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quinta-feira, 25 de abril de 2013

Ontem a noite eu já me sentia melhor, bem melhor. 
Hoje até dei risada e consegui fazer humor com algumas situações, sinal de que estou quase voltando ao meu estado original. Claro que ainda tenho algumas vertigens e me sinto um pouco angustiada, mas nada se compara aos dias da semana passada.
A voz ainda não está completamente reestabelecida, mas amanhã ao menos poderei dar aula sem que minha garganta arda. A tosse ainda é feia, mas minhas tosses sempre são feias.
O Pedro também já esta melhor. Estamos na fase de dar carinho um ao outro, fazer dengo e se curar. 
E agora o que faço com esses remédios? 
Bem, como sei que sou ansiosa e que se eu não me tratar, certamente outra crise vai me abater, vou continuar o tratamento e quando o doutor me vir novamente, quero dizer que faço questão de continuar o tratamento. Vou até a psicóloga. Preciso ouvir alguma fórmula mágica sobre como sublimar o meu passado.  
É nele que estão todas as respostas. Eu sei disso, sei também que minhas escolhas na vida também têm raízes lá. 
Estes dias estive pensando sobre a minha personalidade. Optei por ser pessoa respeitável, profissional competente, mãe atenta e amorosa. Faço sempre o meu papel da melhor maneira que posso, no entanto escolhi para mim homens com perfis exatamente opostos ao meu. Agressividade, promiscuidade, maldade, vícios, mentira... coisas que eu abomino são a marca principal deles, não que os três tenham todas essas características, mas ao menos uma, sim. 
Talvez a psicóloga me diga que eu procuro neles o que eu proibi em mim. Será?
Mas se ela me disser isso, não terá dito nada de novo... me dá uma preguiça de pensar que vou conversar com uma psicóloga sobre assuntos tão constrangedores. 
Me dá uma preguiça de começar tudo de novo...
No fundo no fundo, bem que estar doente é estar numa situação cômoda. 
A vida cobra atitudes que não estou disposta a ter...
Quem sabe esse seja um sinal de que eu pense que estou curada, mas que na verdade é só uma maneira ardilosa de me enganar.
Na dúvida, sigo o tratamento e espero honestamente me curar da ansiedade.
Estou sozinha em casa, como há muito não estou, vou aproveitar isso pra me sentar em frente a TV e assistir alguma bobeira, tomando um chá como eu fazia lá no início do meu casamento. Uma época tranquila que nunca mais vai voltar...


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