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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Muitas coisa aconteceram até que fui fazer terapia. Acho que a terapia começou em meados de 2006. 
Em novembro de 2005 aconteceu uma coisa que determinou que a nossa história era uma farsa.
Não lembro exatamente o que pedi para que ele fizesse, mas pela primeira vez ele foi agressivo comigo a ponto de eu não ter nenhuma ação. Me assustei. Foi na frente da Eliane, me magoei com aquilo. Ela apenas me olhou e levantou a sobrancelha, não precisava me dizer nada. Ela e eu sabíamos que tinham coisas que estávamos começando a entender.
Num dos dias que o Moacir estava trabalhando, chamei-a para conversar e assim pude saber o que estava acontecendo enquanto eu estava trabalhando. 
Ele dava ordens para os meninos e ficava o dia todo emburrado. E quando eu chegava, agora não mais me esperava com os braços abertos, mas com um repertório de reclamações sobre o Gui. 
Eram de todos os tipos as reclamações. Algumas vezes, ele mesmo percebia que estava sendo absurdo e tentava se parecer compreensivo com minha visão. Mas na maioria das vezes era como uma gralha. Falava, falava e falava... me tirando as forças para argumentar.
Terminávamos sempre deixando o ambiente meio pesado. Quando ele estava de serviço era bom, tínhamos paz. Nessa época os meninos já tinha desenvolvido uma maneira de suportar as pressões: ficavam quietos e tentavam cumprir todas as novas regras, mas sempre erravam e o ciclo recomeçava.
Por essa época comecei a deixar o Gui brincar na rua, para evitar que eles se confrontassem. Foi um erro.
Quando fomos buscar o carro novo, trouxemos junto a falência do  nosso relacionamento... 
Todos os dias, quando estava voltando da escola, ficava angustiada por olhar para minha garagem e o carro não estar. Onde teria se metido ele, sem me avisar? 
Por que ele estava mentindo pra mim?
Algumas vezes eu voltava para casa olhando o chão, evitando propositadamente de olhar a garagem. Tinha medo da ansiedade que me acometia. Era melhor só saber quando chegava em frente ao portão.
Quando o carro não estava, eu tentava falar com ele, mas nem o telefone ele atendia. 
Quando voltava a tarde, dizia que tinha ido visitar o filho. Que eu era muito ciumenta. Não era nada disso. O que me irritava era o fato dele ir de carro para Ponta Grossa e não me ajudar com os gastos da casa.
Começaram as brigas mais sérias.
Mas se por um lado nossa relação familiar era uma catástrofe, nossa relação física era muito boa. 
Quando estávamos só nós dois era tudo muito bom ainda.  
Namorávamos, passeávamos e eramos "felizes".
Isso me fez entrar num vício.
Perdi a noção do certo e errado, do que era ser mãe, do que era eu, do que era amor, do que era ser feliz.
Me perdi de mim.
Me perdi das minhas amigas...
E comecei a adoecer... literalmente.
E se antes o Moacir me dizia que nosso relacionamento tinha que ser regado todos os dias com amor e dedicação, agora eu estava recebendo doses cavalares de ácido e não estava nem me dando conta.
Passei vergonha em diversos lugares. Ele se emburrava e me deixava sem graça. Fazia os outros perceberem o clima pesado que estávamos vivendo. Bebia além da conta e começava com suas cenas de ciúmes. Me acusava o tempo todo. Ia embora e me largava nos lugares.
Uma das poucas amigas que falavam abertamente comigo, tentou me alertar... não adianta muito.
Meus filhos estavam sendo reprimidos e eu estava deixando.
Eu estava sendo reprimida e estava deixando. E pior que isso: me sentia culpada de não ser a pessoa certa para ele... eu queria ser... eu queria mudar minha vida para ser feliz com ele... me anulei!
No início de 2006 tivemos a primeira separação. 
Depois de umas discussões e algumas tentativas dele me fazer parecer uma idiota ciumenta, resolvi colocá-lo   para fora de casa. Esperei que fosse para o quartel, peguei meus filhos e fui para a casa do pastor Roberto. Deixei apenas uma camiseta e uma cueca para ele na lavanderia da casa. Claro que me arrependi amargamente de ter feito isso, depois, mas na hora nada melhor me ocorreu.
Eu estava com hemorragia e meu ciclo menstrual estava completamente desregulado, tamanho era o estresse que estava vivendo.
O Moacir mentia pra mim descaradamente e se eu dizia alguma coisa vinha com acusações que me deixavam ainda mais possessa. 
Quando voltei, conversamos e aparentemente voltamos as boas, embora ele tenha dito que dificilmente a gente daria certo. Chegou a me dizer que só daríamos certo se o Gui fosse morar com o pai. 
E eu sei perfeitamente que ele só não foi mesmo, porque Deus não permitiu que eu cometesse tamanha loucura.Certamente hoje eu não suportaria ter feito algo tão cruel. Não que morar com o João fosse algo ruim, mas o ato de abrir mão de um filho, de separá-lo do irmão... isso seria irreparável.
Devo exclusivamente a Deus.
Voltamos as boas, mas isso durou apenas até ele tirar a camisa e em seu peito ter uma mordida. Lógico que ele tinha uma história fantástica para justificar a mordida que para ele era a marca de um ferro. Eu acreditei... os dias sem ele tinham sido pesados demais. Estavam com saudade e precisando muito de sua proteção e conforto. Quando os meninos o viram, percebia decepção em seus olhos, mas isso não importava pra mim. A paixão é egoísta.
Alguns meses depois descobri que enquanto estava sozinho, ele foi pedir abrigo para sua ex e esta o recolheu...
A partir daí vivíamos um triângulo amoroso.
Mas não éramos só nós 3. Com o carro e depois com a moto que ele comprou a vida social do bombeiro era intensa. Para se livrar de mim, cavocava uma briga e sumia por alguns dias.
Depois voltava como um apaixonado arrependido. Eu já tinha queimado todas as suas coisas, mas o aceitava. Comprava tudo de novo e depositava todas as minhas fichas de que agora daria certo. Perdia as fichas, o dinheiro das roupas, a razão e a saúde...entrei num ciclo doentio que durou longos 4 anos. 
Quebrei minha bacia, apanhei dele e fui parar na delegacia... 
O episódio delegacia preciso relatar. 
Hoje eu dou risada, mas no dia fui tremendo de medo...


Doença da alma vem devagar, mas vem pra ficar 

Depois que escrevo e leio tudo isso, me sinto uma tremenda idiota. A manipulação é algo abominável.

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