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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Acho que estou me curando, definitivamente, dos traumas que me derrubaram nos últimos anos. Não que eu tenha uma percepção exata do quanto mudei pelos sofrimentos. Falo apenas do que sinto.
Minhas amigas que me informam o quanto estou melhor... não acredito nelas totalmente, afinal elas não me veem como realmente sou, me veem baseadas nelas. Todos somos assim... para definir alguém, nos usamos como índice... e assim a probabilidade de erro é grande. 
Todos somos únicos, não há comparação adequada...
Mas voltando ao que eu percebi da minha reconstrução.
Agora pouco eu estava assistindo novela e pesquisando receita de pratos diferentes para o fim de semana. Cada novo fim de semana quero fazer algo novo para meus filhos. 
Como é bom me perceber sentindo prazer em algo tão simples. Não me lembro de outro momento em que eu me sentisse tão em paz em casa.
Todas as vezes que eu me angustiava, minha vontade era de sumir, sem vontade de fazer nada. 
Sempre acabávamos comendo qualquer coisa no sábado e domingo, quase num ritual religioso, comíamos frango assado com maionese... os meninos aceitavam sem falar nada, mas agora me contaram que não aguentavam mais... Eu também não aguentaria se estivesse em sã consciência.
Lá na casa do meu pai também era sagrado o frango assado com maionese nos domingos... vai ver que foi daí que, inconscientemente, eu copiei o cardápio.
Quando me lembro dos almoços de domingo em Maringá, sempre lembro de como era feita a maionese. Cozinhava-se o ovo junto com as batatas com casca, fazia-se o molho com a gema  cozida e outra crua batidas com bastante óleo e o diferencial era bater a clara em neve e acrescentar ao molho, conferindo uma leveza. Eu achava muito ruim, pois ficava muito molhada.
A Gládis (mulher do meu pai) não cozinhava bem... também não fazia um monte de outras coisas bem... mas ficou casada com ele um bom tempo... por burrice e por conveniência.
Tive uma convivência com essa mulher que me permite defini-la como MÁdrasta.
Quero falar de algumas coisas que lembro da Gládis. Não hoje.

O cardápio do fim de semana já está organizado na minha cabeça.
Sábado: escondidinho de mandioca com carne seca.
Domingo: feijão mexicano.

Quero que meu neto-leitor saiba que sua avó não nasceu sendo a grande Dona Benta que ele conheceu... me tornei. Isso ocorreu em 2012, quando estava com 36 anos... 
Estou me refazendo e isso é fantástico!



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