Ah, quantas vezes estive bem assim, ouvindo minha vó contando histórias do livro de contos de fada que tanto me encantavam.
Ah, que dorzinha apertada que dá aqui no peito de lembrar disso.
De ainda ter no nariz o cheiro do quarto dos meus avós.
De ainda ter nos olhos a imagem da coberta ferrugem do vô Horst,
De ainda ter nas mãos os doces que tantas vezes ganhei do vozinho diabético que compartilhava com os netos a culpa de se fartar de coisas proibidas.
De ainda ter no coração a falta que eles me fizeram durante todos esses longos anos de distância.
Querido neto-leitor, você não imagina a vontade que tenho de tê-lo nos braços e poder te contar histórias que você levará para toda sua vida.
Eu me agarro nessa remota possibilidade de contribuir com sua educação, isso me dá uma doce sensação de que posso repetir as boas histórias da minha vida.
Mudarei as personagens, mudarei o tempo, mudarei o lugar, mudarei o final da história, mas não mudarei o amor.
Amanhã casa vazia, filhos em festa e eu em silêncio para reconstruir pontes.
Introspectiva, mas tranquila...

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