Farei os relatos de todo esse tratamento que me propus. Quero olhar tudo com muita atenção.
Não acredito que esteja com depressão, meu problema é que sou uma pessoa passional. Amo em demasia, me entrego em demasia e sofro as perdas em demasia também. Sei que isso tudo se dá pela minha história inteira. Sou carente e ao ouvir conselhos e ter a atenção das pessoas, acabo me emocionando e chorando.
Tenho pensado sobre isso. As pessoas são fracas porque tem outras que as dão a força. Eu enfraqueço, sou cuidada por um ou outro e logo percebo que eles até me dão uma certa força, mas a força maior sou eu que tenho. Amigos são bons pra nos dizer o que queremos ouvir. Eles tem boa intenção, mas erram em 95% das vezes. Os médicos e pastores também nos fortalecem, mas sempre têm uma intenção por trás. Os primeiros estão a serviço dos grandes laboratórios que decidem que doença temos e os segundos de nos convencer que estamos indo para o inferno caso não frequentemos sua igreja.
Tá, exagerei agora, nem todos são assim tão oportunistas e verdade seja dita que no momento de angústia o que vale mesmo são a palavras que estamos ouvindo. A angústia impede a boa interpretação dos textos e contextos.
Nesses meus dias de angústia e de tomada de decisão, todas essas pessoas foram maravilhosamente importantes. Hoje estou um pouco melhor que ontem, mas já sinto algo diferente dentro da minha cabeça. Não falo no sentido conotativo, é denotativo mesmo. Cabeça no sentido de crânio literalmente. A garganta secou, como o doutor havia me alertado, mas dormi pouco. Acordei as 3 da madrugada e fiquei até as 5 com os mesmos pensamentos martelando, até que cansada de milhares de mesmos pensamentos consegui pensar diferente e então dormi. Dormi talvez umas 5 horas, mas estava no quarto dos meninos e isso de certa forma é proteção.
Falando em proteção, não posso deixar de dizer que o Gui está cuidando muito de mim nesses dias. Me acompanhou nas consultas e hoje não entrou numa briga com o Fê. Sei que está preocupado comigo.
Como toda a crise de ansiedade vem acompanhada de total falta de apetite, estou comendo pouco e talvez seja por isso que me sinto fraca.
Mas não me preocupo, a partir de agora vou melhorando. O pior já passou.
Vou me permitir o tratamento, mesmo acreditando que o diagnóstico está errado, pela mesma razão de que entro em situações em que sei o resultado pelo simples fato de que quero ardentemente estar errada. E se nesse caso eu estiver mesmo errada, vou ter uma luz no fim do túnel em relação as gavetas da minha vida e quem sabe eu comece a entender porque faço escolhas tão erradas na minha vida.
Meu docinho está doente. Mal começou na escola e já pegou gripe. Tadinho.
Toda essa tristeza que me abateu, em partes tem a ver com a ida do Pedro para a escola, já falei disso, mas vê-lo chorar todas as vezes que entra na van, me corta o coração em mais uma parte.
A tarde foi bem tranquila, ainda que a boca esteja seca e a garganta em nó. Joguei xadrez com o Fê e fiz fogo com alguns lixos do quintal. Deixei de pensar um pouco e isso foi bom.
Não vejo a hora de poder falar com a psicóloga, espero que ela seja infinitamente mais sábia que eu e tenha algo para me trazer de bom...
Amanhã vou a igreja do pastor que me ouviu e me ungiu essa semana. Quem sabe não seja ali o lugar que Deus escolheu para mim...
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