Não sei precisar quando o Moacir passou a morar aqui em casa. Tudo aconteceu muito rápido.
O namoro era muito gostoso. Ele trabalhava 24 horas e folgava 48 e dessas 48, umas 20 eram destinadas exclusivamente a mim.
Era só eu chegar do Socavão e tomar um banho e o Bombeiro já chegava. Vinha jantado. Ficávamos conversando por horas e horas. Nunca tinha vivido algo tão bom. Nos entendíamos em tudo e logo ele passou a dormir aqui.
Era gostoso de ver como se relacionava com os meninos que o viam como um herói.
Chamavam-no de tio-bombeiro.
Mais um mês e ele já tinha acesso livre a minha casa e aí começaram alguns pequeno incômodos que naquele momento quase não me incomodavam.
Me lembro de uma manhã, enquanto ia para o colégio Vespasiano, de estar angustiada por me ver sustentando um homem. E logo em seguida me recriminar por ser tão egoísta e não pensar no homem maravilhoso que por alguma ironia do destino estava passando por um momento difícil na vida.
Nas nossas muitas conversas, ele me contou que tinha entrado num negócio agrícola que deu errado e que agora ele estava esperando chegar o fim do ano para colher um algodão e reerguer suas finanças. Seu salário se resumia em pagar dívidas e pensão. Um ou outro mês, me ajudou com R$ 100,00. Era pouco, mas era alguma coisa. Empurrei os maus pensamentos e tratei de ser feliz. Nessa época eu ainda era PSS, tinha emprego temporário e estava esperando ser chamada pelo concurso. O que, graças a Deus acorreu no início de 2006.
Como logo ele passou a morar comigo, quando eu chegava empoeirada, ao abrir o portão ele se apressava em abrir a porta e me esperar de braços abertos, literalmente. Me puxava pela mão até a cozinha e me servia um café, ouvindo pacientemente os relatos enfadonhos do dia-a-dia de uma professora. Ficávamos alí por alguns minutos e então ele me convidava para assistirmos o jornal estadual. O que eu geralmente não fazia, visto que a necessidade do banho era imediata.
Com 3 meses de namoro eu me estranhava de ter uma relação tão pacífica, não brigávamos por nada. Ele me agradava em tudo. Um certo dia, veio me contar que os colegas do trabalho o tinham convidado para um fim de semana de pescaria, e queria saber o que eu pensava. Disse que não conhecia os rapazes, mas que se ele quisesse, eu não iria me opor, embora seria ruim saber que ele preferia passar o fim de semana com os amigos e não comigo. Não falamos mais no assunto. Quando chegou o dia da pescaria ele não me disse nada e não foi. Quando perguntei o motivo, me abraçou e sorrindo docemente disse que preferia ficar comigo.
Era uma rotina deliciosa. Um marido exemplar, um padrasto carinhoso e gentil... a vida estava sorrindo para mim e eu estava começando a me apaixonar.
Intitulo Doce rotina.
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