Como estou contente de poder escrever aqui, fico pensando o que vou contar e isso me faz esquecer por alguns minutos o momento presente. As dívidas, os processos, o trabalho, a tristeza. E isso é bom.
Quero voltar ainda um pouco na infância em São Miguel. Não lembro do meu quarto, mas tenho um flash da sala com sofá listradinho combinando com a mesa de centro, eu sentada em frente a tv numa noite assistindo Hebe Camargo, minha idade? Uns 4, 5 anos. Não sei quanto tempo vivi neste sobrado (talvez fosse até um predinho pequeno), mas o fato é que logo nos mudamos para Curitiba, não tenho nenhuma recordação do momento da viagem, nem o motivo que nos levou a ir embora, só sei que fomos e isso foi tudo. Mais tarde soube que meus "pais" se separaram e que minha "mãe" voltou para Curitiba onde moravam meus avós maternos. Como é engraçado que um momento crucial como esse tenha se perdido na minha mente e que a cena da televisão no programa da Hebe seja claro. Não consigo entender.
Voltam as minhas lembranças o próximo lugar que moramos, um apartamento na rua João Gualberto, ironia do destino talvez, o mesmo nome do meu pai. Era no 17º andar e lá vivemos por não sei quanto tempo. Desse lugar também tenho apenas flashs (não sei o plural). Me lembro de comer milho na espiga e de ter "inventado" de colocar maionese, foi um sucesso que foi seguido pela minha irmã Gisele e pela minha "mãe". Consigo rever o sorriso no rosto dessa. Poucas vezes ela sorriu pra mim.
Minha "mãe" era formada em direito, mas segundo sei, nunca exerceu a profissão. Quando ela estava com duas filhas pequenas, morando sozinha em Curitiba teve que procurar emprego, lembro que ela era corretora de imóveis, pelo menos era isso que nos dizia fazer. Ela lutava contra sua condição física, vivia de regime e tomava inibidores de apetite que a deixavam muito nervosa. Fumava muito e usava tamancos bastante altos, a mim me parece que era bonita nessa época. Seu nome era e ainda é Marion Yara Charin.
Não sei se chorou a separação, não sei se deixou de comer, como faço eu quando estou ansiosa. Não sei nada do que eu vi. O que sei é o que ouvi depois, muitas vezes depois.
Meu pais bebia e chegava tarde em casa todas as noites, era agressivo e batia nela, os dois entravam em luta corporal e ela tinha cicatrizes desses momentos. Ficaram casados 2 anos e meio, pouquíssimo tempo para uma mulher no final da década de 70. Para piorar ainda a situação, meu pai não era fiel e nem honesto como ela. Eu mesma, sou fruto de uma relação extraconjugal dele (volto a falar disso mais pra frente). Meu avô materno provavelmente contribuiu muito para a nossa viagem de separação. Sua única filha casada com um homem que a agredia de todas as formas possíveis... Ele era procurador da justiça, tinha condições de nos ajudar no início da nova fase. Certamente nos ajudou muito. Quero dedicar muitas linhas falando desse Homem: Horst João Charin.
Preciso parar agora, fazer almoço para meus meninos. Volto ainda hoje!
Olá Roxana,
ResponderExcluirMe chamo José Schweidson e gostaria de saber se seu avô Horst João Charin ainda é vivo? Nós dois estivemos juntos na época da guerra e gostaria de saber notícias dele.
Meu email para contato é: atendimento@cendopel.com.
Grato,
José Schweidson