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sábado, 20 de julho de 2013

Ontem não tive vontade alguma de escrever nada e a culpa é de um de vocês, nobres leitores.
Quantas vezes eu já lhes pedi para que não estabelecesse nenhum contato comigo sobre o que escrevo aqui?
De verdade, eu me sinto muito constrangida com isso, o que a mim também parece engraçado. Escrevo para o público e não quero que o público me diga o que pensa.
Tento explicar:
Minhas considerações, ficções e histórias são o que penso. Só o que penso. Tento me entender, tento entender o que penso e o porquê penso e por quê?



Porque eu quero ir bem. Tenho muita vida pela frente e a quero viver em abundância.
Cada um deveria ter um jeito de se entender ou pelo menos tentar.
Leiam o quanto quiserem, fiquem a vontade, mas por favor deixem de me dizer o que pensam.
Não dou conta dos meus pensamentos, seria muita pretensão da minha parte tentar entender vocês.
Obrigada pela leitura e voltem sempre que quiserem.




Antes de passarmos ao nascimento propriamente dito, é interessante darmos ouvido ao pequeno Simão, que mesmo dentro de uma placenta  já tinha sentimentos e a julgar pelo seu peso natal, sofria...


01º de janeiro - Sexta-feira

Eu e a mamãe, tão logo chegou o ano novo, nos mandamos para uma aventura. Só eu e ela descemos de trem até Morretes. O passeio foi pra gente pensar e ver coisas bonitas, mas o papai estragou tudo. Brigou com a mamãe e isso doeu em mim. Por mais que ela diga que me ama, eu sei que se eu não existisse, nada disso teria acontecido.
Todo o passeio ficou nublado, a comida sem gosto e a mamãe voltou a chorar. Um dia eu espero que todas essas lágrimas  se transformem em alegria.
Não sei dos outros, mas eu vou fazer minha mãe feliz.
Agora falta pouco, logo eu vou chegar. Enquanto isso dou chutinhos daqui de dentro. Sei que mamãe adora me sentir mexer.



02 de janeiro - Sábado

O dia de ontem foi cansativo. Hoje quero descansar, mas a mamãe não para. É de um lado para outro, sempre criando coisas novas pra fazer. Hoje ela terminou meu arranjo de porta, ficou um amor.
Só que logo ela chora. Termina de fazer alguma coisa para mim, põem as mãos sobre mim e chora. Como eu queria abraçá-la forte e mostrar o quanto eu sinto por saber que ela me ama assim.
O papai ligou à tarde. A gente já tava cansado de esperar, mas ainda bem que ligou. Mamãe fica mais calma  quando fala com ele, mas ele fala tão pouco com ela.
Como será que eu serei? Será que me pareço com mamãe ou com papai?
Quando eu nascer, vou saber. Não vejo a hora disso acontecer.  
  

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