Como são imprevisíveis os pensamentos humanos, ou pelo menos os meus.
Acordei e já me veio a cabeça uma agenda mental do dia. Repassei as principais ações e entre elas estava a necessidade de agendar com os alunos as avaliações bimestrais e daí fui conduzida a um sentimento de revolta que me fez voltar ao sofrimento do dia 31 de agosto, mesmo que meu lado racional já tivesse resolvido encerrar a dor.
Levantei e para não perder o sentimentos e as ideias escrevi na agenda algumas coisas.
Se deixasse para relatar somente no findo dia, certamente me esqueceria. Mas se veio tão forte, há de ter uma importância emocional que preciso conhecer... se quero me transformar, tenho que me saber.
Escrevi exatamente isso:
A prática do perdão não é tarefa fácil.
Meu organismo luta contra mim.
Me proponho uma coisa e ele trabalha em outra.
Oro pedindo sabedoria e mansidão e acordo com pensamentos que alimentam o desconforto, o ódio, a ira.
Ex. Alunos de 6º ano com professores que marcaram 4 provas num mesmo dia. Eu marquei com antecedência e remarquei, pois falei com direção e equipe pedagógica e nada fizeram. Eu digo que não quero que meus alunos apresentem trabalho porcaria e vou para o paredão.
Escrevi isso e fui correndo me arrumar para o cansativo dia.
Diferentemente do que imaginei ao escrever, essa sensação me acompanhou o dia todo. Cheguei a comentar com uma pessoa sobre a dualidade existente em mim...
Quero ignorar, mas organicamente não ignoro e insisto em me lembrar de todas as coisas que a cada minuto aumentam consideravelmente meus argumentos.
Não quero ter nenhum tipo de sentimento, pois racionalmente sei que ignorar um ignorante é a derradeira vitória.
Quem disse que consigo?
Ou não consigo, ou ainda não consigo.
Hoje a diretora da escola não foi trabalhar. Sem que eu tenha perguntado nada, ouvi algumas pessoas comentando que ela se deu a folga por se sentir cansada dos dias cansativos de organizar o desfile de 7 de setembro. Não a ví cortando um nada, nem pintando nenhum uniforme. Mas ela estava cansada...
Os professores que tiveram que abrir mão de preparar suas aulas ou corrigir suas provas para, em hora atividade, pintar, recortar, colar... esses não tiveram folga.
Eu não fiz nada... o pouco que ela me pediu, recusei... não preciso me envolver com coisas supérfluas enquanto tiver argumentos que me defendam...
Ainda bem que não vivi o início do século passado. Certamente estaria em maus lençóis.
Mas agora é agora e a democracia está instaurada... posso falar do que penso... tenho liberdade para isso.
E por falar em falar... enquanto aplicava prova no período vespertino ouvi alguns absurdo vindos de outras salas... uma professora as berros tentava acalmar uma turma, outra professora pergunta se desceu a pomba-gira numa aluna e logo em seguida vem um "pare de encher o saco". O aluno que estava de frente comigo deu uma risadinha amarela e disse que as professoras estavam descontroladas. Eu nada falei, só dei um sorriso e continuei pensando na injustiça de ter sido exposta por tão pouco, apenas por ser uma voz de verdade em meio a tantos absurdos.
Mas o que esperar desse mundo?
Jesus só fazia o bem e foi pra cruz... o que será que vai acontecer comigo que vira e mexe erro nas coisas?
Apesar da recaída de hoje, vou continuar empenhada em dobrar meu lado emocional.
amanhã vou ao médico, consegui otorrino facilmente... mais uma falta... pena para os alunos que não tem culpa...
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