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terça-feira, 4 de junho de 2013

Eu gosto do meu quarto / Do meu desarrumado / Ninguém sabe mexer
Na minha confusão / É o meu ponto de vista

Ontem voltei para o step. Tá certo eu disse que estava cansada dele, mas entre step e uma academia forrada de gente fútil, optei pela chatice do sobe e desce, que pensando bem pensado, nem é assim tão chato. Eu é que estava insuportavelmente implicante. 
É, estou envelhecendo... velho tem alguns direitos à reclamações, estou usando a minha cota, mas com moderação. Não posso me tornar uma velha rabugenta... Quem quer ter a família sempre reunida aos domingos, precisa exercitar a alegria de ver beleza até no que não é belo.


Um dos poucos flashs da infância em Curitiba é no quarto da Bisavó que morava em frente ao colégio Novo Ateneu. Só fui estudar lá depois de minha bisa ter morrido.
Não sei qual a doença que ela tinha, só sei que ela vivia deitada num colchão de água que fazia nossa alegria. Quando alguém fazia a higiene da bisa, aproveitávamos para brincar em cima da cama. Eu morria de medo de estourarmos e a água nos afogar. A alegria da brincadeira afugentava o medo e ficávamos todos juntos, um bom número de crianças.
No dia que a bisa morreu fomos até sua casa e só me lembro da marion dizer que a bisa estava fazendo uma festa de despedida porque ela ia embora para o céu. Nesse dia, as crianças ficaram todas no andar de baixo e não pudemos entrar na sala. Não lembro de choro, nem dos adultos, também não vi a bisa. Acho mesmo que era seu velório. Só sei que tinha uma empregada que estava conosco e nos fez dormir no quarto de visitas. Nunca mais vi a bisa e por muito tempo, achei uma sacanagem ela ir embora sem se despedir de nós, afinal ela era tão carinhosa e sempre nos fazia abrir a gaveta do seu criado mudo para pegar doces quando íamos visitá-la. Hoje não sei nem o nome dela...
Da próxima vez que for a Curitiba, farei uma visita ao cemitério onde estão enterrados meus avós e bisavós... Não gosto de ir ao cemitério, mas farei isso pela minha memória.
Quando eu tinha uns 11, 12 anos, quinzenalmente tia Leony nos obrigava a acompanhá-la ao cemitério para ela fazer a limpeza da capela da família e sempre sobrava para eu ir buscar água. Andar sozinha por entre os túmulos era apavorante. Eu morria de medo, mas nunca deixei que soubessem o quanto aquilo me afligia. Durante minha estada em Curitiba, por muitas  vezes escondi o que realmente eu sentia.
Era ruim... Talvez seja por isso que, hoje em dia, esconder o que sinto é algo muito raro.


Até quando vou receber bombons de cereja? Eu não gosto de cerejas... Por favor, não me deem bombons de cereja...

Hoje na hora do almoço, precisei fazer uma ligação importante e quando isso acontece preciso ficar longe do Pedro, então fechei a porta da sala, deixando-o para o lado da cozinha. Depois do choro habitual de caçula que consegue tudo, ele começo a traçar planos para vencer a barreira que o afastava de mim.Tentou uma chave de armário. Não obtendo resultado, teve uma ideia.
Sim, o menininho já pensa...
Deu a volta na casa, pelo lado de fora e entrou pela porta da frente. Bem quietinho, sem um choro...
Gosto de ver que meu menininho tem iniciativa e busca solucionar seus problemas. Vê-lo pensar é algo que me encanta.

Tenho que parar por aqui, os meninos estão chegando e preciso me ocupar com eles... 






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