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segunda-feira, 16 de junho de 2014



Antes que as novas informações se tornem velhas como de fato são, preciso expressar o que realmente elas me causaram. 
Bem, foi à terapia e aproveitei para fazer minha carteira de identidade. Sim, claro, com 16 anos de atraso. Enfim, hoje deu certo, mas nunca consigo algo que dê 100% certo. Levei toda a documentação, tudo certinho. Até as fotos horrorosas das carteiras de identidade já estavam comigo. O problema se deu pela troca de uma letra no segundo nome da monstra. Sim dela mesma. Iara/Yara. Sempre me confundi com isso, nunca sabia se era marion Yara ou maryon Iara. Essa dúvida que nada mudou nas nossas condições de vítima e algoz agora vieram para atormentar um pouco mais minha vida. Sai da polícia e fui até o cartório e ali sim me deparei com um documento que me traz a informação revolucionária.
Segundo consta na certidão de nascimento Iara é com i mesmo. Mas como na minha identidade está com y, provavelmente eu precise abrir um processo para retificar. Isso mesmo, terei que constituir um advogado e gastar dinheiro para arrumar a letra do nome da lazarenta. Meus leitores mais assíduos sabem porque de tal adjetivo pejorativo, não quero me repetir.
Se isso me causa revolta, o que realmente me surpreendeu é a data da minha certidão.
Meu pai foi ao cartório me registrar no dia 6 de janeiro de 1982. Mas o que será que fazia ele nos 6 anos anteriores? Ou melhor, quem seria eu, nos 6 anos anteriores? Por que demorou tanto para me registrar? Não me venham dizer que antigamente era assim, porque esse antigamente era bem mais antigamente do que a minha época e isso só acontecia com gente sem estudos, o que não é o caso do meu pai. Advogado, fiscal da receita, estudado... Bem, em se tratando de minha história muito dá má contada, temos aqui mais um bom mistério. Pedi uma cópia para a atendente, xeroquei mais uma para poder trazer para casa. Vou atrás dessa história. Vai que desse mato sai cachorro! Vai que tenho alguma família viva ainda?! Vai que estou perdendo meu tempo com aquela historinha que me contaram lá na infância?!
Fiz algumas contas. Tenho alguns dados que são reais:
Gisele nasceu em 05/05/1977
marion ficou casada com meu pai 2 anos e meio.
marion casou grávida e disse para todo mundo que o bebê (Gisele) tinha nascido prematura.
Por dedução, marion casou em novembro de 76 e ficou casada até meados de 79. Oras se eu fui registrada pelo meu pai só em 82, eles já estavam separados. 
Será que eu tenho alguma coisa a ver com essa separação? E porque será que ela não me deixou com meu pai? Teria ganho alguma coisa com isso?
Eu, decididamente preciso falar com João Gualberto e o tempo urge. Farei uma varredura geral. Não posso deixar que essa história fique tão mal contada. É o meu passado. É a minha história!
Nem sei se eu cheguei a escrever isso, mas alguns dias me veio o seguinte pensamento: 
Se eu tive úlcera de córnea em decorrência de uma vacina contra sarampo dada um dia antes, quando eu estava com 5 anos, a marion já tinha sido negligente. Vacina contra sarampo é dada em bebês, não em meninas de 5 anos. Acabo tendo que imaginar que dona marion nem tenha me dado a tal da vacina. Inventou uma mentirinha para não ficar mal com a família. Igual quando disseram que a Gisele era prematura.
Tá, agora tenho mais esses dados para pensar. Preciso interromper meus pensamentos, claro que quando voltar terei outra visão, mas eu precisava ao menos deixar registrada minha ansiedade sobre isso.
 Leitores, favor desconsiderar meus erros de concordância, regência e coerência. Hoje não sou uma professora de português. Hoje sou uma menininha de 5 anos que precisa encontrar sua mãe.
Onde quer que ela esteja... e o Dr João Gualberto precisa me ajudar.

Uma informação boa: Fiz meu cadastro no hospital de olhos. Vou fazer o transplante, vou tirar carteira e vou comprar meu carro. Cansei de andar a pé!!

Volto mais tarde...

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