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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sinto como se um peso tivesse sido tirado dos meus ombros. Estou  mais leve.
Vou levantar, tomar um café e trabalhar um pouco...minha manhã de folga vai ser engolida pelo meu trabalho atrasado... tudo bem... 
Tenho um trabalho, uma profissão, um ideal... e isso é bom!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Tem muitas coisas que me perturbam, mas algumas tem um dom especial de me chatear. Uma delas é o fato de eu não poder contribuir para o bem de pessoas que eu amei. Me sentir inútil, ou de mãos atadas me magoam muito.
Por que eu não posso fazer alguma coisa? Me deixa ajudar! Deixa eu cuidar de você... eu posso te proteger... quantas vezes eu disse isso e  não pude fazer nada? Quantas?
Lembro minha adolescência, quando eu tinha um namoradinho, desses namoricos bobos sem a menor importância. O nome dele era Sergio, tinha 14 anos como eu e diziam as más línguas que cheirava benzina. Não sei, nunca vi qualquer alteração nem ele me ofereceu qualquer coisa... Fato é que a Marion me proibiu terminantemente de namorá-lo. Proibir um adolescente é o mesmo que incentivá-lo. Continuei o namoro e fui sendo punida de todas as formas por causa disso. Desde apanhar diariamente com um ferro, até ser proibida de ir à escola terminando com a minha fuga e a culminando com a minha ida para Maringá.
Talvez hoje não seja o momento de falar de tudo isso, porque o que me motivou a escrever hoje foi a minha fragilidade em ajudar as pessoas... quero correr o tempo desse assunto para o dia em que voltei pra casa depois de ter passado 2 dias na casa da minha professora de português que se chamava Lya e era mãe de dois amigos meus. 
Quando minha "mãe" foi me buscar se fazendo de preocupada com meu sumiço, quase acreditei que de fato ela queria o meu bem, mas foi só chegar em casa e perceber o que realmente ela tinha para mim.
Meu quarto estava as avessas e uma mala velha continha as poucas coisas que ela me permitiria levar embora. Já estava traçado o meu destino: Casa do pai. Maringá.
Minha reação foi pegar uma caneta e começar a escrever do que eu estava sentindo. Me lembro de dizer que nunca usei, nem usaria drogas e que me sentia muito triste por minha "mãe" não acreditar em mim. 
Eu dizia ainda que meu desejo era, quando adulta, trabalhar em uma clínica para dependentes químicos. Dobrei aquela montanha de papel e coloquei entre as telhas do telhado que apareciam no meu armário daquela casa triste da rua da Glória. Certamente quando fui embora meus escritos foram achado, porque era essa minha intenção mesmo e ridicularizados como tudo o que eu fazia era ridicularizado. 
Não me lembro direito, mas me parece que alguma vez depois minha irmã comentou que a mãe tinha chorado ao ler o que eu escrevi. De que me adiantariam suas lágrimas, eu precisava de amor, proteção e cuidado e isso ela não me deu.
No dia seguinte meu pai viria me buscar... dois dias depois eu estaria em uma outra cidade, numa outra vida e com o Sérgio eu só voltaria a falar uns 15 anos depois, quando ele me achou no Orkut. 
Era um namoro, de fato, sem a menor importância... mas nas mãos da Marion se transformou num pesadelo sem tamanho. O Sergio não tinha dado certo na vida ainda, tentou vários empregos e começou várias faculdades... quando nos falamos ele cursava Letras... ele seria professor de português como eu e a professora Lya... Coincidências da vida... 
Ele me contou que no passado se sentiu muito assustado com o que houve e que não sabia o que fazer e eu apenas o confortei dizendo que ele não tinha sido o complicador de nada... o que tinha acontecido, aconteceria por qualquer outro motivo... a vontade da Marion já tinha se definido e o Sérgio só foi o degrau oportuno e necessário. 
Ele ficou feliz por ver que não teve culpa... nunca mais nos falamos... 
Mas eu nunca soube se ele usava benzina, nem nunca trabalhei em clínica de reabilitação... 
Mas tive outros momentos em que me envolvi com dependentes químicos e não os pude ajudar...
Comecei escrevendo em lágrimas e ao lembrar da história do Sérgio fui me acalmando... nem vou continuar falando hoje... 
Quero falar do Fábio, meu colega do IAP que morreu de overdose. Fiquei sabendo de sua morte pelo Jornal Nacional, foi horrível... e o que eu fiz por ele? NADA... 
E do Marcos Zampieri, o superman do IC que também já faleceu vítima de complicações com uso de drogas e que não pude fazer nada para ajudar... que merda de gente que não vê que as drogas trazem a morte! Que merda de gente que não se deixa ajudar!
Tenho medo que meus filhos se envolvam com drogas... e eu não possa fazer nada... Deus do céu, que medo!
Angústia e profunda tristeza!

terça-feira, 29 de maio de 2012

"O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem." Clarice Lispector


Meus alunos do 3º ano estão apresentando trabalhos de literatura. Uma das meninas passou um vídeo fantástico com o Paulo José interpretando o texto que postei acima...
A arte tem a sutileza de nos confortar, confrontar, afligir, instigar...

Não estou bem hoje, cansada demais e com cólica... já no meio da tarde tracei os planos para hoje: banho quente, lanche, uma bolsa de água quente e cama... vou assistir novelas sem me preocupar com nada... delícia, preciso descansar... dormi muito tarde ontem... as ideias me aparecem no lugar do sono... mas fico feliz, afinal, seja a hora que for, elas me aparecem... 
Cheguei do trabalho com os planos de descanso bem idealizados, mas ao pôr os pés em casa já tive que atacar de conciliadora... o João Guilherme e o Fernando tiveram uma briga que não tenho ideia por que começou... nesses casos sei perfeitamente que a culpa é do Gui... ele sempre provoca, agride e maltrata o Fê. Fico muito brava com isso. Resultado: fiquei mais estressada e cansada do que já estava e tive que resolver o problema. Minha vontade era de dar meia volta e ir embora daqui... não tenho essa opção. Resolvi o problema.
Agora já está tudo bem e posso retomar meus planos da tarde... 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

O diabo é o pai da mentira (João 8:44)

Nunca entendi muito bem quando me diziam isso na igreja, na verdade eu sempre achava que era uma besteira. Mais uma das que a igreja inventa pra manipular os fiéis. Hoje começo a ver que eu estava completamente enganada. Aliás fiz muitas escolhas baseada na minha ignorância... Se eu pudesse voltar no tempo, deixaria de agir sem pensar... Lamento que a sabedoria só venha com o tempo... o tempo de sacanagem de novo...
Quero me deter na mentira. Essa praga que aterroriza e destrói tudo. Que faz a gente se perder nela e por isso se perder da vida... Pra mim a verdade por mais dura e cruel é mais tragável que uma mentira. 
Existem muitas frases que dizem isso. 
Eu não sei ao certo em que momento da vida decidi que não iria mais mentir. E tenho feito dessa escolha o carro chefe da minha vida. Confesso que não é fácil. 
Tentar não mentir ou não mentir mesmo, as vezes é complicado... mas mentir é ainda pior. 
A mentira, por mais bem feita, sempre deixa pontas que facilmente serão encontradas, e uma vez encontradas podem destruir estruturas que pareciam inabaláveis. Se não as destruir, certamente lhe exigirá outra mentira que a sustente e assim quando deixar suas pontas, serão duas ao invés de uma, e sucessivamente assim, até que sejam 10, 20, 200... 1000 e quando descobertas devastarão tudo, até o amor... o tão lindo e frágil amor humano.
Quando decidi que iria me casar com o João, a Rita, tentando me dissuadir de tal ideia aconselhou-me de que eu precisava olhar mais atentamente para o João, porque fazer uma escolha dessa exigia muita cautela, afinal as pessoas não são o que parecem ser. Ninguém conhece de fato alguém... Ela estava absolutamente certa... Mas eu, com pensamento de jovem dona da razão que sempre tive, pensei: Se ninguém conhece ninguém, por que vou perder meu tempo analisando algo tão duvidoso. E na dúvida optei em casar... errei
Engraçado que na hora da separação o conselho foi o mesmo... é melhor ficar com esse, afinal você já o conhece um pouco, e tentando argumentar me repetiu exatamente o conselho de anos antes... errei de novo.
Conhecendo mais gente e sofrendo pelas escolhas erradas que fiz, admito que ela estava profundamente com a razão. 
Os seres humanos são umas caixinhas de surpresa, capazes de nos aterrorizar e de nos comover... só depende deles e das mentiras que resolvem contar.
E conforme as mentiras vão criando suas teias, elas nos enfraquecem de tal forma que só mesmo Deus pra nos livrar... E que alívio que dá de saber que O meu Deus me livra desse mal a cada dia...
Estou me recordando da história do caso Isabella Nardoni. 
Uma menininha de 5 anos que foi atirada pela janela do 6ºandar do prédio de seu pai. Nunca vamos saber o que realmente aconteceu, o pai e a madrasta foram condenados, embora se dissessem inocentes. Uma tristeza maluca o que a mãe da menina passou, pela perda da filha e pela dúvida que terá para sempre. As provas foram irrefutáveis, o silêncio dos assassinos... a mentira imperando, mesmo perdedora... destruída e destruidora... 
Todos mentiram e para manter suas mentiras tiveram que incluir mais pessoas e mais mentiras...
E por mais que aparentemente unida, a família estava destruída. 
Que felicidade há nisso?
Oras, se nos unimos ao mentiroso, viveremos em angustia infinita. Uma hora será a vez dele nos enganar também... E movidos por essa angustia e pela mentira estaremos tão enfraquecidos e perderemos o melhor da vida... 
No caso dos Nardoni, todos perderam, todos, absolutamente todos!
Acho que entendi por que optei pela verdade... na verdade não fui eu que escolheu, mas Deus escolheu por mim.  

O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra (Salmos 34:8)

E se é Deus que está no comando é porque somos Seus filhos... e não há nada que possa nos atingir a ponto de nos destruir... 

Ele é o caminho, a verdade e a vida!

Hoje estou ainda mais feliz do que ontem, embora cansada!

domingo, 27 de maio de 2012

Hoje fiz uma boina, estava precisando sair dos joguinhos... ontem chegou a formigar minha mão de tanto ficar na mesma posição... 
Quando começo a ter vontade de fazer meus artesanatos é sinal de que a tempestade já passou... adoro ver as coisas se transformarem nas minhas mãos... os fios, as tintas, os papéis...
Em junho tenho um evento da escola que vou produzir, não vejo a hora...
Nossa, como me sinto feia em fotos, tirei várias e nenhuma me agradou de fato, essas máquinas digitais acabam com a gente. Ou seria o tempo? Verdade seja dita: estou envelhecendo e não gosto de pensar nisso.
Bom, estou feliz, hoje é dia de alegria... nada de pensar em coisas ruins...
A semana tá começando... respirando fundo, indo em frente!!

Aniversário do Fernando, acordei cedo para preparar um café bem caprichado e acordá-lo. Ninguém pôde me tirar o primeiro sorriso dele nesse dia que é tão especial. Eu sei o quanto ele esperava por esse momento de ter um dia especial... e está tendo. 
Ontem foi almoçar com o pai, hoje tem um monte de pequenos agrados da mãe... E assim a gente é feliz!

sábado, 26 de maio de 2012

Esses dias que os meninos saem com o pai, me deixam tristes, imagino porquê. 
É como olhar para o passado e ver que não dei conta dele.
O João e a Rose trouxeram muitas frutas e legumes da fazenda, é sempre uma festa quando eles veem carregados com coisas naturais... Se eu pudesse teria uma horta aqui em casa. Amo ver a terra nos dar o alimento... vê-lo crescer... acompanhar o ciclo da vida vegetal. 
Mas me dá uma tristeza... 
O João descascou uma poncã (preciso fazer um estudo sobre como se escreve isso) para o Pedro e ficou cuidando dele dentro do carro com um carinho que me angustia... Não consigo nem descrever, nesse momento, a dor que me causa... Imagino porquê estou assim, mas não posso falar disso agora... me dói!
Talvez seja por que eu me sinta ainda culpada pela separação, talvez seja por que eu queria ter uma família completa de novo, talvez não seja nada disso ou ainda tudo isso junto...  não sei!
vou tratar do almoço para o Pedro. Volto mais tarde, mais calma, mais em paz!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Não voltei mais ontem, cansada e com visita.
Não consegui fazer a inscrição ontem, mas infelizmente, hoje deu certo.
Infelizmente porque sei que tem um monte de etapas que me comem muitas aulas e o resultado são textos medianos. Sou realista, tenho alunos que escrevem bem, mas não é o caso desses alunos. Vou fazer tudo que está ao meu alcance.
Mais uma semana acabou, e o Pedro continua pedindo para falar com o pai... e eu digo apenas que "o papai babau". 
Me dá uma dor tão grande de ouvi-lo chamar por uma pessoa que não merece. Eu queria poder reconstruir minha história nessa parte, não retirando o Pedro, mas lhe dando um pai. Alguém que o amasse de verdade e que não fingisse sentimentos para nos manipular.
A maldade humana me assusta profundamente...
Amanhã o João vem pra cá ficar com o Fernando, levá-lo para almoçar fora em comemoração ao seu aniversário, sempre foi assim e sempre será assim até um dia que o Pedro entenda e sofra por não ter isso também. E me entristeço profundamente por esse dia.
A história que me trouxe o Pedro é dolorida demais pra mim. 
Me lembro perfeitamente da noite que depois de jantarmos contei-lhe um pouco da minha vida, ele me abraçou com carinho e  disse que me protegeria para sempre...Na  noite seguinte coloquei uma música para ele ouvir. Ele  tinha escolhido uma música sertaneja pra ser a "nossa música" e eu disse que pra mim, a música que melhor representava ele era "anjo".
Hoje não, mas outro dia falarei sobre como estava virada minha vida antes dele chegar e me proteger. Eu o chamava de Fortão e me sentia realmente protegida... Lembrar disso e ver tudo o que passei depois me faz crer que existia um outro Rhory que eu não conhecia... e que jamais queria ter conhecido.


Demorei um tempo até poder ouvir essa música de novo... mas ela é linda e independente da minha desilusão... Anjo - Saulo e Daniela Mercury.

A vida continua e as nossas desilusões devem servir para alguma coisa. Só resta saber para quê!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Ontem não consegui falar com a professora do Fernando, ela fez um esquema de senha que atrapalhou tudo, pra piorar o meu estresse levei o Pedro junto. Resultado: Aguentei firme 20 minutos, mais que isso seria tortura. Quando saí da sala tinha uma pedagoga que não queria me deixar ir embora... fui mesmo assim.
Agora pela manhã fui lá para ouvir o que sempre ouço... mas dessa vez as pedagogas estavam junto.  Certamente com medo de que eu  desse algum tipo de piti com a prof, ou ela comigo. Tudo correu como eu previ... sem nenhum problema. 
Eu sou chata, tenho plena convicção disso... se estou certa bato o pé... mas com educação... quando vejo que estou perdendo o controle, fico muda. Prefiro não falar nada à perder a razão. 
Eu sei que as pessoas estão o tempo todo querendo usar nossas palavras contra nós... no meu caso a pessoa tem que ser muito esperta, pois sempre cuido com o que digo. Embora a Vilmara diga que eu falo sem pensar...
Não falo sem pensar... eu penso bem mais coisa do que falei, SEMPRE!
Volto mais tarde, acabo de receber um telefonema da escola me cobrando uma inscrição que não quero fazer, mas lá tenho opção? Vou me inscrever nas Olimpíadas de Língua Portuguesa. Quem sabe esse ano ganhamos alguma coisa. Não posso deixar o pessimismo tomar conta de mim... 
O Pessimismo é sintoma de velhice da alma!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mais um dia cansativo, estou pregada... Tenho vontade de dormir, mas não posso... Preciso ir à escola do Fernando pegar seus pareceres. Não quero ir, mas vou... vou pelo Fernando... sei que é importante pra ele.
O Fernando é meu filho mais comprometido com coisas intelectuais, é também o mais parecido comigo... física e psicologicamente.
Ele não fala muito, guarda para si os sentimentos e pensamentos. 
Lembro perfeitamente do dia que dona Anália faleceu. 
Eu tinha ido até o hospital para prestar solidariedade ao João, sua mãe estava internada havia 15 dias e tinha passado por uma cirurgia no coração, além dos problemas com diabetes... não resistiu. 
Quando cheguei em casa, ligamos para saber como ela estava e a Rose estava muito nervosa, pois os médicos os tinham chamado antes do horário da visita da noite. Eu já imaginei que as notícias não eram boas. Poucos minutos depois veio a notícia. 
A reação do João Guilherme foi horrível para o coração de mãe. Ele berrava e se jogava no chão em desespero absoluto. Precisei dar-lhe um tapa para que voltasse a si e depois calmante. 
A reação do Fernando foi ir para o quartinho da bagunça, pegou um carrinho de brinquedo e ficou em silêncio, não chorou, não gritou, não falou uma única  palavra. Eu sei que guardou tudo para si.
Até hoje não sei o que ele sentiu naquele dia quando tinha 6 anos.
Não deixei que fossem ao velório e ao enterro. Queria que tivessem uma imagem da vó viva.
O João entendeu e aceitou minha decisão.
Além do lado introspectivo, o Fê é meio metódico e extremamente desligado. Não consegue guardar informações triviais, mas vai muito bem na escola. Tem raciocínio rápido. Esses dias, ele me disse que a matéria que mais gosta na escola é produção de texto, me senti muito feliz por ouvir isso. Vindo do Fernando sei que não é nada para me agradar.
Só lhe falta ainda o hábito da leitura, não me preocupo, pois sei que logo ele vai sentir falta.
Não que eu seja coruja, mas além de todas essas qualidades o Fernando tem um senso de humor refinado... consegue nos fazer rir com facilidade. 
Preciso parar agora porque o menininho acaba de me lembrar que tenho compromisso...
Garanto que ele está contando no relógio... se temos compromisso é assim... Ele fica eufórico e ansioso. Até parece alguém que eu conheço.  

terça-feira, 22 de maio de 2012

"Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."
Ontem a tarde eu estava tão envolvida na ansiedade que esqueci que tinha me deparado com esse fragmento da autobiografia da Cecília Meireles... me senti tão próxima dela... Tivemos que nos construir meio que sozinhas... com uma ajuda aqui e outra ali... Ela se tornou essa grande escritora e eu?? 
Eu sempre imagino que Deus tem um propósito pra tudo na nossa vida, eu só não sei o que Ele quer de mim... Tudo bem, não sou a única que não sabe sua finalidade...
Muitas vezes acho que é para poder aconselhar meus alunos... mostrar pra eles que podemos sobreviver a muitas dores se formos fortes e determinados... os estudos os ajudarão e muito. 
Depois acho que isso é simplista demais... e mais um pouco, acabo concluindo que não adianta pensar sobre isso... é o tipo de coisa que não tem resposta.
Estou tão cansada, a noite foi muito agitada, não demorei para dormir, mas acordei muitas vezes... não perdi o sono, embora não tenha descansado o suficiente.
Na escola, um aluno pela manhã gritou comigo me chamando de "meu"... odeio que me chamem assim... qualquer pessoa. 
Trato todo mundo com respeito e quero ser tratada assim também. Eu consegui manter a calma e mandar o aluno sair sem dizer uma única palavra. 
Ainda que aparentemente eu domine a situação, me sinto um bagaço por dentro, não fiz nada para ele me tratar com grosseria, aliás tudo o que estou fazendo lá é ajudá-lo... ele não quer minha ajuda... muitos deles não querem minha ajuda... isso me decepciona profundamente. 
Qualquer pessoa que se proponha a fazer algo bom e receba pedradas em troca se sente assim...
Eu acredito que muita depressão surge daí... mas eu não tenho o direito de ter depressão, preciso ser forte para cuidar dos meninos... e acabo passando por cima dessas pequenas dores, evitando pensar no assunto...
Quase sempre dá certo... hoje vai dar.
O Pedro está aqui brincando de mosquitinho... fazendo barulhinho e encostando sua pequena mãozinha nas minhas costas... eu brinco que estou com medo e ele dá risada... isso é um fortificante natural... dei um sorriso... o dia cansativo dá lugar a alegria de ser mãe.
Domingo é aniversário do Fernando... 10 anos...
Vou jantar com eles e descansar...  

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Comecei um monte de pequenas ideias e nada está muito claro hoje... Verdade que estou feliz... tenho com que manter minha família até o fim do mês e isso me dá um alívio que me deixa assim...
A única coisa que consigo concluir de tudo isso é que na verdade os sentimentos mais fortes em mim são os relacionados aos meus filhos. 
Estou num nível de ansiedade positiva, se é que existe isso. Estou inquieta, agitada... 
São 20:57 e não estou conseguindo estabelecer nenhuma sequência lógica...
Vou largar tudo isso e vou tomar um banho...
Amanhã tento escrever... hoje não deu!

domingo, 20 de maio de 2012

Eu não ia voltar mais hoje, mas não posso deixar de tentar descrever o que estou sentindo agora. 
Acabei de receber uma ajuda da tia Marguerita... a única que me resta... mais pra frente falo sobre as coisas que lembro ter vivido com ela... minha infância não foi só tristeza.
Mas agora preciso me deter no aqui nesse momento... 
Eu me sinto muito feliz, me parece que saiu um peso das costas... Minha primeira reação foi chamar o Gui para compartilhar com ele a boa nova... eu sei que ele está tão tenso com a situação quanto eu... ele entende os nossos problemas e sofre... isso me deixa ainda mais revoltada... 
Logo iremos orar nós 4, tenho por hábito aqui em casa orar em dois momentos: quanto estamos muito tristes ou quando estamos muito alegres... hoje oraremos pelo segundo motivo. 
Quero sempre que meus filhos saibam que é de Deus que vem o nosso socorro...  Se nossos problemas são resolvidos é por que Deus está conduzindo nossas vidas e temos a certeza de seu cuidado e amor... 
Tenho medo do meu pensamento, mas mesmo assim vou colocá-lo aqui... preciso ser honesta com meus sentimentos.
Eu sempre acho que se Deus nos cuida, e nos protege é porque estamos certos... não sei se isso está certo... minha teoria é falha em muitos pontos... principalmente porque muitas pessoas sofrem e isso me parece injustiça. Afinal elas não fizeram tanto mal que as fizesse merecer tamanho sofrimento... 
Acho que estou expondo a teoria da predestinação que a igreja presbiteriana defende...
Afinal, segundo a teoria Deus escolheu os seus e cuida deles... pra eles valem todas as promessas bíblicas... isso explica um bocado de coisas da minha vida, mas não explica tanta maudade que existe no mundo... 
Estou muito feliz, hoje não quero nem pensar sobre coisas tão profundas... 
Espero que Deus me perdoe as ousadias filosóficas... me reconheço insignificante... 
Agora vou dar banho no Pedro, jantar e preparar aulas... 
A semana já começou!


15:52 e eu aqui com um creme no cabelo pensando que amanhã já é segunda e começa tudo de novo.
Ainda não falei da minha vaidade. 
Não me acho linda, pra falar bem a verdade tenho muitos defeitos para o padrão de beleza atual. Se eu tivesse nascido na época de Machado de Assis, acho que faria mais sucesso. 
Mesmo não sendo a oitava maravilha do mundo, me cuido bastante. Gosto de fazer minhas unhas toda semana. Trato dos meus cabelos, que já não são mais castanhos escuros faz muito tempo. 
Eu mesma cuido do cabelo, dificilmente vou ao salão para tratar dos cabelos. As vezes me encorajo até em fazer luzes aqui em casa. Já gastei muito dinheiro e o resultado ficou pior que o meu.
Me dá uma tristeza de ir ao salão e pagar por algo que eu faria 100% melhor. 
Salão só mesmo pra fazer unhas... não sei fazer unhas, não tenho o menor jeito pra isso... toda vez que tento acabo irritada. Vai ver que é por isso que estou excessivamente estressada esses dias. Sem dinheiro, tenho que cortar os gastos com futilidades... não fui ao salão uma única vez esse mês. Mas tudo bem, já estamos no dia 20, mais 11 dias e vou marcar 2 horas de salão... não tem nada mais relaxante para mim do que um dia de salão... saio renovada... 
Eu preciso de uma renovação, maio está sendo muito ruim.
Gosto de me arrumar, combinar as coisas e acertar nos acessórios... meus alunos dizem que sou fashion.
E sou mesmo, mas não gasto muito com isso, não me preocupo com marcas, compro aquilo que eu gosto... e um dos meus critérios é o preço.
Tenho amigas que gastam verdadeiras fortunas em roupa e estão sempre mal vestidas... 
eu gasto pouco e sempre estou apresentável. 
Esses dias a Jusiane me encontrou no banco, foi um dos dias que eu estava meio zumbi, sem comer, nem dormir. Ela me parou e disse: "Amiga, que houve, você está horrível!?" Nós duas sabíamos do que ela estava falando. Eu de tênis branco e jaqueta preta, cabelo preso num coque tenebroso, , sem brinco, sem esmalte... Só podia estar doente... e estava.
Não uso maquiagem pesada, nunca pude usar sombras e rímel, então nunca fui de pinturas carregadas, uso apenas lápis no olho e batom cor de boca ou marronzinho... sem nenhum exagero.
Também não uso bijuterias, sou alérgica, só prata... só uso prata... um anel, brincos discretos e minha correntinha com ponto de luz... só isso
Pulseiras me estressam... o barulho me incomoda
Gosto de lenços e cachecóis... estou sempre abusando deles.
Não tenho mais conseguido usar saltos altos, antes do acidente eu adorava um salto... agora penso duas vezes antes de colocar um... prefiro as sapatilhas e as botas.
Como Castro é frio durante uns 6 meses no ano, estou bem tranquila. Botas são um charme...
Ao escrever a palavra charme me lembrei de quando eu estudava no colégio Integral ganhei um concurso no quesito charme... claro que tinha também o quesito beleza, mas ficou com alguma outra menina, certamente mais bonita que eu...
Embora eu seja vaidosa, não me preocupo muito com isso... acordo pouco antes de sair pra trabalhar, não gasto mais que 20 minutos para estar pronta. Também não faço regimes mirabolantes...
Mentira, eu tentei um regime essas férias que acabaram num fracasso total...
Estava com uma barriga que incomodava, resolvi comer só alface durante uma semana... fui bem 2 dias, no terceiro me deu um treco ruim... não sei, mas como no dia seguinte minha ajudante também ficou ruim, tudo indica que foi uma virose... na dúvida suspendi o regime e permaneci com a barriguinha feia... 
Tentei mais duas alternativas, chá de hibisco e chia... mas o que me fez de fato perder a barriga foi esse mês de maio.
Tudo coopera para o bem!
Vou indo que o tempo do creme já passou
 

sábado, 19 de maio de 2012

Acordei de um sonho confuso, coisas da atualidade mescladas com pessoas crianças que conheço só adultas. Que frase estranha, mas é isso mesmo... sonhei com gente na infância delas... maluco isso.
Talvez seja por que eu estou pensando muito na minha infância. Vai saber!
O fato é que dormi a noite toda, não acordei uma vezinha sequer... maravilha.
 Ainda na cama decidi que hoje vou falar sobre a esperança. Pra mim ansiedade e esperança são antônimas. Vou tentar explicar porquê.
Enquanto todos os livros de autoajuda dizem que devemos confiar e esperar Nietzsche diz que a esperança é o derradeiro mal. Durante os últimos anos tenho vivido sob a ótica do Nietzsche. Detalhe: Ele morreu louco e solitário. Se eu procuro o oposto disso, não posso ter um pensamento tão radical das coisas. 
O próximo passo será encontrar um meio termo... 
Não ser uma lunática esperando e esperando e esperando sempre, nem ser uma cética infeliz que por não confiar, se torna um ser amargo. 
Parece muito simples, mas não é... na prática essas coisas se confundem e me vejo uma pessoa sem pensamentos realmente formados sobre isso.
Quero esperar, não consigo. 
Quero realizar imediatamente, não consigo.
E vou nessa luta constante... 
Todas essas ideias malucas me vieram do pensar sobre o LOPER. Oras, se logo os problemas estarão resolvidos, evidentemente agora estou fazendo o que?? ESPERANDO
Mas um esperando não passivo... se estou fazendo algo, logo não estou parada, portanto estou agindo... confuso, muito confuso!
Essa semana vi um trecho do programa que verei na íntegra somente amanhã. 220 volts... Comédia inteligente... Adoro.
O trecho era o Guto e a Rita discutindo sobre pensamento... num determinado momento ela afirma que para se ter pensamentos autenticamente seus é necessário que não leiamos... porque ao ler somos influenciados pelos escritores... tá vendo... por isso que sou essa confusão toda... 
O pensamento do programa, me parece ser do Schopenhauer... amanhã confirmo isso.
Que meus alunos não tenham acesso a esse pensamento maluco, certamente eles vão usar isso pra acabar com nossas aulas de leitura. Esse pensamento na verdade é mega furado...
Assim como nesse momento me parece furada a tentativa de resolver meus problemas de ansiedade... O negócio é esperar... não tem outro jeito!
Hora de fazer almoço para os meninos... 
Talvez mais tarde eu volte... 
 




sexta-feira, 18 de maio de 2012

Acabei de perder o texto que eu digitei. 
Falava de livros, arte, cansaço pelo dia de trabalho
E o Pedro fez o que? acabou com tudo...
Sacanagem... 
Mas como eu terminava dizendo que estou muito cansada e com dor de cabeça, não vou nem tentar reeditar o texto...
termino apenas achando um absurdo eu ficar tão brava com ele por causa de uma coisa tão simples... 
Tem coisas que são muito mais estressantes que isso. O pai do Pedro e o avô dele não me ajudarem e nem ao menos atenderem minha ligação, é uma dessas.
Tem horas que o domínio próprio e a serenidade são pesados demais... 
Logo, maio acaba e renovam-se as esperanças e as forças...
Hora de exercitar o  LOPER "logo o problema estará resolvido" 
Vou deitar, está muito frio.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Fiz algumas alterações na aparência do blog, não há um motivo pra isso... acho até que foi só pra conhecer melhor os recurso. Claro que não sei lidar direito com tudo isso, mas vou aprendendo. A mesma coisa está acontecendo com meu celular... Coisa que não foi feita pra pessoas como eu... sem paciência e esperteza para usar tecnologia moderna... touch screen.
Já posso imaginar meu neto lendo e rindo da minha ignorância... Sabe Deus que tecnologia haverá na sua época. Na minha é essa e eu tenho dificuldade de usar. 
Embora tenha minha dificuldade, tenho amigos que são ainda piores que eu. Esses dias a Vilmara me fez umas perguntas que até o Pedro já sabe responder... Nossa geração está vivendo avanços constantes... difícil mesmo de acompanhar.
Recebo emails saudosistas da nossa infância na década de 80. Oh tempo bom! Na verdade nem sei se realmente eram bons ou se é a comparação (uma constante do ser humano) que  está estabelecendo critérios nada científicos sobre o tempo...Não estou falando mal da mania de comparação. Eu mesma passo o tempo inteiro comparando as coisas... comparo as turmas da escola, as amigas, os homens... Certamente também sou comparada... e isso é ruim! Quero reverter esse quadro... As pessoas são únicas, tenho que confiar nessa máxima!
Era 1:20 da madrugada quando o  Pedro me acordou aos berros. O que ele queria era pular da cama dele para a minha. Ele tem 2 anos e 3 meses, tempo suficiente pra saber que cada um tem o seu espaço... não deixei que saísse... falei mancinho, pedi silêncio, dei uns gritos e depois de 30 minutos de griteiro ele dormiu... na cama dele. Fiquei feliz, estou fazendo para o bem dele... o estou educando e pondo limites. Em tempo oportuno ele reconhecerá... por agora fico feliz porque ele não guardou ressentimento e logo cedo me abraçou com amor.
Eu que não consegui dormir depois... sabe o que fico fazendo quando não consigo dormir? Jogando ou lendo... essa noite especialmente jogando no celular... me distraio e não fico pensando... mas me empolgo com os recordes e vou longe... dormi novamente as 4:44... não tenho aulas nas manhãs de quinta... ufa! Era 8:10 quando acordei de verdade... Estou bem, a ansiedade dos dias passados passou... já me sinto forte de novo... Isso me deixa muito feliz...
Os meus jogos preferidos são os de raciocínio e estratégia... fico horas nisso, parece perda de tempo, mas pra mim eles fazem duas coisas: me tiram dos pensamentos e desenvolvem meu raciocínio... E eu vejo resultados nos dois casos. 
Não sei em qual parte da bíblia está, mas ouvi na igreja que está lá escrito que a única coisa que Deus dá sem medida ao homem é a sabedoria... e eu peço, e muito... leio, jogo, reflito e busco a sabedoria... 
Sou inteligente e quero cada vez ser mais, embora eu saiba que quanto mais sei, mais vejo que não sei!  Parafraseando Platão.
Ser inteligente foi uma meta que tracei inconsciente pra mim. 
A Marion me chamava de burra quando eu era criança. Me lembro  quando eu escrevi uma recordação para minha irmã e não queria copiar alguns versinhos, como fazíamos costumeiramente. Resolvi inventar uma poesia (nunca fui boa nisso), mas era o melhor que eu imaginava poder dar a minha irmã... eu devia ter uns 11 anos nessa época.
Não sei os versos, imagino que eu falava de natureza... praticamente uma indianista romântica... quando resolvi traduzir em palavra o barulho que faz uma abelha... na consciência dos meu 11 anos uma abelha fazia um "arzirarzor"... o som do zunido da abelha... A frase era "O arzirarzor da abelha"... Essa onomatopeia nas mãos de um ser diabólico só poderia ser o que foi: A ruína da minha autoestima...e a medalha de louca lunática da família... A Marion me ridicularizava na frente de todos os parentes e amigos... 
Esse foi apenas um dos episódios desse ser que por 12 anos ocupou o cargo maior na vida de uma criança... ela foi a minha mãe.
Lembro dessa dor nitidamente, sou capaz de descrever em detalhes o caderninho e as palavras que ouvi... Anos depois, elas ainda ecoando na minha alma me fizeram  buscar o conhecimento... incansavelmente! Não só o conhecimento científico, mas o conhecimento humano... e agora aqui escrevendo começo imaginar que foram essas palavras que me impulsionaram para aquilo que sou hoje... Professora de Língua Portuguesa... e conheço muito de Figuras de Linguagem.
As palavras e a sua força!
 




 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Ainda bem que na escola tudo trancorreu dentro da normalidade. Muitas aulas... muito trabalho... mas muita realização.
Tem um menino lá na escola que me conhece muito bem, só pela minha maneira de olhar... Hoje ele pegou na minha mão e me disse que sabia que eu estava tendo problemas, mas que ele estava orando por mim. É maravilhoso saber que existem pessoas, que nos admiram por nada... gostam de nós por nada. 
Sou uma professora exigente, mas meus alunos sabem o quanto me preocupo com eles... Desde o ano passado tenho muitos que me chamam de tia Roque... vem me abraçar e contar segredos... pedem conselho... e eu gosto deles... gosto muito mesmo.
Enquanto estou dentro de sala de aula consigo esquecer as preocupações... isso é maravilhoso. 
Eu sempre quis ser professora... desde muito pequena eu me imaginava ensinando... Eu me fechava no quarto e dava aulas...
Depois que entrei na adolescência, achei que devia ter uma profissão de maior valor... queria ser Advogada. Um pouco pra me sentir importante, um pouco pra provar pra Marion que eu era capaz.
Prestei vestibular para direito, fui bem... fiz 91 pontos, oúltimo que entrou fez 94. Eu tinha nota pra passar em Odonto ou qualquer outra coisa... mas tinha feito a escolha errada. 
No ano seguinte fiz cursinho, mas não me saí bem na UEPG... passei apenas na UFPR. Não fui cursar...
Mudei os planos. Casei uns anos depois e só então, quase que por acaso (tudo bem, não existe acaso) fiz vestibular pra letras. Teria profissão melhor para uma mulher casada? Fiquei em 7º lugar depois de 7 anos de ter terminado o ensino médio... tava de bom tamanho pra mim. Mas ali começou o fim do meu casamento.
O João também prestou vestibular, mas não passou. Ele era capaz, mas fui só brincar... nossos amigos contribuiram para o que viria depois...Me parabenizaram, diziam que sabiam que eu conseguiria... Apesar de me dar força e se alegrar com minha vitória eu sabia que ele estava se sentindo inferiorizado e esse problema foi tomando uma proporção que fugiu do nosso controle.
Estávamos vivendo o problema, não tínhamos a consciência do que estava por vir... não tínhamos a maturidade que precisavamos ter pra lidar com isso. Erramos e erramos feio! 

 
Acabo de receber uma ligação me acusando de hacker... salvei e alterei senha de email e redirecionei emails para provocar uma briga conjugal... é o que temos pra hoje!
Se eu tivesse tanto conhecimento tecnológico alteraria senhas de banco e faria depósitos mirabolantes na minha conta... certamente seria muito mais útil.
Antes de entrar aqui, dei uma passadinha nas minhas redes sociais e vi uma postagem da Carol (mais pra frente conto sobre essa minha filha do coração) Tenho que copiar e colar essa frase aqui... me parece oportuna: 
Aprendi uma coisa: Por mais que você mostre, prove e argumente, não faz diferença... As pessoas só enxergam o que querem enxergar.
Acabo de encontrar uma ótima argumentação para continuar sendo eu mesma... 
Não importa para os outros quem eu sou... portanto preciso me preocupar com o que é meu... e só tenho poucas coisas de fato minhas... 
meus filhos, meu trabalho, minha saúde e minha lucidez... isso importa... o resto é resto!
A verdade vem de Deus, e aparece sempre... 
A verdade é libertadora... 
Preciso parar agora pra poder me arrumar pro dia de trabalho... muito trabalho
Se der, volto mais tarde... para falar de coisas mais substanciosas da vida... 


terça-feira, 15 de maio de 2012

Minha amiga Vilmara acabou de sair daqui me achando uma doida por estar escrevendo esse texto, honestamente eu não sei porque, essa sou eu... não escrevo pra ninguém, escrevo pra mim e para meu neto que ainda nem sonha em nascer!!
Não tenho o menor objetivo de denegrir imagem de ninguém... falo as coisas que sinto e o que sinto é isso... estão aqui... são meus... só meus.
Gastei muito tempo da vida tentando agradar os outros... cansei disso, quero apenas me entender... isso leva tempo e reflexão...
Mas uma coisa que ela  falou me deixou muito contente...
Ela acha que meu texto é bem escrito, consigo colocar os sentimentos de forma clara... bingo!
Meu objetivo está sendo alcançado! Vou conseguir olhar para meus sentimentos e entendê-los daqui algum tempo.
Ainda me disse que isso pode virar um best-seller... fantástico meu neto poder ficar rico com um livro da velha avó!
Sem exagero, se ele achar que vale a pena ler, certamente terei conseguido meu segundo objetivo.
Na verdade estou em uma crise de ansiedade e meu nervosismo não é pelo que ela me disse, é porque não estou sabendo lidar com meus problemas de hoje.
Meu problema de hoje é dinheiro, só dinheiro!
O que ela pensa sobre meus escrito não faz tanta diferença... o que os outros pensam não faz diferença...
Minha amiga é muito cheia de convenções familiares, cheia de regras sociais...
Gosto muito dela, mas essas regras são absolutamente desnecessárias.
Minha regra é ser feliz e fazer feliz as pessoas que estão ao meu lado.
Falo a verdade, busco a verdade... vivo a verdade.
Sou passional? Claro que sou... sou movida pela paixão... paixão pelos meus filhos, pelos meus amigos, pelos meus alunos... pela vida!
Isso me fez sobreviver as rasteiras que levei.
Vou continuar sendo assim.
Preciso parar agora, isso aqui tá muito desconexo... terei que rever as coisas...
mas só depois.
Agora vou tomar um banho, um café quente e descansar... o dia foi cansativo...
Sem nenhum remédio vou voltar ao meu estado de paz e dormir.
Amanhã é um novo dia... e será melhor!


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Preciso relatar o que me aconteceu agora...
Fui para o quartinho da bagunça, para poder me fechar e orar. Meu objetivo era ler a Bíblia para poder me acalmar... trabalhei o dia todo e vim ansiosa para saber se o Rhory tinha  depositado alguma coisa... não só não havia nada como não atendeu minhas ligações... Nesses momentos me sinto um fracasso, sem valor algum... é nesses momentos que me dá um nervoso tão grande, me revolta o estômago e me dá ânsia... com esse perfil resolvi buscar a paz de Deus.
Fechei a porta e não pude nem contar meio minuto e o Pedro já estava aos berros do outro lado da porta. Não tive outra opção se não abrir a porta e orar com ele ao meu lado... 
As lágrimas começaram a cair em desespero por tudo que está me acontecendo...  Pouco consegui ler ou falar com Deus, mas o que recebi do Pedro foi algo que só posso crer divino. O pequeno me abraçava e sem dizer uma palavra ficava encostadinho em mim... repetiu isso umas 5 vezes até que eu já estivesse mais calma e entendendo que amanhã será outro dia e que Deus terá algo bom para nós e que se somos povo de exclusividade Dele, não teremos o que temer.
Meu pequeno Pedro me confortando, meu pequeno Pedro... anjo de Deus.
E ainda tem gente me enchendo as paciências pra eu ir pra igreja... Deus está aqui conosco...
É incrível o quanto me sinto mais calma agora... não preciso tomar nenhum remédio...
Quando eu soube que estava grávida do Pedro, passado o susto eu comecei a chamá-lo de Pedro. Nem sabia se seria um menino, mas pra mim era Pedro e pronto
No 3º mês de gestação fiz um ultrassom que confirmou minha certeza materna... Eu teria meu terceiro filho homem. Se chamaria Pedro!
Assim como o Pedro bíblico, meu pequeno ligaria e desligaria coisas no céu e na terra, seria amigo especial de Jesus e teria um temperamento forte e decidido... 
Num dia de muita angustia da gravidez fui a uma igreja e ouvi um sermão sobre Pedro, exatamente... as providências divinas sempre são constantes na minha vida (eu que ouso não acreditar, muitas vezes).
No sermão o pastor me conduziu até a história de Pedro... o cara que negou a Jesus, mas que foi alvo do amor de Cristo por aquilo que era sua essência... De presente ele recebe a missão de começar a igreja cristã... 
Nada disso eu sabia quando escolhi o nome do meu pequeno Pedro, mas quanto mais ia conhecendo e refletindo, mais eu ia tendo a certeza de que Deus tinha algo muito bom pra nós.
E hoje, ao me sentir confortada por esse menininho de 2 anos, sinto ainda mais forte essa sensação.
Esses momentos de angústia vão dar lugar a uma alegria muito maior... tenho certeza disso!
 

domingo, 13 de maio de 2012

Dia das mães!
Uma data tão forte na nossa cultura ocidental. 
Mãe é aquela que nos gera, nos pega no colo e nos ensina como lidar com a nossa raça e com o amor. 
Se ela não faz esses papeis, estamos seriamente comprometidos em nossos sentimentos. Muita força teremos que fazer para mudar o rumo da nossa história... 
Eu sei que meus problemas na vida vêm daí. Exatamente daí.
Preciso olhar mais profundamente essas dores... farei isso logo.
Hoje, não!!
Hoje é dia de reconhecer que tudo tem solução e que a vida se regenera e enche de alegria, pelo simples fato de se ter FILHOS!
Eu os tenho, 
Aqueles que me enlouquecem, me entristecem, me decepcionam, me agridem...
São os mesmos que me acordaram com um café da manhã especial...
Que me enchem de beijo e me dizem reconhecer o quanto sou a melhor mãe do mundo.
e agora só consigo vê-los como meus pequenos filhotinhos, indefesos, frágeis, carentes... meus
É muito amor, inexplicável até... 
Lembrar de quando nasceram e como foram crescendo... das preocupações, das noites em claro, dos olhinhos com medo... 
Como é maravilhoso ser mãe deles.
Meninos inteligentes e educados, bons... essencialmente bons!
Meus filhos!
Ontem a noite o Gui me disse que queria fazer um bolo, e o fez... não deixou que ninguém comesse o bolo e não ouvi nenhuma briga por causa disso, sei que era um plano secreto pra manhã seguinte... 
Não era segredo nenhum pra mim, mas era já uma alegria que se arrumava para o dia seguinte. 
Antes de dormi, ouvi ele dizer que ninguém poderia se atrever a fazer o café. Que era ele que faria.
Sei muito bem entender que se muitas vezes já não vem me dar beijos antes de dormir, como fazia quando criança, o amor ainda está nele, modificado... diferente, mas ainda amor!
Ver que meu filho adolescente, que enxerga meus defeitos, ainda me ama é algo que me derruba lágrimas... preciso parar agora... 
Como estamos sem grana, não pudemos almoçar fora esse ano... não tem problema... mais importante é ter meus filhos aqui...
Quem sabe daqui alguns anos estou almoçando com eles em algum lugar maravilhoso... não importa o lugar, importa o coração... Estou chorando, é de felicidade e emoção!


sábado, 12 de maio de 2012

Estou na cama, passei o dia na cama, isso é bom... mas hoje estou meio angustiada.
Pouco dinheiro, muitos dias até receber... nada da pensão do Pedro. O Rhory está desempregado desde que voltou para Londrina, isso foi lá pra meados de dezembro. Ele entrou com um pedido para reduzir a pensão e perdeu, entrou com mais um pedido e perdeu de novo, mas o chato é que mesmo não podendo ele a reduziu. Embora ele tenha me ferrado de todas as formas eu ainda me preocupo com ele e sei que no fundo ele só está se prejudicando... isso me deixa muito chateada. 
É duro você não poder fazer nada para ajudar uma pessoa importante. 
Quando a gente não entende que o outro está nos ajudando por ser humano, não dá pra ajudar mesmo. Ele esteve aqui, alguns dias atrás. Eu sei que ele não confia em mim. Engraçado e irônico isso. Sou eu que não tenho motivo algum para confiar nele e no entanto faço tudo para confiar e acreditar na sua mudança. 
Racionalmente me sinto uma pateta, mas acredito em Deus e sei que é perdoar e acreditar o papel do cristão. Se vou ser boba novamente, Deus tem algo a me ensinar com tudo isso. Faço um trabalho mental para entender que o Rhory também é alvo do amor de Deus. Não é fácil... mas tenho paz... Confio plenamente que estou fazendo o certo.
Os erros dele nos aflige muito, mas sei que nada se compara a aflição dele. E enquanto ele não reconhecer que precisa ser honesto consigo mesmo, vai continuar cavando buracos. 
Descobri por que estou angustiada!

sexta-feira, 11 de maio de 2012


Tomei chuva hoje, não tinha outro jeito, tinha que estar no Amanda as 16:30. Não me sinto a pior das pessoas por tomar chuva, até que gosto... Esses dias tomei uma chuva bem forte, foi o dia que um aluno do Jd das Araucárias me afrontou... foi o dia que o Gui estava com torcicolo e ainda por cima o aluno me agrediu... só mesmo uma chuva pra me limpar do estresse. Andei pouco até que recebi uma carona... deu tempo de tomar um banho quente em casa antes de dar Aula no Amanda.
Me lembro de uma chuva que tomei quando estava no IAP.
Chuva forte de verão, um monte de meninas desocupadas se jogando na grama e se divertindo. Eramos todas internas num colégio cheio de regras que nos privava da liberdade no sentido mais amplo da palavra e mesmo assim encontrávamos meios de nos divertir. Nesse dia fui dormir com muita dor nos braços e pernas. Sou alérgica... as formigas também estavam se divertindo... 
o IAP foi o lugar em que meu pai me jogou e que Deus me cuidou. 
Instituto Adventista Paranaense, colégio interno em Maringá.
Eu estava estudando no colégio adventista no centro da cidade quando um dia fomos fazer uma visita ao IAP, o lugar era calmo, muitos adolescentes que aparentavam ser drogados em reabilitação... nunca tinha visto algo parecido... Pra mim, colégio interno era isso!
As coisas na minha casa não iam nada bem, e logo depois eu me veria morando nesse lugar silencioso e cheio de normas malucas.
Vivi alí um ano e tanto... sobrevivi a mais uma fase.
Conto isso com calma, mais pra frente.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Hoje não vai dar pra escrever nada, o cansaço é muito grande. Só me resta deitar e domir... amanhã tenho um dia bem pesado. Nenhum sinal, nenhum dinheiro... ninguém pra me ajudar... só Deus! Tá de bom tamanho. Em tempo oportuno me virá o socorro!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

São 22:05 e faz meia hora que cheguei em casa, trabalhei o dia todo e ainda fui entregar boletim do 1º bimestre, fiz uma homenagem às mães da nossa escola... e o Rhory ligou, estranhamente me sinto feliz. Cansada, mas feliz...
Alguns anos atrás eu fiz musicoterapia. Precisava organizar algumas gavetas da minha vida, mas e quem disse que eu consegui? Acabei usando as sessões para falar dos meus problemas atuais. Não resolvi nenhum, nem outro. Não culpo o Marcelo, sei que fui eu que cometi o erro. Quando se tem alguém pra culpar, as coisas ficam mais leves... eu não tenho nesse momento. O meu relacionamento com o Moacir foi um erro imenso, e a culpa foi minha, só minha...
Me sentir culpada por minhas escolhas erradas, me fez mal por um bom tempo. Agora tenho trabalhado para respeitar que sou humana e erro. Não quero me sentir culpada. E sabe que não me sentindo culpada, acabo errando menos. 
Outra coisa que tenho trabalhado em mim é a tolerância com os erros dos outros, confesso que tem dias que não consigo, mas vou continuar tentando. Preciso aprender a lidar com os erros, isso me fará mais amável.
Não busco ser amada pelos outros, o que quero mesmo é amar. Um amor de fato e de verdade. Sabendo aceitar as pessoas como são. 
Preciso parar agora, amanhã tenho um dia corrido... Levar o Fernando ao médico...
Ainda não falei do Fê... meu filho do meio... 
Acalme-se, há tempo para tudo...

terça-feira, 8 de maio de 2012

Estava tomando banho agora pouco e fiquei ouvindo os gritos do Pedro. Ele ficou muito bravo por que eu  tranquei a porta, mas eu precisava ter ao menos 15 minutos de silêncio, não consegui... pelo menos eu não pronunciei uma única palavra nesse tempo, já está de bom tamanho, passo o dia inteiro falando... poder não falar é bom.
Quando saí do banheiro o Gui tinha conseguido fazer o Pedro dormir um pouco. Quando acordar, vai demorar pra dormir... já tenho que me preparar pra dormir tarde. Mas tudo bem, amanhã só tenho aula as 9:10hs. Menos mal.
Não posso ficar muito hoje,  tenho que preparar a homenagem para o dia das mães lá da escola. Irônico isso. Eu homenageando mãe!? As outras, não as minhas...






segunda-feira, 7 de maio de 2012

Enquanto eu tomava café aqui em casa, ouvi uma música da minha adolescência.
NOTHING COMPARES TO YOU.   - SINEAD O CONNOR
Não faço nem ideia do que fala, mas ela me parece triste e me lembra meu quarto na Rua da Glória, meu rádio-relógio, meus sonhos de menina.  
Resolvi colocar pra tocar agora, não gosto dessa música mais, ela me angustia. 
Todas as músicas dessa época me fazem mal. 
Vi a tradução da música, tá explicado porque me angustia...
Eu tinha 14 anos quando ela virou sensação. Tocava muito no rádio e a gente sabia cantar. Nas festinhas americanas que íamos sempre dançávamos ao som de NOTHING COMPARES TO YOU. As festinhas são gostosas de lembrar.
Nós fazíamos as festinhas nos salões dos prédios, meninas levavam um prato de doce ou salgado (geralmente era um pacote de salgadinho chips) e os meninos levavam refrigerante. Colocávamos um aparelho de som e lâmpadas coloridas com umas pastilhas que as faziam piscar. E dançávamos até umas 22:30hs. Era tudo tão puro no começo. Éramos bem novos, eu devia ter uns 12 anos nas primeiras festas. Tocava Menudo, Titãs, Roupa Nova e tudo o que era pop na época. 
Meu primeiro namoro começo numa dessas festinhas. O nome dele era Raphael, menino ruivo e da mesma idade que eu, filho de mãe separada. Ele era muito queridinho comigo e aceitou que eu não quisesse beijá-lo. Demorei a ter coragem de beijar na boca. Só consegui um ano depois com outro menino. Aliás o fim do meu namoro com o Raphael se deu porque ele queria me beijar e eu não deixei, me senti pressionada e resolvi terminar o namoro. Ele chorou, ficou triste e eu me sentindo a gostosona do pedaço.  
Nas festinhas eu sempre era bastante requisitada para dançar, sempre tinha um menino a fim de mim, e eu achava isso o máximo. 
Quem não gostava nada disso era minha "mãe" que me chamava de galinha. Uma menina de 12 anos que nunca tinha beijado poderia ser galinha? Não sei como. 
A Gisele ia as festas comigo, mas tadinha dela, sempre tomava chá de cadeira, acho que era isso que provocava a ira da Marion. Eu era popular e queridinha e minha irmã a desengonçada, gorda e antipática que não tinha amigos e nem dançava nas festas. 
O engraçado disso tudo é que a Gisele, anos mais tarde, casou grávida e eu me casei com o João, o primeiro homem da minha vida, tinha 22 anos e não estava grávida.
O meu casamento não deu certo, mas isso é outra história. 
Fui trabalhar, consegui vencer a angústia. Não me sinto feliz, mas ter dado esse passo é importante para que a força volte. Daqui alguns dias, acredito, vou poder falar mais facilmente sobre o que houve. Por hora só consigo dizer que não tem sido fácil manter a postura da profissional que sou.

domingo, 6 de maio de 2012

Domingo inteiro sem fazer nada, colocando as coisas no lugar, refazendo mentalmente alguns caminhos trilhados nesses últimos dias. Não acredito ainda em como as coisas podem ter chegado ao ponto que chegaram, mas como me disse a Gláucia, nada acontece por acaso, tudo tem um porquê, um pra quê...não posso mais gastar tempo nem saúde com isso, portanto resolvi trabalhar minha respiração como aprendi uma vez com o Marcelo (musicoterapeuta). O exercício é sentir o ar entrando e pensar nele viajando pelo meu corpo, é interessante a sensação... mas como é difícil concentrar nisso... quando percebo, minha mente já fugiu dali. Tentei várias vezes e falhei em todas. Vou continuar tentando pra poder controlar meus impulsos. 
Sou impulsiva, já sei disso... quando algo sai do meu controle, fico ansiosa demais, faço e falo coisas que não foram pensadas e pesadas... resultado: encrenca.
Quando escolhi abrir mão da falsidade, recebi de presente isso, não consigo esconder o que sinto e quanto sinto.Não sei se é um defeito, mas embora me aflija por uns dias, sei que estarei bem e tranquila em breve.
Aliás, acabo de me lembrar de outra lição que vou voltar a exercitar.
Quando eu era adolescente, no auge dos sofrimentos, sempre pensava que o problema se resolveria em breve, não sabendo como, nem quando, mas eles se resolveriam... Estranhamente eu conseguia ter a força necessária para ficar tranquila e então enfrentar o leão... dava certo.
Não quero nunca acreditar que essa sabedoria e força tenham vindo de mim, eu tenho plena convicção de que isso é dom de Deus, a força veio sempre Dele... e por mais que eu tenha muitos problemas, é claro pra mim que tudo está na mão de Deus... Ele me quer forte e está me lapidando...
Preciso arranjar uma igreja pra frequentar, uma que não ligue que o Pedro não foi batizado, que não me aponte o dedo e me julgue e diga que sou pecadora... como se eu precisasse disso... eu preciso de colo... Enquanto não acho, vou acreditar que estou no colo de Deus. Acho que vou ler A CABANA de novo... 




sábado, 5 de maio de 2012

Todos devidamente alimentados e eu cada dia um pouco mais feliz. Sempre é assim, fico triste e tudo em mim fica parado, preciso de alguns dias para me refazer e então refeita fico feliz, porque consigo ver as bençãos que recebo de Deus, meu trabalho, a inteligência e perfeição dos meninos, nossa saúde, nossa casa e nós... e isso me faz feliz
Ontem uma amiga me olhou nos olhos e disse que devo agradecer a Deus, porque ele me deu uma prova do seu cuidado, fiquei impressionada com isso. Sempre que descubro alguma pequena mentira dos meninos digo que Deus tem um contato direto com as mães que nos faz saber de tudo o que eles tentam esconder. Começo a acreditar que não se trata de uma brincadeira, de fato Deus nos mostra muitas coisas que precisamos saber, e nos fortalece. Eu sinto que Ele gosta de mim.
Minha amiga Neuza me convocou pra ir a igreja com ela, mas não me sinto preparada para enfrentar a rotina de frequentar novamente os cultos, olhar as pessoas e saber que elas estarão me olhando. Preciso retomar isso para que meus filhos frequentem a igreja. Somos presbiterianos, mas nenhum membro da nossa igreja veio aqui conversar conosco e levar-nos de volta ao convívio dos irmãos, certamente não se importam conosco. Não voltaremos lá, não é minha vontade.
Como estou contente de poder escrever aqui, fico pensando o que vou contar e isso  me faz esquecer por alguns minutos o momento presente. As dívidas, os processos, o trabalho, a tristeza. E isso é bom.
Quero voltar ainda um pouco na infância em São Miguel. Não lembro do meu quarto, mas tenho um flash da sala com sofá listradinho combinando com a mesa de centro, eu sentada em frente a tv numa noite assistindo Hebe Camargo, minha idade? Uns 4, 5 anos. Não sei quanto tempo vivi neste sobrado (talvez fosse até um predinho pequeno), mas o fato é que logo nos mudamos para Curitiba, não tenho nenhuma recordação do momento da viagem, nem o motivo que nos levou a ir embora, só sei que fomos e isso foi tudo. Mais tarde soube que meus "pais" se separaram e que minha "mãe" voltou para Curitiba onde moravam meus avós maternos.  Como é engraçado que um momento crucial como esse tenha se perdido na minha mente e que a cena da televisão no programa da Hebe seja claro. Não consigo entender.
Voltam as minhas lembranças o próximo lugar que moramos, um apartamento na rua João Gualberto, ironia do destino talvez, o mesmo nome do meu pai. Era no 17º andar e lá vivemos por não sei quanto tempo. Desse lugar também tenho apenas flashs (não sei o plural). Me lembro de comer milho na espiga e de ter "inventado" de colocar maionese, foi um sucesso que foi seguido pela minha irmã Gisele e pela minha "mãe". Consigo rever o sorriso no rosto dessa. Poucas vezes ela sorriu pra mim.
Minha "mãe" era formada em direito, mas segundo sei, nunca exerceu a profissão. Quando ela estava com duas filhas pequenas, morando sozinha em Curitiba teve que procurar emprego, lembro que ela era corretora de imóveis, pelo menos era isso que nos dizia fazer. Ela lutava contra sua condição física, vivia de regime e tomava inibidores de apetite que a deixavam muito nervosa. Fumava muito e usava tamancos bastante altos, a mim me parece que era bonita nessa época. Seu nome era e ainda é Marion Yara Charin.
Não sei se chorou a separação, não sei se deixou de comer, como faço eu quando estou ansiosa. Não sei nada do que eu vi. O que sei é o que ouvi depois, muitas vezes depois.
Meu pais bebia e chegava tarde em casa todas as noites, era agressivo e batia nela, os dois entravam em luta corporal e ela tinha cicatrizes desses momentos. Ficaram casados 2 anos e meio, pouquíssimo tempo para uma mulher no final da década de 70. Para piorar ainda a situação, meu pai não era fiel e nem honesto como ela. Eu mesma, sou fruto de uma relação extraconjugal dele (volto a falar disso mais pra frente). Meu avô materno provavelmente contribuiu muito para a nossa viagem de separação. Sua única filha casada com um homem que a agredia de todas as formas possíveis... Ele era procurador da justiça, tinha condições de nos ajudar no início da nova fase. Certamente nos ajudou muito. Quero dedicar muitas linhas falando desse Homem: Horst João Charin.
Preciso parar agora, fazer almoço para meus meninos. Volto ainda hoje! 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

É inacreditável o quanto as pessoas podem nos surpreender. E o Rhory é a prova viva disso na minha vida. Ele é pai do Pedro Eduardo, nós tivemos um namoro que começou em março de 2009 e terminou, sem um formal ponto final, esse fim de semana ele esteve aqui pra ver o filho. Detalhe: um ano e 5 meses, dois aniversários do Pedro, um natal, páscoa, férias e tantas coisas importantes depois. Ficou aqui por 4 dias maravilhosos e foi embora depois de me chamar de ignorante... na verdade eu ignoro mesmo, sou uma das pessoas que mais ignora as coisas... prefiro não saber, afinal, não sabendo sou mais feliz. 
Não sei porque cargas d'água quando sou feliz é porque estou sendo enganada.
Outra coisa que  tenho que confessar logo é que morro de medo de ser alegre. Sabe aqueles dias em que a gente está dando risada atoa? Pois é, pra mim quando estou assim, certeza que dois dias depois estou chorando. Durante muito tempo atribui essa injustiça a Deus, mas hoje já acredito que comigo é assim sempre e ninguém tem culpa disso.
Esse fim de semana foi exatamente assim. Vivo mais pelas regras do que pelas exceções.
O Rhory foi embora e ficamos apenas os cacos... Os cacos cortam. 
Comecei falando de cacos e continuarei falando deles agora. Acabo de me lembrar de um outro momento em que os cacos estiveram presentes.
Quando era pequena, eu me apegava muito às pessoas e estabelecia uma relação de afeto profundo com elas, pelo menos no meu íntimo era assim. Minha "mãe" teve um namorado músico chamado Victor Bas,  era moreno e alto... isso é tudo que lembro. Um dia ele estava indo embora de casa com o filho dele e eu fiquei muito triste. Pra distrair os sentimentos e o choro resolvi levar o saco de lixo para frente  da casa. Dentro do saco tinha um lustre em cacos. Resultado: me cortei na altura do joelho. mais uma cicatriz. Ainda preciso relatar três outras cicatrizes... a da palma da mão, a do dedo e a da barriga. 
Isso vai ficar pra um outro dia. 
Hoje as cicatrizes que mais me incomodam são as no coração, essas não aparecem, ficam ardentes.  Espero não ser muito cansativa ao relatá-las... essas também ficarão pra outros dias.
Dormi tarde e acordei cedo, me parece que tive uma noite de sono. Isso é bom.
Logo as primeiras ideias que me ocorreram foram sobre meus escritos, em como devo relatar os 36 anos passados. Preciso criar uma forma interessante  para que qualquer neto se interesse pela leitura e não um possível lunático que possa vir seguir a carreira da avó. Resolvi que vou narrar os fatos de forma que eles venham aparecendo, me perderei, certamente na cronologia, mas o que é o tempo? Talvez em alguns momentos eu estabeleça quase que um diálogo com meu neto leitor, mas não quero que isso seja o que me move. Preciso confiar que voltarei aos relatos para me compreender, 36 anos é pouco tempo. Tenho muita vida ainda. Se viver mais 36 anos morrerei com 72, nova... conclui agora que talvez eu não tenha chegado ainda na metade da minha vida. Acabo de dar um sorriso... Ainda tenho tempo!
Quando penso na minha infância, logo a primeira imagem dos remotos tempos é uma cozinha escura e eu com uma franjinha e duas "maria-chiquinhas". Lembro também de um bebê careca só de fraldas, certamente minha irmã Gisele... e se ela era bebê e já dava seus primeiros passinhos, acredito que era 1979. Lembro também de uma piscina montável que ficava no fundo do quintal. Não me lembro de ter entrado nela uma vez se quer... mas se estava lá, eu usei, ainda que não me recorde absolutamente.
como é engraçado lembrar. As lembranças se misturam à histórias contadas ou lidas e a gente não consegue entender o que é verdade ou ficção. Enquanto penso no quintal, me vem a mente a história do pai que vai roubar comida para a família pobre e é pego em flagrante pela bruxa que no final vai ficar com a filha dele... Não sei porque sempre imagino que esse pai é o meu pai e a bruxa era nossa vizinha. Ele escalando o muro altíssimo da nossa casa... não é uma imagem que só veio agora... ela está comigo sempre... as vezes tenho vontade de ir a São Miguel do Iguaçu pra olhar este ambiente, mas não conheço nada lá... só as poucas memórias que tenho de 32 anos atrás... Quanto mudou São Miguel e quanto mudei eu.
Uma outra "memória" é a de que estava brincando em frente a um móvel com porta de vidro. Este armário caiu sobre mim e me cortou, eu estava numa casa de madeira velha e escura, no fundo uma janela... não sei se criei essa imagem, baseada em história ouvida ou se realmente aconteceu. Fato é que tenho até hoje uma cicatriz no seio que vem desse episódio que me ocorreu quando eu tinha 3 anos. 
Fui tentar encontrar uma foto minha com essa pequena idade, mas não sei onde coloquei a única lembrança concreta... minha "mãe" me mandou pouquíssimas imagens daquela época, como se me tirando as fotos me tiraria da história. Tadinha!

Essa não sou eu, mas como minha "mãe" sempre me dizia que eu era bugra... essa foto representa bem como era escuro, grosso, liso e brilhante o meu cabelo