Adoro terminar uma peça.
Essa blusa comecei ano passado para o Gui, mas esse ano terminei. Infelizmente tenho um defeito em relação aos artesanatos. Começo muitas coisas e já deixei muitas coisas sem terminar.
Uma vez comprei todos os materiais necessários para fazer biscuit, aprendi a fazer a massa e fiz as lembrancinhas do nascimento do Fernando em formato de Smilinguido, um imã de geladeira que ficou encantador.
. Cheguei até a receber encomentas de lembrancinhas e arranjos de porta para bebês. Adoro criar coisas novas, mas ficar repetindo as mesmas coisas feito uma máquina me dão nos nervos. Não fiquei nessa arte por muito tempo. Nunca mais mexi com biscuit. As revistas estão entulhando algum espaço e as ferramentas dei para o Pedro brincar de massinha.
O mesmo aconteceu com os bordados em ponto cruz. Tenho bem uns R$ 500,00 reais em fios. Não tenho mais vontade de bordar.
Agora ando criando coisas com jornais.
Amo artesanato com recicláveis. Quando eu trabalhava com aulas de Artes, me realizava ensinando os alunos a criarem arte com "lixo".
Uma vez fiz rosas com filtros de café usados. Decorei arranjos de mesa para um café colonial na Igreja Presbiteriana. Ficou tão chique que até eu achei lindo.
Recebi muitos elogios e encomendas. De novo as encomendas...
Acabou a graça do filtro de café. As vezes até me dá vontade de criar algo, mas daí me lembro que cansei dele.
Falei que seria breve e no entanto nem cheguei no assunto de hoje.
Enquanto finalizava o tricô lembrei de uma brincadeira de infância que me parece tão sem sentido agora.
Fiz uma busca no Google e achei a bendita brincadeira:
Mamãe, posso ir?
Traçam-se, no chão duas linhas distanciadas mais ou menos de
oito metros. As crianças ficam atrás de uma das linhas e a Mamãe atrás de
outra. A brincadeira consiste em avançar em direção à linha em que está a Mamãe
. Isto é feito através de vários tipos de passos, ordenados conforme a vontade
da Mamãe . Entre cada Criança: Mamãe, posso ir ? Mamãe: Pode. Criança: Quantos
passos ? Mamãe: Dois de formiguinha. (poder ser de outro tipo) avançado em
direção à Mamãe . A que chegar primeiro junto a ela será sua substituta. Tipos
de passos: formiguinha (colocar o pé unido à frente do outro); elefante (avançar
com passos enormes, terminando com um pulo); canguru (movimentar-se, pulando,
agachando); cachorro (avançar de quatro pés, isto é, usando os pés e as mãos).
A brincadeira não tem muito sentido, afinal a "mamãe" é que decide quem vai substitui-la, já que é ela quem determina o número de passos e o tipo deles. As "crianças" não poderiam traçar estratégias ou contar com a sorte. Muitas encrencas infantis poderiam ter sido evitadas se as pessoas inventassem brincadeiras um pouco mais sensatas e inteligentes.
Foi gostoso ficar lembrando das brincadeiras que brincávamos quando nos juntávamos na casa da vó Gilda, do tio Gustavinho ou da tia Leoni em dia de aniversários. Juntava fácil umas 15 crianças.
Tudo era tão bom na época de infância quando não sabíamos de nada e éramos felizes.
Outra brincadeira que fazia bastante sucesso era a
BALANÇA-CAIXÃO
IDADE A partir de 4 anos.
PARTICIPANTES No mínimo três.
COMO BRINCAR Um integrante do grupo é escolhido o rei e se
senta em uma cadeira ou em um muro baixo. Outro participante é eleito o servo.
Ele se ajoelha de frente para o rei e apoia o rosto em seu colo. Os demais
formam uma fila atrás do servo, cada um apoiando a cara nas costas do
companheiro da frente. Todos recitam: "Balança, caixão / Balança você / Dá
um tapa na bunda e vai se esconder". O último da fila dá um tapa na bunda do que está na sua frente e se esconde. Uma a uma, as crianças vão
repetindo essa ação até que todas estejam escondidas. É a vez, então, do servo
sair à procura dos colegas. Ganha quem for pego por último. A brincadeira
recomeça com a escolha de outras crianças para representar os personagens.
Era divertido porque os mais fortes davam tapas doídos e a meninada ria muito.
Sempre acabava em confusão e os menores choravam. Os maiores suados pela correria ficavam emburrados de castigo sentados no sofá com a promessa de apanhar quando chegassem em casa. Eu era uma das maiores. Então a tática era dormir no sofá e ser levada no colo para o carro e deixar que a surra se perdesse no esquecimento.
Como fomos crescendo as brincadeiras também foram se renovando. Na pré adolescência a área social dos prédios era lugar ideal para pular elástico com a turma.
Como fomos crescendo as brincadeiras também foram se renovando. Na pré adolescência a área social dos prédios era lugar ideal para pular elástico com a turma.
Dávamos muita risada. Tudo era só alegria.
A Bíblia diz que conhecer a verdade é sinônimo de liberdade. Sempre achei muito fantástico o versículo 32 de João 8, mas agora olhando para a infância, que é uma forma de ignorância, acabo de perceber que não conhecer a verdade era bem mais interessante. Sem saber, não se questiona, não se posiciona, não se entra em conflitos, não se exige tomada de decisão.;
Me lembrei de uma historinha que ouvi numa aula de Filosofia com a Rita:
O sapo e o poço é adaptação de uma fábula sânscrita, que
conta a história de um sapo satisfeito porque se sentia seguro (embora não
soubesse o que temia); satisfeito porque tinha comida garantida (embora pouca e
sempre a mesma). O sapo nunca saíra do poço onde morava, mas se sentia feliz...
mesmo que algumas perguntas pairassem sobre sua mente, atormentando vez por
outra sua pseudofelicidade: "O mundo seria mesmo redondo como o buraco do
poço?".
Um dia o poço desmoronou e o sapo se viu em apuros. Agarrado
aos restos do que fora o seu mundo, outros sapos apareceram - sapos de todos os
jeitos -, com outros papos, outras propostas, outros saberes. Então, o sapo
descobriu que pior do que o perigo é o medo que nos aprisiona em poços da
acomodação, da ignorância e do preconceito.
Não era bem assim como está aí, mas a lição é mais ou menos a mesma.
Gostei da expressão "pseudofelicidade", aí dá para encaixar o versículo.
Seria como dizer que não conhecer te dá uma felicidade que na verdade não é uma felicidade plena. Só a verdade exposta permitiria uma felicidade plena, verdadeira.
É, faz sentido...
Nossa fui mais além do que tinha planejado. Me propus apenas uma lembrança da infância e acabo vendo que não vivi a felicidade lá.
Eu era apenas pseudofeliz. Isso é bastante intrigante...
Vou pensar mais sobre isso...

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