Real Time Web Analytics

domingo, 31 de março de 2013


Só eu sei
As esquinas por que passei
Só eu sei só eu sei
Sabe lá o que é não ter e ter que ter pra dar
Sabe lá
Sabe lá
E quem será
Nos arredores do amor
Que vai saber reparar
Que o dia nasceu
Só eu sei
Os desertos que atravessei
Só eu sei
Só eu sei
Sabe lá
O que e morrer de sede em frente ao mar
Sabe lá
Sabe lá
E quem será
Na correnteza do amor que vai saber se guiar
A nave em breve ao vento vaga de leve e trás
Toda a paz que um dia o desejo levou
Só eu sei
As esquinas por que passei
Só eu sei
Só eu sei
E quem será
Na correnteza do amor...


Amo essa música, amo Djavan, amo MPB, amo música de qualidade... 


Hoje é Páscoa, estou bem tranquila e feliz, embora com uma dorzinha chata de cabeça. 

sábado, 30 de março de 2013

Fiquei muito feliz hoje ao ceder aos inúmeros convites e ir ao culto na Igreja que alguns alunos frequentam.
É uma presbiteriana pentecostal. 
Muitos jovens, muitos meninos.
Cantaram rap. E apesar de não gostar do ritmo achei muito legal.
Ver aqueles meninos em busca de sentido para suas vidas é algo que dá sentido pra minha vida. 
Eu não sei se vou frequentar essa igreja, mas de fato gostaria de trabalhar com jovens.
Fiz isso durante um tempo na Igreja do Pastor Roberto. Foram tempos bons...
Eu preciso encontrar um lugar para me plantar... não vou frutificar se não criar raiz...
Ir à igreja hoje me fez pensar em outras coisas... isso é bom.
Não posso deixar de dizer que meu aluno querido veio me convidar especialmente aqui em casa e se ajoelhou agradecendo quando eu disse que iria. Fiquei tão sem jeito com sua atitude, mas considerei sua reação. Ver seu carinho por mim, me comove. Já falei desse garoto antes... Ele é especial para mim também.
Sempre critico a igreja por ter me abandonado nas horas que poderia ter me ajudado e agora que tenho um convite especial o tratei com indiferença por tantas vezes. Eu sou mesmo uma idiota egoísta.
Ontem chorei compulsivamente ao assistir A Paixão de Cristo... 
Assisti esse filme no cinema com o João... Não me lembro de ter me tocado tanto quanto ontem...
Fato é que estou mais próxima de voltar à igreja do que nunca.
E isso me dá uma alegria que transborda... me sinto bem mais calma...

sexta-feira, 29 de março de 2013

Olha o que encontrei... se o Gui vir isso, ele me mata...



Meu doce-amargo gostava da Manu. Sim, claro que gostava e ainda gosta, mas não pode demonstrar o que sente porque tem que ser o insensível que quer sempre parecer. 
Tá virando homem e está cada dia mais parecido com seu pai.
Vejo o João em muitas atitudes do Gui, mas é engraçado que não me irrito com isso.
Muitas vezes me pego pensando em como eu deveria ter agido para manipular o temperamento explosivo dele. Não tive essa sabedoria lá. Tenho tentado ter agora. 
A diferença de tratar como Gui é que ele é subordinado a mim, isso facilita alguma coisa.
Mas não pense que isso é tarefa fácil. Realmente tem dias difíceis. 
O Fernando é o que mais sofre. 
Quero crer que isso passa, tão logo a adolescência se vá  e suas mudanças se estabilizem.
Temo pela dificuldade que ele apresentava em estabelecer amizades. Para tentar amenizar isso, ele tem me pedido para andar de bicicleta com alguns meninos e eu tenho deixado. Morro de medo de algum acidente com esse tal de downhill, mas eu preciso deixar que crie asas e vínculos com o mundo.
Nisso também o Gui sai em vantagem em relação ao pai: ele tem uma mãe com algum conhecimento de psicologia e pedagogia, diferente da dona Anália, tento entender mais do que me ofender com os rompantes e estou com os olhos e os ouvidos atentos a todos os detalhes. 
E a melhor de todas as vantagens do Gui é que ele tem irmãos e, mesmo que a duras penas, está aprendendo que a vida é uma sucessão de dividir e perder, onde a força física nem sempre ganha. E quando ganha, nem sempre dá  gosto de vitória.
Meu doce-amargo é realmente como um doce-amargo. 
E nele posso entender o que significa esse tal de amor incondicional.
Não vá tirando suas conclusões precipitadas, meu doce-amargo é um menino de ouro. Responsável, dedicado, inteligente, estudioso, educado e sempre que possível amoroso. Sua amargura, se é que amargura seria um substantivo adequado, não está sempre presente.
 Não, não é adequado... amargura é uma característica permanente, e ele não traz isso permanentemente com ele e nem ficara com ela por mais tempo. 
Desde que voltou das férias percebo que  tem demonstrado um reconhecimento de sua impaciência, isso já é um sinal de que as coisas estão melhorando. 
Reconhecer o erro é o primeiro passo para a solução dele.

Falei, falei e falei do Gui e deixei de lado a Manu, cachorrinha linda que se apresenta nessa foto como uma angelical criatura. Como você já sabe minha opinião sobre aparência, deve logo concluir que uma vez também já fui adepta das boas aparências e peguei esse cachorrinho lindo de olhos azuis simplesmente por sua beleza. Hoje estou aqui com sua sexta geração de filhos, tentando me livrar dessa geradora incansável de filhotes que sabe abrir o portão e rouba galinhas dos vizinhos. Quando consegue escapar corre como uma louca e traz sempre de presente para mim uma galinha. 
O que será que passa na cabeça dos cães? 
Apesar de ser o Gui o tratador oficial, é em mim que eles veem o afeto.  
Mal sabem eles que não compartilho dos mesmos sentimentos. Estou aguardando que lhes aconteça alguma fatalidade e eu possa comprar um cachorro para ocupar o lugar da Morgana ou da Mena no meu coração. 


Morgana - minha doce e enlouquecida Morgana
precisamos sacrificá-la, pois teve complicações no parto.


Vou procurar uma foto da Mena e falo dela em breve.






quarta-feira, 27 de março de 2013

Ah, quantas vezes estive bem assim, ouvindo minha vó contando histórias do livro de contos de fada que tanto me encantavam. 
Ah, que dorzinha apertada que dá aqui no peito de lembrar disso.
De ainda ter no nariz o cheiro do quarto dos meus avós.
De ainda ter nos olhos a imagem da coberta ferrugem do vô Horst,
De ainda ter nas mãos os doces que tantas vezes ganhei do vozinho diabético que compartilhava com os netos a culpa de se fartar de coisas proibidas.
De ainda ter no coração a falta que eles me fizeram durante todos esses longos anos de distância.
Querido neto-leitor, você não imagina a vontade que tenho de tê-lo nos braços e poder te contar histórias que você levará para toda sua vida.
Eu me agarro nessa remota possibilidade de contribuir com sua educação, isso me dá uma doce sensação de que posso repetir as boas histórias da minha vida.
Mudarei as personagens, mudarei o tempo, mudarei o lugar, mudarei o final da história, mas não mudarei o amor.

Amanhã casa vazia, filhos em festa e eu em silêncio para reconstruir pontes.

Introspectiva, mas tranquila...


segunda-feira, 25 de março de 2013

As músicas apontam sempre algum caminho.
Gosto de ouvir música quando preciso de alguma resposta.

All this feels strange and untrue
Preciso falar da minha dificuldade em resolver pequenos problemas.
Não gosto de pagar contas ou consultar meu saldo no banco. Logo depois de me separar, tive sérios problemas por não ter uma organização nesse sentido. Não que eu tenha alguma organização em outros setores da vida. Não tenho. E também não me preocupo com isso. Onde preciso realmente ser organizada, sou. Meu trabalho e meus filhos são prioridade absoluta. O resto vou levando. Mas confesso que muitos pequenos problemas seriam evitados se eu fosse mais ligada.
Sei que muito dessa minha desatenção aos assuntos burocráticos da vida se dá pela minha ansiedade.
Várias vezes repeti para mim que eu deveria mudar. Que consultar meu extrato no banco ou não consultar não alteraria nada. Mas minha ansiedade me consome e sou vencida por ela sempre.
E acabo me escravizando e adiando soluções que me trazem mais estresse.
Já melhorei um pouco, mas falta muito pra ser bom.
Amanhã vou ter que correr atrás de algumas questões burocráticas que urgem. Só de pensar me dá uma canseira.
Hora de colocar em prática o APER, acho que está me faltando a força de saber que tudo se resolve, mais dia, menos dia.

domingo, 24 de março de 2013

Aparência... eis uma palavra fdp.
Enquanto o mundo se preocupar com o que os outros estão pensando, a aparência vai determinar muito mais do que o amor, muito mais do que a verdade, muito mais do que a felicidade, muito mais que a paz. 
E por quê?
Porque o que os outros pensam é mais importante do que o que eu penso, embora eu saiba que o que eles pensam não muda nada na minha vida e que o que eles pensam agora, cai por terra, se caso eles estejam na minha situação. 
As pessoas julgam facilmente e encontram soluções para os problemas alheios, mas quando o problema muda de lado, eles também mudam os conceitos. E é uma bola infindável de opiniões e razões que antes nos nublam as ideias, tirando  pouca razão que temos.
Dar ouvidos as opiniões dos outros é aceitar a infelicidade que eles nos impõem.
Falo isso, porque tenho uma grande amiga que me deu uma lição de moral muito dura, agora pouco. Precisei tomar uma banho muito quente para acalmar meu coração.
Falo isso, porque estou numa situação complicada. Quem dera as aparências fossem jogadas no lixo e todos os homens pudessem viver livres.
Falo isso, porque vejo mais do que devia das coisas que nem me dizem respeito, mas que convivem comigo sem me pedir licença.

Não é amargura que me motiva essa reflexão. Não estou amarga, pelo contrário, estou recarregada de amor. Estou cheia da esperança de que agora vou me tornar uma pessoa melhor e que vou fazer um amor como no texto do Arthur da Távola, que postei alguns dias atrás. 
Afinal, enquanto as pessoas se preocupam com suas aparências eu me preocupo com o que realmente sou e no que quero me tornar e vou me construindo e reconstruindo sem medo de nada porque no fundo Nietzsche tinha razão:
"Tudo o que não me mata me fortalece."
E Deus tinha ainda mais razão quando inspirou Paulo a escrever I Co. 13.
A partir de hoje vou trabalhar meu temperamento porque quero ser mais amor do que razão.
A  tarefa será tão difícil quanto vocês abolirem essa vida de aparência que os torna tão vazios.



Neto-leitor, estou com saudade de você. Prometo lhe dedicar alguma reflexão em breve. Estou tão atribulada nesses dias que me perdi da essência desse blog. Logo tudo isso passa e voltamos ao normal. Quero te contar sobre seu pai e seus tios. Quero te contar o quanto me sinto amada pelo Pedro e o quanto ele trouxe amor infinito para minha vida. Do quanto ser mãe do Fernando, o inteligente da família, é gratificante e o quanto tenho aprendido de paciência e amor incondicional com meu doce-azedo Gui. 
Você precisa entender que essa velhinha que as vezes te olha em silêncio aprendeu a ser essa tranquilidade que transmite, numa tarefa árdua de construção e reconstrução.
A sabedoria é o resultado final do viver, infelizmente.

sábado, 23 de março de 2013

Profundamente triste!
Algumas dores que parecem insuportáveis se fortalecem ainda mais, chegando ao ponto de me destruir. Tudo  que eu preciso é de um lugar para sofrer quietinha a minha angústia.
 Invisível, mas latente

quarta-feira, 20 de março de 2013

Saudade do tempo em que eu tinha um lugar seguro e estava protegida de todo o perigo.
Todo o tempo da ignorância, de certa forma foi um tempo seguro.
A experiência de vida traz o esclarecimento que é luz que clareia.
As sombras que antes eram possíveis monstros, agora são apenas imagens reais.
O imaginário é sempre mais seguro do que o real.
O que não é, é sempre melhor do que o que é.

Palavras cinzas para combinar com o dias cinza que insistem em permanecer por aqui.

terça-feira, 19 de março de 2013

Ando cansada demais, parece que não tenho o pique de antes. Ontem cheguei em casa com frio e sem vontade de fazer nada. A única coisa era me enfiar debaixo das cobertas e assistir novela. Esqueci a Veja e o livro na escola. Comi uma canja e cama.
Tinha algumas coisas bem interessantes para considerar ontem, mas não tive ânimo. Nenhuma tristeza real. Talvez algum pré-sentimento, mas não quero pensar sobre isso. Quero usar a pouca força para me fortalecer. Esse tempo é para isso. Isso é necessário.

Domingo fui mesmo conhecer o padre Gilmar. Nossa, como ele realmente torna a missa em algo diferente. Um pouco estranho aos padrões tradicionais, mas gostei muito. O Gui também gostou e talvez a gente comece a frequentar a igreja católica. Têm algumas questões que não me agradam nessa igreja, mas acho que me desagradam menos do que os pastores capitalistas das igrejas evangélicas.
Quando fui morar em Maringá, com meu pai, eu era obrigada a ir à missa todos os domingos e foi ali nesse contexto maluco que Deus foi se revelando para mim. Já devo ter falado sobre isso, mas não me canso de contar que aprendi sobre a existência de Deus sozinha. Não houve ninguém que tenha me conduzido a fé. Deus me puxou pela mão e me fez percebê-Lo e eu O percebi.
A vida com um alcoólatra não é fácil.
Saber qual é o humor do bêbado quando ele chega em casa passado da hora é uma atividade, ao mesmo tempo necessária e impossível. Desenvolvi uma técnica.
Quando eu ouvia o ronco do carro dele chegando, corria para a sala e ficava sentada esperando que ele abrisse a porta. Eu tinha exatos 2 segundos para observar-lhe o cabelo. Se estivesse bagunçado ele estava bravo. Praticamente todos os dias ele estava bagunçado e isso era sinal de longas horas ouvindo a mesma ladainha de sempre. O final da noite era sempre uma tensão geral e uma tristeza misturada como ar de deboche típico dos adolescentes. Rir por dentro, ridicularizá-lo por dentro era tudo o que eu podia fazer.
Por fora, o ar de filha respeitadora e feliz que tanto o alegravam contribuíam para que as horas infindáveis acabassem por findar.
Aula no dia seguinte, noite mau dormida e milhares de segredos escondidos no coração me faziam ser uma adolescente revoltada, sem poder demonstrar minha revolta. Vai ver que é por isso que hoje não guardo minha revolta. Falo tudo o que sinto e não freio meus impulsos. Aprendi que guardar e frear na verdade são tão prejudiciais quanto liberar. Optei pelo segundo por saber que este não adoece só a mim. Vai comigo quem me feriu. A lei da sobrevivência. Tem dado certo até hoje. As doenças psicossomáticas ainda não me atingiram.
Foi numa dessas noites de dores internas que conheci Deus. Meu pai chegou tarde como de costume, ouvi o motor do carro. Mas diferente das outras noites, nessa, eu teria de enfrentar o leão sozinha, a Gládis estava viajando. Não seria nada fácil. Mas nesse dia eu falei com Deus. Deitada no quarto escuro eu pedi.
"Deus, se o senhor existe, não deixe o meu pai vir aqui no meu quarto me chamar."
Assim, com essas palavras eu aprendi que Deus podia ouvia meus pedidos e naquele dia ele fez mais do que ouvir, Ele atendeu.
Quem conheceu o doutor João Gualberto Ferreira Jr sabe que só mesmo Deus poderia o impedir de estragar com a noite de seus subordinados. E isso aconteceu.
Infelizmente não consigo me lembrar da emoção dos dias seguintes a essa grande descoberta, mas sei que houve.
E assim passei a conversar com Deus nos momentos de angústia.  Muitos dos meus pedidos não foram atendidos, mas muita coisa que nem pedi, ganhei. E assim fui desenvolvendo uma relação com Deus que perdura até hoje.
Sei que muitas pessoas que não viveram metade do que sofri, não sabem a experiência maravilhosa que é saber que Deus existe e está com a gente nos momentos mais drásticos. Talvez seja para me dar essa certeza que Deus permitiu  tudo o que permitiu para mim.
Consigo encontrar alguma semelhança entre mim e Jó. Salvo a diferença de Jó ser santo e eu pecadora.
A adversidade fortalece a fé e no meu caso ela fez mais que isso. Ela criou a fé.
Depois de ter tido essa experiência eu comecei a ter sensações estranhas em relação as missas obrigatórias que nós não frequentávamos.
Certamente já falei dessa passagem.
De quando eu aprendi que fugir da missa tornava a minha semana um inferno ainda maior que já era e que assim acabei por perceber que Deus só queria de mim uma hora semanal de devoção. Deixei de ir para os encontros com a moçada para sentar na igreja e ouvir e não entender nada do que o padre dizia. Não importava pra Deus isso.O importante era que eu estava lá, pensando Nele e dando o meu pouco tempo para Ele.
Assim a semana ia bem, mesmo.
Aprendi que Deus queria meu tempo e de recompensa me dava uma semana boa. Isso aprendi sozinha com Deus.
Lembrei disso ontem, quando contei para a Vilmara o que tinha me ocorrido no dia e ela me respondeu:
"Viu, você foi a igreja ontem e Deus fez um milagre."
Lembrar de suas palavras, nesse instante me faz os olhos em lágrima. Ter uma vida com Deus é o que me fez milagrosamente ser quem eu sou. Tudo, absolutamente tudo que sou, devo a Ele.
Ter uma amiga como a Vilmara é também algo maravilhosamente importante para mim.

Vá falei da experiência com Deus e da minha alegria por ter uma amiga tão minha amiga, agora me falta ainda falar do milagre de ontem e para isso preciso voltar para a sexta-feira.
Você lembra que eu disse que me aconteceu algo ruim, mas que eu queria pensar sobre o ocorrido para não escrever motivada pela raiva?
Pois é, a raiva não passou ainda e talvez não passe nunca, mas o término do problema me dá uma alegria que não cabe em mim. Os problemas são sempre dolorosos e ruins, mas a solução deles dá uma alegria que modifica a vida. Os problemas são necessários para as alegrias virem intensas. Que venham mais tristezas cheias de mais alegrias. Pago o preço.
Bem, estou eu dando minha aula tranquilamente na sexta, quando uma pedagoga anti-ética qualquer me aparece diante da minha mesa me mandando retroceder de uma ação. Mandei tarefa de casa para meus alunos e  para isso eles precisavam levar os livros para casa. Livros esses que por incompetência da direção da escola, precisam ser compartilhados com os alunos da tarde.
Pois bem, como ela não conseguiu que eu recolhesse os livros com os alunos, ela resolveu passar por cima da minha autoridade de professora e exigiu que os alunos devolvessem os livros. Como se ela de fato tivesse alguma autoridade superior a mim. Sou professora, estou fazendo o meu trabalho e ninguém tem o direito de interferir e me expor tão levianamente.
Claro que minha reação não podia ser diferente, os alunos estavam presenciando o diálogo macabro então eu para encurtar a cena, pedi que eles devolvessem os livros, peguei minhas coisas e sai da sala. Ficar ali, totalmente desmoralizada era a última coisa que eu queria.
Ao chegar na sala dos professores fui recepcionada pela rainha suprema que aos gritos me disse:
"Até segunda ordem os livros ficam em sala de aula."
E eu rapidamente num tom muito mais equilibrado que o dela, pedia:
"Então a senhora faça uma ata dizendo isso, porque daí eu vou atrás de livros para os alunos."
Quando a pessoa se desequilibra ela não grita, ela urra. Aos urros me veio a reposta:
"Eu que mando aqui, se eu quiser eu faço, se eu não quiser eu não faço e eu não vou fazer."
Claro que não ia, acho que essa lição ela já deve ter aprendido:
Não escreva nada que possa constituir prova contra você. Oras, se é dela a gestão da escola, é dela também a responsabilidade de que todas as instâncias aconteçam de forma adequada. Se é direito de todos os alunos terem livro, porque é que alguns não tem?
Porque no final do ano anterior ela tinha um prazo para requerer livros novos, e ela não o fez da forma correta. Vieram livros, mas não suficientes. Uma professora reprovou praticamente uma turma toda, então o número de alunos do 9º ano seria muito maior. Mas como saber disso? Não há conselho de classes? Claro que há, mas a gestora precisa querer se inteirar disso. Como já escrevi várias vezes aqui, os interesses dessa senhora me parecem duvidosos.
E aqui começa o que eu só soube ontem, claro, e que vou chamar de milagre, embora não seja um milagre na definição exata da palavra, afinal é completamente compreensível que meus alunos tenham agido dessa forma. É tudo o que se espera dos alunos. É para isso que estou lá.
Apesar do desejo e da intervenção negativa, meus alunos me conhecem e sabem a que vim.
Depois que terminou a aula, os representantes da turma foram até a direção e lhe apontaram suas falhas, bem como a falha da pedagoga anti-ética. A diretora, segundo relato dos meus alunos, continuou contando dinheiro, sem olhá-los dando a impressão de pouco caso. Ma isso não os demoveu do que foram fazer lá. Continuaram apontando as diversas falhas, saíram dizendo que tirariam xerox das páginas de tarefa, para não serem prejudicados. Claro que fizeram isso, mas antes ainda tiveram que ouvir  que o custo do xerox seria meu, ainda mais uma vez os alunos foram em minha defesa dizendo que pagariam o valor.
Quando foram à biblioteca, encontraram alguns livros didáticos, irados por não verem razão desses livros estarem esquecidos em uma estante, voltaram até a direção da escola e questionaram-na. A resposta que obtiveram foi de que não havia livro para todos, então não tinha porque os livros estarem em sala de aula. Os meninos me disseram que tão logo ela falou isso, retrucaram que poderia não ser suficiente, mas já ajudava.
Oras, meninos e meninas tão novos e tão mais sábios que gente velha.
Pense em eles me contando isso. Não posso negar e nem vou fazer isso. A alegria foi tão grande, mas tão grande que não coube em mim.
Meus alunos, além de me defender, fizeram minha tarefa. Esses mesmos alunos que enquanto alunos da professora reprovadora eram considerados "I.N.S.U.P.O.R.T.Á.V.E.I.S" em letras garrafais para melhor representar a maneira com é dito deles e de tantos outros.
Para encurtar essa já longa história, (eu e a minha mania incansável de tornar em histórias longas os acontecimentos cotidianos) ontem resolvi dar uma olhadinha no horário da tarde da turma da professora reprovadora e tal não foi minha surpresa de constatar que não há aula de Português nas sextas-feiras para a turma da tarde. Isso indica que tanto faria se os meus alunos levassem o livro ou não, visto que na segunda pela manhã os livros estariam repousando calmos e serenos esperando serem utilizados no período da tarde.
Tudo isso para que? para mostrar que mesmo quando estou fazendo tudo direitinho tem sempre um fdp pra vir me atazanar, ou ainda: Mesmo que tenham fdp atrapalhando, há gente que sabe do meu trabalho, do meu caráter e gostam de mim ao ponto de enfrentarem batalhas junto comigo.
Sou beija-flor apagando fogo da floresta, mas não estou sozinha e isso é maravilhoso.
Obrigada meus Deus por ter me permitido presencias mais essa grande experiência de ter sentido nesse mundo.

Sou desagradável, e tenho atitudes desagradáveis porque ensino meninos a pensar. Quanto mal estou causando para a humanidade? Ainda bem que não nasci na Idade Média, senão nessas alturas já estava morta.





domingo, 17 de março de 2013

Vou a missa e isso é tudo que quero dizer.
Ah, também quero dizer que estou relendo o texto que passei com os alunos. 
A partir de ontem quero fazer um amor bonito. Terei trabalho, mudar os outros é difícil, mas mudar a gente mesmo também não é tarefa fácil.
Falei demais.

Padre Gilmar preciso ouvir a palavra de Deus...

sábado, 16 de março de 2013

Ontem o dia foi pesado, mas quero ter uma visão menos ardente, por isso falarei do ocorrido na segunda.  
Enquanto isso vou lendo meu livro protetor... a bruxa ninfomaníaca está solta.

quinta-feira, 14 de março de 2013

"Quando já se passou por muita coisa ruim na vida, cada dor adicional acaba sendo, a um só tempo, insuportável e insignificante." Yann Martel - As Aventuras de Pi

Se toda a história  do livro fosse uma porcaria (obviamente não  é) o livro já teria valido apenas por essa frase na nota do autor. 

Encontrar frases de efeito nos livros ou filmes é uma tarefa muito prazerosa. E encontrar uma frase tão tocante logo nas primeiras páginas potencializa muito o desejo de continuar a leitura. Vou fazer isso.

Obrigada leitora, senti sua falta... pensei que você tivesse me esquecido ou ainda definitivamente sucumbido na escuridão da ignorância. Devo confessar que estava com saudade de sua ansiedade. Isso me alegra, afinal, consigo perceber que não estou só nessa luta. Buscar respostas e a verdade é atividade maravilhosa, quando se encontra o que se procura, mas é também muito árdua tarefa quando se quer algo que não se consegue ou ainda não se tem exatamente. A dúvida e a incerteza tornam a caçada algo estranhamente incomodo, dolorido até.
De qualquer forma, volte sempre que a pulguinha do desconforto te picar. Dê valor a pequenos fatos que parecem ser insignificantes. Tudo, absolutamente tudo, tem importância fundamental quando se está numa guerra. Inclusive as picadinhas da pulguinha do conhecimento.
 Eu dei um nome para a minha pulguinha. Ela se chama Intuição. Dizem que as mulheres tem mesmo um pacto real com essa tal de intuição, por isso dei esse nome a minha preciosa sugadora de sangue.  Intuição é no fundo, no fundo uma fofa. Estar com ela é algo muito bom. Apesar de me sugar o sangue e as  vezes até as forças, somos amigas de fato e ela nunca, mas nunca vai me trair

E a você catarina:  vem sempre e desculpa os erros. Ilustres visitas são sempre bem vindas. 
Estou precisando ter aulas de retórica com um doutor.
 Desculpe a brevidade do recado. 

Poucas informações sempre me colocaram num papel mais de observador do que de interlocutor. 
Aquilo que me é novo, me é suspeito. Não vejo nisso algo negativo, antes associo com a frase inicial. Pé atrás, mantendo o equilíbrio necessário. 
Estou precisando urgentemente voltar a minha prazerosa leitura. Não que estar aqui  me cause desconforto, não mesmo, mas entre leituras e escritas, prefiro as primeiras. 
Mas antes quero deixar uma frase que me beliscou as ideias nesse instante. Ah, Intuição, você de novo!!!

Se acalme, que tudo a seu tempo, vai se esclarecer. A luz por mais fraca que esteja, sempre se sobressai à escuridão. Roxana

quarta-feira, 13 de março de 2013

Enquanto tem gente nervosa se incomodando comigo eu leio...




Esse livro é do filme que assisti no sábado que eu disse que estava querendo ler. 
A Vilmara trouxe... maravilha.
Se hoje eu for acordada novamente na madrugada, gastarei o tempo lendo uma história bonita.
Estou cansada do meu vício nos joguinhos.
Estou muito cansada, não consegui fazer a aula de ginástica, me parece que a gripe vai me atacar.
Que venha, amanhã é minha folga... posso passar o dia na cama e será um pretexto e tanto pra fechar a porta e ler o dia todo.

terça-feira, 12 de março de 2013

Para quem quer aprender a gostar


"Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia.  Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama.
Saia cantando e olhe alegre. Recomenda-se: encabulamentos, ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar, e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar sempre, se possível com beijos, 'aquela conversa importante que precisamos ter'; arquivar, se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama, toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que a pouca atenção pode ser toda a atenção possível. Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter.


Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como: asinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração; contar a verdade do tamanho do amor que sente. Jogue por alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede ser. Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteira, mas criando sempre. Gaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil. Reviendo os carinhos que intuiu em criança. Sem medo de dizer eu quero, eu gosto, eu estou com vontade.


Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor, ou bonitar fazendo o seu amor, ou amar fazendo o seu amor bonito (a ordem das frases não altera o produto), sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você é, e nunca: deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi possível, ser.


Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma. Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. Cuide de você. Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz."
Arthur da Távola


Trabalhei essa crônica com os alunos do 9º ano e achei tão interessante e verdadeira que quero compartilhar com meus leitores. 
Difícil foi fazer a correção das questões de interpretação e não deixar transparecer  que eu estava me sentindo diretamente atingida pelo texto. 

segunda-feira, 11 de março de 2013

domingo, 10 de março de 2013

Era 11 de maio de 1993, posso precisar a hora: 20:33hs.
O que ouvi ao telefone ecoa em mim até hoje. 20 anos se passaram, talvez mais 20 sejam necessários para que eu consiga esquecer ou entender e aceitar a noite horrorosa que passei nessa terça-feira macabra. 
Mas não é sobre isso que quero falar. Meu foco é a estratégia que criei 2 segundos após ter desligado o telefone sem ter dito mais do que alô.
Falar do que me acontecera a alguém? Quem? Não, não há ninguém que entenda isso, seria uma exposição desnecessária, visto que a situação era irreversível. Ninguém conhecia a Marion e suas maldades melhor do que eu. Tudo já estava decidido pra ela, logo para mim também.
Ao subir as escadas que me levavam ao 3 andar do dormitório feminino, onde se encontrava o meu quarto, tive uns dois minutos para recompor a feição amarelo diarreia que se apresentava em meu rosto. Respirei fundo e abri. a porta  As lágrimas que ficaram no canto dos olhos foram imperceptíveis para minha colega de quarto que apenas perguntou se era algum problema e eu respondi: "Não, minha mãe só queria saber se cheguei bem." 
A decisão já tinha sido tomada e eu não abriria mão dela por nada. Viveria no IC os últimos dias da minha vida sem que nada pudesse transparecer. Continuei sendo exatamente igual, namorando igual, estudando igual, me alimentando igual.
Nessa época namorava um menino chamado Willian, ele era legal comigo e eu estava aproveitando para ser feliz o restinho de tempo que me cabia. Foi assim até que nos despedimos na rodoviária para as férias de julho. Quando entrei no ônibus e nenhuma pessoa conhecida podia me ver, chorei. Chorei de Castro a Curitiba sem parar. Um choro quieto, lágrimas doídas. Rumo a um destino absolutamente incerto. 
Os detalhes da despedida das amigas, da escola e do Willian também tenho guardados aqui. Sofri quietinha. Ninguém soube de nada. Só eu...
Essa tinha sido minha estratégia. Segui meu objetivo rigorosamente a risca porque é pra isso que servem as estratégias. Para serem pensadas e seguidas criteriosamente a risca. 
Se eu tivesse mudado os planos e me feito de coitadinha, talvez as coisas tivessem tomado outro rumo, mas não era outro rumo, era esse. Tinha que ser esse.
Foi assim que aprendi o APER (Amanhã os problemas estarão resolvidos).
Isso facilitou muito as coisas para mim. Não falar da dor me parecia não existir dor. Assim armazenei a força para as batalhas posteriores. Foram muitas as batalhas posteriores.
A única coisa que não saiu como eu planejei, foi meu desempenho escolar.
A Rita me chamou em sua sala, logo que voltamos das férias, para me perguntar porque minhas notas tinham baixado. Não eram vermelhas, mas eram aquém do meu potencial, segundo ela. Ainda aí menti, colocando a culpa no meu namorico com o Willian. A essas alturas Wilian já era página virada Eu já tinha sofrido a separação. Estar com ele novamente não significava mais nada pra mim. Nosso namoro durou mais algumas semanas e se perdeu. Não teve um ponto final... ficou uma reticência.. como quase tudo na minha vida.


Djavan - encantador
Não estabeleça nenhuma relação do texto com a música, pois não há. 
Escolhi apenas porque adoro Djavan e essa música é uma das minhas preferidas



"Por ser exato
O amor não cabe em si
Por ser encantado
O amor revela-se
Por ser amor
Invade
E fim!!"





O plano era simplista, mas ainda assim bom. Tudo estava perfeito O estudo do inimigo, o estudo das ações, os objetivos. A única coisa que fugiu do controle foi o exército. Seu exército não cumpriu a risca suas determinações. No livro Arte da Guerra o autor é taxativo quanto ao soldado desobediente. Eu não penso assim... Eu encontro algo bom na sua má atuação. Eu encontro a mão de Deus. E eu fico feliz porque Ele cuida de tudo, inclusive do soldado desobediente. Devo confessar que seu soldado é infinitamente mais aceitável do que seu líder fariseu.  
Bosta, a raiva está passando... 
Mas eu tenho memória de elefante... essa é uma história que também vai demorar uns bons anos para ser fagocitada.

sábado, 9 de março de 2013





As aventuras de Pi - Filme maravilhoso



"Acreditar em tudo ao mesmo tempo é a mesma coisa que não acreditar em nada"

"Palavras são tudo que restou pra eu me apegar. Tudo misturado, fragmentado. Não sei mais distinguir pensamentos e sonhos de realidade''. 


"Até quando Deus parecia ter me abandonado, Ele estava me vigiando. Mesmo quando Ele parecia indiferente ao meu sofrimento, estava vigiando. E quando eu perdi toda a esperança de ser salvo, Ele me deu descanso, me deu um sinal para eu continuar a jornada".



"Em algum lugar dois olhos estavam felizes por eu estar lá. Eu tinha certeza que Richard Parker olharia pra mim, que de alguma forma sinalizaria o fim do nosso relacionamento. Mas ele não o fez. Ele desapareceu para sempre da minha vida. Eu chorei como uma criança, não por estar aliviado por ter sobrevivido, embora estivesse. Eu chorei porque Richard Parker me deixou sem nenhuma cerimônia. Partiu meu coração. Todos estavam certos, Richard Parker nunca me viu como amigo. Depois de tudo que passamos juntos ele nem olhou pra trás, mas eu acredito que havia mais nos olhos dele do que apenas o meu reflexo me olhando de volta. Eu sei disso, eu senti, mesmo que não possa provar. Olha, eu deixei tantas coisas pra trás... Suponho que no fim a vida seja um processo de abrir mão, mas o que sempre me doeu mais foi não ter um momento pra dizer adeus. Eu nunca pude agradecer a minha mãe por tudo que eu aprendi com ela, dizer a ela que sem suas lições eu nunca teria sobrevivido. Eu devia ter tido a Richard Parker, acabou! Nós sobrevivemos! Obrigado por salvar a minha vida, eu te amo. Você sempre vai está comigo e Deus com você"...



Essa frases são do filme. 
Adorei... vou ler o livro... 
Já vou ligar pra Vilmara me emprestar.
Se o filme é lindo, imagino a maravilha ainda maior que será a leitura.





Começo a achar que se fôssemos mesmo canibais eu seria devorada. Está me parecendo que há mais do que ódio nisso, talvez uma admiração? uma inveja?
O que me penaliza ainda mais, porque poderíamos ter unido  forças e sido felizes.
Mas você optou por me atacar... mesmo eu cuidando do indiozinho da sua tribo.

Não vai falar de ESTRATÉGIA?
Vou, calma, vou sim
Não falar faz parte da minha estratégia... 


Nossa, estou muito besta hoje.
Estou feliz, vai ver que é isso!



sexta-feira, 8 de março de 2013

Vou falar de Estratégia, mas hoje me deu uma preguiça.
 Então uma imagem... Que dizem  valer mais que mil palavras... Eu não concordo... 

O assunto de hoje é ESTRATÉGIA.
Não agora, depois da cansativa tarde calorenta de sexta.
Sexta-feira é cruel... 10 aulas...
Volto mais tarde... 

quinta-feira, 7 de março de 2013


É o que temos para essa tarde de chuva...

Acho que tem gente me confundindo com a Madre Teresa de Calcutá. Sim, só pode ser isso.
Será que tenho cara de boazinha criatura que se comove com histórias contadas?
Oras,  me comovo sim com histórias reais, de pessoas reais. Mas não é qualquer história que se encaixa nisso e também não é sempre que deixo claro em que estou acreditando.
Têm vezes que é mais fácil fazer que acredito.
Gosto desse joguinho de me fazer de idiota vez ou outra.
Durante um tempo, minha distração era participar de debates com ateus que me viam como uma idiota. Tinha um que me xingava até. Diferente do que se espera, eu não me sentia ofendida por isso. Tirando suas grosserias, aprendi muito de argumentação, debatendo com ele. Não mudei um centímetro das minhas convicções, mas entendi muito sobre física, ou outras ciências.
Me fiz, e era, de certa forma, idiota mesmo e isso me deu uma certa vantagem.
Mas nesse momento, sobre essa história, eu cansei desse papel. 
Prefiro as coisas reais e certas, sem nenhum tipo de obscuridade. 

Recebi um email me pedindo mais clareza nas histórias, devo contar logo o que me afligiu durante as férias, período que me propuz ser feliz e no entanto não fui. Fico fazendo mistério porque estou com medo. 

Meu querido amigo-leitor, não é nada disso. Nem fico fazendo mistério, nem estou com medo de alguma coisa. Estou esperando para relatar porque sou impulsiva. Sou presa da geração Y. Quero as coisas pra já e do meu jeito, sou egoísta e se eu não tomar cuidado com minha personalidade, vou acabar fazendo coisas que me causem arrependimento. 
Não que arrependimento seja algo ruim, talvez não seja. Mas eu não gosto do crescimento que vem do arrependimento. Me dá uma sensação de burrice, de não ter pensado antes de agir.
Experiência própria: sempre que agi sem pensar, me dei mal.
Não que tendo pensado ganhei sempre, mas a consciência estava tranquila e então isso era um ganho.
É esse o motivo, apenas esse: Estou esperando que as emoções ardentes virem cinza... Então poderei falar sem me queimar com elas. E isso logo vai acontecer... elas já estão em brasa fraquinha. 
Enquanto isso, não brigue comigo, vamos falando de outras coisas, menos complicadas.


O Pedro está sob minha observação. Dei-lhe o remedinho para febre ontem e pela manhã, como minha garganta também está dando sinal, o tempo anda chuvoso e ontem ele foi tomar sorvete como João, imagino que não seja nada sério. Espero mesmo que não precise levá-lo ao médico... 

Tirar a tarde para ler. Vou à biblioteca. Antes a chuva precisa passar. 


quarta-feira, 6 de março de 2013

Pedro com febre, folga de amanhã a procura de médico.

As aulas de ginástica têm me feito bem, não sinto mais dores na bacia. Estou esperando o inverno para comprovar definitivamente que fazer exercícios físicos contribuíram 100% para o meu desenvolvimento integral. 
No inverno as dores se intensificam. Por enquanto fico curtindo a alegria de não acordar com dor e sentir os nervos da região da bacia se prenderem e travarem minha respiração e andar.
Estou confiante que o incomodo crônico já me abandonou.
Foram dores diárias por 5 anos ininterruptos. 
Então dá pra imaginar a alegria de não as ter mais.
Eu tinha uma preguiça muito grande de iniciar as atividades. 
No começo tive dores de cabeça insuportáveis, não aguentava o pique da aula e parava várias vezes para tomar água. Hoje as dores de cabeça não existem mais e não paro para tomar água uma única vez. Faço todas as flexões e já consigo coordenar movimentos de pernas e braços direitinho. 
Vejo meu desempenho e me alegro com minha superação.
Ainda preciso ter mais molejo na dança, mas como estou apresentando melhora, acredito que logo chego lá.
Todo esse benefício ainda vem acompanhado de uma valorização pessoal que eu acredito ter contribuido para a rápida elevação da minha autoestima. 
Os últimos problemas me fragilizaram e eu achei que ia ser difícil voltar ao ponto em que estava antes deles. Estava enganada. Estou me sentindo bem, realmente bem.
Claro que isso não é mérito apenas da ginástica. Deus é fundamental para a pronta restituição.
Novamente vejo sua mão protetora.


Texto confuso, volto mais tarde para editá-lo.

terça-feira, 5 de março de 2013

Cheguei angustiada do trabalho. As histórias dos alunos me comovem, mas a de hoje, contada da forma que foi, me deu um nó na garganta. Fiquei com ela a tarde toda e não consigo tirar da memória o rostinho do garoto que me olhava com seus olhinhos pedindo minha atenção. Ele terá muito mais que isso. Seremos amigos pra sempre. Se ele quiser, serei sua mãezinha postiça. 
Sua mãe mandou que fossem ele e seu irmãozinho tomar café na casa do tio e foi embora. Nunca mais voltou. Eram muito pequenos, mas o garoto me contou como se sentiu depois do abandono. Eu fico com uma raiva de mulheres que fazem isso com seus filhos. Não entendo tanta crueldade. Talvez ela tenha seus motivos. Eu não aceito nenhum deles. Filhos são exclusividade. Nada, absolutamente nada os substitui.
Ninguém é mais importante que os filhos. 

Quando vejo criança sofrendo, entendo que não tenho o direito de lamentar por meus pseudo-sofrimentos. 
Me sinto injusta, egoísta, desumana até... 
Tenho muito mais motivos para agradecer do que para chorar...

Outra tristeza na escola é que um aluno nosso que foi passar o fim de semana na praia  se afogou. Está internado em estado gravíssimo lá em Paranaguá. Tão jovem... precisando de milagre...

Os milagres são tão raros... 




segunda-feira, 4 de março de 2013

Segundas-feiras são sempre segundas-feiras e eu costumo dizer que adoro as segundas-feiras porque elas são o dia mais longe da próxima segunda-feira.


Cansada demais, calor demais e pra piorar meu dia começou as 3:50 h. Nada em especial, apenas acordei e não consegui dormir. Li até voltar o sono e ele voltou pouco antes do despertador me chamar. É sempre assim. Tudo certo, fazia tempo que isso não acontecia. 
O bom de ter uma noite mal dormida é a certeza de que a próxima noite será muito boa.
Ainda mais quando junto com o cansaço acumulado tem uma aula de ginástica. Minha cama está me chamando e eu estou indo destemida em seu encontro.
Falo das aulas de ginástica amanhã. Se eu soubesse que eram tão prazerosas, teria começado antes, bem antes.
Estamos indo em bando, eu a Vilmara, a Dina, a Raquel e hoje a Marcia. Dar risada, suar e sentir o corpo melhor tem contribuído para a melhora da alma. Fênix é assim!

domingo, 3 de março de 2013

Meu querido neto-leitor acho que você deve estar confuso com as coisas que tenho escrito ultimamente. São realmente coisas meio sem conexão com o que eu havia proposto inicialmente, mas é assim que as coisas vão acontecendo com escritores que não sabem escrever. Você terá que ter muita paciência com sua vozinha. 
Logo vou esclarecer o que houve e assim você vai acabar entendendo os sentimentos conflitantes que voltaram a assombrar a velha-vó.
Por hora basta que saiba que tudo já está mais ou menos resolvido. Os fins de semana com os filhos sempre foram muito reconfortantes e fortalecedores. Já estou de pé e sorrindo novamente... o céu ainda dá sinais de chuva, mas o arco-iris prova que a tempestade está sendo vencida pelo sol. Duvido que alguém normal ao olhar para o arco-iris não esboce um sorriso. 
Ontem, meu querido, pensei em você. Fui jogar as rosas, agora definitivamente mortas, mas queria deixar uma pétala como lembrança então onde colocaria?  
Quase que como por milagre me veio a imagem o livro "O poder da oração" Claro, esses livro é o lugar perfeito para guardar a pétala! Eles tem entre si uma relação. Não preciso nem dizer que esse pequeno livro estará na velha estante. 
Outro fato bastante interessante sobre o episódio de ontem, foi a página que aleatoriamente abri para pousar a delicada pétala. Veja o que dizia:
Senhor, busco sua face nesse momento e peço que, ao fazê-lo, o Senhor me mostre para onde devo ir. Sua presença me consola, e me sinto confiante e segura por saber que estou andando em sua vontade. Ajude-me a continuar no caminho que o Senhor preparou para mim. Que eu o busque todos os dias para obter direção e não tente fazer as coisas à minha maneira. Ajude-me a manter meus olhos no Senhor durante todo o tempo. 

E o versículo: Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos. 
Salmos 32:8

Agora me fale menino: Tem como continuar triste com tal cuidado?
Saiba que não vou a igreja porque não consigo mais crer nas pessoas que a dirigem, mas minha fé em Deus é inabalável. Eu preciso encontrar uma igreja e um líder que me ajude. Hoje vou à missa do Pe Gilmar. Quem sabe não é ele?
Ninguém mais que eu, deseja de coração, voltar a servir ao Senhor em obras que deem a sensação de ser útil. Preciso disso.
Querido, não estranhe. Dentro do livro está um raminho de uma margaridinha também e não é apenas uma pétala, são duas e a etiqueta da floricultura. Desde menina sou de guardar as coisas que significam algo para mim. Me lembro da Marion me ridicularizando sempre por isso. Não importa o que os outros pensam sobre mim. O que de fato importa é o que sou e o que Deus quer que eu seja.



Ontem enquanto almoçávamos não pude aguentar e acabei brigando com os mais velhos. Estava praticamente impossível de aceitar a forma que estavam se tratando. Depois de passado o estresse inicial me ocorreu a ideia de fazê-los escrever sobre qualidades e defeitos um do outro e seus também. Ficaram quase uma hora sentado em silêncio preenchendo linhas e mais linhas. Quando terminaram, fui ler e deixei que ficassem ainda mais tempo olhando um para o outro. Achei engraçadinho o que o Fernando escreveu e a maneira que o fez. Um menino encantador e de uma inteligência mais encantadora ainda.
Mas uma coisa me preocupou. Entre seus defeitos, ele disse que se achava feio. Não consigo entender que ele se sinta feio. O menino é muito bonito. Ainda mais agora que está usando aparelhos e arrumando seus dentinhos. 
Falei para ele que nessa fase dos 7 aos 12 todas as pessoas ficam meio estranhas por terem os dentes de adulto em corpo de criança, mas que isso é só uma questão de tempo. Logo ele ficaria mais bonito que já era. Não o acho bonito por ser coruja. O menino é realmente bonito. 
Sei bem que sua baixa autoestima está ligada ao fato do Gui ficar o tempo todo ridicularizando-o quando não estou presente. Tivemos uma longa conversa, onde ambos choraram emocionados e prometeram se tratar melhor. Até agora tudo parece ter melhorado mesmo, mas vou ficar mais atenta.
Irmãos brigam, isso é normal, mas os pais precisam ficar de olho. 
Guardei as folhas, elas me serão úteis nas próximas vezes que eu tiver que interferir nos embates fraternos.
Textos escritos são reveladores, se constituem prova e serão usados contra a gente vez ou outra.
No meu caso, não serei leviana. 
Li, interpretei e só ousarei usá-los se for para o bem.