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sábado, 26 de abril de 2014



ESSE MENINO ERA SEU FILHO
Fabrício Carpinejar
Não posso nem chamá-lo de caro ou prezado, mas apenas usar seu nome: Leandro. Educação e respeito vão soar como cinismo.
Tampouco posso chamá-lo pelo sobrenome para indicar formalidade. Perdeu o direito do sobrenome. Seu filho pequeno está enterrado em seu sobrenome para sempre. Ele carregava seu sobrenome, você não soube carregar coisa alguma dele.
Tenho enfrentado vários pesadelos desde que ouvi a notícia de que seu menino de 11 anos fora morto pela madrasta.
Que seu menino foi posto numa cova às margens de um rio em Frederico Westphalen (RS), coberto pela terra quando deveria ser coberto pelo edredom para não passar frio de noite.
Seu filho foi enganado. Toda a vida enganado. Toda a vida humilhado. Na hora de seu fim, aceitou o passeio para longe de Três Passos porque jurava que receberia uma televisão.
Quando seu menino acordar dentro da morte, ele vai chamá-lo. Assim como toda criança chama seu pai quando tem medo do escuro. Vai chamá-lo e onde estará?
Ele acreditava que você era o herói dele. Estava exagerando para pedir que o salvasse, não entendeu o apelo?
Você nem pai foi. Nem homem foi. Você foi o que restou.
Como médico, não acha Bernardo uma criança um pouco grande para fazer um aborto?
O que dirá para irmãzinha dele? Que Bernardo está no céu? Que é uma estrela?
Perdeu também o direito de mentir. É você e sua memória sozinhos no silêncio. Só resta a memória para quem matou a consciência.
Nunca encontrará perdão. Deixou Bernardo desamparado. Deixou Bernardo com as mesmas roupas curtas, o mesmo uniforme escolar surrado, desde que a mãe faleceu. Deixou seu filho mendigar atenção pela cidade. Pelo fórum.
Não entendo o que leva um homem a anular sua família anterior por uma nova namorada. O sexo é mais importante do que a paternidade? A bajulação é mais importante do que a ternura? Queria estar disponível para festas? Cortar gastos?
Fingiu que Bernardo não existia para não atrapalhar a ambição da sua mulher? Fingiu que Bernardo não havia nascido para atender à exclusividade de sua mulher?
Filho não é escolha, é responsabilidade. Já casamento é escolha...
Se a mulher não gostava de seu filho, não deveria ter recusado o relacionamento?
Como seria simples. Bastava dizer "Ou meu filho ou nada!". É o que se fala no início do namoro.
Para você, nada.
Não é que você não tem mais nada, você não é mais nada. Abdicou de seu filho para ficar com alguém. Você não se contentou em abandonar sua família para criar uma segunda família, você aniquilou sua família para criar uma segunda família.
Obrigava Bernardo a esperar fora de casa até você chegar do trabalho, agora é você quem espera fora de casa.
Obrigava Bernardo a lavar as mãos para brincar com a irmã. Pois tente lavar suas mãos agora para tocar no rosto dele.
Tente todos os dias de sua paternidade. Sangue não sai com a culpa.

Algum tempo venho sentindo esse mesmo sentimento expresso no texto acima... Seres humanos malditos que agridem e humilham crianças inocentes. 
Esses dias vi que minha tia tinha compartilhado um texto sobre o mesmo assunto. Peraí, vou ver se encontro...
É... como eu previa, não encontrei o texto... nem tão pouco o comentário que fiz... 
Bem, vamos tentar parafrasear...
O texto dizia que a sociedade de modo geral era culpada pela morte do menino. Iniciava dizendo que o juiz errou, que a promotoria, a escola, seus professores, vizinhos, parentes e por aí vai até chegar em todos nós que de certa forma somos omissos em relação aos nossos menores que são agredidos, violentados e mortos sem que façamos absolutamente nada...
Claro que o texto tinha a intenção clara de sensibilizar e mobilizar o leitor. 
Não curti e explico porque: Concordo que boa parte das pessoas pensam de forma egoísta, mas não me sinto no direito de falar dos outros enquanto eu sou do mesmo jeito e tenho vergonha disso.
Comentei e também explico porque, melhor. Digo qual foi meu comentário:
Conheço uma história muito parecida que felizmente não teve o mesmo fim.
Será que a exclusão da postagem tem a ver com meu comentário?
Claro que é mais fácil sentar em frente da televisão e se horrorizar com as histórias horrorosas que acontecem por aí. Realmente é mais fácil. Desliga-se a TV e volta-se a vidinha perfeita. Quando nos deparamos com a nossa omissão nos sentimos envergonhados. Pelo menos eu me sinto...
Devo ter feito algum comentário sobre a fala do João Guilherme em relação as pessoas que estavam em torno desse caso... é isso mesmo... As pessoas fingem não ver... assim como desligar a Tv, é mais fácil não ver.
Tudo bem, concordo... só não me venha bancar o bonzinho sensibilizado agora... 
O caso desse menino mexeu comigo a tal ponto que preciso de sessão de terapia para voltar ao meu anterior estágio de letargia...
Dedicado a todos s leitores que se omitiram no meu caso... e meu total desprezo aos que fizeram mais... me prejulgaram... UM FODA-SE pra vocês  

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