São 22:50hs, trabalhei até agora. Estou muito cansada, mas estou bem tranquila.
Fiz um cartaz para a festa junina do final de semana que ficou bonito. Vou tirar uma foto dele no fim de semana. Vou decorar a barraquinha.
Enquanto eu estava confeccionando o cartaz, me lembrei de quando eu estava terminando o ensino fundamental (na época chamava-se I Grau). Já estava no IAP e fui passar férias em Curitiba. Fui visitar a Alessandra e a Tia Márgue tentou me convencer a cursar magistério e eu disse que não daria, pois eu precisaria de materiais escolares que o meu pais certamente não me daria. E realmente não fiz magistério. Voltei para o IAP com mais roupas, pelo menos. Meu pais não se preocupou com meu enxoval para ir para um colégio interno. Tive que me virar para conseguir algumas saias. Lá era proibido usar calças. e as saias eram só pra baixo do joelho. Foi difícil me adaptar.
Eu tinha uma saia preta que ganhei de uma das meninas e me lembro de passar tinta de sapato nela, pois de tanto lavar, estava manchada... era horrível.
Tínhamos que lavar nossa própria roupa, parece que apenas roupa de cama e banho podiam ser mandadas para a lavanderia da escola. Minhas roupas ficavam manchadas, muitas vezes... Sabão em pó é muito complicado.
No ano de 92, teve Olimpíada e nós tínhamos que fazer um trabalho grande que nos daria pontos em todas as matérias. Eu fiz uns 20 trabalhos diferentes e os vendi, com o dinheiro comprei uma saia jeans medonha.
As vezes tinha uma exposição de roupas perdidas, eu pegava pra mim algumas coisas que me pareciam sem dona. Eu morria de medo que que alguma das meninas reconhecesse suas roupas em mim, mas graças a Deus, isso nunca aconteceu.
E assim cheguei até o fim do ano de 92, quando me pai não tinha mais condição de pagar a escola.
Nesse ano saiu a determinação judicial que o exonerou. Faltavam apenas 3 anos para que ele se aposentasse como fiscal da receita estadual. Ele tinha 47 anos. Eu ainda espero encontrar mais detalhes sobre esse processo. Garanto que vou me surpreender.
Nesse mês o Rhory não depositou nada. Como que pode!
Muitas vezes que falei com ele pelo telefone ele, antes de desligar, dizia "Deus abençoe". como se fosse uma pessoa bondosa, no entanto não contribui nas despesas do próprio filho... evito até de pensar, pois me dá uma raiva essa hipocrisia.
É difícil não julgar as pessoas...
Se é pra fazer maldade, não ouse usar o nome de Deus...eu penso assim!
Odeio mentiras, odeio hipocrisia...
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