Tentei começar esse texto varias vezes até chegar a esse começo infeliz. Estou meio cansada e sem muita criatividade.
Tenho pensado sobre a dificuldade de escrever aqui. Não tenho um estilo legal, me perco nos devaneios diários e fujo do foco várias vezes. Sei que tudo isso está se dando porque estou num período de bastante correria. Tenho me pego várias vezes fazendo várias atividades ao mesmo tempo.
Sei que isso contribui para uma certa irritabilidade comum nos meus fins de ano. Sei disso porque já me irritei algumas vezes com os pássaros que cantam na minha janela as 4:00 h da manhã. Sei porque me irrito com a bala toffe que gruda nos dentes. Sei porque já não tenho nenhuma paciência com as coisas que até pouco tempo atrás me eram caras.
Fim de ano...
Esse fim de ano vai ser completamente diferente de todo os outros. Não vou permitir que lembranças ruins atrapalhem nosso fim de ano.
Me prometi isso ano passado, certamente, mas não cumpri.
Aposto todas as minhas fichas num fim de ano realmente feliz.
Na ginástica, tem uma mulher que não consegue coordenar os movimentos, pouco olho para ela, pois acabo me desconcentrando ou rindo. Mas hoje olhar para seus movimentos atrasados e sem ritmo me fez lembrar quando eu era muito pequenininha, cinco anos no máximo.
Tenho um flash das escadas de serviço do prédio onde morava a vó Gilda e o vô Horst. Se estávamos subindo escadas, possivelmente o prédio estava sem luz. Eu subia as escadas sem muita coordenação.
Não conseguia colocar um pé em cada degrau. A marion disse que precisava me levar ao psicólogo porque eu era muito atrasada e não tinha coordenação motora.
Sempre me lembro dessa cena. Ela me pegando pelo braço, querendo me acelerar e eu alí dando o máximo para subir como os dois pés em cada degrau numa velocidade que não a irritasse, mas ela se irritava e nesse dia só não apanhei porque o vô Horst estava conosco.
É... Faltava luz. Meu "opapa" não subiria 9 andares de escada por hobby ou esporte.
Fui à psicóloga fazer uma avaliação, apenas uma vez. Não fui mais. O motivo de eu não ir mais eu não sei. Talvez ela tenha achado que eu não era retardada só porque subia escadas com os dois pés em cada degrau.
Lembro da sala com muitos brinquedos e tintas e uma mesinha para crianças, tudo bastante colorido e chamativo. Uma moça meiga que gostei de conhecer. Nunca mais a vi. Outro segredo que a marion vai levar com ela.
Tantas coisas que eu queria saber e não posso.
Minha tarefa hoje na psicóloga é esquecer dessas coisas que me fizeram sofrer.
Não é tarefa fácil, pois essas imagens me voltam a cabeça em situações tão inusitadas, e quando lanço um olhar mais racional sobre o pensamento, já é tarde: Fiz muitas observações mentais e então desprezo ainda mais a marion. E se a desprezo, ela existe em mim.E se tem alguém que não quero que exista em mim, é essa tal de marion.
A moça descoordenada me fez viajar no tempo, mas ainda bem que foi por pouco tempo, logo retomei a aula e parei de olhar para não me desequilibrar também e cair.
Esses dias quase cai mesmo, mas nem foi culpa de ninguém. Os exercícios vão ficando puxados e perco a força então volto a ser aquela menininha estabanada e tropeço no step. Mas ao invés de me sentir mal com isso, dou risada e começo de novo...
Meus filhos puderam subir escada do jeito que quiseram. Meus netinhos poderão subir as escadas como quiserem...
Cada um a seu tempo... temos todo o tempo do mundo...
Preciso falar do que as palavras dizem
e do que elas não dizem
e da entrelinha cheia de rabisco e borrão
que fala mais que as palavras que ali estão.
Fiz uma trovinha pra tentar me redimir do péssimo texto e da ausência preguiçosa que me impede de ser um a escritora ao menos aceitável.
Mas mais do que uma trovinha descontextualizada, ela tem razão de ser.
Não entendo de escrever, mas interpretar texto eu até que sei bem...
Todo texto tem por trás uma intenção. Então por trás dessa trovinha tem muita coisa não dita que está sendo dita àqueles que observam as entrelinhas...
Quanto mais escrevo essas coisas, mais aprecio os escritores que conseguem aceitar como concluído um texto seu. Meus textos, sempre que lidos, me decepcionam. Não consegui colocar em palavras nem 10% do que eu sentia naquele momento.
O que me conforta é que não sou a única nessa situação...
Na escola o dia foi de conselho de classe. Não existe tranquilidade num dia assim...
Mais do que o ensino-aprendizagem... milhares de coisas misturadas no meio, que acabam por frustrar todos nós... Amanhã tem mais!! Chato!!
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