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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Se vocês soubessem como estou horrível nesse instante... uma sacola de mercado na cabeça e sobre ela uma touca térmica e embaixo disso tudo um dos meus tesouros.
Sim, meu cabelo é pra mim mais importante do que algumas pessoas. Feio confessar isso, mas é verdade.
Da tv vem um som que nesse instante está falhando por causa da chuva... Será que chove lá onde ficam os satélites? Se chove, seria mais interessante colocá-los mais longe, então...  Brincadeirinhas a parte, a música parou de vez e se quero ouvir algo além do meu silêncio, preciso desligar a tv e apelar para o radinho.
Pronto, apesar de ter que desligar a touca da tomada e cuidar para que a toalha não se desenrolasse, fui trocar a tecnologia. Hoje, nem mesmo eu aguentaria o meu silêncio.
Brincadeirinhas a parte. Não estou assim tão mal... Acho até que estou bem mesmo. Ouvir música é sinônimo de que estou realmente bem. Já devo ter dito isso alguma vez.
Quinta-feira a tarde... minha folga, meu tempo, só eu... amo!


Pensa. Coloquei no rdio e instantaneamante quem começa cantar?? Sim meu ídolo teen... 
Tão filosófico na sua simplicidade adolescente... adoro Luan Santana
Pensa nessa frase: "Ela é uma mulher menina /Que precisa urgentemente ser mais forte/Ela quer alguém que leia seu sorriso/Antes de olhar o seu decote"
Fofinho, não é?

Falando em ser mais forte, adivinha só o que ouvi na terapia dessa semana?
Isso mesmo, minha terapeuta me disse que sou FORTE. Olha só que novidade?!?! 
Nunca tinha percebido que sou forte. Grande novidade essa que ela me disse. Encerrei esse  assunto dizendo que não tenho nenhuma outra opção.
Conversamos sobre essa "força" e disse para ela que existem áreas na minha vida que tiro de letra (sou forte), mas que existem algumas áreas em que me sinto uma formiguinha indefesa (SOU FRACA). Ainda não temos uma resposta sobre isso e talvez não a tenhamos nunca, mas a busca, certamente me ajuda a continuar...
Trágicas palavras... só elas.
Quanto a mim estou exatamente como me propus, aliás não costumo mais descumprir promessas que faço... e mudar foi uma promessa feita a mim...

Agora está tocando Fernandinho... e então me lembro que Deus é responsável e ator principal dessa minha nova maneira de olhar a vida. Quando estou fraca Ele me faz Forte e então consigo ser forte sem senti raiva de mim por isso... não porque não tenho opção, mas porque é assim que Deus quer que eu seja e então eu sou e consigo ser feliz... 
Ainda preciso reler o texto da sessão e fazer algumas considerações, assim como preciso reler as últimas páginas do livro do Leonard, principalmente as do professor... devo isso às pessoas que me amaram a ponto de estender sua mão quando fui FRACA demais para o problema que estava enfrentando.
Mas agora não. Nesse momento preciso de Tiago Iorc bem alto nos ouvidos e um banho... tratamentos de cabelo me dão certo medo... 
Essa musiquinha tem direção... ouça, é pra você...

I'm trying to find a different side on me


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Algumas coisas realmente valem a vida...
Ver o Pedro repartir seu bombom comigo é uma dessas coisas.
Encantador.

Alguém aí poderia me fazer a gentileza de me dar bombons de banana?
Como são bons...


Meu A Cabana voltou para mim novamente. Saudade... que saudade de lê-lo.
Ontem,  quando me sobrou um tempinho li alguns trechos... queria tanto ter uma experiência assim.

Frederico,  é você? Não me diga que era você o tempo todo!!
ah, menino... poderíamos passar horas conversando... relembrando que você corria para meu quarto e dormíamos abraçados.  Com você experimentei um pouquinho do amor que tive muitos anos depois nos meus filhos... Por muitos anos você foi uma das minhas maiores dores.
A maior crueldade da marion foi me afastar de você.  Ainda sinto muito por isso.
Fred, meu irmão...vou esperar o sono relembrando você pequenininho... saudade

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Então a impressão que tenho é a de que Deus me fez encontrar o livro. Não é possível que o acaso seja o responsável por tanta reflexão. E me sinto muito feliz,  embora emocionalmente abalada pelas reflexões.  Eu sei o que é  todo esse sofrimento.  Eu choro.
Tenho ainda muito pra pensar... mas agora vou agradecer a Deus por ainda estar apostando em mim.
Amei o livro.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Serei breve, uma dor muito intensa no estômago, meu velho e sempre frágil estômago...
De certo que vou precisar comer couve como na última gastrite.  Já estou tendo dores com frequência... as gastrites me acontecem sempre assim desde que me conheço por gente.
Mas antes de ir quero compartilhar o texto que recebi da terapeuta.

Um dia você aprende que deve obedecer. Um dia você aprende que não pode ter tudo o que quer, que gente que tem orgulho próprio é chato e que se deve ser solidário. Que você não deve confiar em ninguém, que deve 'fazer o bem sem olhar a quem', que, se for menino, não chora e que, se for menina, deve se preservar.
Você vê que a vida é só uma e que deve aproveitá-la. Você aprende que deve-se pensar duas vezes antes de tomar qualquer atitude. Você aprende que deve aprender com seus erros e aprende que raramente aprende com seus erros. Você aprende a se contradizer, você aprende a mudar de idéia, você aprende a se calar, você aprende a aceitar. Aprende que deve lutar pelos seus ideais. Aprende que deve sonhar e que deve ter os pés no chão.

Você percebe que quem imita os outros não tem personalidade e que quem é autêntico é esquisito e excluído. Você aprende que as pessoas podem ser muito cruéis. Que as pessoas podem dar tudo de si mesmas para ajudar. Você aprende que sentir ciúmes é ruim. Você aprende que quem não sente ciúmes é desleixado.

Aprende que não deve se preocupar muito com as coisas. Aprende que não deve deixar a vida correr solta. Que o maior tesouro são os amigos e que você perde os amigos. E ao perder, ainda jogam na sua cara que não era uma amizade verdadeira. Que os outros te julgam e que você não deve julgar ninguém. Que deve-se olhar além das aparências. Que as pessoas te julgam pelo que você aparenta. Que dinheiro importa. Que amor acaba. Que amor verdadeiro não acaba. Que não existe amor verdadeiro. Que dinheiro não trás felicidade.

Aprende que quanto mais você se esforça, mais insuficiente parece ser. E que não se deve desistir dos sonhos. Também, que se deve desistir de coisas que não se consegue depois de tentar muito. Aprende que a vida é curta. Aprende que você ainda tem a vida toda pela frente. Aprende que há burrices como preconceito e discriminação. Aprende que sente preconceito. Aprende que julga os outros e aprende que se deve aprender a tratar as pessoas igualmente. Aprende que as pessoas não são iguais. Aprende que as pessoas somos iguais. E que alguns são mais iguais que os outros.

Aprende que não pode errar e que não se acerta sempre.

Aprende que cantar faz bem. Aprende que pode-se ser altamente repreendido por cantar. Aprende que dançar é bom e que as pessoas podem te repreender por dançar. Aprende que as pessoas te magoam sem nem precisarem de um motivo. E que podem fazer comentários como se você não se importasse com aquilo.

Aprende que quando a pessoa é fora dos padrões ela se sente ofendida quando lhe falam isso. Aprende que as pessoas são fora dos padrões e fingem não se importar. Que fazer piadas é legal e que é melhor fazê-las do que manter a amizade. E que quem não aceita as piadas são tolos. Que a sinceridade é utópica e desnecessária. Que sinceridade é tudo. Que confiança se perde fácil.

Aprende que por mais que tente o contrário, um dia vai magoar alguém. Aprende que com conversas tudo se resolve. Aprende que tem gente que não sabe conversar e que nessas conversas, as palavras podem funcionar como armas.

Aprende que de repente as palavras podem significar nada, algo muito importante ou várias coisas. Aprende que alguns momentos são inúteis... e que outros, que parecem ser tão simples, mudam tudo.

No fim, você aprende que tudo o que você aprende chega a um belo resultado: aporia.
                                                                             Mario Quintana



Uma explicação: 
A Aporia [Do gr. aporia, “caminho inexpugnável, sem saída”, “dificuldade”.] é definida como uma dificuldade, impasse, paradoxo, dúvida, incerteza ou momento de autocontradição que impedem que o sentido de um texto ou de uma proposição seja determinado.

Ao estudo das aporias designa-se de aporética.



 
Gostei!! 
Hoje não, mas falamos disso e de outras coisinhas em breve... A terapia, agora sim, vai me ajudar!!
Boa noite, preciso deitar... muita dor!

domingo, 23 de fevereiro de 2014

"Mãe, pare com isso. Deixe que ser tão certinha."
Palavras ditas hoje pelo Gui.
Mesmo que as vezes eu pense que ele tem razão, mudar minhas atitudes não é assim tão fácil.
Ontem fui a formatura de dança gaúcha da Stephanie, filha da Cristina. Claro que bebi um pouco além da conta, nisso não vejo problema algum. O problema está no fato que meus alunos me viram "diferente" do habitual. Sair em Castro é sempre ter muitas pessoas conhecidas me supervisionando. Todos os alunos que vieram me cumprimentar já vinham com um sorriso diferente, como admirados por me virem ali e bebendo. 
Me sinto uma boba por me sentir desconfortável com isso. Meu próprio filho acha que eu preciso me divertir e não me preocupar com a opinião dos outros.
A medida que  Gui vai crescendo, fico encantada com seus cuidados comigo e de sua cumplicidade. Eu sou sua confidente. Ele vem me contar seus segredos e me pedir conselhos. Gosto muito de saber que somos também amigos.

Amanhã é dia de terapia. Como combinei comigo, amanhã começarei uma nova fase do tratamento. Falaremos da infância e adolescência. 

O livro  é maravilhoso... estou encantada


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Se queremos ser saudáveis, temos que preservar nossas emoções. Esse pensamento é do Augusto Cury e concordo com ele.
Escrever sobre as coisas que me afligiram e ainda afligem é uma forma de me livrar delas. É como se eu, colocando em palavras já as tenha armazenado em algum lugar. Posso então, tirá-las da minha vida. Tem sido assim. Por isso escrevo. 
Sei que alguns dos leitores deve achar que na vida real devo ser uma amargurada. Não a sou. Passo o dia todo dando risada e fazendo brincadeirinhas as vezes fofas, as vezes irônicas com todo mundo e estou numa luta constante para que pontos negativos do meu caráter sejam transformados rapidamente. Quero ser feliz e fazer os outros felizes. Não fico chorando pelos cantos e se alguns pensamentos ruins me vêm a mente, procuro me desfazer deles logo.
Claro que estou numa batalha interna para que meu lado bom sempre prevaleça. Não desanimo nem desisto de crescer.
Tenho alguns planos para o meu futuro e quero colocá-los em prática o quanto antes, mas ainda tem algumas feridas que vez ou outra precisam de oxigenação. Mas os avanços são visíveis a olho nu.
Leitor preocupado, não se preocupe comigo, o pior já passou. Meus filhos, meus alunos, meu trabalho, meus livros e o tempo (aquele fdp do tempo) são ótimos terapeutas. O João Gualberto só foi uma ferida que precisava ser limpa. É como um bicho de pé. Quem já teve, sabe como é. Ou se fura a carne e espreme até que saia ele e seus filhinhos, ou ele vai crescer ali e criar uma comunidade no seu corpo. Falar dele foi importante, pois eu sempre atribui toda a culpa a marion. Ela teve sim sua culpa, mas o João não pode ser livrado do que causou. Agora vejo claramente o quanto ele foi cruel. Doente, mas cruel
 

Estou lendo mais um livro fantástico:

Lembram de O lado bom da vida? Escrevi sobre ele algum tempo atrás. Pois é, ele continua na lista dos mais vendidos da Veja. Esse é do mesmo autor.
É narrado em primeira pessoa. O próprio Leonard contando seu dia. O dia que ele vai se suicidar depois de assassinar um ex-amigo. A forma da narrativa é simples e cativante. Não tem como não se envolver com a trama. Super recomendo.

Meu clube do Livro lá na escola vai começar sua atividades amanhã. Estou mega ansiosa (ansiedade da boa). Quero escolher 3 livros que vou doar. Quero que sejam lidos. Queria saber expressar o quanto estou feliz com meu projeto. Não consigo. Só posso dizer que me sinto com vontade de chorar de emoção ao saber que muitas pessoas estão ansiosas comigo pela ideia de dividirmos livros e conhecimentos. Nesses momentos me sinto verdadeiramente útil. Estou muito feliz, muito mesmo!!


Parando por aqui, tenho várias coisinhas para fazer antes que o sol se ponha.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A Monalisa voltou para casa no dia seguinte. Eu não voltei mais.
Quando penso onde se construiu meu temperamento forte, vejo que o tenho de longa data. 
Depois de tudo o que presenciei, era impossível conviver com meu pai. Na manhã seguinte liguei para a marion e contei tudo o que tinha acontecido. Ela agiu comigo como sempre: Me ouviu, me deu alguns conselhos e disse que tudo ficaria bem. Bem mais tarde eu soube que ela espalhou para a família inteira que as drogas estavam tomando conta de mim. Que eu estava delirando e inventando mentiras a respeito do meu pai.
Alguém consegue alcançar a dor que passei? Não. Nem eu mesma consigo entender como consegui. Se agora relembrando já me é dolorido...
A semana seguinte ao horror foi de muita agitação. Passei umas noites na casa de uma amiga, mas não podia ficar lá durante o dia. Minhas roupas ficaram num banheiro desativado do clube. Depois de algumas noites, ficou difícil arrumar uma desculpa para a mãe da minha amiga, foi então que resolvi procurar um albergue. 
Esse albergue nunca me saiu da memória. Claro que não tive estômago nem para comer a comida, nem muito menos para dormir junto com umas 10 indigentes que estavam por lá. O lugar era longe de tudo. Sai correndo no escuro e voltei na minha amiga. Meu coração saltava, eu estava verdadeiramente com medo. Consegui dormir lá pela última vez. No dia seguinte teria que dar um rumo pra minha vida. Mas com 15 anos tudo era bastante improvável.
Passei o dia perambulando e a noite fui conversar com o Alex. Ele não me deu nem chance de me explicar. Me segurou em frente a sua casa e ligou para meu pai. 15 minutos depois lá estava um pai zeloso e preocupado. Mas eu sabia que ele estava bêbado e que chegando em casa a conversa seria outra.
Minha sorte foi que meu pai estava com um amigo. Isso me livrou de uma surra imediata. Aliás, não apanhei nem depois. Fomos para nossa conversa habitual regada a pizza de aliche e alho, claro que nem de longe se ousou falar da proposta indecente daquele porco imundo. Meu futuro estava traçado. Como eu tinha dito para ele alguns dias antes, agora ele faria minha vontade. 
"Você vai para o colégio interno que você foi visitar. Não era isso que você queria?"
Embora eu ja nem soubesse mais o que queria, não havia outra solução. Minha mãe não me queria. Eu não queria meu pai...
IAP é a luz no fim do túnel.
No dia seguinte arrumei minhas coisas e meu pai com seu amigo idiota foram me levar até a escola. Me lembro de ter trocado poucas palavras com meu pai, mas o amigo quis fazer alguma piadinha e fui bastante indelicada com ele. Já não tinha nada a perder mesmo. 
Eles me jogaram lá com uma mala e uma mochila. Nada que tinha na mala poderia ser usado ali.
Não tinha nenhuma saia e as que consegui foram por meios ilícitos. Eu estava completamente sozinha. Abandonada a própria sorte. 
Mas Deus estava comigo. Eu sentia isso. A essa altura já tinha feito uma prova da existência Dele. 
Tudo o que passei ou viria a passar foi amenizado ao ponto do suportável por Deus e eu tinha absoluta certeza disso.

Vou parar agora para poder relembrar cada detalhe dessa mudança radical que vivi quando tinha 15 anos. Não é tarefa fácil, mas necessária.
Talvez algum leitor desavisado leia sobre as drogas e pense que eu fiz uso delas. Não, nunca fiz uso de nenhuma droga ilícita. Mas a marion sempre gostava de me atribuir tal feito. Ela dizia que meu nariz eternamente vermelho era motivado por cocaína. Ainda tenho o nariz vermelho. Acho que é meio genético. O João Gualberto também o tem. Mas sobre ele não posso garantir nada.

Estou surpresa pelos sentimentos que me afloraram com esses pensamentos. Acho que encontrei o fio da meada...

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Se passam poucos minutos e a Mona aparece na sala com cara de medo. Quanto me conta as propostas de meu pai, não consigo acreditar.
Como ela faz algo errado e pelas vias legais meu pai deveria fazer um escândalo, deixá-la de castigo e tomar-lhe a chave reserva, tudo o que foge disso por si só já é estranho. Agora, ouvir as palavras da Monalisa me caíram direto no fígado. Um gosto amargo de fel me veio até a boca. Meu pai que no meu pensamento, era mais pai dela do que meu, afinal ele a viu crescer diariamente quanto que a mim via esporadicamente. Se ele tivesse feito tal proposta para mim, seria amarga, mas menos amarga do que com ela. Sempre pensei assim. 
Ele convidou-a para conhecer a vida. Eles sairiam, iriam a uma boate e curtiriam a noite e assim tudo estaria esquecido. Abominável.
Ela tem apenas 2 anos a mais que eu. 17 anos em 1990. Dá pra imaginar o que tudo isso significa? Nesse dia meu respeito por ele escorreu ralo abaixo. 
Monalisa conversa com Dr João e vem me contar assustada. O plano é me levar jantar, me dar vinho e deixar que eu durma. Meu plano com a Mona era jantar, se possível e não tomar uma única gota de vinho. E assim eu fiz. Como logo, nosso plano adolescente foi descoberto pelo psicopata, o vexame estava instaurado. O restaurante se tornou o palco da mais nojenta peça do teatro pastelão de um pai ofendido por filhas que mentem. Aos gritos nos xinga de muitas coisas. Se antes eu estava amarela pela biles que me veio a boca, agora estou roxa de vergonha. Meu pai é um  homem sem escrúpulos.
A volta para casa nos reservava muitas outras agressões e dessa vez vou acabar apanhando junto. Não por ter feito algo errado, mas porque não bebi e não dormi para que ele levasse sua enteada para uma noitada. Eu não estou errada. Não é justo que eu sofra por causa dos erros dos outros. Não é justo que ele vá descontar em mim sua falta de caráter.
Subimos para casa com muito medo. Quando chegamos, o João ligou para a Cládis (mãe da Mona) foi então que tive uma ideia. Pedi para falar com ela. Eu precisava de tempo para poder fugir. A essas alturas meu pai já tinha me obrigado a ficar em seu quarto esperando pela surra. 
Falei com ela e deixei transparecer meu medo. 
- Tia, as coisas não são bem como ele está contando. A Mona precisa falar com você. Por favor, acredite em mim.
Ela então resolveu falar com a filha e eu consegui escapar do quarto do meu pai. Peguei uma muda de roupa, coloquei numa sacola e fugi. Esperei que a Mona também saísse. Parecendo duas ratinhas em pânico fomos dormir na casa do namorado da Mona. Um namoradinho de adolescente, mas foi nosso herói naquela noite. A mãe dele nos cuidou e pudemos respirar com segurança. Não dormi nada nessa noite. 
Nesse dia perdi meu pai. O homem que estava lá em casa me era totalmente estranho. Criei um asco que pensei que não existia. Só agora, 23 anos depois, consigo entender que o que ele fez me marcou profundamente. Precisa de uma assepsia, um curativo e de um pouco de repouso.
Hoje eu preciso de colo...



domingo, 16 de fevereiro de 2014

Nessa tarde estou sozinha. Madrasta e irmã viajando. Eu e a Mona podemos fazer o que quisermos. Eu vou ouvir música e dançar a tarde toda sozinha com a casa só para mim e ela vai pegar a chave secreta do Scort e vai sair, sabe Deus fazer o que.
Para completar ainda mais a tarde diferente, até o presidente da república está em Maringá. Não sabíamos que por isso meu pai não teria expediente na receita e corríamos o risco dele voltar para casa mais cedo. Se existe um possibilidade de algo ruim acontecer, certamente acontecerá e poderá ser ainda pior do que o pensado. Assim aconteceu. 
Meu pai chegou no meio da tarde e bêbado. 
Me pegou no meio das minhas danças adolescentes, o que me deixou um pouco sem graça, mas meu problema era menor. Desligar o som e ir para o quarto resolveria tudo. Encrenca mesmo enfrentaria a Mona. 
O que pude fazer para ajudá-la, fiz. Quando meu pai perguntou dela, disse apenas que tinha ido a costureira. Quando ele fez a seguinte pergunta, fique azul, lilás e roxa.
"Mas de carro?"
- De carro? Não sei se de carro, ela só me disse que ia à costureira.
"sim, ela foi de carro! Como que ela sai de carro e você não sabe?"
-Pai, nós moramos num apartamento. Ela disse que ia à costureira e saiu pela porta. Não sei se saiu a pé ou de carro. Não vi.
"Quando ela chegar, diga que quero falar com ela."
Sem mais nenhuma palavra ele entrou em seu quarto e por lá ficou me deixando com o coração aos pulos, o estômago embrulhado e com uma sensação de que as coisas iam ficar pretas pro lado da Mona. Eu não estava enganada, só não sabia que acabaria envolvida no problema até as tampas e que conheceria uma face horrorosa do homem que me gerou.
Coloquei um bilhete do lado de fora da porta dos fundo dizendo que a Monalisa só poderia entrar em casa depois de conversar comigo. Como não existem celulares ainda o jeito foi apelar para um sinal rústico. Moramos no primeiro andar, tem uma escada de emergência  que dá acesso ao terraço onde temos as janelas dos quartos das meninas. Assim fico no meu quarto esperando que ela aparecesse.
Foram infindáveis minutos. 
Claro que ela já sabia que o pai estava em casa. O carro estava na garagem. O problema era explicar como uma garota de 17 anos tinha uma chave reserva do carro da mãe e mais: como ela ousava usar o carro sem permissão. Se isso, por si só já é complicado, pense agora num pai desequilibrado e bêbado ouvindo as explicações. Que reação teria? Eu não queria estar na pele da Monalisa. 
Mas como o que não tem remédio, remediado está, o jeito será tomar uma superdose de coragem e enfrentar a fera. Estou aliviada pois minha parte nessa história acaba aqui. Pelo menos por uns poucos minutos penso assim.
Quando a Mona entrou em casa pensei que ouviria gritos histéricos do João pelo restante da tarde e noite. Estava enganada como sempre.É incrível como me engano com as coisas e com as pessoas desde sempre.
Cinco minutos depois ouvi meu pai me chamando. Ele queria que eu fosse buscar cerveja para ele na padaria. A padaria fica longe de casa. Eu estarei fora por pelo menos meia hora.
Mais cerveja, ah não, a coisa vai longe mesmo.
Quando volto, estranho o silêncio. Coloco a cerveja na geladeira e vou assistir televisão. Meu coração está muito aflito. Se os gritos me assustam, o silêncio me assusta ainda mais.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

I'm not calling for a second chance
I'm screaming at the top of my voice
Give me reason, but don't give me choice
Cause I'll just make the same mistake again
Freud é cheio de esquemas. Ele sempre encontra respostas dentro da família para as consequências, muitas vezes desastrosas, que vamos encontrando pelo caminho. Até minha terapeuta que segue uma outra linha de análise, acaba correndo para debaixo das asas de Freud quando não consegue encontrar na teoria do comportamento respostas para suas e minhas dúvidas.
Com essa magnífica introdução quero expor um pouco do comportamento maníaco-compulsivo- doentio do meu progenitor. Não precisa ser um gênio na psicanálise para saber que eu estou escolhendo errado por causa de algo lá do passado que me influencia hoje. Pensando sobre isso, fiz um trato comigo: De agora em diante minhas sessões de terapia serão apenas para resolver questões com mais de 20 anos. Chega de tapar buracos. Vamos abrir as valetas e colocar manilhas. Daqui para frente tudo vai escoar em lugar certo.
Bem, nessa primeira viagem rumo as feridas abertas do passado vamos aterrissar em 1991.

Maringá
Eu tenho 15 anos, sou uma menina frustrada. Não gosto dessa cidade cheia de árvores. As ruas sempre acabam numa rotatória que nos levam a outra rotatória. Aqui tudo parece projetado. A cidade primeiro foi feita, depois vieram as pessoas. Tão diferente da minha Curitiba com ruas truncadas e imensas avenidas. Minha vinda para Maringá foi algo mais do que previsto. Era apenas uma questão de tempo. Mas estar aqui, recomeçar a vida numa casa diferente com pessoas diferentes não é tarefa nada fácil. Quantas coisas ruins tenho vivido. Quantas infindáveis noites que passo sentada a mesa da cozinha ouvindo os brados bêbados de meu pai.
"Sabe quanto custa essa luz que você acende?"
"Você está aqui porque a tua mãe não quer mais você lá. Ela enganou você"
"Vocês não sabem nada da vida."
Depois do trabalho, seja 18, 20 ou 23 horas meu pai chega alterado e lá vamos nós. Pizza e ladainha.
A pizza é sempre de aliche e alho e óleo. Detestável. As conversas sempre giram em torno da decepção de um pai exemplar com suas filhas e enteada adolescentes.
O Brasil está empolvoroso com as maluquices políticas que surgiram já com o primeiro presidente da era democrática e nós em casa ouvindo sermões eternos. Não entendo nada de política, não entendo nada de nada. Vou para a escola de manhã e a tarde fico sem fazer nada. Não estudo, não me interesso por nada, não tenho roupas novas e meus sapatos já estão começando a dar sinal de falência. Meus pai não me enxerga. O aparelho nos dentes não sabem mais o que é manutenção e médico ou remédios são palavras inexistentes no convívio familiar. Me sinto e de fato estou abandonada.
Minha madrasta é 10 anos mais velha do que meu pai e isso a incomoda muito. A mim também. Não pela idade, mas pela menopausa em pleno vapor que faz dela uma pessoa mais horrível do que ela já é. Suas roupas e acessórios que não se combinam entre si, acrescidos da mania cafona de frequentar bingos diários faz dela uma pessoa sem nenhum atrativo social. Não gosto dela e a reciproca é verdadeira. Claro que estou convivendo com ela em 1991, não posso desafiá-la ou lhe ser mal criada como gostaria. Ficamos então no nível do suportar uma a outra para evitar problemas maiores. Já nos chega os que temos. 
Não tenho pena dela, acho mesmo é que é bem feito. Achou que tava fazendo um bom negócio se envolvendo com meu pai. Bobinha.
Quando ela sai ou viaja é bem gostoso ter a casa só para mim. Posso ouvir música alta e dançar. Leio a tarde toda e não me preocupo com arrumar a casa. Adoro quando eles esquecem a porta do quarto deles destrancada. Além de rir muito do esquecimento aproveito para fuçar em gavetas e armários. Meu pai coleciona revistas de mulher pelada embaixo do colchão. Eu, sinceramente, não entendo uma mulher que aceita isso. Tá certo, homens adoram uma pornografia, mas em baixo do colchão que ela dorme? Acho meio masoquista. Dez anos mais velha, 50 kg mais gorda...
Pena que inteligência não seja o forte de uma menina de 15 anos. Se eu fosse uma investigadora nata, teria feito altas descobertas. Achei algumas poucas coisas que só farão algum sentido muitos anos para a frente. E a única descoberta realmente frutífera foi sobre minha origem. Eu descobri uma carta que comprovava que sou realmente filha do meu pai. Só isso... não foi grande novidade, meus traços físicos já me diziam isso no espelho.
Hoje, estou sozinha em casa. Minha madrasta foi viajar. Parece que minha irmã aprontou alguma das dela. Estava enganando todo mundo. Não ia para a faculdade. Meu pai enlouquecido mandou-a de volta com os avós, Claro. Nossa família tem essa tradição: Não dão conta da educação da gente, tratam logo de mandar pro outro. E junto com o filho delinquente ia uma carta culpando o outro pela criação errada. Meus avós criaram minha irmã mais velha. Meu pai, o filho caçula, era muito jovem para perder seu futuro de advogado cuidando de uma criança que veio sem ser planejada. Essa decisão dos meus avós fez com que meu pai nunca mais planejasse nada na vida e vai ver que foi por isso que ele foi exonerado do funcionalismo estadual e perdeu tudo na vida.

Preciso parar, fazer almoço para os filhos. Sábado chuvoso e friozinho... adoro.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Já devo ter dito o quanto essa música me faz sofrer. Não tenho ela nas minhas listas, mas quando ouço Casinha Branca ela me remete imediatamente a essa e logo à infância. Hoje consegui um tempo para pensar.
Música alta nos ouvidos e as ideias enozadas. Fui andar sozinha. Segunda tive minha primeira sessão de terapia. Não gostei, pois fui confrontada comigo mesma. 
Você sabe.
Você pode.
Você deve.
Como se eu não soubesse disso tudo. 

Quero me curar da ansiedade doente e olhar as coisas boas que tenho. Quanta coisa boa.
Eu não tenho culpa de nada.


Parei uns instantes de escrever para ligar para o João Gualberto. Eu tive coragem. Daqui para a frente vou lutar contra meus medos. Vou enfrentar os gigantes e mudar as estratégias.
Se eu sou forte em quase tudo, serei forte comigo também. Chega de pena.
Vamos para o plano B.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Estou muito bem,  embora não esteja escrevendo,  tudo segue em boas condições.  Acho que este espaço está perdendo a razão de ser. Ontem,  me ensaiei, mas entre escrever ou ler, optei sem demora pelo segundo.  O que, pra que e para quem escrever? Cansei disso como cansei do farm ville.  Não sei se vou abandonar definitiva ou se temporariamente. Nem sei se vou abandonar. Algo em mim mudou,  isso é fato.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Decepcionei você?
Desculpe-me.


Dia cansativo,  mas feliz... filhos em casa,  coisa boa de mais.
Preparativos para volta às aulas e aniversário do Dudu.
Se der, amanhã, quero falar de arrependimento.
Mudança de atitude.
Liberdade.
Paz.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Calor terrorista. Dor de cabeça.  A tarde foi ultra cansativa, embora sem trabalhar.
Amanhã mil coisas para fazer.
Prometo escrever algo substancioso amanhã.  Agora parando.  Não consigo ao menos abrir os olhos.
Chuva!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Vida acertada. Minhas aulas voltaram para mim.
Pena que fiquei muito nervosa, muito nervosa mesmo. A ansiedade veio em alto grau. Senti uma fraqueza e não consegui me concentrar em nada. Precisei de uma caminhada sob o sol quente para que os hormônios se estabilizassem. Aproveitei para comprar um chip novo. Sabe Deus o que está acontecendo com o outro.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O que foi que eu disse sobre a reunião pedagógica? Pois foi exatamente como descrevi. Assim foi  a segunda-feira.
Não tive terapia, com isso consegui assistir a cena da apresentação da nova secretária, fiquei contente por ela.

As coisas de ontem ainda voltaram a me assolar... Difícil, muito difícil...

Passei muito calor, mas me reencontrar com os amigos, me fez bem...

Dor no olho e novela chata começando... vou ler a Veja e dormir...


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Hoje o dia foi meio angustiante. Iniciei organizando os materiais do Pedro, depois enfrentei o banco e esse me levou a algumas pesquisas na internet. Pronto. Se faço pesquisa é incrível: sempre acho mais do que estava procurando. 
O que encontrei hoje me deixou muito nervosa por boa parte do dia. Consegui tirar da cabeça apenas depois de assistir um filme de ação bem eletrizante. 
Devo confessar que dificilmente vou atrás de alguma informação. Prefiro não saber. Saber me exige posicionamento. Eu queria continuar do mesmo jeito. Não posso.
Esqueci de dizer que  esses dias encontrei dr João Gualberto em Maringá, agora me falta a coragem de ligar. Preciso de um ritual de fortalecimento. Espero não me demorar e também espero não me arrepender, mas ele é a porta de entrada para minha origem real. Eu preciso disso. Não é fácil, mas é necessário.

A paz interior só voltou quando ouvi essa música:
Me lembrei de quando eu era menina e tive a proteção de um anjo. Um não, acho que eles estiveram sempre comigo. Deus sempre me deu a mão para me trazer a tona para respirar e me faz andar por sobre as águas. Fico maravilhada com a paz que tenho recebido. 
Estou numa fase em que consigo ver que tenho muito mais a agradecer do que reclamar. 


Amanhã começa o ano letivo. 
Amanhã tenho terapia.
Bem que podia chover um pouco.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O primeiro beijo gay na novela brasileira. Eu vivi para ver isso.
Se fosse em outra época, estaria debatendo sobre essa polêmica. Ficaria eufórica discutindo sobre o assunto por horas e horas. Hoje, no máximo, me senti desconfortável ao ver, não mais que isso.
Não sou mais a mesma... acho que segui o ideal do Raul Seixas e optei pelo meu metamorfismo a permanecer com ideias que não eram de fato minhas. Sim, quanto tempo carreguei ideias que não eram minhas, como se minhas fossem. Velhas convenções familiares, velhos preconceitos variados, várias imposições sutilmente impostas pelos líderes da minha vida: mães, pais, professores, pastores, amores...
Hoje sigo tendo pequenos desconfortos com o que presencio e vivo, mas me sinto melhor, afinal sei que não estão me manipulando.
Depois da falsidade, a manipulação é outra coisa que me causa asco. 
Li poucas coisas sobre o beijo gay, não me interessei em entrar em nenhuma discussão e optei em refletir em silêncio sobre isso. A sociedade está assim, a sociedade era assim, a sociedade será assim... a televisão a está acompanhando. 
Não falo só por causa da novela, estou também pensando em mim e minhas novas escolhas. 


O dia foi muito cansativo. O calor é insuportável. Estou com problemas respiratórios por causa do ar seco.
No inverno, tivemos neve, tudo bem que não foi tão neve assim, mas a temperatura era absurdamente gelada e agora estamos vivendo o outro extremo absurdo. Prefiro o inverno.

Fui as horrorosas compras de mês. Detesto isso. Pior é ter que levar o Pedro. Pior maior é aguentar as pessoas que vão ao mercado para se socializar. Bom, mas agora está tudo resolvido. As compras inclusive guardadas. Nos meses normais os meninos me ajudam a enfrentar boa parte dessa chatice, mas fevereiro é só comigo.
Só tenho mais amanhã para descansar. Segunda começa tudo de novo, inclusive a terapia e isso é bom.