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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Ainda bem que na escola tudo trancorreu dentro da normalidade. Muitas aulas... muito trabalho... mas muita realização.
Tem um menino lá na escola que me conhece muito bem, só pela minha maneira de olhar... Hoje ele pegou na minha mão e me disse que sabia que eu estava tendo problemas, mas que ele estava orando por mim. É maravilhoso saber que existem pessoas, que nos admiram por nada... gostam de nós por nada. 
Sou uma professora exigente, mas meus alunos sabem o quanto me preocupo com eles... Desde o ano passado tenho muitos que me chamam de tia Roque... vem me abraçar e contar segredos... pedem conselho... e eu gosto deles... gosto muito mesmo.
Enquanto estou dentro de sala de aula consigo esquecer as preocupações... isso é maravilhoso. 
Eu sempre quis ser professora... desde muito pequena eu me imaginava ensinando... Eu me fechava no quarto e dava aulas...
Depois que entrei na adolescência, achei que devia ter uma profissão de maior valor... queria ser Advogada. Um pouco pra me sentir importante, um pouco pra provar pra Marion que eu era capaz.
Prestei vestibular para direito, fui bem... fiz 91 pontos, oúltimo que entrou fez 94. Eu tinha nota pra passar em Odonto ou qualquer outra coisa... mas tinha feito a escolha errada. 
No ano seguinte fiz cursinho, mas não me saí bem na UEPG... passei apenas na UFPR. Não fui cursar...
Mudei os planos. Casei uns anos depois e só então, quase que por acaso (tudo bem, não existe acaso) fiz vestibular pra letras. Teria profissão melhor para uma mulher casada? Fiquei em 7º lugar depois de 7 anos de ter terminado o ensino médio... tava de bom tamanho pra mim. Mas ali começou o fim do meu casamento.
O João também prestou vestibular, mas não passou. Ele era capaz, mas fui só brincar... nossos amigos contribuiram para o que viria depois...Me parabenizaram, diziam que sabiam que eu conseguiria... Apesar de me dar força e se alegrar com minha vitória eu sabia que ele estava se sentindo inferiorizado e esse problema foi tomando uma proporção que fugiu do nosso controle.
Estávamos vivendo o problema, não tínhamos a consciência do que estava por vir... não tínhamos a maturidade que precisavamos ter pra lidar com isso. Erramos e erramos feio! 

 

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