Ontem, acreditem vocês, não consegui encontrar nenhum filme interessante e acabei por me "entreter" com um documentário sobre pessoas que viviam de revirar um lixão no Rio de Janeiro. Me admiro do quanto mudei meus gostos.
Quando menina, a marion me hostilizava frequentemente por eu preferir assistir Silvio Santos enquanto na outra sala ela, minha vó e a Gisele assistiam um concerto do Luciano Pavarotti. Eu achava insuportável ouvi-lo cantar, nisso não mudei. Continuo achando muito chato ouvir concertos.
Já em Castro, na casa da Rita, me irritava em silêncio, porque para evitar que assistíssemos o Faustão, ela colocava na tv Cultura e lá ficávamos por horas vendo documentários insuportáveis de leões que comiam zebras, cobras imensas que engoliam suas presas inteiras e tantas outras bobeiras que me fizeram desenvolver a necessidade de fazer alguma coisa enquanto assisto tv. Raramente estou parada olhando para a tela. acho uma perda de tempo. Mas o documentário de ontem me fez parar. Até minha dor de cabeça parou.
Estou sempre fazendo duas ou três coisas ao mesmo tempo. Vai ver que é por isso que sou muito ansiosa.
Falando em ansiedade, ando num período bastante tranquilo, nenhum problema grande, nenhuma pessoa me azucrinando, meus filhos saudáveis. Tudo correndo bem... Graças a Deus!
Voltando para os documentários:
Agora gosto muito de ver documentários.
Assisti um fantástico sobre uma família, que foi filmado em dois momentos com intervalo de 10 anos.
Família Braz - Dois Tempos
Como será que aprendi a gostar de documentários? Talvez eu não gostasse e nem gosto ainda de ver sobre bichos, mas os que falam de gente me agarram e me comovem.
Gosto das histórias reais...
Ver as pessoas e a forma como levam suas vidas, seus costumes, suas crenças, seus sorrisos, seus olhares...
Tão diferentes de mim e ao mesmo tempo tão iguais.
O filme de ontem me trouxe mais do que a reflexão simplista de que tenho mais a agradecer do que lamentar pela minha vida. Eu vi, ouvi e aprendi dos sentimentos, do pensamento e da sabedoria do povo suado, miserável e sofrido que encontra nos restos do mundo o começo e o recomeço de vida. O homem quase bicho, dividindo com este a sobrevivência.
E eu aqui, medindo forças, querendo ganhar sempre.
O que é ser mais que o outro?
O que se ganha ao vencer uma discussão?
O que se aprende ao derrotar um inimigo?
Nada se aprende... nada se ganha... nada se é...
Quem sabe eu esteja começando a entender algumas lições bíblicas sobre a Humildade, o Amor ao próximo, o Auto-Amor... só começando...
Para esperar os meninos, resolvi preparar um bolo. O "fazedor" oficial não tem mais tempo, afinal agora é um trabalhador braçal. Me sinto feliz de voltar a ter prazer em fazer pequenas coisas que sei que agradam meus filhos.
Nessa madrugada, houve uma tempestade muito forte, o Pedro veio se aninhar nos meus braços, com medo dos trovões. Não sei se em algum outro momento da minha vida, me senti tão importante para alguém.
Me lembro que eu sentia vontade de voltar para casa quando o Gui era pequenininho, mas parece que não era tão forte nossa ligação. Deve ser só uma impressão, pelo tempo que me afasta daquela época, afinal me lembro que eu não me dava o direito de gastar tempo nem para secar meu cabelo. Todo o tempo que eu tinha era para ele.
Tadinho do Fê, não me lembro de quase nada do que vivi com ele bebê. Preciso resgatar minha memória desse tempo.
Foi um tempo de muita correria, fim de casamento, mudança de vida, mas sei que o amor que senti pelo meu nerdzinho foi imediata. A Rita sempre me cobrava porque via que eu gostava mais do Fê do que do Gui. A Rita e seus preconceitos. Ela quase sempre acertava, nesse caso, sempre achei que ela errou.
Escrevi demais, embolei muitas coisas, meu texto está horrível. Tudo bem, afinal ser escritor é papel do meu neto-leitor...
O meu é resgatar os costumes e a essência que deve ter uma mulher que será a velhinha matriarca dessa família...
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