Analisá-la de pertinho, de relance, sem a sensibilidade necessária, seria ter apenas um vislumbre.
Eu, diferente da maioria das pessoas com quem convivo obrigatoriamente, tenho um desejo insano de tirar da vida o que busco tirar da arte. Quero dela tudo. Mais que meus olhos podem ver, quero-lhe a essência.
Me explico, porém antes quero dizer outras coisas:
1 - Algumas pessoas em suas buscas de superioridade me agrediram me chamando de louca. Não sei se há, ao menos para mim, adjetivo mais pejorativo. Eu busco tão incansavelmente o equilíbrio. Quero tanto estar bem, saber analisar as coisas e entender minhas falhas e meus acertos sem que isso me torne superior ou inferior aos outros. Minha luta não é com o outro. Minha luta é comigo mesma. Minha medida sou eu mesma. Olhando a Roxana que fui, procuro me tornar um Roxana mellhor, mais bonita, naquilo que a beleza é de fato bela. Almejo a eternidade...
Sendo assim me magoo facilmente com julgamentos que me entendem diferente do que sou.
2- Também me magoo quando sou agredida por aquilo que sou. O que sou, sou. E se querem saber, tenho muito orgulho de ser eu mesma. De saber que meu coração não endureceu, que não deixei de acreditar nos laços, que dou o melhor de mim sempre, em qualquer situação.
Tenho orgulho de ter aprendido a driblar as ansiedades que me doiam a alma, que tenho tido a força de lutar com os montros que se formaram.
Que amo incondicionalmente meus filhos... e tive a prova disso essa semana com a volta do João Guilherme...
Que tenho amigos verdadeiros que trago por anos e outros que estou aprendendo a amar hoje...
Que choro muito mais que a maioria das pessoas, mas que não tenho rugas nem no rosto, nem no coração.
Que estou feliz com as minhas novas conquistas...
Que, na maioria das vezes encanto as pessoas com minha força de viver...
Minhas dores, se pudesse, tiraria de mim, mas sei perfeitamente que sem elas eu não teria meus filhos e nem seria quem sou. Portanto sou mais grata a elas do que as rejeito...
Voltando as artes como metáfora da vida, me lembro de uma visita que fiz a Minas Gerais. As lembranças se dão muito mais pelas fotos e histórias que ouvi do que da visita em sim. Da viagem tenho apenas flashs. Dois na verdade.
Nessa viagem ficamos conhecendo muitos museus e vimos muita arte. Talvez seja daí que aprendi a visitar museus e igrejas antigas, mesmo sabendo que a sensação que me causam não seja das melhores. Me angustio num museu tanto quanto me angusto ouvindo canto gregoriano. Não me perguntem o porquê. Nem eu sei dizer.
So close no matter how far
Couldn't be much more from the heart
Forever trusting who we are
And nothing else matters
Ouvi muitas vezes a história do sucesso que a marion fazia quando eu e a Gisele entrávamos nos museus já com as mãozinhas para trás. Devia ser mesmo encantador criancinhas tão pequeninas obedecendo a mãe. Ficávamos por horas observando louças, jóias, móveis, roupas, quadros e objetos sem encostar ou tocar em nada. Víamos com os olhos e não com as mãos. Essa frase vem comigo desde então. Nesse tempo, aprendi que a arte é importante, mesmo que eu não a entenda direito. Aprendi a respeitar...
Na escola, aprendi a observar a arte de longe... de olhar cada detalhe ou não parar neles... olhando o todo. A pincelada, a cor, a forma... tudo estava ali pela importância que continha... Aprendi que nada estava ali por acaso... O pintor, o escultor, o músico tinha pensado em tudo... aquilo era sua obra... seu ser... era ele...
Então a partir daí resolvi que não seria justo olhar apenas por olhar. Eu tinha que dar a obra o meu melhor olhar... passei a apreciar a obra...
Amo e me emociono profundamente quando vou a uma galeria de arte...
Depois, já na faculdade estendi meu respeito para os livros de literatura... se já gostava de ler (falei sobre isso, imagino) depois que os entendi como arte, passei a respeitá-los.
Assim faço também com a vida.
Não me contento mais em viver...
Quero respeitar cada instante de vida...
Quero olhá-la de longe... de perto... sua cor, seu cheiro... seu toque...
Assim consigo identificar cada detalhe... e a avalio com muito mais certeza...
E, como na arte, vou me identificando...
Uma árvore frondosa, uma toalha xadrez, uma guirlanda de flores, uma cesta de piquinique e um amor puro... era isso que eu queria agora...

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