Dormi tarde e acordei cedo, me parece que tive uma noite de sono. Isso é bom.
Logo as primeiras ideias que me ocorreram foram sobre meus escritos, em como devo relatar os 36 anos passados. Preciso criar uma forma interessante para que qualquer neto se interesse pela leitura e não um possível lunático que possa vir seguir a carreira da avó. Resolvi que vou narrar os fatos de forma que eles venham aparecendo, me perderei, certamente na cronologia, mas o que é o tempo? Talvez em alguns momentos eu estabeleça quase que um diálogo com meu neto leitor, mas não quero que isso seja o que me move. Preciso confiar que voltarei aos relatos para me compreender, 36 anos é pouco tempo. Tenho muita vida ainda. Se viver mais 36 anos morrerei com 72, nova... conclui agora que talvez eu não tenha chegado ainda na metade da minha vida. Acabo de dar um sorriso... Ainda tenho tempo!
Quando penso na minha infância, logo a primeira imagem dos remotos tempos é uma cozinha escura e eu com uma franjinha e duas "maria-chiquinhas". Lembro também de um bebê careca só de fraldas, certamente minha irmã Gisele... e se ela era bebê e já dava seus primeiros passinhos, acredito que era 1979. Lembro também de uma piscina montável que ficava no fundo do quintal. Não me lembro de ter entrado nela uma vez se quer... mas se estava lá, eu usei, ainda que não me recorde absolutamente.
como é engraçado lembrar. As lembranças se misturam à histórias contadas ou lidas e a gente não consegue entender o que é verdade ou ficção. Enquanto penso no quintal, me vem a mente a história do pai que vai roubar comida para a família pobre e é pego em flagrante pela bruxa que no final vai ficar com a filha dele... Não sei porque sempre imagino que esse pai é o meu pai e a bruxa era nossa vizinha. Ele escalando o muro altíssimo da nossa casa... não é uma imagem que só veio agora... ela está comigo sempre... as vezes tenho vontade de ir a São Miguel do Iguaçu pra olhar este ambiente, mas não conheço nada lá... só as poucas memórias que tenho de 32 anos atrás... Quanto mudou São Miguel e quanto mudei eu.
Uma outra "memória" é a de que estava brincando em frente a um móvel com porta de vidro. Este armário caiu sobre mim e me cortou, eu estava numa casa de madeira velha e escura, no fundo uma janela... não sei se criei essa imagem, baseada em história ouvida ou se realmente aconteceu. Fato é que tenho até hoje uma cicatriz no seio que vem desse episódio que me ocorreu quando eu tinha 3 anos.
Fui tentar encontrar uma foto minha com essa pequena idade, mas não sei
onde coloquei a única lembrança concreta... minha "mãe" me mandou
pouquíssimas imagens daquela época, como se me tirando as fotos me
tiraria da história. Tadinha!
Essa não sou eu, mas como minha "mãe" sempre me dizia que eu era bugra... essa foto representa bem como era escuro, grosso, liso e brilhante o meu cabelo
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