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domingo, 1 de julho de 2012

Faz alguns dias que não escrevo. Primeiro por que estou cheia de coisas da escola para fazer. Últimos dias do bimestre. O outro motivo é que não me sinto motivada para escrever.
Por incrível que pareça nesses dias, não tenho vontade de escrever. Eu já tinha uma leve impressão de que isso poderia me acontecer. Se não estou em crise, meu passado não me machuca. Me parece muito maluco, mas estou concluindo que se estou passando por problemas, meu passado vem pra ajudar a me deixar mais para baixo ainda. Vou tentar refletir melhor sobre isso.
Quando chegar a algo mais concreto, vou colocar em palavras. 
Sexta, quando estava chegando no Jd das Araucárias, olhei para cima e vi uma árvore de nêsperas. Como é interessante o que me acontece frequentemente em relação a observação. Passo várias vezes por um mesmo lugar e não percebo alguns detalhes que muitas vezes são óbvios.Quando os percebo fico admirada por não ter percebido antes. É estranho isso, pois sou muito detalhista e pego as coisas rápido... como me escapam algumas coisas? Esse meu cérebro é meio estranho...
Voltando as nêsperas: 
Frutinha meio feiosinha de cor amarela. Faz poucos anos que descobri que se chamavam nêsperas e que são frutas do inverno. Na minha infância, se chamavam ameixas amarelas e eram deliciosas. E elas me remetem ao Parque Pinheiros.
Essa frutinha é muito comum aqui na nossa região. Mas diferente do que estão aparecendo na foto, as "criolas" são manchadas e tem uns pelinhos, iguais aos do pêssego. Quando verdes. são extremamente ácidas e quando maduras são bem docinhas.
 Não sei se meu primeiro contato com as nêsperas foi no Parque Pinheiros, mas é a ele que minha memória remete. Era um condomínio muito grande, tinha até escola e eu e a Gisele frequentávamos.
Eu tinha cinco anos nessa época.Sei isso, porque foi alí que tive sarampo. Era 1980.
Sobre o sarampo falo outra hora.
Essa foto tirei do google earth. Da minha memória tenho outra imagem da entrada, mas são 31 anos que me afastam do Parque Pinheiros. 
Vivi feliz nesse lugar, me lembro de passear no bosque, comer frutas do pé e levar uma mordida de cachorro na palma da minha mão. Tenho a cicatriz até hoje. 
Da escolinha não lembro da professora, mas das historinhas que ouvia e dos lanches me lembro bem. Outra coisa que me ocorreu é que eu não queria ir para a escola, não me lembro disso de fato, só lembro da Marion falando que eu inventava que estava com dor de cabeça para não ir à escola. Pode sr verdade, mas não sei, afinal eu gostava muito dos passeios e das historinhas. 
Quando íamos ao bosque, seguravamos em uma corda, meninos de um lado e meninas do outro. Tinha um menininho chamado Rodrigo que sempre queria ir ao meu lado.
Fui anjinho em uma peça de natal, fiquei horas com bobes no cabelo e quando soltaram, era como se não tivesse feito nada. Meu cabelo era super escorrido e pesado. Acho que essa foi a primeira vez que fui ao cabeleireiro para fazer algo diferente. 
Da apresentação não me lembro nada.
Do apartamento lembro que não era muito grande, a cozinha era escura. e meu quarto ficava de frente com a cozinha. 
Me  lembro de ter comido rabanada ali, algumas vezes. 
Um dia, quero ir passear nesse lugar para recordar.
Uns 4 anos atrás fui visitar a vó Gilda e andei pelo Alto da Glória, passei em frente ao colégio que estudei, ao Sidarta, a loja Pequenas Coisas e entrei no Mercadorama. Eu estava sozinha e pude me deter as sensações que todos esses ambientes etavam me causando. Sinto saudade dos lugares e das pessoas que fizeram parte do meu passado. 
Quando me apresentei para a dona da loja Pequenas Coisas, ela me disse que se lembrava perfeitamente bem de mim, e eu dela... quando saí, chorei...
Não sei nada do que aconteceu com ela durante os 20 anos entre nosso último encontro e o reencontro, mas para mim era como se o tempo não existisse e eu ainda era a menininha que corria na lojinha para comprar porcarias com o dinheiro que o vô Horst sempre me dava. São essas pequenas coisas da vida que me fazem falta... eu poderia ter crescido e me tornado amiga dela, mas sempre fui retirada da cena...
O nome da loja me parece uma metáfora interessante agora... certamente seu nome tenha sido escolhido pelo literal mesmo... é até hoje uma loja que vende de tudo desde que seja de tamanho pequeno... Vou achar uma foto de lá agora!
Putz, esse google é foda mesmo... consegui a foto do lugar  em menos de 3 minutos.
Ninguém mais se esconde nessa terra... 
 Pequenas Koisas, com K, porque será? Eu certamente perguntei para os donos, mas não me lembro do que responderam. Eu só sei deles que tinham um filho e trabalhavam em família. Legal é saber que permanecem alí por tantos anos e depois de tantas mudanças. 
Estou procurando outras coisas no google, vou ficar por horas entretida com isso, já posso imaginar...
Vou ilustrar meus textos com fotos dos locais, sempre que puder...

PS. Algumas informações foram acrescidas quando eu já tinha terminado o texto. As memórias resolveram aparecer tardiamente... hoje dei uma chance para elas, mas nem sempre volto para escrever as coisas que me apareceram depois.

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