Enquanto eu tomava café aqui em casa, ouvi uma música da minha adolescência.
NOTHING COMPARES TO YOU. - SINEAD O CONNOR
Não faço nem ideia do que fala, mas ela me parece triste e me lembra meu quarto na Rua da Glória, meu rádio-relógio, meus sonhos de menina.
Resolvi colocar pra tocar agora, não gosto dessa música mais, ela me angustia.
Todas as músicas dessa época me fazem mal.
Vi a tradução da música, tá explicado porque me angustia...
Eu tinha 14 anos quando ela virou sensação. Tocava muito no rádio e a gente sabia cantar. Nas festinhas americanas que íamos sempre dançávamos ao som de NOTHING COMPARES TO YOU. As festinhas são gostosas de lembrar.
Nós fazíamos as festinhas nos salões dos prédios, meninas levavam um prato de doce ou salgado (geralmente era um pacote de salgadinho chips) e os meninos levavam refrigerante. Colocávamos um aparelho de som e lâmpadas coloridas com umas pastilhas que as faziam piscar. E dançávamos até umas 22:30hs. Era tudo tão puro no começo. Éramos bem novos, eu devia ter uns 12 anos nas primeiras festas. Tocava Menudo, Titãs, Roupa Nova e tudo o que era pop na época.
Meu primeiro namoro começo numa dessas festinhas. O nome dele era Raphael, menino ruivo e da mesma idade que eu, filho de mãe separada. Ele era muito queridinho comigo e aceitou que eu não quisesse beijá-lo. Demorei a ter coragem de beijar na boca. Só consegui um ano depois com outro menino. Aliás o fim do meu namoro com o Raphael se deu porque ele queria me beijar e eu não deixei, me senti pressionada e resolvi terminar o namoro. Ele chorou, ficou triste e eu me sentindo a gostosona do pedaço.
Nas festinhas eu sempre era bastante requisitada para dançar, sempre tinha um menino a fim de mim, e eu achava isso o máximo.
Quem não gostava nada disso era minha "mãe" que me chamava de galinha. Uma menina de 12 anos que nunca tinha beijado poderia ser galinha? Não sei como.
A Gisele ia as festas comigo, mas tadinha dela, sempre tomava chá de cadeira, acho que era isso que provocava a ira da Marion. Eu era popular e queridinha e minha irmã a desengonçada, gorda e antipática que não tinha amigos e nem dançava nas festas.
O engraçado disso tudo é que a Gisele, anos mais tarde, casou grávida e eu me casei com o João, o primeiro homem da minha vida, tinha 22 anos e não estava grávida.
O meu casamento não deu certo, mas isso é outra história.
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