Ser bom e ser mal deve tomar o mesmo tempo e exigir a mesma concentração.
Estive considerando isso hoje enquanto preparava o tradicional almoço de feriado aqui de casa.
Amo vina (salsicha, caso você não conheça esse regionalismo). É só eu ficar sozinha com o Pedro que já preparo nosso costumeiro arroz de forno. É triste estar sozinha e para ficar menos triste comemos algo que só nós dois gostamos de fato. Um arroz mega simples, cheio de vina e uma salada e pronto... nosso almoço fica legal...
Voltando a reflexão, penso que há de se dispensar uma força danada para ser cruel. Assim como dispensamos uma força enorme para não nos desviarmos dos propósitos estabelecidos do bem.
A frustração também deve vir em mesmo grau, por razões opostas, sem dúvida, mas igualmente frustrantes.
Então não ser nada seria a melhor jogada?
Pensando em perdas e ganhos, obviamente que não, mas pensando em comodismo, certamente que sim...
Mas engana-se quem pensa que sendo emcimadomurista a pessoa é livre de ser considerada culpada pela maldade. Geralmente são esses que compõem os exércitos... são esses os manipuláveis... são eles a força física de que precisam os dois lados.
Ao ler mais atentamente a ata que me causou o estresse da semana, pude confirmar isso na prática.
Depois querendo se reposicionar inutilmente, já foram manipulados e já sem opção alguma permanecem na mesma posição arriscada de estar em cima do muro. Quem fica em cima cai e se machuca mais. Já está sutilmente sendo puxado para um lado... o desequilíbrio é inevitável.
Mas não é disso que quero falar. O que me gerou a reflexão do dia foi a minha escolha natural pela verdade.
Quando criança, sei que menti muito, me lembro de apanhar da Marion diversas vezes por esse motivo. Achava que era uma maneira interessante de viver.
Não sei precisar quando aboli a mentira, mas é fato que hoje em dia mentir é algo raro.
Digo raro, porque não posso viver num mundo como esse sem usar pequenas mentiras como meio de sobrevivência.
Não vou a igreja, não leio a Bíblia diariamente, não oro o tempo todo, mas optei por viver o que aprendi na época de igreja.
Tenho plena convicção das minhas falhas e defeitos. Luto contra eles e faço o melhor que posso em tudo o que me proponho a fazer.
Já fiz coisas que até hoje me machucam, mas cada dia me vejo em evolução.
Já não cometo os mesmos erros, já não ando pelos mesmos caminhos. Sei que estou no caminho do bem. Só me falta levar meus filhos para o convívio da igreja. Estou buscando isso.
Não é tarefa fácil... me suga muita força... mas eu tenho a consciência do crescimento e gosto disso.
Gosto de ver gente como eu, embora seja raro, muito raro.
Tem uma menininha que está sofrendo atentado em Santa Catarina por buscar o bem coletivo. me entristeço com o que vejo que está lhe acontecendo, mas é assim mesmo que o outro lado do muro enxerga nosso trabalho para benefício coletivo.
Não queremos reconhecimento individual, queremos melhorias coletivas.
Não lutamos contra pessoas, lutamos contra erros.
As leis existem para nos proteger a todos, indistintamente, para nós essa é a máxima natural da sociedade. Nada mais importa do que igualdade de direitos e deveres.
O bem comum nos interessa, o bem particular não nos importa.
Aliás, nos humilha e maltrata...
Sem tirar proveito, sem ser reconhecido, sem ser o "bonzinho".
Não é tarefa fácil...
E como será que pensa aquele que se encontra no outro lado do muro? Como será que deita sua cabeça no travesseiro? Como será que se olha no espelho? Como será que fala com Deus?
Não é meu interesse julgar ninguém, mas imagino que ter consciência de si é a tarefa mais cruel que podem ter. Viver uma farsa constante e depois ter que dormir consigo mesmo...
Acho que sei porque prefiro ser quem eu sou, apesar de todos os meus defeitos.
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