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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Enquanto você não der o primeiro passo, ficará no mesmo lugar. Basta o primeiro passo e o que era, já não é mais. 
Por mais difícil que seja, é importante o recomeço, o refazer-se, o retomar.
As quedas nos tornam mais humanos, mais reais...
Hoje acordei sem medo... Vou retomar a vida de fato... Responder aos amigos...
Hoje percebi que há vida me precisando...
Essa sensação de vida é o melhor antídoto contra a maldade...
E aos maus, o tempo...
E Deus...




Fui à ginástica, fui vencida pela chantagem emocional... 
Tá certo, preciso lembrar que a atividade física me ajuda muito em relação as dores na bacia.
Não aguentei muito tempo, comecei a ficar tonta com os movimentos de girar. Consegui fazer outros e alonguei... estou me sentindo muito melhor... 

domingo, 28 de abril de 2013

O Gui me pediu desculpas, não antes de me testar de várias maneiras. De certa forma me sinto bem por não ter cedido e nem me descontrolado. Ser mãe de adolescente não é fácil.

Acordei as 5 da manhã novamente, tive tonturas e sinto ainda a cabeça pesada, outra coisa que tenho observado é que quando acordo e estou muito cansada ainda, minha perna fica se movimentando de forma meio involuntária por diversas vezes de uma maneira muito estranha. Mas pela minha reação com  o problema do Gui, acho que mesmo que eu não perceba, o tratamento está fazendo algum efeito. 

Também não me sinto com vontade de falar sobre nada, nem os acontecimentos do passado, nem os últimos. 
Verdade é que não tenho vontade de fazer nada, nada mesmo... por mim ficava deitada o dia todo lendo.
Terminei ontem As Aventuras de Pi. Estou bem ansiosa para começar a ler Garota Exemplar. Li uma resenha que me deixou bastante interessada. Hoje leio as revistas e amanhã começo o novo livro.

Uma última frase de impacto de As Aventuras de Pi para deixar saudade:


"Na vida, é importante concluir as coisas do modo certo. Só então a gente pode deixar aquilo para trás. Caso contrário, ficamos remoendo as palavras que podíamos ter dito, mas não dissemos, e o nosso coração fica carregado de remorso."


Gosto dos livros porque se terminam bem posso voltar para eles quando sinto saudade e se termina mal, fecho-os e está tudo acabado. Que bom seria se a vida pudesse ser assim...



sábado, 27 de abril de 2013

Nono dia de tratamento e também nono dia que não durmo direito.
A partir de amanhã a dose aumenta e talvez as coisas se regularizem.
Continuo sentindo melhora, mas ainda não estou completamente bem. Sei disso porque continuo sem vontade de ver meu celular. Ele fica na primeira gaveta do criado-mudo, bem à minha mão, no entanto vez ou outra acendo-o, vejo que têm mensagens e ligações, mas não quero ver. Tenho medo...
Nem o telefone fixo não quero atender e não atendo. Tenho medo...
Enquanto não vencer esse medo, sei que não ficarei bem, sei também que esse meu medo é uma besteira. Mas é maior que eu.
Sou assim e já falei disso... Quem sabe a psicóloga me ajuda a enfrentar a realidade com mais coragem...
Eu preciso disso.

Aproveitei o dia para descansar. Brinquei com o Pedro e o Fê. O Gui continua bem arredio, mas como estou mais calma, consegui ignorar seu olhares desafiadores e pela primeira vez não me sinto culpada por ter lhe tirado os celulares e a bicicleta. Ele merece o castigo. 

A semana que vem vai ser mais tranquila, está tendo jogos estudantis aqui na cidade. O Amanda serve de alojamento. Faremos umas atividades extra para não precisar repor aula. Pra mim tudo isso é muito positivo.     
Vou ter mais tempo para me recuperar. 

Vou terminar de ler as Aventuras de Pi e dormir...o remédio já está fazendo efeito, sinto a cabeça pesando. Isso me entristece profundamente.



sexta-feira, 26 de abril de 2013

Estou acordada desde as 3:20 da madrugada, não estou com sono, mas meu corpo está cansado. 
Estou com problemas com o Gui. Têm dias que não é fácil. Ontem ele resolveu sair de casa. Já era noite, não demorou muito a voltar, mas foi suficiente para me deixar muito nervosa. Liguei para o João e acabei tendo que conversar com seu Valdomiro que veio aqui para me ajudar. No final das contas ele acabou me falando algumas palavras de conforto. Bem diferente de nossa última conversa.
Uns 20 minutos depois o Gui aparece com a cara mais lavada e entra como se nada tivesse acontecido. 
Tomou uma bronca bem dada do João e está de castigo por tempo indeterminado. Não é fácil. 
Ele se preocupa muito conosco, mas está na adolescência e se acha o dono da casa. As vezes sinto que ele inverte os papeis e eu me torno a filha. 
Ainda bem que estou bem tranquila, não vou entrar no joguinho dele. Sou a mãe e eu que mando. Ainda bem que o João está me apoiando. 
Estou meio confusa hoje, não estou ordenando bem as ideias. A tosse e a falta de ar estão me tirando a concentração. 
Vou parar por aqui.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Ontem a noite eu já me sentia melhor, bem melhor. 
Hoje até dei risada e consegui fazer humor com algumas situações, sinal de que estou quase voltando ao meu estado original. Claro que ainda tenho algumas vertigens e me sinto um pouco angustiada, mas nada se compara aos dias da semana passada.
A voz ainda não está completamente reestabelecida, mas amanhã ao menos poderei dar aula sem que minha garganta arda. A tosse ainda é feia, mas minhas tosses sempre são feias.
O Pedro também já esta melhor. Estamos na fase de dar carinho um ao outro, fazer dengo e se curar. 
E agora o que faço com esses remédios? 
Bem, como sei que sou ansiosa e que se eu não me tratar, certamente outra crise vai me abater, vou continuar o tratamento e quando o doutor me vir novamente, quero dizer que faço questão de continuar o tratamento. Vou até a psicóloga. Preciso ouvir alguma fórmula mágica sobre como sublimar o meu passado.  
É nele que estão todas as respostas. Eu sei disso, sei também que minhas escolhas na vida também têm raízes lá. 
Estes dias estive pensando sobre a minha personalidade. Optei por ser pessoa respeitável, profissional competente, mãe atenta e amorosa. Faço sempre o meu papel da melhor maneira que posso, no entanto escolhi para mim homens com perfis exatamente opostos ao meu. Agressividade, promiscuidade, maldade, vícios, mentira... coisas que eu abomino são a marca principal deles, não que os três tenham todas essas características, mas ao menos uma, sim. 
Talvez a psicóloga me diga que eu procuro neles o que eu proibi em mim. Será?
Mas se ela me disser isso, não terá dito nada de novo... me dá uma preguiça de pensar que vou conversar com uma psicóloga sobre assuntos tão constrangedores. 
Me dá uma preguiça de começar tudo de novo...
No fundo no fundo, bem que estar doente é estar numa situação cômoda. 
A vida cobra atitudes que não estou disposta a ter...
Quem sabe esse seja um sinal de que eu pense que estou curada, mas que na verdade é só uma maneira ardilosa de me enganar.
Na dúvida, sigo o tratamento e espero honestamente me curar da ansiedade.
Estou sozinha em casa, como há muito não estou, vou aproveitar isso pra me sentar em frente a TV e assistir alguma bobeira, tomando um chá como eu fazia lá no início do meu casamento. Uma época tranquila que nunca mais vai voltar...


quarta-feira, 24 de abril de 2013


Felicidade

Marcelo Jeneci

Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz
Sentirá o ar sem se mexer
Sem desejar como antes sempre quis
Você vai rir, sem perceber
Felicidade é só questão de ser
Quando chover, deixar molhar
Pra receber o sol quando voltar
Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz
Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais
Melhor viver, meu bem
Pois há um lugar em que o sol brilha pra você
Chorar, sorrir também e depois dançar
Na chuva quando a chuva vem
Melhor viver, meu bem
Pois há um lugar em que o sol brilha pra você
Chorar, sorrir também e dançar
Dançar na chuva quando a chuva vem
Tem vez que as coisas pesam mais
Do que a gente acha que pode aguentar
Nessa hora fique firme
Pois tudo isso logo vai passar
Você vai rir, sem perceber
Felicidade é só questão de ser
Quando chover, deixar molhar
Pra receber o sol quando voltar
Melhor viver, meu bem
Pois há um lugar em que o sol brilha pra você
Chorar, sorrir também e depois dançar
Na chuva quando a chuva vem
Melhor viver, meu bem
Pois há um lugar em que o sol brilha pra você
Chorar, sorrir também e dançar
Dançar na chuva quando a chuva vem
Dançar na chuva quando a chuva vem
Dançar na chuva quando a chuva vem
Dançar na chuva quando a chuva vem
Nada de trabalhar e nem sentar no lago, fiz um programa diferente.
Fui a uma exposição de arte sobre os índios. Gostei do que vi, me assustei também. Senti cheiros, tive sensações e me desliguei de mim. Tive a impressão de me sentir real novamente. Estou viva!
Meu passeio cultural não parou ali. Fui até a biblioteca central e fiquei por alguns minutos conversando com uma moça inteligente. Trocamos ideia sobre como melhorar o espaço e ela me agradeceu grandemente por ter lhe apontado uma nova forma de abordagem ao leitores jovens. Gosto de pessoas estranhas, elas não nos olham com olhares preconceituosos. Conseguem nos ver como somos, ou como pensamos que somos.
Espero receber notícias da biblioteca. 
Ainda passei na igreja matriz, fiquei por alguns minutos apreciando a arte barroca. Não gosto da arte barroca, mas respeito o trabalho rico em detalhes. Fiquei observando o contraste estranho do barroco com o moderno: lustres rico em detalhes contrastando com holofotes modernos, os afrescos dividindo espaço com caixas de som de última geração, todas as imagens de santos entalhadas em madeira maciça no mesmo ambiente de um telão gigante. Achei tudo tão feio. Por que não deixam a matriz impecavelmente como era em 1700? A modernidade estraga e torna o passado desnecessário. Não gosto desse tempo. Quem sabe em 1700 as coisas fossem mais tranquilas para as almas das pessoas. Menos consumismo, menos gente, menos informação, menos sofrimento...
Se eu acreditasse em vidas passadas, iria querer saber o que eu era no período barroco. 
Todas as pessoas que fizeram regressão, dizem que eram princesas nessa época, usavam vestidos decotados e longos. O mundo devia ser povoado apenas de princesas e príncipes, um ou outro cigano, mas nenhum pobre, miserável ou assassino. Por essas e por outras que não acredito nessas coisas.
Pra mim, uma vida só já está de bom tamanho para as minhas besteiras que faço. Imagina se eu tivesse umas 200 reencarnações? Jesus do céu, não quero nem pensar...
Me sinto melhor... consegui passar um lápis no olho e um batonzinho...minha aparência está melhorando visivelmente a cada dia... isso é bom!
O chá da noite não fez efeito. Fui dormir antes das 9:00 hs e acordei do bom sono as 00:58 hs,  depois  o sono foi muito agitado, acordei várias vezes. As 8:00 estava de pé com uma dor de cabeça bem forte. Tomei um analgésico e fui para a escola. Ao menos lá o Pedro não estaria gritando e meu trabalho atrasado da semana passada me preencheria o tempo e a cabeça. Isso foi bom.
Agora estou sonolenta,  me sinto cansada, a garganta está melhor, mas uma tosse feia está  atacando.
As pessoas, o tempo todo me alertam para o fato de que estou abatida e muito magra. Quanto ao abatimento, concordo com elas. Mas quanto a magreza, não. Se tem uma única coisa boa nessa história é que eu emagreci. 
Cheguei a quase 52 kg no inverno passado, isso me incomodava bastante, tentei emagrecer, mas prefiro comer a fazer regime, então nada de emagrecer. Perdi um pouco no step, mas nada se compara a agora. 
Logo a aparência volta a ficar corada e as pessoas não vão relacionar minha magreza a minha saúde, e sim a  estética. 
Falando em step, não consegui fazer a aula de segunda e nem estou pensando em ir hoje. Cansei do step, cansei meio de tudo. Se a Vilmara não me vier com alguma chantagem emocional, vou desistir mesmo de fazer ginástica.  
A tarde vou trabalhar mais um pouco e depois vou sentar um pouco debaixo de uma árvore no parque. Ficar em silêncio absoluto sentindo a natureza. Preciso disso...

terça-feira, 23 de abril de 2013

A medicação está fazendo o mesmo efeito, novamente acordei de madrugada, mas hoje eu não me deixei levar por pensamentos, visitei minha fazendinha e procurei umas músicas árabes instrumentais. Dormi logo, mas o melhor foi o não pensamento. O dia seguiu tranquilo, embora eu esteja sem voz ainda. 
Amanhã não tem aula. Os professores do país vão parar por um dia, como se isso resolvesse alguma coisa. Não concordo com nada disso, mas como preciso dormir, resolvi aderir a "greve". Preciso de paz e sossego... farei isso amanhã se o Pedro der uma folga.
Nos últimos dias ele está irritadiço. Ele sente comigo e temos passado por alguns dias de tristeza. 
Estamos os dois com gripe, estamos os dois angustiados, estamos os dois em vida nova... Estamos os dois juntos.
Hoje tomei um chá de melissa com guaco, gosto de chá. Espero que ele faça efeito relaxante e não me faça acordar no meio da noite. Daqui 5 dias aumento a dose do remédio, quem sabe paro de ter a insônia.
Vou aproveitar o cansaço e vou deitar.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Esse tratamento vai acabar me matando.
Mais uma noite sem dormir. Não me sinto bem, as vezes me falta ar. A garganta está seca, como o médico havia dito. Durante a manhã tive algumas tonturas. Não tenho nenhum interesse em conversar com as pessoas, falo o mínimo possível, mas todo mundo quer saber o que aconteceu comigo. Oras o que aconteceu comigo? 
Nada aconteceu comigo, de fato nada aconteceu.
Tantos sofrimentos a minha volta e eu me fazendo de frágil. Oras eu não tenho o direito de sofrer um pouco. Eu tenho a vida inteira pela frente. Estou meio cansada de ouvir isso.
Também quero deixar bem claro que caso esse tratamento não me cure disso que não tenho, me tornarei uma descrente da humanidade, se é que eu já não sou.
Tenho ainda 3 aulas pela frente e a minha garganta arde, minha voz falha e meu corpo está mole. Se não fosse o médico me empurrar para a vida, eu estaria bem feliz dormindo lá em casa. 
Mas não, estou aqui esperando que toque o sinal para enfrentar as crianças... Sim, hoje é enfrentar... hoje qualquer coisa que eu faça é na verdade um enfrentamento.
Espero que ninguém me enfrente, se não eu desmorono.
A única coisa boa nisso tudo é ver que tenho alunos que realmente se preocupam comigo. E isso é bom! São desses pequenos detalhes que vou vivendo e me fortalecendo.

domingo, 21 de abril de 2013

O segundo dia de tratamento foi tão igual ao primeiro, exceto em relação ao horário que acordei na madrugada. Sim, estou acordando no meio da noite.
 Essa noite foi as 4:30hs. Como os mesmos pensamentos me vieram, resolvi que precisava jogar um pouquinho. Fiquei na montonia do Sudoku e peguei no sono as 6:00hs, sei disso pelos passarinhos que incansáveis cantavam lá fora, indicando os primeiros raios de luz.
O dia seguiu tranquilo, tive duas ou três tonturas rápidas. É o remédio mexendo com meu sistema nervoso central. E quando será que ele vai mexer no meu sistema nervoso metafórico?
Certamente nunca... 
Fui a igreja... o pastor da quinta-feira não estava lá, que pena... gostei dele...
O pastor que pregou é o mesmo que sempre prega... grita demais... o Gui não gostou de ir ao culto...
Eu tive tempo de falar com Deus e pedir perdão... não me sinto perdoada ainda...
Estou ao menos mais leve...
Amanhã volto ao trabalho atendendo a recomendação médica....
'Vamos enfrentar a vida!'
Vamos...
Que venha a semana corrida... Estou atrasada, mas dou conta...
Estou melhor... o pior já passou!

sábado, 20 de abril de 2013

Farei os relatos de todo esse tratamento que me propus. Quero olhar tudo com muita atenção.
Não acredito que esteja com depressão, meu problema é que sou uma pessoa passional. Amo em demasia, me entrego em demasia e sofro as perdas em demasia também. Sei que isso tudo se dá pela minha história inteira. Sou carente e ao ouvir conselhos e ter a atenção das pessoas, acabo me emocionando e chorando. 
Tenho pensado sobre isso. As pessoas são fracas porque tem outras que as dão a força. Eu enfraqueço, sou cuidada por um ou outro e logo percebo que eles até me dão uma certa força, mas a força maior sou eu que tenho. Amigos são bons pra nos dizer o que queremos ouvir. Eles tem boa intenção, mas erram em 95% das vezes. Os médicos e pastores também nos fortalecem, mas sempre têm uma intenção por trás. Os primeiros estão a serviço dos grandes laboratórios que decidem que doença temos e os segundos de nos convencer que estamos indo para o inferno caso não frequentemos sua igreja. 
Tá, exagerei agora, nem todos são assim tão oportunistas e verdade seja dita que no momento de angústia o que vale mesmo são a palavras que estamos ouvindo. A angústia impede a boa interpretação dos textos e contextos. 
Nesses meus dias de angústia e de tomada de decisão, todas essas pessoas foram maravilhosamente importantes. Hoje estou um pouco melhor que ontem, mas já sinto algo diferente dentro da minha cabeça. Não falo no sentido conotativo, é denotativo mesmo. Cabeça no sentido de crânio literalmente. A garganta secou, como o doutor havia me alertado, mas dormi pouco. Acordei as 3 da madrugada e fiquei até as 5 com os mesmos pensamentos martelando, até que cansada de milhares de mesmos pensamentos consegui pensar diferente e então dormi. Dormi talvez umas 5 horas, mas estava no quarto dos meninos e isso de certa forma é proteção. 
Falando em proteção, não posso deixar de dizer que o Gui está cuidando muito de mim nesses dias. Me acompanhou nas consultas e hoje não entrou numa briga com o Fê. Sei que está preocupado comigo. 
Como toda a crise de ansiedade vem acompanhada de total falta de apetite, estou comendo pouco e talvez seja por isso que me sinto fraca. 
Mas não me preocupo, a partir de agora vou melhorando. O pior já passou.
Vou me permitir o tratamento, mesmo acreditando que o diagnóstico está errado, pela mesma razão de que entro em situações em que sei o resultado pelo simples fato de que quero ardentemente estar errada. E se nesse caso eu estiver mesmo errada, vou ter uma luz no fim do túnel em relação as gavetas da minha vida e quem sabe eu comece a entender porque faço escolhas tão erradas na minha vida.

Meu docinho está doente. Mal começou na escola e já pegou gripe. Tadinho.
Toda essa tristeza que me abateu, em partes tem a ver com a ida do Pedro para a escola, já falei disso, mas vê-lo chorar todas as vezes que entra na van, me corta o coração em mais uma parte.

A tarde foi bem tranquila, ainda que a boca esteja seca e a garganta em nó. Joguei xadrez com o Fê e fiz fogo com alguns lixos do quintal. Deixei de pensar um pouco e isso foi bom.
Não vejo a hora de poder falar com a psicóloga, espero que ela seja infinitamente mais sábia que eu e tenha algo para me trazer de bom... 
Amanhã vou a igreja do pastor que me ouviu e me ungiu essa semana. Quem sabe não seja ali o lugar que Deus escolheu para mim...

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Quer música melhor que o canto gregoriano para representar artisticamente os horrores da alma de um deprimido? 
Eis a beleza e a angústia da minha alma que hoje está em carne viva





O Retorno À Inocência

Amor - devoção
Sentimento - emoção

Não tenha medo por ser fraco
Não tenha tanto orgulho por ser forte
Apenas olhe dentro de seu coração, meu amigo
Esse será o retorno a você mesmo
O retorno à inocência

Se você quer, então comece a rir
Se você deve, então comece a chorar
Seja você mesmo, não se esconda
Apenas acredite no destino

Não se importe com o que os outros dizem
Apenas siga seu próprio caminho
Não desista e use a chance
Para retornar à inocência

Esse não é o começo do fim
Esse é o retorno a você mesmo
O retorno à inocência



"Não, Roxana, seu diagnóstico não é ansiedade. Você está com depressão."
"Sua doença é depressão, e você precisa sair disso."
"Você está com depressão"
"Depressão!"
E se não bastasse tantas e repetidas vezes ter que ouvir do médico essa maldita palavra, ainda o vejo escrever uma infinidade de palavras e finalizando em letras garrafais: DEPRESSÃO!
Quando fui ao médico um ano atrás, eu escrevi aqui, que gostava de ir ao médico, que eles nos faziam sentir importantes. 
Hoje não, saí do consultório mais acabada do que entrei. Não sei de onde consegui forças para chegar em casa. Minha vontade era de me sentar no meio-fio e ficar ali para sempre. Não fiquei. Tenho filhos, tenho trabalho, sou jovem ainda, tenho casa, tenho amigos... as palavras consoladoras dos últimos dias ecoando na minha cabeça. A dor ingrata na cabeça e na alma tiveram que ser arrastadas para um cantinho escuro. Era hora de ser forte, ainda que sem força alguma. As lágrimas salgadas ardendo nos olhos, escorrendo no rosto e queimando a boca... e o diagnóstico é DEPRESSÃO...
Tudo o que eu quero é fugir... não quero ver ninguém... não quero mais viver...
"Você vai fazer com seus filhos o mesmo que seus pais fizeram com você?"
Médico sacana, sempre me puxando pra realidade. Nem me conhece e já tá do lado dos que esperam de mim a força. Tá, tudo bem, eu não vou fazer nada de trágico... Tenho razão para viver, sei disso... mas pelo menos por hoje, me deixe ser fraca... deixa eu chorar e parecer uma louca... amanhã o remédio já terá feito seu primeiro efeito e volto obrigatoriamente ao posto de mulher independente, centrada e forte que vocês querem... amanhã, só amanhã.

Não, parar agora é morrer no casulo. Nós vamos encarar a vida, Roxana"
Opa, ele disse "nós vamos", ele disse que vai me ajudar? Que me dará força de verdade?
Esse médico conquistou-me... seremos amigos e vou seguir seu tratamento a risca... vamos ver se consigo me tornar uma Incrível Hulk e faço voar aquilo que causa todo esse mal. 
Ah, não fiquem pensando que se trata de homem, nada disso. Meu problema é muito mais profundo...
Fechada para balanço por tempo indeterminado.


A vida é mesmo muito estranha, nos tira as coisas o tempo todo, mas as vezes nos entrega presentes agradáveis... Hoje eu recebi a visita de um anjo... Viram só como não estou tão ruim assim? Consegui ver algo de bom em meio a essa lama todo desse buraco profundo que cavei pra mim... 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

A partir de hoje as coisas vão mudar na minha vida, definitivamente.
O Rhory reapareceu e reacendeu as mais difíceis sensações que um pessoa carente pode sentir.
Tomar uma decisão no calor dessas sensações é algo violentamente difícil.
Durante os últimos 5 meses eu vivi o bom e o ruim que eu já tinha experimentado antes e devo confessar que nada vale mais do que uma mente tranquila e em paz. A minha não estava tranquila e por isso, hoje estou com dores terríveis de cabeça. 
Quero contar do nascimento do Pedro e a história que o originou, porque quero guardar tudo isso nesse blog e nunca mais nem ler, nem lembrar do quanto é sofrido viver uma experiência como essa...
Não agora... amanhã...

quarta-feira, 17 de abril de 2013


"Se houver amor em sua vida, isso pode compensar muitas coisas que lhe fazem falta. Caso contrário, não importa o quanto tiver, nunca será o suficiente."
Nietzsche


Quanta coisa me faz falta...
Quanta falta me faz  o amor
Hoje acho que não vou aguentar.
Nada me parece suficiente...
Vou dormir mais um pouco.

terça-feira, 16 de abril de 2013

OS FILHOS DEVIAM, POR DECRETO, CONTINUAR SENDO OS MESMOS PEQUENOS INDEFESOS QUE PUSEMOS NO MUNDO. 
ELES CRESCEM E SE DESGRUDAM DE NÓS DE UMA MANEIRA QUE PRA ELES É NATURAL, MAS QUE PARA NÓS É ALGO DIFÍCIL, TERRÍVEL  E ATÉ MORTAL.
UMA PARTE DE NÓS MORRE COM SEU AMADURECIMENTO.


Meu docinho foi para a escola. Não pude ao menos dizer que o amo, nem sofrer com ele os primeiros momentos da nova vida. A professora já o pegou de mim numa atitude tão normal para ela e tão brutal para mim. O Gui o acompanhou até a sala e de lá só trouxe a vaga informação de que ele ficou bem.
E o que é ficar bem para uma mãe que ficou mal? Assim é o primeiro dia de aula para uma mãe. 
Estou aqui contando os minutos para estar com ele novamente. A saudade que me consome nessas intermináveis quatro horas me tiram o pouquinho de força que eu tenho para viver esses dias.




A quem possa interessar. Quando eu tenho um inimigo, ele é meu inimigo eterno. 
Jamais me aliarei a ele ou farei qualquer coisa que o possa ajudar. 
Fico aqui no meu cantinho só a observar sua derrota... porque ela vem. 
Se tenho um inimigo, não fui eu que o coloquei nessa condição. Ele se colocou, sendo assim, me fez muitas injustiças, por isso não me sinto nem um pouco má ao não dar-lhe a mão. 
Meus inimigos são nada pra mim...
Que eles não esperem nada de mim, 
A eles, minha eterna indiferença...


Querido neto-leitor será que vou sofrer pelo seu primeiro dia de aula também? Ah, menino do céu, acabo de me lembrar de você e no quanto de vida ainda tenho pela frente. 
Ao pensar em seu primeiro dia de aula percebo que meu sofrimento por levar meu último filho para a escola talvez não seja o último  sentimento que tive com relação ao desligamento natural e trágico do crescimento do pequeno indefeso que eu amo tanto. Você também vai se desligar de mim, bem como seus irmãos e primos. Para que sofrer então, como se essa sensação nunca mais fosse acontecer? 
Nessa vida tudo é ciclo. Tudo vai e volta num infinito recomeço que um dia finda.
Pequeno, te amo já, pela ajuda que me dá, mesmo ainda não existindo.


A Glaci veio em boa hora, tê-la aqui de novo é reconfortante. Obrigada, Meu Deus, apesar de eu ser essa tranqueira de sempre, reconheço sua mão nos últimos acontecimentos. O Pedro está na escola, no momento certo e a Glaci voltou pra gente. Tudo porque isso é o melhor para nós e o Senhor organizou tudo. 

Falo da Glaci num outro momento. Vou a igreja conversar com Deus, lá  me sinto em paz, apesar do canto gregoriano me motivar a angústia, ouvi-lo  na igreja me traz a sensação de paz ... e pensando em paz, não é de hoje que estou relacionando a paz e a angústia de um canto gregoriano. 
Mas isso também é assunto para outro momento. 


segunda-feira, 15 de abril de 2013

"Essa é só a pontinha do iceberg."
É mesmo, é só a pontinha, o resto está lá no oceano gelado. 
A sensação é horrível. A dor é imensa. O medo assustador...
Para se ter a paz, é necessário ter todas essas sensações?
Eu quero a paz...
Eu quero só a paz...
Eu quero voltar ao começo e refazer a história...
Não , eu não quero nada disso...
Eu não sei o que quero...
Eu não quero nada...
Eu quero tudo!



Hoje o tigre me venceu... estou em cinza... meus olhos estão turvos e da minha boca sai o pó que contamina meus pulmões e me faz tossir. Até que toda a poeira e todo o calor se desfaçam, meu corpo dói... mesmo eu sendo pó... A luz é pouca, o sol não existe... Meus olhos ardem... meu coração sangra o único líquido que me restou... Me agarro com força nessas gotículas do líquido grosso que me corre. Nele sei que está o começo da força... nele está meu código genético... nele estou eu... 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Uma frase:

Quando pensamos ou queremos fazer crer que somos mais do que realmente somos, é nesse momento, nesse exato momento que mais demonstramos a insignificância do nosso ser.



Essa frase é minha, não copiei de nenhum lugar, aliás é bom que fique claro que quando eu trouxer algo que não for meu, sempre farei referência. Não costumo fingir nada, nem que sou mais ou menos qualquer coisa do que sou... sou apenas...
Saber que sou não significa em hipótese alguma que eu saiba o que seja. Sou apenas e sem saber o que...
E a busca por essa resposta é uma das molas motivadoras da minha vida, apenas uma delas... tenho algumas outras... 
Conclusão: Tenho, então, razão de ser... Hum, eis uma boa ponta do novelo... Sou alguém que tem razões de vida... Genial!!!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Meu computador resolveu adoecer, esse é o motivo do meu silêncio. Nada diferente disso é verdade. 
Enquanto não trago nenhuma boa reflexão sobre a vida, vão lendo...
Leiam tudo o que quiserem. Quanto mais ler, melhor vão escrever, melhor vão pensar e melhor vão entender das coisas...
Não esperem encontrar respostas aqui, as respostas estão nos livros, como já dizem os Superwhy.
Quem tem um filho pequeninhinho se obriga a encontrar beleza até em desenhinhos educativos...

terça-feira, 9 de abril de 2013

Depois da luta sangrenta, o leão e o tigre prostrados mortos reafirmando sua vitória. Você, banhado de suor e lágrima, abre os olhos e se dá conta de que venceu. Sozinho de novo, você venceu.
A conclusão é de que no fundo, no fundo você está sempre sozinho, que ninguém vai te ajudar e que nem quando está exausto de bruço no chão, haverá socorro humano.
Você vai contar com sua fé, apenas com ela. Vai respirar fundo, engolir o nó da garganta, enxugar a lágrimas insistentes e um braço depois outro, vai se  levantar e perceber que apesar da dor no corpo insuportável, seus ossos estão intactos. Ainda que você acredite que não, seu corpo vai ter força para escalar as paredes do poço. Mais algumas horas de trabalho ardente e você estará lá no alto novamente. Destroçado, mas inteiro. 
Se de alguma maneira irônica do destino, você contar com a sorte, conseguirá então dormir para refazer-se da batalha, do contrário ainda um pouco mais terá de forçar para manter-se vivo, mas você conseguirá. O pior já passou.
Olhe para seu Deus e o agradeça, Ele te conhece, sabe da sua força e dizem que não te abandona. Creia nisso, você verá que esse é o remédio para as dores que está sentindo.



Pena ter perdido o sono e me deparado com a realidade de não ter sonhado com minha mãe.
Pena ter acordado...
Pena não ter sonhado com a minha mãe...
Pena não ter conhecido minha mãe...
Pena ter nascido...
Pena ter sobrevivido...
Pena não ter a minha mãe...


Dia de mil perguntas a Deus... mil iguais perguntas...
Por quê?

Vou dormir mais um pouquinho, meu Deus, me deixe sonhar com minha mãe...
me deixe sonhar...
não me deixe...

Sei que hoje estou no seu colo...
me embale o sono e me deixe sonhar com 
minha mãe...
Mãe,

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Hoje é dia dos problemas saíram todos a passear  de mãos dadas... 
Confesso que não tenho força para metade deles... 
Vou dormir, chega de sofrer por hoje... 
Amanhã vejo o que dá pra resolver... só amanhã!

domingo, 7 de abril de 2013


“Preciso dizer uma coisa sobre o medo. Ele é o único adversário efetivo da vida. Só o medo pode derrotá-la. É um adversário traiçoeiro, esperto… Como eu sei disso! Não tem nenhuma decência, não respeita leis nem convenções, não tem dó nem piedade. Procura o nosso ponto mais fraco e o encontra com a maior facilidade. Começa pela mente, sempre. Num momento, estamos nos sentindo calmos, confiantes, contentes. Aí o medo, disfarçado sob a capa de uma ligeira dúvida, se infiltra na nossa mente como um espião. A dúvida vai ao encontro do descrédito e o descrédito tenta expulsá-la dali. Mas ele não passa de um soldado de infantaria com armamento deplorável. Sem maiores problemas, a dúvida consegue vencê-lo. Começamos a ficar ansiosos. A razão entra em cena para lutar por nós. Ficamos mais tranquilos. Afinal, ela está inteiramente equipada com armamentos da mais avançada tecnologia. Mas, para nossa surpresa, apesar da superioridade das suas táticas e de uma quantidade inegável de vitórias, a razão é derrotada. Nós nos sentimos enfraquecidos, hesitantes. A nossa ansiedade se transforma em pavor (…) Cada parte de nós, a seu modo, entra em colapso. Só os nossos olhos continuam funcionando bem. Eles sempre dão a devida atenção ao medo. Bem depressa, tomamos decisões precipitadas. Abandonamos os nossos últimos aliados: a esperança e a confiança. E pronto! Nós mesmos nos derrotamos. O medo, que não passa de uma impressão, acabou de nos vencer. É uma questão difícil de expressar com palavras. Pois o medo, o medo de verdade, aquele que abala até mesmo os nossos alicerces, aquele que sentimos quando nos vemos cara a cara com o nosso fim mortal, se instala na nossa memória como uma gangrena: trata de estragar tudo, até mesmo as palavras que usamos para falar dele. Portanto, é preciso um esforço enorme para expressá-lo. Temos de lutar bravamente para lançar a luz das palavras sobre ele. Porque, se não fizermos isso, se o nosso medo se tornar uma escuridão indescritível que evitamos a todo custo, algo que talvez até possamos esquecer, estaremos abrindo a guarda para sofrer novos ataques, já que nunca enfrentamos para valer o adversário que nos derrotou.”
— As Aventuras de Pi

Esse livro estabelece uma relação tão agradável comigo. As nossas histórias são diferentes, mas posso dizer que ele é quase uma metáfora da minha vida, e coincidência ou não, foi a metáfora a mola impulsionadora que me trouxe cegamente a ele. Ainda não cheguei na metáfora, mas já posso antever sua magnitude.  Esse livro é arte pura da palavra: clareza, simplicidade e sensibilidade unidas de maneira perfeita.  

Quando eu dava aula de Arte ou mesmo quando estou trabalhando com literatura no Ensino Médio, ao definir arte, falo sobre a sensibilidade do artista tocar nossos sentimentos. Assim consigo também ensiná-los o que não é arte. As vezes essa aula causa uma certa ansiedade porque inevitavelmente entramos na polêmica da definição de arte e na massificação tida como "arte". Poucas são as coisas que me dão maior prazer do que ver meus alunos argumentando e defendendo seus posicionamentos. É bem verdade que muitos saem bravos comigo, porque não deixo que permaneçam com seus pensamentos exatamente iguais de quando iniciamos a discussão. Quero reflexão, muita reflexão. Alguns não gostam, mas a maioria sabe que isso é para seu engrandecimento intelectual e entendem que não estou sendo arbitrária com a minha verdade como absoluta, entendem que precisamos refletir para formarmos nossas próprias opiniões, do contrário só estaremos reproduzindo opiniões alheias. Não posso definir a paixão que tenho por meu trabalho. Talvez se assemelhe a uma linda história de amor. Cheia de conflitos, de idas e vindas, encontros e desencontros, mas de frio na barriga, êxtase, brilho nos olhos e coração batendo forte. 
Ainda preciso contar como foi que Deus me trouxe para a minha profissão, sim foi Deus quem fez a escolha, não tenho dúvidas. Por mim teria seguido a área de direito. Há quem diga que se encaixaria melhor comigo. Não, isso certamente seria minha perdição, tenho plena certeza. Estou no lugar certo, Deus nunca erra. Mas isso é para outro dia.
Agora vamos preparar o churrasco do domingo... Gui, vamos lá?!

Ah, antes de ir quero sugerir aos leitores da madrugada a leitura das Aventuras de Pi. Vocês vão gostar...Ler combate a insônia, relaxa o corpo, alivia a tensão e faz bem a alma... 
Mas se você trabalha a noite e não pode relaxar e dormir, então o certo é ler Cinquenta Tons de Cinza. Essa leitura  vai te tirar o sono e  mexer com sua libido de uma maneira bem intensa... Já vou, Gui, só mais um segundinho...

sábado, 6 de abril de 2013

Estava procurando uma nova música para colocar de fundo, quando ouvi Celine Dion. Não essa música aqui, mas como que automaticamente, me veio a memória essa canção.
Foi ao som dela que me casei. 
Me voltou à memória o som que tocava na manhã daquele sábado de 1997.
Escolhi a manhã, porque lá na ainda adolescência dos meus quase 22 anos (me casei no dia 08 de novembro, uma semana antes do meu aniversário) eu queria algo que não me consumisse de ansiedade pelo dia todo. Dez horas da manhã eu estava pronta. Tivemos um pequeno atraso por causa de uns padrinhos, mas tudo correu da maneira que deve ser um casamento de uma moça misteriosamente sobrevivente de uma vida que gera mais delinquentes do que moças casadouras.
A Rita era contra e posso perceber isso pelas expressões dela nas fotos. Ela estava certa, como sempre. Eu estava errada como sempre. Mas no dia me senti feliz. Penso que me senti, afinal não me lembro de quase nada que envolva meus sentimentos.
Posso relatar fielmente cada detalhe técnico, mas não posso dizer uma palavra real sobre meus sentimentos.
Só sei que casei e que tudo correu conforme era para correr.
Quando decidimos nos casar, pensamos em não comemorar nada. Chamaríamos o pastor para um almoço e uma benção, nada mais. Diferente de tudo isso acabamos tendo uma festa bonita com direito a muitas alegrias. Concluo isso pelas fotos.
É muito estranho estar tão longe desse sentimento que me motivou o casamento. Fato é que muitos sentimentos me motivaram o casório. Não necessariamente o amor absoluto. Certamente não foi o amor a mola motivadora. Claro que naquele momento eu não sabia disso. Eu acreditava realmente que estava me casando por amor. Talvez até seja, talvez, apenas talvez.
Eu ainda busco respostas para essa que foi uma das maiores escolhas que fiz. Não obtive nada que me aquietasse o coração. Quando eu souber, corro escrever aqui.
Ouvindo essa música consigo entender que a escolha estava no meu subconsciente muito mais pela melodia gritada que causa mais angústia do que a letra que demonstra um amor verdadeiro, portanto eterno. 
Entre os preparativos para o casamento, que cuidei com muita precisão, estava a escolha da pessoa que tocaria no ritual religioso. A regente do coral foi escolhida para tirar a música no órgão. Foi uma tarefa difícil, ela teve que tirar de ouvido. Deve ter se cansado de ouvir a música angustiante, mas ficou muito bonito. Aliás tudo ficou muito bonito. Não vou colocar nenhuma foto hoje, porque ainda me sinto horrível naquele dia. Certamente isso vai se desfazer com o passar do tempo, quando eu for envelhecendo e fatidicamente fique muito mais feia do que qualquer outra fase da minha vida.
Me casei, fui para a lua-de-mel, voltei para a vida nova. A vida nova se mostrou assustadoramente pior do que a vida anterior, mas já era tarde demais. Eu tinha até o último momento para dizer não, mas eu disse sim. Não havia volta, o jeito foi enfrentar o casamento da melhor maneira possível. Não sou perfeita e meu temperamento forte se uniu ao temperamento maníaco-depressivo do João numa mistura química explosiva. Explodimos 6 anos e meio depois num dia horrível. O dia do fim combina muito mais com o tom angustiante da música do começo e não tem nenhuma significação com a letra da música. A liberdade que veio depois do dia do fim se configurou na esperança de dias melhores. Eles vieram, mas trouxeram junto dias difíceis. 
Viver é difícil porque pensando no pretérito imperfeito e no pretérito mais que imperfeito eu me pego com medo do presente imperfeito e do futuro imperfeito. Quando na verdade a construção da perfeição desses novos tempos é determinada por mim. E quando me recai o peso da responsabilidade, me pego com um medo danado. Tenho poucos medos, mas o medo de ser responsável por coisas erradas me consome.
Nem quero pensar sobre isso. 
Agora quero ouvir um pouco dessa bela canção que apesar de angustiante traz uma letra maravilhosa que expressa sentimento intenso que sempre foi a marca da minha vida.
É interessante perceber que a música tem uma afinidade com a história que vivo hoje. 
 As músicas apresentam muito de mim.  
Sou intensa no que vivo, apesar de que  tudo se desfaz e eu olho para as coisas e elas me parecem estranhamente desconhecidas. Isso me incomoda.





“Alguns de nós desistem de viver soltando apenas um suspiro resignado. Outros lutam um pouco, mas, depois, perdem a esperança. Outros ainda, e sou um destes, nunca desistem. Lutamos, lutamos, lutamos. Lutamos a despeito do preço que pagamos pela batalha, das perdas que sofremos, da improbabilidade da vitória. Lutamos até o fim. Não é uma questão de coragem. É algo da nossa constituição, uma incapacidade de abandonar. Pode perfeitamente ser apenas estupidez sedenta de vida.”




"Como é duro para um coração admitir uma coisa dessas! Perder um irmão é perder alguém com quem se pode compartilhar a experiência de crescer; alguém que pode teoricamente lhe dar uma cunhada e sobrinhos, criaturas que vão povoar a árvore da sua vida e lhe dar novos ramos. Perder o pai é perder aquele cuja orientação e cuja ajuda procuramos; aquele que nos apoia como o tronco apoia os ramos. Perder a mãe, bom, é como perder o sol acima de nós. É como perder – desculpem, prefiro parar por aqui."

Esses parágrafos são trecho do As Aventuras de Pi... 

Ler é encontrar respostas, é identificar-se, é entender-se. Saber-se humano.

O sábado começa com a delicadeza do amanhecer suave...

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Semana corrida preparando avaliações...
Fim de semana corrido preparando mais avaliações...
Nova semana corrida com ainda mais avaliações...
Ser professora tem lá sua coisas chatas...
Mas a maioria das coisas são muito boas.

Tia Mara vai nos deixar...
Tia Glaci já está pronta para começar segunda.
Semana que vem preciso procurar uma escola para meu nenê...
Ah... ele está crescendo.. que pena!

Coração em paz... 
Força para enfrentar tudo...
Isso é bom...

quarta-feira, 3 de abril de 2013


PARA QUE SERVE UMA RELAÇÃO?

......Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela,  para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.......Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete,  para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso.
......Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo. ......Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa. ......Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem corpo um do outro quando o cobertor cair. ......Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro ao médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.
preciso ler um pouco, é na ficção que muita vezes encontro respostas para a realidade.

preciso estudar para o concurso, mas como?

terça-feira, 2 de abril de 2013



Não gosto do amor romântico, aquele que fica passando açúcar no outro. Gosto do amor verdadeiro, aquele que não precisa passar nada, porque ele se basta.
Se não se basta, nenhum açúcar adoça.
Se se basta, nenhum fel amarga...
Cadê esse amor suave que você me prometeu?
Cadê o amor tranquilo que você me prometeu?
Ou é isso, ou não quero...


Não dá pra mim...
Não consigo...

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Estou meio cansada já desse negócio de você vir correndo aqui buscar informações.
Quem quer agir, age, não fica esperando e esperando, supondo e fingindo.
Oras, tá com medo, senta e continua fazendo o que você sempre fez.
Há gentes que gostam do cômodo e do bonitinho.
Há gentes que não se conformam com as incertezas e inconstâncias.
Vão a luta e brigam bravamente.
Não sei quem se sai melhor, posso dizer apenas de mim.
Dói muitas vezes, mas pesando as coisas prefiro sempre a verdade e custe o preço que for, pago por ela...
Mas se você nem sabe o que prefere, porque vem xeretar o meu blog?
Quer as respostas?
Não tenho respostas... tenho vida só isso...e relato o que quero a hora que quero...
Posso adiantar apenas que esqueci dos escrúpulos para viver o amor e esqueci dos inimigos também por amor.
A vida é cheia de coisas ruins, mentir pra mim ou mentir para os outros é de certa forma piorar e muito essa situação... Seja feliz com o que tem! ou lute por paz, mas encontre algum sentido nessa sua vida...
Enquanto você não souber a que veio, não saberá  o que fazer.
Quem não sabe o que fazer fica vulnerável e sofre...  


Quem tem alunos tem tudo. A dor de cabeça constante que não passa deu espaço a alegria de receber os presentinhos que eles trouxeram para me agradar. 
Saí com os bolsos cheios de bombons. 
São nesses momentos que consigo perceber que meu trabalho me engrandesse. Eles não precisam me presentear e no entanto fazem isso. 
Quando me sinto chateada e desmotivada devo me lembrar de que os alunos são o motivo do meu trabalho. Só eles e ninguém mais. 
Sou muito feliz na minha profissão... amo dar aula, amo o convívio com os alunos... Sou grata a Deus por ter me trazido para esse trabalho. Cansativo, mas prazeroso trabalho. 
Não posso comer os chocolates, creio que minha dor de cabeça é motivada pelo trabalho intenso que meu fígado está desempenhando nesses dias de gulodices.