Tabacaria
Não sou nada.Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
que ninguém sabe quem é
( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fernando Pessoa
"A literatura, como toda arte, é uma confissão de que a vida não basta"... essa frase também é de Pessoa. Ela e a poesia explicam de forma sutil a realidade que vivo nesse momento. Comecei o ano com poucos planos, mas com a certeza de que as mudanças urgem. Preciso traçar algumas metas para que as mudanças se concretizem. Pensei nesses dias que meus últimos 10 anos foram bastante conturbados. Preciso me desfazer dessas coisas todas... Minha próxima sessão só no mês que vem. Terei que ir me virando comigo mesma. Mas estou confiante... preciso estar.
Estou novamente loira, ainda bem... Meu cabelo estava horripilante, mas agora tudo voltou ao normal... e isso me deixa muito, mas muito feliz. Eu me sentia vulgar com as mechas. Gastei uma pequena fortuna por elas e não gostei nada, sem dizer que precisei fazer milhares de hidratações até que meus fios conseguissem resistir a uma nova química. Eles resistiram, os que ficaram, ao menos por enquanto. Espero que a praia não seja o derradeiro fim dos cabelos longos. Estou com certo medo.
As vezes me incomodo com minha vaidade, acho que não devia pensar tanto nisso, mas como não estou fazendo mal nenhum a ninguém e de certa forma isso contribui para minha autoestima, não deixo de certas futilidades que me fazem bem.
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