Não sei se me alegro ou me entristeço com as visitas ao meu blog.
Alegro, porque tenho pessoas que gostam do que escrevo e se sentem de alguma forma, confortados com exemplos parecidos.
Entristeço, porque entre os que me leem, certamente há os que estão querendo encontrar algo em mim que justifique seu preconceito. Não me preocupa isso... preconceito todos temos, mas a sensação de incomodo que isso gera, me deixa muito angustiada... muito mais do que me senti nesses últimos dias.
Na verdade, eu nem queria saber quem lê, embora eu já saiba de alguns por me falarem, outros por citarem e outros ainda por dedução.
Bom, ao escolher esse canal de comunicação com meu neto-leitor e comigo mesma, devo estar ciente dos leitores fiéis, dos esporádicos, dos enraivecidos e dos piores de todos: os infiéis...
Só lamento porque com isso estou, as vezes, medindo palavras... e ao medi-las acabo selecionando sentimentos... o que no caso de um encontro comigo, não me está permitindo absoluta realidade... estou dando um tom mais ameno ao meu sentimento...
Falo de sentimentos, porque são eles os que me movem em todo o instante.
Hoje por exemplo, queria dar detalhes do que realmente me tirou o sono. Queria descrever minuciosamente os sentimentos todos. Não posso. Detenho-me apenas em dizer que o que digo é infinitamente menos do que penso, embora não use uma maneira de construir um discurso que estará pronto para ser dito...
Explico essa confusão de palavras com um exemplo concreto.
Quando me formei no IC, minhas colegas me escolheram para ser a oradora da turma. Contrariando seu Levi, diretor do internato, que via em mim uma ameaça, fiz o discurso na igreja da Castrolanda.
Tive alguns meses para preparar o que dizer e de fato tentei me preparar. Peguei minhas anotações e nada do que escrevia me agradava realmente. Foram muitos e muito dias e papéis jogados fora. As ideias não eram aquelas que estavam ali. Na madrugada que antecedeu o grande dia, passei escrevendo uma montoeira de bobagens que não me agradavam. Ficou de fato uma PORCARIA.
O grande dia era de organização e de angustia pela noite de formatura... Eu havia concluído o curso
e isso era bom e ruim. Como essa vida é injusta... começo meu texto falando da dualidade de sentimentos e me deparo com ela aqui, novamente.
E foi essa dualidade que deu origem ao meu discurso da grande noite. Se nos papeis que abarrotaram o lixo, eu encontrava formas de dar uma alfinetada no abominável homem do IC, aí não me fazia mais sentido falar qualquer coisa que desse a ele alguma luz... há pessoas que simplesmente não merecem...
Peguei o microfone e comecei a conversa...
Chamei minhas amigas do curso para fazermos juntas uma viagem imaginária... passeando pelo colégio com um sentimento de saudade... e em cada lugar que parávamos, eu fazia pequenas considerações... conclui dizendo que o passeio havia acabado na realidade, mas sempre que quiséssemos, poderíamos fazer esse exercício de imaginação... para o resto das nossas vidas. Ao monstro, não dirigi uma única palavra e deixei-o no lugar que merecia...
Ao final, todos estávamos chorando... alunos, professores, pais e amigos... somente os monstros não choram.
O pastor Mario, ao término da cerimônia veio me abraçar, não só pelo discurso, mas pela conclusão do curso depois dos problemas que me machucaram tanto... para ele, eu era um exemplo de superação... e olhando daqui, acho até que era mesmo... Lembro de suas palavras e do aperto de seu abraço...
"Menina, quando vi você subindo para fazer seu discurso me deu um gelo no coração. Sem nenhum papel. Você ia se perder na sua fala. Mas como eu estava errado. Que lindas palavras. Que linda pessoa é você. Você deve seguir a profissão de jornalismo..."
Não segui. Naquele ano, optei pelo direito (falo dessa escolha em outro momento), mas quase me arrependo de não ter seguido seu conselho.
Durante todo o tempo que tive para escrever o discurso o fiz mentalmente e a realização dele é o concreto disso.
O mesmo ocorre quando digo alguma coisa para alguém, como fiz com a diretora na sexta-feira, que culminou com seu pedido de desculpa. O que difere do discurso é a plateia...
Diferente do que o preconceito de alguns, eu não preciso de plateia... eu não gosto de plateia... porque pra mim, antes da ética está o caráter... e a ética é extensão do caráter...
O que me tirou o sono dessa noite, foram os filhotes de cachorro abandonados na rua, mas como não consigo abolir os pensamentos, fiquei pensando no que tenho que dizer à pedagoga... daquilo que eu ainda não tenha dito. Me assusta o que vem na minha cabeça... penso demais... e do tanto pensar, me veem as lágrimas...
E de novo, me apego nas forças que só a verdade me dá e sigo em frente...
Se for para apanhar, que seja... mas é bom que se saiba que apanho sendo inocente...
E se sou inocente, a verdade está ao meu lado...
E conhecendo a verdade ela me libertará... a verdade é sempre libertadora...
Quisera eu pudesse ser perfeita... tantos são meus defeitos que me afastam da verdade absoluta... mas como ainda não morri, tenho a esperança de ainda alcançar alguns degraus...
Não para ser superior aos outros... mas para ser melhor diante de Deus...
PORCARIA: sf. 1 Imundície, sujeira 2 Coisa mal-feita, má, ou sem valor; porqueira
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