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quinta-feira, 17 de abril de 2014

O que fiz na minha tarde de folga?
Bem, sem sombra de dúvidas que se minha psicóloga me fizer essa pergunta, não vai gostar da resposta. Gastei metade dela estudando o perfil das pessoas envolvidas no caso policial do momento.
Vendo fotos, analisando postagens, estudando cada um deles.
A história é do Bernardo Boldrini, menino de 11 anos que foi assassinado pela madrasta, com possível participação do pai do garoto. Algo terrível, cruel e absurdo (escrevi 5 vezes a palavra desumano e apaguei - se foi cometido por humano, não é desumano... lembrei da frase " nada que é humano me  é estanho" do poeta Terêncio)
Muitas perguntas, muita ojeriza, muita revolta...
Mas esse caso mexeu comigo de forma especial, já desde o primeiro momento, pelos maus tratos que o menininho vinha recebendo em casa.
MÁdrasta daquelas típicas de contos de fada juntas... A que maltrata, a que humilha e a que manda matar, todas numa só... um horror
Pai e madrasta estão presos e seria perfeito se assim ficassem pelo resto da vida.
O que deixa o caso ainda pior é que o menino recorreu as autoridades e estas o devolveram à cova dos leões. Agora correm se defender dizendo que fizeram tudo de acordo com a lei. Mas o que queremos com a lei? A lei que serve para proteger é a mesma que leva à morte? não queremos essa lei, então.
Fui até a igreja, tamanha foi minha angústia com esse caso e enquanto orava, me veio a cabeça as imagens de um menininho do tamanho do meu Fernando sendo humilhado e agredido por uma pessoa horrível. Chorei.
Onde estavam as pessoas que podiam ajudar? foi a pergunta que o Gui me fez. Respondi-lhe que elas estão no mesmo lugar que as pessoas que podiam me ajudar estavam lá na minha época.
E são as mesmas que agora choram sua morte e trocam suas fotos de perfil para luto.
Mas agora é tarde demais.
Duas possíveis famílias poderiam ter cuidado dele, mas elas não manifestaram interesse, segundo o laudo... o que será que pensam agora? Se agarram a seus filhos e choram. Só elas sabem quanto é pelo menino morto e quanto é pela culpa da omissão. 
Tenho medo de ser omissa com meus alunos...
Preciso ajudá-los... 
Pedi para Deus me ajudar a olhar além do que podemos ver... 
Também fico grata porque eu sai viva das garras do meu monstro...
Agradecida por Deus ter posto anjos para me proteger... 
Confusa por que Deus não pôs os mesmos anjos para protegê-lo e a tantas outras crianças...
Triste por pensar tudo isso...

Quando cheguei na igreja minha angústia se intensificou ao ver Cristo coberto com um pano roxo. 
Rituais católicos que não entendo. Me deu uma sensação tão ruim de ver aquilo... Jesus não está morto... Ele está VIVO!!!

Agora estou aqui, esperando meus filhos... sentindo falta do amor deles...
Sei que quando chegarem vamos conversar, dar risada e nos encantar com alguma novidade do Pedro... e a felicidade vai voltando...




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