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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Tivemos mais algumas brigas depois de encerrada a terapia e numa dessas, tranquei a porta da casa para que o Moacir não entrasse. Lembro dele correndo atrás de mim como um louco na rua, mas eu gritei e ele me soltou. Ele não teve tempo nem de pegar seu celular. 
Eu aproveitei para esconder celular e carteira com seus documentos pessoais. Coloquei-os dentro do puxa-saco, junto com as sacolas para lixo. Mas por mais que eu fosse rápida, ele era muito mais rápido que eu. 
Fui trabalhar acreditando que ele não poderia fazer nada sem documentos e sem roupas. Mas ele fez. Sem que eu soubesse, ele tinha a chave da casa, no quartel.
Me esperou ir trabalhar para entrar na minha casa e pegar suas coisas. Menos a carteira e o celular escondidos. 
Sempre o achei muito inteligente, mas tinha horas que me parecia um idiota. 
Se tivesse ligado no seu celular teria encontrado facilmente. Quando voltei, tinha levado até sua televisão. Fiquei com muita raiva, mas não paramos por aí. 
Logo que cheguei em casa, recebi um telefonema da delegacia. Um policial queria saber o que tinha acontecido pois "seu Moacir" tinha ido lá reclamar que eu estava com seus documentos pessoais.
Desliguei o telefone dizendo para o policial que em menos de 5 minutos eu estaria lá e assim o fiz.
Me pelando de medo e muito nervosa bati na delegacia que já estava fechada para atendimento ao público e entrei pelo portão lateral, por onde certamente entram os criminosos. 
Lá dentro com cara de homem ofendido estava um Moacir fardado acompanhado de seu comandante, um policial civil e eu, uma mulher de pouco mais de um metro e meio.
Não sei de onde me veio toda a força que me veio mas acabei com a moral dele na frente de todos. Se ele queria se fazer de vítima de uma mulher desequilibrada, seu defensores se depararam com uma professora honesta, trabalhadora e mãe de família que coloca uma pessoa em sua casa com boa-fé e agora está passando por uma situação vexatória enquanto seus filhos estão sozinhos em casa. Contei que ele entrou em minha casa com uma chave que ele copiou, sem autorização minha. 
O comandante do bombeiro não pronunciou uma única palavra e ficou de cabeça baixa o tempo todo. O Moacir me fuzilava com o olhar e o policial tentava me convencer a entregar a carteira com os documentos dele e eu convencia todos eles de que o Moacir os tinha manipulado e que agora estavam todos passando por fanfarrões. 
Fui embora dizendo que no dia seguinte certamente entregaria tudo o que era dele, desde que ele me desse o que era meu e o que eu havia gasto com ele.
Cheguei em casa muito nervosa e chorando. 
Tenho raiva de mim, pois choro facilmente...
Na manhã seguinte o comandante me ligou pedindo para nos encontrarmos para uma conversa informal. Sugeri que viesse até minha casa e ele o fez, sem demora.
O que se seguiu foi um pedido de desculpas regado de grandes revelações sobre o homem que tinha tornado minha vida um inferno.
Ficamos conversando por quase duas horas. 
Agora eu entendo bem o porque do Moacir continuar comigo depois de tantas coisas. Ele me odiava e a cada dia mais. Seu objetivo era me destruir. Inicialmente uma destruição do coração, mas depois disso comecei a ver que ele queria mais que isso.
A conversa com o comandante resultou na transferência do Moacir para Telêmaco Borba.
Ouvi muitos conselhos do comandante que me contou um pouco de sua vida e de como se livrou do alcoolismo. Posso dizer que nos tornamos amigos, mesmo que depois nunca mais nos vimos.
Fiquei sabendo que uma das preocupações do comando era o porte de armas do Moacir, que nos dias de serviço gastava horas desmontando e limpando armas com uma obsessão assustadora. Disse ele que  o Moacir fumava compulsivamente. 
Nossa, como ele podia fumar se eu nunca tinha percebido nada? A mim sempre falava contra o cigarro. 
Não eram as primeiras e nem seriam as últimas mentiras dele.
Depois dessa visita o Moacir demorou 15 dias para voltar a me procurar, mas voltou e voltou para dentro da casa também. 
E assim começamos uma outra rotina doentia. Ele voltava, e sempre me presenteava. Ganhei muitas coisas, muitas roupas, sapatos, móveis, acessórios. Ele as vezes escolhia, e as vezes me levava escolher. De certa forma me comprava. Mas o preço que eu pagava depois era bem caro.
Quando ele ia embora eu ficava muito nervosa, sem comer, sem dormir por uns 3 dias e quando voltava a vida normal ele aparecia, para decepção dos meninos. O ciclo recomeçava.
Como eu pude ser tão idiota? até hoje não consigo entender.



A delegacia, o Comandante e Davi


O frio de hoje está horrível. Estou com sono. Amanhã, sendo quinta-feira, dormirei até tarde... não vou tirar o Pedro da cama hoje, vou dormir agarradinha com meu docinho...maravilha!

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