Hoje não tive aula na parte da manhã, fui cuidar da aparência e depois fui à escola para resolver as questões da festa junina... como a previsão é de chuva para o fim de semana, a festa foi adiada... com mais tranquilidade fiquei batendo papo na escola. Conversar sobre coisas bobas e poder fazer piada das coisas é gostoso... dei muita risada e voltei pra casa bem.
O dia transcorreu bem... estou bem.
Terça foi dia dos namorados, mas como estava triste, não tive vontade de escrever. Queria ter contado sobre meu primeiro presente de dia dos namorados. Lembro perfeitamente bem.
Eu estava na quinta série, o Giuliano Guimarães também. A Gisele gostou dele durante um tempo, mas depois ele acabou se interessando por mim e no dia dos namorados de 1986 ganhei dele, entregue por um bando de meninas alcoviteiras que até hoje são comuns, um perfume. Como gostei... me senti a tal...
Meus namoricos começaram cedo, mas não beijei nenhum deles até o dia que conheci o Fauzi Marcelo. Queria tanto saber o sobrenome dele para poder procurá-lo na internet... não me lembro do rosto dele... queria lembrar.
Como eu já estava com 13 anos e nada de beijar, minhas amigas já estavam preocupadas com meu atraso. Faziam campanha e eu nada. Até que fui passar férias na casa do meu pai em Maringá.
A Monalisa tinha um namoradinho que causava grandes transtornos lá em casa. Todos eram contra o namoro. E proibir adolescente é o mesmo que o incentivar... ela e o Antônio se encontravam as escondidas já fazia 3 anos. Sempre que eram pegos, o início de uma guerra se estabelecia... Na época era complicado estar no meio das confusões... Hoje dou risada das loucuras.
O Antônio tinha um primo: Fauzi. Como minha fama de boca virgem (na época não usávamos o termo bv) já tinha chegado no Antônio e eu muitas vezes era cúmplice dos encontros amorosos ele resolveu resolver dois problemas de uma vez... me jogou pra cima do Fauzi, ou melhor... jogou o Fauzi pra cima de mim... eu com 13 ele com 16... nos encontramos umas 3 vezes antes de trocarmos o nosso primeiro beijo.
O tão esperado dia chegou... era uma tarde de calor e eu e Fauzi combinamos que nos encontraríamos no parque Ingá... só nós dois, sem que ninguém estivesse pressionando... deu certo... dei meu primeiro beijo encostada numa árvore... acho que sou capaz de saber o lugar exato da árvore se eu for lá hoje.
Foi bom, e eu estava me sentindo moça... me achando.
Um ou dois dias depois desse encontro o Antônio e a Mona tiveram a ideia maluca de se encontrar dentro do quarto da Mona enquanto meu pai e a Gládis estavam na sala assistindo tv. Loucura total.
Para me fazer compactuar com a loucura o Fauzi foi junto. Meu pai morava no primeiro andar, mas mesmo assim era uma escalada e os meninos fizeram-na sem grandes problemas... ficamos lá por uma hora ou pouco mais... a adrenalina era tanta que me lembro desse dia perfeitamente.
A Gisele batendo na porta incansavelmente e nos lá dentro com som alto fingindo que estávamos de saco cheio dela. Nesse dia, com pena dela, o pai lhe deu de presente um rádio novinho que ele tinha guardado no seu quarto... certamente fruto de algum contrabando que ele fez vistas grossas num de seus plantões na receita estadual.
O Fauzi sentou no chão e eu deitei minha cabeça nas suas pernas, foi tão gostoso passar aquele tempo recebendo carinho... até hoje gosto de deitar assim e sentir o toque nos meus cabelos...
Vou procurar a música que marcou esse dia. Se encontrar vou postá-la
Minhas dificuldades familiares sempre me fizeram encontrar refúgio nos relacionamentos amorosos com os homens que passaram na minha vida... não foram tantos, mas me apaixonei por 80% deles e sofri quando os perdi.
Achei a música, demorei um pouco, mas encontrei. Faz parte da trilha sonora do filme Rambo III. Nunca assisti nenhum dos filmes do Rambo, mas fizeram muito sucesso nos anos 80.
A tradução dela me deixou pasma...
tocava no rádio uma música que ficou na minha cabeça por 23 anos, sem que eu soubesse sua tradução.
E agora eu me deparo com algo com que me identifico tanto.
Quantas e quantas vezes depois eu teria força para carregar as pessoas que eu amava... Eu tinha a chave para abrir as portas... mas não puseram fé em mim... foram embora. Usei minha força para me reconstruir e a porta continuou fechada.
Agora estou aqui num momento de reclusão absoluta, desacreditando da humanidade... mas quero crer que isso vai passar... que vou voltar a olhar as pessoas como seres bons...
Que vou poder deitar de novo minha cabeça no colo e fechar meus olhos e dormir confiando que não serei apunhalada pelas costas, como tantas vezes fui...
Vou poder ouvir a música e não pensar em mais nada...
E assim o sol vai brilhar...
A tradução dela me deixou pasma...
tocava no rádio uma música que ficou na minha cabeça por 23 anos, sem que eu soubesse sua tradução.
E agora eu me deparo com algo com que me identifico tanto.
Quantas e quantas vezes depois eu teria força para carregar as pessoas que eu amava... Eu tinha a chave para abrir as portas... mas não puseram fé em mim... foram embora. Usei minha força para me reconstruir e a porta continuou fechada.
Agora estou aqui num momento de reclusão absoluta, desacreditando da humanidade... mas quero crer que isso vai passar... que vou voltar a olhar as pessoas como seres bons...
Que vou poder deitar de novo minha cabeça no colo e fechar meus olhos e dormir confiando que não serei apunhalada pelas costas, como tantas vezes fui...
Vou poder ouvir a música e não pensar em mais nada...
E assim o sol vai brilhar...
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