Lembro que quando eu chegava das sessões, encontrava um Moacir emburrado e afastado. Eu tentava fingir que não estava percebendo seu desgosto pelas sessões, dizia que precisava ir até o final, pois já havia pago tudo. Ele muitas vezes sugeriu que eu tinha um caso com o terapeuta, do contrário facilmente pediria meu dinheiro de volta, visto que não estava surtindo efeito algum.
Eu pensei mesmo em não ir mais, mas uma força maior me fez permanecer.
Quando chegava das sessões eu deitava por alguns minutos no colo dele para descansar e logo em seguida ia preparar a janta. Numa dessas deitadas pude sentir que ele fez o sinal da cruz nas minhas costas. Esse gesto não seria nada se não fizesse parte de uma crença do Moacir. 
Ele acreditava enfraquecer o inimigo fazendo esse sinal em suas costas. Me lembro perfeitamente bem que meio sonolenta levantei de sobressalto e olhei em seus olhos assustada. Ele fez como se nada tivesse acontecido. Questionei, mas acabamos a discussão com ele me dizendo que as sessões realmente não faziam o menor efeito.
Numa outra vez, cheguei correndo e fui preparar uma sopa de feijão com macarrão que ele adorava.
Acabamos a janta numa situação muito chata. No prato dele, justo no dele, tinha um cabelo meu. O Moacir empurrou o prato com nojo e ficou sem jantar. Perguntei se queria que eu fizesse alguma outra coisa, mas ele se recusou.Visivelmente tinha medo de mais cabelos... ao lembrar disso agora, me sindo angustiada... Minha comida, minha casa, meu cabelo, minha vida e ele me humilhando. Os meninos em silêncio absoluto e eu sofrendo por dentro.
Num outro dia enquanto eu cortava cebolas ele fez o seguinte comentário enquanto olhava minha ação: 
"Esses dias lá no quartel o soldado tava cortando cebolas desse jeito e eu perguntei se ele estava fazendo comida pra porco."
Que graça teria de viver com uma pessoa assim? Só muito mais tarde eu iria descobrir o porque de me submeter a algo tão cruel.
O Marcelo começou a me atender na sua casa, num consultório nos fundos. Essa mudança se deu justamente com o início do meu tratamento. Olhando daqui, posso até acreditar que era providência divina.
Sua casa ficava na mesma rua do quartel dos bombeiros. E mesmo assim só passei lá uma única vez. 
E não houve necessidade de mais nenhuma...
A essa altura eu já tinha todos os telefones do terapeuta que me recomendou ligar a qualquer hora, caso precisasse.
E eu liguei uma hora depois...
Antes de voltar para casa, resolvi passar no quartel para dar um beijo no Moacir.
Ele veio me receber com uma certa impaciência que me incomodou. Perguntei-lhe o que estava fazendo e ele rispidamente me disse que estava cadastrando umas ocorrências no computador. 
Pedi para ver, algo ali estava meio esquisito. Sua agressividade sem nenhuma justificativa me convidava a entrar. 
"Posso ver o que você está escrevendo?"
"Por que? São ocorrências, estou no trabalho."
"Sim, eu sei, mas eu gostaria de ver."
"Não, você não quer ver as ocorrências, mas se estou conversando com alguma mulher. Estou de saco cheio de seus ciumes."
"Posso?"
"Vá, mas fique sabendo que se você entrar, estará tudo acabado entre nós."
"Tá, eu aceito correr o risco."
Não precisei de mais do que um minuto para constatar que o que ele estava fazendo era outra coisa, bem diferente.
No computador, estava aberta a página de emails pessoais dele e pude logo perceber que ele vinha trocando emails com uma mulher. 
No que consegui ler, dizia que ele não podia continuar os encontros, pois queria ficar só por um tempo, por causa das dívidas. Não pude ler mais nada. Ele entrou na sequência e desligou o computador da tomada. 
Levantei, olhei em seus olhos e disse:
"Valeu a pena pagar o preço!"
Saí do quartel sem fazer nenhuma cena de mulher traída.
Mas isso duraria pouco tempo.
Como cheguei em casa nesse ou em outros dias de angustia e ansiedade em grau elevado, não sei, mas o fato é que cheguei e num rompante de fúria arranquei os auto-falantes e o rádio do carro que eu tinha comprado. Tudo a meu jeito, destruindo tudo. Liguei para o terapeuta para ver o que eu devia fazer para me acalmar e só lembro de ouvi-lo dizer que achava que eu demoraria mais tempo para ver o que estava acontecendo, que eu estava de parabéns. O certo seria tomar um banho e fazer o exercício de respiração. 
Claro que passados alguns dias, o Moacir me dobrou e estava aqui em casa novamente e ainda me culpando de ter feito estragos no seu carro. 
Engraçado que quando estamos doentes da alma, não enxergamos o óbvio e nos deixamos levar por aquilo que queremos que seja verdade. Isso tudo é inconsciente. 
Comecei a tomar remédio antidepressivo fortíssimo. 
A essa altura a minha antiga ajudante já tinha ido embora de casa e quando me viu na rua, me abraçou e disse: 
"Roxana, como você está feia, abatida e sofrida. Menina largue mão dessa vida. Pare com esses remédios. Você tem 2 filhos que precisam de você."
Não ouvi nada... As doenças da alma nos fazem egoístas e cegos.
O remédio me alterou todas as funções. No primeiro dia que o tomei estava na escola, aproveitei o lanche das 10. Exatos 30 minutos comecei a passar muito mal. Tudo girava e eu me senti tonta. Não pude continuar na escola. Voltei pra casa e passei o sábado todo de cama.
Perdi o desejo sexual e a fome. Esquecia o que estava fazendo e não tinha ar para concluir uma explicação na aula. E apesar de todos esses sintomas e do meu terapeuta me alertarem eu achava que esse era o caminho. Precisava me curar para poder merecer o Moacir e dar para os meninos uma família de verdade.
As reações eram muito fortes e eu mesma decidi que ia parar de tomá-lo algum tempo depois. Fiz essa escolha, pois não vi resultado algum na nossa vida conjugal. 
Continuei a sessões somente até a que eu já havia pago. Outras não me pareciam úteis. Cheguei a essa conclusão, mesmo depois do Marcelo me contar que o Moacir o havia procurado para contar sua "versão" da história. Como se isso fosse necessário. 
O Marcelo me alertou de todas as formas, mas eu ainda achava que todos estavam conspirando contra minha felicidade, menos o Moacir.
A única coisa boa dessa loucura foi que perdi peso. Estava com 45kg e me achava ótima. Há quem diga que eu parecia um zumbi.
Sem terapeuta, sem pais para me proteger voltei a ficar exatamente como o Moacir queria... sozinha para ele continuar a sua tortura.
E obteve resultados muito proveitosos para sua mente doentia.



A terapia só funciona se a pessoa quiser


Tem sido muito ruim falar desse assunto. Mas certamente vai me fazer lavar a alma definitivamente. 


sábado, 22 de setembro de 2012



When I'm down
And feelin' blue
I close my eyes
So I can be with you
Oh, baby
Be strong for me
Baby
Belong to me
Help me through
Help me need you

Until the morning
Sun appears
Making light
Of all my fears,
I dry the tears
I've never shown
Out here on my own


Sábados à noite têm o dom de me deixar saudosa de um passado feliz. 
Me lembro te ter visto o clip dessa música no Fantástico, quando era uma garotinha muito pequena.



We're always provin'
Who we are

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Muitas coisa aconteceram até que fui fazer terapia. Acho que a terapia começou em meados de 2006. 
Em novembro de 2005 aconteceu uma coisa que determinou que a nossa história era uma farsa.
Não lembro exatamente o que pedi para que ele fizesse, mas pela primeira vez ele foi agressivo comigo a ponto de eu não ter nenhuma ação. Me assustei. Foi na frente da Eliane, me magoei com aquilo. Ela apenas me olhou e levantou a sobrancelha, não precisava me dizer nada. Ela e eu sabíamos que tinham coisas que estávamos começando a entender.
Num dos dias que o Moacir estava trabalhando, chamei-a para conversar e assim pude saber o que estava acontecendo enquanto eu estava trabalhando. 
Ele dava ordens para os meninos e ficava o dia todo emburrado. E quando eu chegava, agora não mais me esperava com os braços abertos, mas com um repertório de reclamações sobre o Gui. 
Eram de todos os tipos as reclamações. Algumas vezes, ele mesmo percebia que estava sendo absurdo e tentava se parecer compreensivo com minha visão. Mas na maioria das vezes era como uma gralha. Falava, falava e falava... me tirando as forças para argumentar.
Terminávamos sempre deixando o ambiente meio pesado. Quando ele estava de serviço era bom, tínhamos paz. Nessa época os meninos já tinha desenvolvido uma maneira de suportar as pressões: ficavam quietos e tentavam cumprir todas as novas regras, mas sempre erravam e o ciclo recomeçava.
Por essa época comecei a deixar o Gui brincar na rua, para evitar que eles se confrontassem. Foi um erro.
Quando fomos buscar o carro novo, trouxemos junto a falência do  nosso relacionamento... 
Todos os dias, quando estava voltando da escola, ficava angustiada por olhar para minha garagem e o carro não estar. Onde teria se metido ele, sem me avisar? 
Por que ele estava mentindo pra mim?
Algumas vezes eu voltava para casa olhando o chão, evitando propositadamente de olhar a garagem. Tinha medo da ansiedade que me acometia. Era melhor só saber quando chegava em frente ao portão.
Quando o carro não estava, eu tentava falar com ele, mas nem o telefone ele atendia. 
Quando voltava a tarde, dizia que tinha ido visitar o filho. Que eu era muito ciumenta. Não era nada disso. O que me irritava era o fato dele ir de carro para Ponta Grossa e não me ajudar com os gastos da casa.
Começaram as brigas mais sérias.
Mas se por um lado nossa relação familiar era uma catástrofe, nossa relação física era muito boa. 
Quando estávamos só nós dois era tudo muito bom ainda.  
Namorávamos, passeávamos e eramos "felizes".
Isso me fez entrar num vício.
Perdi a noção do certo e errado, do que era ser mãe, do que era eu, do que era amor, do que era ser feliz.
Me perdi de mim.
Me perdi das minhas amigas...
E comecei a adoecer... literalmente.
E se antes o Moacir me dizia que nosso relacionamento tinha que ser regado todos os dias com amor e dedicação, agora eu estava recebendo doses cavalares de ácido e não estava nem me dando conta.
Passei vergonha em diversos lugares. Ele se emburrava e me deixava sem graça. Fazia os outros perceberem o clima pesado que estávamos vivendo. Bebia além da conta e começava com suas cenas de ciúmes. Me acusava o tempo todo. Ia embora e me largava nos lugares.
Uma das poucas amigas que falavam abertamente comigo, tentou me alertar... não adianta muito.
Meus filhos estavam sendo reprimidos e eu estava deixando.
Eu estava sendo reprimida e estava deixando. E pior que isso: me sentia culpada de não ser a pessoa certa para ele... eu queria ser... eu queria mudar minha vida para ser feliz com ele... me anulei!
No início de 2006 tivemos a primeira separação. 
Depois de umas discussões e algumas tentativas dele me fazer parecer uma idiota ciumenta, resolvi colocá-lo   para fora de casa. Esperei que fosse para o quartel, peguei meus filhos e fui para a casa do pastor Roberto. Deixei apenas uma camiseta e uma cueca para ele na lavanderia da casa. Claro que me arrependi amargamente de ter feito isso, depois, mas na hora nada melhor me ocorreu.
Eu estava com hemorragia e meu ciclo menstrual estava completamente desregulado, tamanho era o estresse que estava vivendo.
O Moacir mentia pra mim descaradamente e se eu dizia alguma coisa vinha com acusações que me deixavam ainda mais possessa. 
Quando voltei, conversamos e aparentemente voltamos as boas, embora ele tenha dito que dificilmente a gente daria certo. Chegou a me dizer que só daríamos certo se o Gui fosse morar com o pai. 
E eu sei perfeitamente que ele só não foi mesmo, porque Deus não permitiu que eu cometesse tamanha loucura.Certamente hoje eu não suportaria ter feito algo tão cruel. Não que morar com o João fosse algo ruim, mas o ato de abrir mão de um filho, de separá-lo do irmão... isso seria irreparável.
Devo exclusivamente a Deus.
Voltamos as boas, mas isso durou apenas até ele tirar a camisa e em seu peito ter uma mordida. Lógico que ele tinha uma história fantástica para justificar a mordida que para ele era a marca de um ferro. Eu acreditei... os dias sem ele tinham sido pesados demais. Estavam com saudade e precisando muito de sua proteção e conforto. Quando os meninos o viram, percebia decepção em seus olhos, mas isso não importava pra mim. A paixão é egoísta.
Alguns meses depois descobri que enquanto estava sozinho, ele foi pedir abrigo para sua ex e esta o recolheu...
A partir daí vivíamos um triângulo amoroso.
Mas não éramos só nós 3. Com o carro e depois com a moto que ele comprou a vida social do bombeiro era intensa. Para se livrar de mim, cavocava uma briga e sumia por alguns dias.
Depois voltava como um apaixonado arrependido. Eu já tinha queimado todas as suas coisas, mas o aceitava. Comprava tudo de novo e depositava todas as minhas fichas de que agora daria certo. Perdia as fichas, o dinheiro das roupas, a razão e a saúde...entrei num ciclo doentio que durou longos 4 anos. 
Quebrei minha bacia, apanhei dele e fui parar na delegacia... 
O episódio delegacia preciso relatar. 
Hoje eu dou risada, mas no dia fui tremendo de medo...


Doença da alma vem devagar, mas vem pra ficar 

Depois que escrevo e leio tudo isso, me sinto uma tremenda idiota. A manipulação é algo abominável.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Esses dias, uma mãe analfabeta foi a escola para ver se encontramos alguma solução para o caso de sua filha, mas chegou com uma história muito mais grave do que a que motivou a sua presença alí.
A coitada da mãe nos contou que sua filha tinha a engando com um documento da escola dizendo que os professores organizaram uma ida ao cinema no sábado a noite. Meu Deus, como foi triste ouvir a dor de uma mãe que mesmo analfabeta está entendendo o caráter duvidoso de sua filha.
Um filho é tudo o que temos, e esperamos deles a retribuição em forma de atitudes que comprovem os valores que a eles passamos. É amargo os ver se desvirtuando.
Fiquei com pena da humilde senhora e dei-lhe um conselho de mãe, mais do que de professora.
- Se fosse minha filha, eu pegaria uma caixa grande e guardaria todas as coisas que ela gosta: esmalte, roupas, prancha, maquiagem... tudo, e guardaria lacrado em algum lugar. Assim ela iria aprender que as coisas dentro da minha casa são como eu quero. Ela não tem a opção de deixar de estudar. Inclusive, a partir de agora só vai estudar. 
Não tomaria tal atitude por querer o mal do meu filho, mas muito pelo contrário. Essa é a forma que eu vejo de cobrar dele a sua parte... Quero meu filho honesto, fiel, trabalhador, amoroso e o estou educando para isso. Nesse processo de educar não cabe o fingimento ou a vista grossa... Encaro a realidade e luto para mudá-la por amor, profundo amor pelo bem maior que Deus me deu. 
Canso de ver gente fingindo ser mãe zelosa... não vou ousar falar de uma que me veio a cabeça nesse exato momento...
Meus filhos não são perfeitos, assim como também não sou...
Aquilo que não consigo solucionar sozinha, peço para que Deus me conduza...
Tem dado certo...
Tenho medo de não dar certo uma hora ou outra...

No episódio da aluna, acho mesmo que a mãe não vai fazer nada do que eu aconselhei... 
No fundo , no fundo ela acha que a filha vai logo voltar ao prumo... doce engano!
Os passos que damos para um lugar, absolutamente nos distaciam do lugar anterior.

Teve gente que não viu problema na atitude da menina... coisa de adolescente.

Atitude de educador que ama sua profissão, que ama gente, acima de tudo.
Hipócrita... e por acaso eu teria algum contato pessoal com um  ser assim? Não , mil vezes não... 

Me assustei hoje a tarde. Um professor se descontrolou, deu um grito e em seguida ouvimos um barulho de carteira caindo no chão, depois mais gritos. O aluno que estava sentado na minha frente empalideceu na hora e assustado me olhou nervoso. A turma toda se disperçou da avaliação que estavam fazendo e eu pedi que ficassem calmos. E logo eles começaram a me contar que esse tipo de reação é frequente na aula do tal professor. Pedi que voltasse ao silêncio e continuassem a fazer suas avaliações. Não quero ouvir o que eles querem me contar. Se eles me contam, automaticamente vão esperar de mim uma atitude... atitude essa que nesse momento não tenho força para ter... Estou cansada

Quando isso acontece, fico com uma raiva danada. Eu fui injustamente colocada no paredão porque a direção da escola me vê como uma oposição, enquanto isso, essas loucuras acontecem e ninguém faz nada. 
Isso sim é traumático, isso sim é ofensivo, é inadmissível... 
Desesperador... 
Mas quem não sabe lidar com opinião contrária, vai saber lidar com problemas reais?? 
De qualquer forma, passei para alguns membros do conselho escolar o que presenciamos eu e meus alunos do 6º ano.
Se vai surtir efeito, não sei... mas a minha pequena parte eu fiz...


Estou chateada, tenho uma amiga que está com câncer de mama.

A Rose também não está bem. Vai precisar fazer um cateterismo.
Somos tão frágeis... 



terça-feira, 18 de setembro de 2012

Somente hoje consegui me livrar da dor de cabeça que começou no sábado.
Esse calor está insuportável.
Esses dias estão pesados... precisamos de chuva com urgência.
Ontem eu ia a Ponta Grossa, mas acabei optando por estar na reunião pedagógica da escola. Claro que me arrependi.
Vieram duas professoras do núcleo para nos dar algumas dicas de como organizar as coisas na escola. Detalhe: Acabaram me pedindo  uma sugestão... acho engraçado. A diretora chama o NRE e eles acabam pedindo minha opinião... claro que eu devo ter deixado transparecer minha indignação por não trazerem nenhuma ação real que nós já não fazemos, enquanto educador indivídual... O problema da escola é que tem muita gente que não quer dar aula, dando aula... e a direção sufocando quem gosta do trabalho... acho até que os que não gostam, um dia gostavam... 
Não há trabalho em grupo, então não haverá sucesso coletivo... precisamos de um líder cativante... o que não é o caso nesse momento... contei uma pequena história e disse que não seria bom dar minha opinião... eu sei bem o que acontece comigo se falo a verdade... 
Não adianta falar sobre isso... só me estresso...
Sobre o Moacir, retomo os relatos amanhã... quanto antes eu terminar, antes enterro esse passado...
Tá decidido.
Agora vou preparar uma prova.

domingo, 16 de setembro de 2012

Vou dar um tempo dessa época da minha vida. 
Preciso parar pra saber o porquê de estar me irritando ao relatar esse período. 
Primeiro achei que ia ser ruim, depois não estava vendo problema algum, mas verdade é que de sexta para cá estou muito irritada.
Tirei todo meu esmalte da unha no dente e isso só acontece quando estou nervosa.
Com não tenho motivo, só podem ser as recordações.
A cabeça está pesada...
Não que eu tenha qualquer sentimento mal resolvido pelo Moacir, mas a carga negativa que vem dessa história me agride, ainda.
Ontem, depois de escrever, chorei.
Uma tristeza...
Eu acredito que seja por estar olhando lucidamente sobre o que vivi na emoção.
Busquei em Deus o conforto... ouvi algumas canções de louvor e fui tomar um banho... melhorei.
O desejo de escrever é grande, mas preciso organizar meus sentimentos para não fazer salada com o que já está bem resolvido.


30 de setembro de 2005, sexta-feira. O Moacir levantou cedo e foi para Ponta Grossa se internar, a cirurgia estava marcada para a tarde. Combinamos que depois que terminasse as minhas aulas eu iria para lá ficar com ele. Foi isso que fiz. Ainda estava no centro cirúrgico quando cheguei. Assim que me viu, me disse que eu não deveria ter ido, estava chovendo demais. Que fofo, estava saindo de uma cirurgia e se preocupava comigo. 
Assim que chegamos ao quarto, meu telefone estava tocando. Era o João, completamente surtado me dizendo que meu sogro estava na UTI, tinha sofrido um acidente. Demorei alguns instantes até entender de quem ele estava falando. Não eramos mais casado, logo não tinha mais sogro. 
Fiquei nervosa com a situação do seu Valdomiro e o Moacir não gostou nada de ter de dividir a cena com ele, embora não tenha dito quase nada sobre isso.
Fiquei no hospital até o horário do último ônibus, cheguei em casa as 22:00 e ainda precisava saber a situação do vô dos meus filhos. Não dormi nada nessa noite. 
No sábado era aniversário do Gui, acordei cedo, peguei o bolo que tinha encomendado para ele, me despedi dele e fui para Ponta Grossa. O Moacir saíria do hospital. Pensei que até a hora do almoço estaríamos de volta. Me enganei. Passei o dia inteiro esperando o médico dar alta. Meu coração de mãe estava partido. Meu filho estava completando 6 anos e estava sozinho com a empregada e o Fernando o dia todo. Isso é uma das minhas maiores tristezas. Meus filhos foram os que mais sofreram com essa minha escolha errada.
Lembro de ter saído por um tempo do hospital para tirar dinheiro para o Moacir pagar algumas contas da cirurgia e aproveitei para comprar o presente do Gui. Ao menos voltaria com um pacotão.
Voltamos para casa de carro oficial. Me senti importante. Já era noite quando chegamos. O Moacir estava abatido e precisava de silêncio, não pudemos fazer festa e cantamos parabéns, só nós três, o Moacir não se levantou. Percebi que estava de mau humor. Os meninos estavam quietos. Um pouco pelo tio-bombeiro doente e outro pouco pelo vô que tinha derrubado uma árvore na cabeça e estava em coma.
Os próximos 45 dias foram de licença médica e assim pude conviver com um Moacir cheio de manias e chatices. A cada dia que ele se reestabelecia, a situação ia ficando mais cansativa. 
Foi por essa época que as regras foram sendo instauradas aqui em casa.
Os meninos agora tinha hora para dormir, embora nunca tenham passado das 22:00, o novo horário era 21:00.
À mesa, não podia dizer nada. Era hora que comer, apenas.
Tinha que agradecer o alimento dizendo "Deus que ajude"
Não podiam mais brincar com seus brinquedos na sala e nem podiam brigar entre si.
Só podiam se dirigir a mim e a ele por senhor e senhora.
Aparentemente eram regras que ajudariam o convívio familiar, mas logo íamos ver que era uma forma do Moacir se impor como autoridade aqui em casa.
Das poucas vezes que ouvi os filhos dele, nenhuma delas me pareceu que eles tinham sido educados com tanta rigidez.  
Uma das meninas engravidou com 16 anos e a outra ia muito mal na escola e usava piercing, o menino era manhoso e mimado. 
Mas dos meus filhos ele queria exigir uma educação impecável. Começamos a discutir com muita frequência e a "culpa" sempre era do João Guilherme.
Demorou muito tempo para que eu enfrentasse o problema. 
Amargo foi concluir que ele agiu de forma racional o tempo todo. 
Quando chegou aqui em casa, estava doente e sem dinheiro. Cuidei dele e o ajudei a reorganizar suas contas.  Se reestabeleceu e em novembro já estava com o nome limpo. 
Ele  comprou um carro e mudou da água para o vinho como num piscar de olhos.
O homem carinhoso e prestativo tinha se tornado um tenente-coronel. Eu e os meninos eramos tratados como soldados. Eu pagando as contas e sendo inferiorizada.
Não demorou muito para que as brigas tomassem rumos mais graves e perigosos.
A essa altura brigávamos por qualquer coisa e ele me irritava muito quando dizia que queria ficar quieto e que não queria conversar comigo. 
Eu não entendo que estando dentro da mesma casa, ficaríamos emburrados um com o outro. Pra mim, problemas se resolvem na hora. Mas a essa altura era ele que dava as cartas.
Eu estava começando a adoecer. 
Com o carro, começamos a fazer um programa gostoso em família. Íamos pescar. 
E boa parte das nossas pescarias acabavam em confusão.E a culpa era sempre do Gui.
Num domingo, fizemos um churrasco na "100 árvores" e voltamos embora num climão porque o peixe que o Gui pescou tinha engolido o anzol. Não aguentei ouvi-lo xingar o menininho de 6 anos e me impus. Nesse momento eu já tinha me arrependido amargamente do erro que tinha cometido.
Mas e a minha reputação? O que os outros iriam pensar? O que meus filhos iam pensar? 
Eu tinha errado de novo? Preferi pensar que tudo se resolveria. 
O Moacir de antes não bebia praticamente nada, o de agora se mostrou um alcoolatra. 
Muitas vezes ia visitar seu filho em Ponta Grossa e voltava alterado. 
Já não queria compartilhar suas coisas comigo e se fechava dizendo estar com problemas no trabalho.
Se mostrou ciumento e possessivo e me dava motivos para ter dúvidas sobre sua fidelidade. E quando as discussões eram por esse motivo, acabava me acusando de traição e saindo de casa. Eu ficava enlouquecida de raiva na hora. Queimei suas roupas algumas vezes, coloquei-o pra fora de casa outras tantas e ele então me agrediu.
Poderia ficar relatando cada uma das discussões, mas não quero reviver essas dores. Vou pular disso para o dia que fui chamada na escola do Gui.
- Seu filho está apresentando um comportamento agressivo, está falando palavrões e está com a sexualidade muto aflorada.
Um menino de 6 anos com linguajar e ações de adolescente malcriado. 
A pedagoga encaminhou-o para fazer musicoterapia. 
Marquei as sessões e o levava até que o Marcelo me pareceu muito bom e então me encorajei de  fazer algumas sessões para, como ele disse, arrumar as gavetas da minha vida. 
Não as que continham as histórias recentes, mas as antigas. Os traumas de infância, as dores que ainda doíam sem saber.
Nessa época minha avó mandava um dinheiro pra mim e assim pude pagar a terapia.
O primeiro olhar lúcido que damos ao problema, já é começo da solução.
Ia demorar para a cura, mas ela veio.

o príncipe virou bruxo


sábado, 15 de setembro de 2012



Eu não preciso ser reconhecido por ninguém,
A minha glória é fazer com que conheçam a Ti.
E que diminua eu, pra que Tu cresças, Senhor, mais e mais




Que maravilha é poder me esconder debaixo das tuas asas, meu Deus!
Tudo corria bem, mas o Moacir não estava bem de saúde.
As vezes febre, as vezes dores abdominais. Muitos exames, muitas alterações e nenhum diagnóstico. Fomos assim, com medo por alguns meses. Pouco antes de nos conhecermos, ele foi submetido a uma cirurgia para retirada do apêndice.
As dores vinham em crises, eu não sabia  o que fazer e confesso que tinha medo, muito medo.
Numa das muitas consultas o médico perguntou se ele tinha aids, se tinha comportamento de risco. Quando  me contou, percebi um desapontamento em seu olhar. Eu também já tinha pensado nisso e estava em pânico. Era como se um balde de água fria tivesse me acordado do sonho. Enquanto os exames não ficaram prontos, não tive paz. 
Me senti culpada por ter pensado assim. Depois de muitas crises e muitas consultas o médico descobriu que  meu querido maridinho estava com pedras na vesícula e precisava de uma cirurgia. Me angustiei com o diagnóstico. Por que comigo? Por que um homem doente? Por que eu tendo que cuidar e sustentar alguém assim? E a culpa sempre vinha em dobro. Que egoísta e desumana eu era. O homem que me fazia tão bem precisava momentaneamente de meus cuidados. Não era justo que eu o abandonasse agora. Tudo logo acabaria bem. 
E foi assim mesmo que aconteceu.
Mas nem tudo estava um mar de rosas entre nós.
As desconfianças do capítulo anterior já tinham enraizado e agora germinavam vigorosamente em nosso relacionamento. As coisas já estavam mudando de cor.
Para regar a nova "plantinha" um outro episódio, ainda mais assustador. Vamos a ele:
O Moacir não queria que eu conhecesse sua ex-mulher e nem tivesse contato com ela. Justificava isso, dizendo que ela era louca e que provavelmente me agrediria. Mas eu não entendia que isso pudesse acontecer, visto que eles estavam separados há 3 anos. Como uma mulher se sentiria dona de um ex-marido tendo passado muito tempo? Ele sempre dizia que ela era possessiva, desequilibrada. Resolvi que ia ajudá-la. E foi assim mesmo. 
Uma noite, depois do jantar, fomos nós quatro, eu, Moacir, Gui e Fê assistir um desenho na tv. Eu com o Fê num sofá, ele com o Gui no outro, estávamos de mãos dadas e felizes. Mas o telefone dele começou a tocar insistentemente acabando com o ambiente familiar. Deixei os meninos na sala e chamei o Moacir para uma conversa no quarto. 
Depois de muitas ligações da Silvana e de termos discutido sobre a crueldade dela  de não deixá-lo ver seu filho pequeno, resolvi que ele deveria ligar lá e eu queria ouvir na linha a conversa. Prometi que a princípio não iria interferir na conversa. E foi assim que aconteceu depois dele ter esgotado todos os argumentos para me demover da ideia. 
O que ouvi mudou radicalmente a forma que eu via o Moacir.
Ele mentiu pra mim e agora eu estava ouvindo da própria ex-esposa, sem que ela soubesse, sem que ele pudesse freá-la. Do outro lada da linha havia uma mulher angustiada e transtornada pelo abandono repentino do marido, ocorrido há 1 mês apenas.
Soube depois que ela, inconformada com os sumiços do marido e de seus mentiras, deu-lhe um ultimato.
Ele não pensou duas vezes, pegou suas coisas e saiu de casa, sem dizer uma única palavra.
A descoberta me deu um choque de realidade, mas o que fazer àquela hora? Colocá-lo para fora?
Acabar com um relacionamento que já estava público? Me expor? Admitir que cometi um erro gravíssimo?
Preferi acreditar que as pessoas erram, que o casamento do Moacir já estava destruído bem antes do dia 1º de maio, como ouvi ser o dia do ultimato. Desligamos o telefone e ficamos sem palavras os dois.
Por alguns minutos, não tinha nada  que me viesse a cabeça. Estava em frente a um homem desconhecido, mentiroso e traidor.
Se eu não fosse passional, teria calmamente pedido que fosse embora da minha casa e me desse um tempo para pensar. Fiz exatamente o contrário. Mas não foi por paixão, unicamente... Muitos fatores contribuíram para a minha rápida decisão. Só não faço mais besteiras, porque minha capacidade de raciocínio não é muito lerda. Preciso trabalhar essa minha impulsividade... mas isso é assunto para outro momento.
- Olha, Moacir, eu não vou mandar você embora por causa disso, afinal se você era casado, agora não é mais. Só quero saber porque mentiu pra mim. - mostrei ao inimigo todas as minhas armas apenas com uma frase. O que se seguiu foram pedidos de desculpas, olhares de cachorro caído da mudança e juras de amor eterno que nos levaram a terminar nossa discussão na cama. A essa altura, eu não sabia que as pessoas nos observam e nos manipulam com tanta facilidade.
E no outro dia, acordei pensando que aquilo ali não estava certo. Olhe para o homem ainda deitado e sofri. Um sofrimento de não durou nada, pois ele logo acordou e ficou me observando.
- O que foi que está me olhando?
- Nada, é que nunca vi como é lindo uma mulher se arrumando. - Olho para a cama agora e posso vê-lo ainda deitado, apoiando a cabeça nos braços e falando suavemente comigo. Minha reação espontânea foi voltar até e ele e lhe dar um beijo. Fui trabalhar, voltei ainda algumas vezes ao desconforto da noite anterior, mas o trabalho, os filhos, o amor e o tempo formam colocando tudo num lugar que parecia confortável.
As discussões já estavam estabelecidas, eram vários os fatores em que discordávamos, porém eu sempre acabava vencendo e ele fazia as minhas vontades. 
- Promete que não vai mentir pra mim, nunca?
- Prometo, claro. Você não merece ser enganada. Você é maravilhosa. O que sinto por você nunca senti por ninguém. Você me completa. Com você sou feliz. Com você é para a vida inteira...- eu acreditei em tudo isso, mesmo.
Tudo voltou a ficar bem.
A Silvana iria se acostumar com isso, as pessoas que me cercavam não sabiam de nada e dali para frente o Moacir encontrou o amor verdadeiro. Não havia porque me preocupar. Problemas todos temos.
A cirurgia foi marcada para o dia 30 de setembro de 2005. 

O começo das dores 




sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Na mesma semana que aconteceu o "incêndio" em Piraí do Sul estávamos jantando em casa quando o telefone do Moacir recebeu uma mensagem. Ele curioso, logo viu do que se tratava. Quando perguntei, me respondeu apenas que era sua ex mulher cobrando a pensão. Sua feição mudou e logo percebi que ali tinha algo mais que isso. 
Terminamos o jantar e quando estávamos assistindo jornal pegue seu celular para ler a mensagem. Ele me disse que tinha excluído, mas como percebi que estava bloqueado e com senha, exigi que me desse para ler. Fui taxativa como, depois, não consegui mais ser. 
- Ou você desbloqueia esse celular, ou pode pegar suas coisas e ir embora daqui, agora mesmo!
Antes de me entregar o celular, veio com algumas desculpas que antes fortaleceram do que dissiparam minhas dúvidas.
Não lembro ao certo o que disse, mas a minha mão estava preparada para receber o celular. Eu estava ao lado da porta. Foi a primeira vez que me alterei com ele, mas não posso dizer que brigamos, pois ele me entregou o telefone e se sentou na cama esperando que eu tirasse minhas conclusões.
A mensagem era de uma mulher, e falava de querer encontrá-lo... pena que eu não lembre ao certo seu conteúdo.
Ficamos um bom tempo discutindo sobre o que tinha acontecido, ele inventou muitas desculpas. Me mandou ligar para um outro bombeiro, falei com este e até com a mulher. Xinguei-a. Ele continuava parado jurando inocência, a mulher tentou me acalmar, para evitar complicações e o outro bombeiro para apagar o fogo que estava surgindo me encheu de certeza de que a mulher era louca e que o Moacir era apaixonado por mim. Acreditando que estava sendo injusta com ele, dei por encerrado o assunto. Fomos dormir em paz.
Mas eu não estava em paz. Na manhã seguinte fiquei repassando tudo o que tinha acontecido, e a mim me parecia que a história não estava bem contada. Alguma coisa não se encaixava. 
Engraçado, que foi nesse momento de dúvida sobre sua fidelidade, que resolvi assumir publicamente nosso relacionamento, quando deveria ter feito exatamente o contrário. Isso me lembrou o que aconteceu no meu namoro com o João. Tomei uma decisão no calor da dúvida e escolhi o que racionalmente não deveria ter escolhido. Vou pensar muito ainda sobre isso.
Conversei sobre o ocorrido com minha ajudante, que não sabia o que dizer, talvez ela tenha achado que eu estava vendo chifre em cabeça de cavalo. Não estava. O cavalo tinha um chifre e era enorme...
Mas o tempo é fenomenal, foi apagando toda a angústia e a alegria voltou a reinar por mais algum tempo.

Dê ouvidos a sua intuição, ela está do seu lado, sempre.


Pensei que relembrar dessa parte da minha vida me traria algum desconforto, me enganei.

O que me entristece é outra coisa
é outra pessoa...
é outro momento...
mas vai passar...




Adoro essa música!

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Essa fase boa do nosso relacionamento durou 8 meses e posso dizer que foram os 8 melhores meses da minha vida. Eu tinha alguém com quem podia contar, um grande amigo, um parceiro maravilhoso para conversar e namorar. Nos dávamos bem em tudo. Um completava o outro. 
Ele me contava suas angústias e eu ouvia com entusiasmo. Também contava as minhas e recebia muito carinho e sempre ele terminava me abraçando e me fazendo sentir amada e protegida como jamais eu havia me sentido. 
Lembro de um fim de semana que assistimos o filme "Dois filhos de Francisco", me encantei com o homem sensível que estava comigo. Cheguei a acreditar que Deus tinha me presenteado... ele terminou o filme em lágrimas, estava visivelmente emocionado.
Quando não estava no quartel, estava em casa fazendo pequenos reparos ou plantando, ou cortando grama, recolhendo cocô de cachorro...
Não tinha vícios, não saia sem mim... tudo era perfeito demais.
Ou era eu que via assim...
Foram poucos os sinais que tentavam me clarear a ilusão.
O dinheiro sempre foi contado aqui em casa, então se eu guardava um dinheiro dentro de algum pote, eu sabia exatamente que estava lá e quanto era. Nessa época os meninos eram muito pequenos para se interessar por dinheiro, então quando me sumiu uma pequena quantia, estranhei. Perguntei para minha ajudante que era de extrema confiança e ela não sabia. Achei chato, quase desnecessário até, mesmo assim perguntei se tinha sido o Moacir.
Tinha sido... me devolveu e disse que não pensou que isso me causaria alguma preocupação... mas me causou... Por que será que ele pegou algo que era meu, sem pedir? 
A partir daquele dia fui vendo que tudo que era meu já estava mudando de dono... mas ainda assim não vi problema nenhum nisso.
Outro fato que me jogou um clarão que nem percebi foi o episódio lasanha em sábado de amor.
O Moacir passou o dia trabalhando e combinamos de comer uma lasanha quando ele voltasse para casa à noite. Comprei os ingredientes e passei boa parte da tarde na cozinha caprichando no jantar. Quando ele chegou em casa, tomou banho e estava muito tranquilo... Tudo corria normalmente até que meu celular tocou e era do quartel. Estranhei, afinal porque no meu celular? Eu tinha telefone fixo... Por que não no telefone do Moacir? Foram perguntas que me fiz somente muito tempo depois.
A ligação era de emergência, estava tendo um incêndio em Piraí do Sul e precisavam de reforços... adeus jantar romântico... ou pelo menos até mais tarde... e fiquei com essa segunda opção até as 2 da manhã, quando minhas esperanças começaram a perder forças e as troquei por outros sentimentos e sensações...
Liguei para o telefone do Moacir muitas vezes e ele não atendia. Mandei mensagem e nada. Nessa época eu não sabia quase nada sobre a forma que os bombeiros se comunicavam em serviço, mas não era nada diferente dos outros mortais. Realidade: O bombeiro foi atender uma ocorrência grande e não levou nenhuma forma de comunicação com a base... Claro que para todos essas minhas dúvidas ele tinha respostas imediatas que me faziam parecer uma adolescente insegura e tola... me acalmei e continuei vivendo o conto de fadas, mesmo quando só consegui falar com ele no dia seguinte depois das 10 horas da manhã. 
- Oh amor, o que foi que aconteceu?
- Nada, ué, por quê?
- Como nada? Você sai daqui às pressas dizendo que logo voltaria, não atende as minhas ligações durante a madrugada toda e agora que são 10 horas está com voz de sono e me diz que nada aconteceu?!
- Meu amor, vida de bombeiro é assim. Não dá pra prever quando as coisas vão acontecer. Mas não se preocupe. Está tudo bem e quando eu sair daqui a gente conversa. Eu já falei hoje?
- Não!
- Eu amo você e tudo vai ficar bem, você vai ver.
E o que eu vi, na verdade não quis ver. A verdade voltaria a clarear nesse mesmo assunto alguns dias depois, mas naquele momento o que me movia era o desejo de ver meu maridinho novamente e bem. 
E foi exatamente isso que aconteceu.

Esse intitulo A luz da razão nunca apaga

Estou muito cansada esses dias. Voltei a ter dor na nuca, fui medir a pressão e não era isso... 11 por 8... tudo tranquilo.

Estranho tomar remédio e não passar a dor... agora está mais leve, mas presente... Deve ser pelo fim de bimestre... muitas coisas para corrigir... a cabeça sempre baixa.

Ganhei umas flores de uma aluninha, hoje... tão lindinha e melhor ainda foram as palavras da cartinha... tão dóceis. Ela me comparava a uma reunião de chocolates... Um versinho que nunca tinha visto...

Uns são intruidos a fazer uma carta me agredindo... outros sem nenhuma pressão me escreve com carinho... 
Preciso aprender a colocar na balança os bons e os maus momentos e ver que os bons são infinitamente mais...  Vou aprendendo... demoradamente vou indo!

Que venha o sábado! Tô precisando dormir... e já vou indo mesmo!