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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Vou iniciar a semana contando a última da escola.
Uma aluna de 14 anos que está grávida se sentiu ofendida com algumas coisas que eu disse em sala de aula, achando que eu estava dando indiretas para ela, como se por algum acaso eu precise mandar indiretas para alguém. Coisas do tipo: "Gravidez na adolescência é um problema, pois as meninas estragam suas vidas." Essa turma é uma turma com muitos problemas, foi formada só com alunos repetentes com idade série bastante destoantes e com problemas sérios de comportamento. Sempre precisamos falar sobre questões como droga, sexualidade, violência, família.
Bom, ela contou para a mãe sua versão do que ocorreu e exigiu que a mãe tomasse alguma providência. E a providência foi procurar uma advogada e escrever uma carta que me acusa de fazer comentários injuriosos e difamatórios sobre sua filha me pedindo comportamento civilizado em relação a sua filha. Ora essas, fiquei horrorizada com o teor da carta e liguei para a mãe imediatamente. Pedi que viesse até mim para que pudéssemos conversar pessoalmente. Claro que a mãe não veio. Me disse que não podia e acabou se desculpando pela carta com teor tão agressivo. Falei que estou a sua inteira disposição para conversarmos, mas que eu de qualquer forma estaria conversando com a filha para colocar as coisas as claras. 
Hoje, pela manhã, minha manhã de folga, fui até a escola a fim de falar com a aluna. Claro que ela não foi e acredito que não apareça mais. 
Imagine que perigo corre um professor em sala de aula.
Nossa reputação está amarrada por um fiozinho de cabelo que pode romper em um piscar de olhos.
Vou esperar ansiosamente por essa menina... preciso lhe falar algumas boas verdades ao pé do ouvido. Talvez lhe dar a educação que ainda não recebeu.
Mães não devem passar a mão na cabeça de seus filhos, devem olhá-los de maneira honesta para poder de fato ajudá-los a construir seu caráter. 
Professores, em muitos casos, devem fazer isso quando os pais numa pseudoeducação se omitem dessa tarefa. 
Embora esteja ansiosa para falar com a aluna, não acredito mesmo que ela retorne para a escola.
O que é uma pena, visto que criar um filho sem estudos é muito mais difícil.
Estou tranquila em relação a isso, consciência limpa, mas triste porque somos tão perigosamente atingidos. E no meu caso estou sozinha, pois a gestora não vai me defender nunca... e a falta de ética dela e da pedagoga já ficou visível.



Agora a tarde vou trabalhar normalmente.


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