Essa fase boa do nosso relacionamento durou 8 meses e posso dizer que foram os 8 melhores meses da minha vida. Eu tinha alguém com quem podia contar, um grande amigo, um parceiro maravilhoso para conversar e namorar. Nos dávamos bem em tudo. Um completava o outro.
Ele me contava suas angústias e eu ouvia com entusiasmo. Também contava as minhas e recebia muito carinho e sempre ele terminava me abraçando e me fazendo sentir amada e protegida como jamais eu havia me sentido.
Lembro de um fim de semana que assistimos o filme "Dois filhos de Francisco", me encantei com o homem sensível que estava comigo. Cheguei a acreditar que Deus tinha me presenteado... ele terminou o filme em lágrimas, estava visivelmente emocionado.
Quando não estava no quartel, estava em casa fazendo pequenos reparos ou plantando, ou cortando grama, recolhendo cocô de cachorro...
Não tinha vícios, não saia sem mim... tudo era perfeito demais.
Ou era eu que via assim...
Foram poucos os sinais que tentavam me clarear a ilusão.
O dinheiro sempre foi contado aqui em casa, então se eu guardava um dinheiro dentro de algum pote, eu sabia exatamente que estava lá e quanto era. Nessa época os meninos eram muito pequenos para se interessar por dinheiro, então quando me sumiu uma pequena quantia, estranhei. Perguntei para minha ajudante que era de extrema confiança e ela não sabia. Achei chato, quase desnecessário até, mesmo assim perguntei se tinha sido o Moacir.
Tinha sido... me devolveu e disse que não pensou que isso me causaria alguma preocupação... mas me causou... Por que será que ele pegou algo que era meu, sem pedir?
A partir daquele dia fui vendo que tudo que era meu já estava mudando de dono... mas ainda assim não vi problema nenhum nisso.
Outro fato que me jogou um clarão que nem percebi foi o episódio lasanha em sábado de amor.
O Moacir passou o dia trabalhando e combinamos de comer uma lasanha quando ele voltasse para casa à noite. Comprei os ingredientes e passei boa parte da tarde na cozinha caprichando no jantar. Quando ele chegou em casa, tomou banho e estava muito tranquilo... Tudo corria normalmente até que meu celular tocou e era do quartel. Estranhei, afinal porque no meu celular? Eu tinha telefone fixo... Por que não no telefone do Moacir? Foram perguntas que me fiz somente muito tempo depois.
A ligação era de emergência, estava tendo um incêndio em Piraí do Sul e precisavam de reforços... adeus jantar romântico... ou pelo menos até mais tarde... e fiquei com essa segunda opção até as 2 da manhã, quando minhas esperanças começaram a perder forças e as troquei por outros sentimentos e sensações...
Liguei para o telefone do Moacir muitas vezes e ele não atendia. Mandei mensagem e nada. Nessa época eu não sabia quase nada sobre a forma que os bombeiros se comunicavam em serviço, mas não era nada diferente dos outros mortais. Realidade: O bombeiro foi atender uma ocorrência grande e não levou nenhuma forma de comunicação com a base... Claro que para todos essas minhas dúvidas ele tinha respostas imediatas que me faziam parecer uma adolescente insegura e tola... me acalmei e continuei vivendo o conto de fadas, mesmo quando só consegui falar com ele no dia seguinte depois das 10 horas da manhã.
- Oh amor, o que foi que aconteceu?
- Nada, ué, por quê?
- Como nada? Você sai daqui às pressas dizendo que logo voltaria, não atende as minhas ligações durante a madrugada toda e agora que são 10 horas está com voz de sono e me diz que nada aconteceu?!
- Meu amor, vida de bombeiro é assim. Não dá pra prever quando as coisas vão acontecer. Mas não se preocupe. Está tudo bem e quando eu sair daqui a gente conversa. Eu já falei hoje?
- Não!
- Eu amo você e tudo vai ficar bem, você vai ver.
E o que eu vi, na verdade não quis ver. A verdade voltaria a clarear nesse mesmo assunto alguns dias depois, mas naquele momento o que me movia era o desejo de ver meu maridinho novamente e bem.
E foi exatamente isso que aconteceu.
Esse intitulo A luz da razão nunca apaga
Estou muito cansada esses dias. Voltei a ter dor na nuca, fui medir a pressão e não era isso... 11 por 8... tudo tranquilo.
Estranho tomar remédio e não passar a dor... agora está mais leve, mas presente... Deve ser pelo fim de bimestre... muitas coisas para corrigir... a cabeça sempre baixa.
Ganhei umas flores de uma aluninha, hoje... tão lindinha e melhor ainda foram as palavras da cartinha... tão dóceis. Ela me comparava a uma reunião de chocolates... Um versinho que nunca tinha visto...
Uns são intruidos a fazer uma carta me agredindo... outros sem nenhuma pressão me escreve com carinho...
Preciso aprender a colocar na balança os bons e os maus momentos e ver que os bons são infinitamente mais... Vou aprendendo... demoradamente vou indo!
Que venha o sábado! Tô precisando dormir... e já vou indo mesmo!
Nenhum comentário:
Postar um comentário