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domingo, 13 de outubro de 2013

"Hoje o Fê tá azedo, né mãe? Vamo por açúcar nele!"

E eu posso como o Pedro?
Nossas conversas tem um tom de humor que tanto eu gosto. Meu Pipoquinha já espirituoso tão novinho... Hoje não estou mais brava com ele. Ontem logo após conseguir reconfigurar a Sky já estava me derretendo de novo. 
Uma coisa que aprendi nessa vida é esquecer logo das mágoas. Quem sabe por isso ainda não tenho as rugas que minha idade admite. Espero não tê-las tão cedo. 
As poucas que tenho, devo todas à única pessoa que me deixou mágoas profundas .


Na quinta fui com o Fê ao dentista. Apesar de cansativo, foi bastante interessante. Conversando com o dr, fiquei sabendo que ele é escritor de livros infantis, filho de professora de português e que assim como eu, quando criança, leu uma enciclopédia. Com tantas afinidades, não foi difícil que nos envolvêssemos numa conversa que poderia durar horas. Como sinto falta de ter gente assim para conversar com mais frequência. As mesmices da escola, as mesmas pessoas, os mesmos assuntos, os mesmos problemas... Tão chato...

A conversa com o dentista me trouxe uma vontade de lembrar de como, onde e com que intensidade eu lia. Estou buscando essas lembranças.
Talvez estejam nelas um pouco do ódio que a marion tinha por mim.
Eu sempre estava lendo e no entanto ela estava sempre me xingando de burra. Será que ela me xingava exatamente daquilo que ela já sabia que eu não era?
E porque eu ia tão mal na escola se eu lia? Será que eu ia mesmo mal?
Quando eu tinha que me recuperar, eu tirava nota integral. Se eu tirava nota integral nas recuperações, porque não ia bem nos bimestres? 
O sistema era bem diferente do que temos hoje, mas um leitor assíduo deve ir bem em qualquer coisa. Ou não?
São muitas questões que me afloram nesses dias.
Quero falar sobre isso com a terapeuta, amanhã.
Agora vou pesquisar sobre a Mundo da Criança, enciclopédia que li de cabo a rabo quando o Google nem sonhava em existir. Quero ver se acho algumas imagens e elas me ajudam na viagem que preciso fazer à minha infância...
Volto se achar alguma coisa legal... 

Achei um  foto que me remeteu imediatamente aos velhos livros que me deram tanto a conhecer... 
A coleção marfim de quinze volumes.
Sempre nas alturas, sempre precisando de um adulto para me alcançar um volume.
O que eu mais gostava era do 12, que trazia brinquedos e brincadeiras que podiam ser feitas com materiais recicláveis, numa época em que não se falava em reciclar. 
Fecho os olhos e  consigo ver os livros aqui comigo. Só não consigo ver a pessoinha pequena que os lia. Onde e como eu li? Como não consigo me lembrar disso? 
Enquanto estiver ansiosa por lembrar, não vou conseguir.
Vou dar um tempo aos neurônios. 
Trabalhem aí e me tragam respostas. Eu espero!!
Enquanto isso vou tirar esse creme do cabelo e enrolá-los com os negocinhos... sem nenhum calor excessivo. Estou empenhada em deixar esse cabelo bem forte para as mechas de dezembro. 
Angela, estou cumprindo nosso trato, na medida do possível...
 

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