OS FILHOS DEVIAM, POR DECRETO, CONTINUAR SENDO OS MESMOS PEQUENOS INDEFESOS QUE PUSEMOS NO MUNDO.
ELES CRESCEM E SE DESGRUDAM DE NÓS DE UMA MANEIRA QUE PRA ELES É NATURAL, MAS QUE PARA NÓS É ALGO DIFÍCIL, TERRÍVEL E ATÉ MORTAL.
UMA PARTE DE NÓS MORRE COM SEU AMADURECIMENTO.
Meu docinho foi para a escola. Não pude ao menos dizer que o amo, nem sofrer com ele os primeiros momentos da nova vida. A professora já o pegou de mim numa atitude tão normal para ela e tão brutal para mim. O Gui o acompanhou até a sala e de lá só trouxe a vaga informação de que ele ficou bem.
E o que é ficar bem para uma mãe que ficou mal? Assim é o primeiro dia de aula para uma mãe.
Estou aqui contando os minutos para estar com ele novamente. A saudade que me consome nessas intermináveis quatro horas me tiram o pouquinho de força que eu tenho para viver esses dias.
A quem possa interessar. Quando eu tenho um inimigo, ele é meu inimigo eterno.
Jamais me aliarei a ele ou farei qualquer coisa que o possa ajudar.
Fico aqui no meu cantinho só a observar sua derrota... porque ela vem.
Se tenho um inimigo, não fui eu que o coloquei nessa condição. Ele se colocou, sendo assim, me fez muitas injustiças, por isso não me sinto nem um pouco má ao não dar-lhe a mão.
Meus inimigos são nada pra mim...
Que eles não esperem nada de mim,
A eles, minha eterna indiferença...
Querido neto-leitor será que vou sofrer pelo seu primeiro dia de aula também? Ah, menino do céu, acabo de me lembrar de você e no quanto de vida ainda tenho pela frente.
Ao pensar em seu primeiro dia de aula percebo que meu sofrimento por levar meu último filho para a escola talvez não seja o último sentimento que tive com relação ao desligamento natural e trágico do crescimento do pequeno indefeso que eu amo tanto. Você também vai se desligar de mim, bem como seus irmãos e primos. Para que sofrer então, como se essa sensação nunca mais fosse acontecer?
Nessa vida tudo é ciclo. Tudo vai e volta num infinito recomeço que um dia finda.
Pequeno, te amo já, pela ajuda que me dá, mesmo ainda não existindo.
A Glaci veio em boa hora, tê-la aqui de novo é reconfortante. Obrigada, Meu Deus, apesar de eu ser essa tranqueira de sempre, reconheço sua mão nos últimos acontecimentos. O Pedro está na escola, no momento certo e a Glaci voltou pra gente. Tudo porque isso é o melhor para nós e o Senhor organizou tudo.
Falo da Glaci num outro momento. Vou a igreja conversar com Deus, lá me sinto em paz, apesar do canto gregoriano me motivar a angústia, ouvi-lo na igreja me traz a sensação de paz ... e pensando em paz, não é de hoje que estou relacionando a paz e a angústia de um canto gregoriano.
Mas isso também é assunto para outro momento.
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