Não tive opção, fui dar aula no Jd., Ninguém falou nada, a diretora me cumprimentou com muita simpatia, mas pra mim não serve ser simpática e varrer a sujeira para baixo do tapete. Mas tudo bem, já fui e já dei as primeiras aulas depois do ocorrido... daqui pra frente tudo fica mais fácil...
Foi engraçado, entrei e não cumprimentei os alunos, enchi o quadro e em seguida fui apagando e enchendo novamente, até que um menino pediu que eu passasse mais devagar. Respondi apenas que a parte dos exercícios era por conta deles, que a minha parte já tinha acabado. Passei duas listas de exercícios... Expliquei a matéria como um gravador. Terminei tudo, sentei e comecei a ler o livro do Alexandre, O Grande... Quando um aluno vinha me pedir explicação fazia de maneira particular e a sala permaneceu em silêncio quase absoluto por 2 aulas seguidas. Imagino que devem ter cansado de escrever... Daqui para a frente será assim...Perdi a vontade de dar aulas pra eles... não falta muito, logo saem as licenças... Não só por isso, mas também pela minha bacia, preciso trocar as aulas para uma escola mais perto...
Fui ao médico, fiz os exames e o cerco está fechando pra mim. Ou começo os exercícios em setembro, ou não sei o que farei para suportar as dores vindouras...
As de hoje estão cruéis... é como uma fisgada... só que constante... trava tudo e a dor é insuportável
Amanhã vou visitar a Cristina no hospital...
Nós e a nossa fragilidade...
PS: Neto-leitor querido, ontem quando te falei do livro Tempo de Esperas, te pedi para procurá-lo na velha prateleira. Espero que seu pai ou um dos seus tios tenha guardado meus livros. Deixei uma recordação pra você no livro. Provavelmente os velhos livros sejam a única coisa valiosa que eu posso deixar pra você, seus irmãos e primos...
Acabo de perceber que além dos livros, também estou te deixando uma família... tios, irmão e primos.
Esses, infinitamente, mais valiosos que os livros.
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