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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Da loucura que é comunicar-se

Alguém se lembra de quando eu disse que minha terapeuta me pediu que mudasse o estilo de leitura? É, ela me sugeriu que eu devia mudar o drama por algo mais leve. Tentei aceitar a recomendação, mas sou um ímã para as histórias tristes. Não é sobre isso que quero falar.
O assunto é a falha de comunicação.
Pois bem, porque minha terapeuta me pediu a alteração de gênero? Porque ao me questionar sobre o choro, eu respondi que estava bem. "Só estou chorando pelas histórias alheias."
Baseada nessa frase ela quis alterar minha preferência de leitura por interpretar minha resposta como algo mais ou menos assim: Ela não tem motivos para chorar e agora fica escolhendo livros para poder se entristecer. 
Não é nada disso. Falha de comunicação.
Eu não faço escolha baseada numa vontade doida de chorar. E nem me enraízo profundamente nas histórias que leio, salvo algumas pequenas exceções. Na maioria das vezes gosto do que leio pelo simples fato de me mostrarem que não tenho motivos para chorar pela minha vida. Tem e teve gente com problemas muito mais intensos que me mostram, através de suas histórias, que eu sou nada do que as vezes acho que sou. Me explico:
Quando se passa por problemas fortes é comum que a gente se sinta coitadinho, ou se sinta especial. Nada disso é verdade. As coisas acontecem aparentemente aleatórias. Nos pegam meio que por acaso. E a maneira que vamos solucionar é o que nos torna diferentes. Isso me lembra um dos constantes conselhos que recebi da Rita quando nos vimos uma na vida da outra (isso também é aleatório?).
"Roxana, não deixe que tudo isso endureça seu coração."
Ouvi isso uma centena de vezes e acho que água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Sou uma bela manteiga derretida. Choro sempre... amo sempre... vivo sempre...
Sou intensa no que falo, sou intensa no que vivo, sou intensa no que sou...
E isso também me causa grandes problemas de falha de comunicação... mas sobre isso não quero falar.
Não gosto quando as pessoas interpretam o que sou muito mais do que o que eu digo. Eu sei que isso é meio complicado. Sou professora de comunicação. Sei que não são só as palavras que transmitem informações, mas se com palavras já temos problemas de interpretação, quanto mais se ousamos interpretar silêncios ou gestos ou olhares. 
Estou aprendendo a deixar que coisas não ditas, sejam realmente não ditas... Se querem que eu saiba, me digam mesmo com todas as letras, do contrário vou deixar pra lá. 
Boa parte da minha ansiedade sempre se deveu as interpretações do que eu mesma criei.
Minha não habilitação até hoje é um exemplo disso. 
Lógico que já dei uma mega viajada... mas tudo bem. Estou bem pouco preocupada com isso.


Ainda falando sobre as escolhas literárias e de cinema (deveria procurar um adjetivo adequado, mas acabei me entretendo com a Vilmara ao telefone e  já está bem tarde, preciso terminar logo para fazer o almoço).
Estou lendo  A Estrela Que Nunca Vai Se Apagar
 Não vou me delongar. É a história da menina que inspirou John Green a escrever A Culpa é das Estrelas. Uma menina de 11 anos que é diagnosticada com câncer de tireoide que morre aos 15 anos. Seu diário, seus blogs e de sua família que vão nos dando a exata história de superação e de fortalecimento de uma adolescente que tem mil motivos para odiar o mundo e no entanto o ama.
As histórias me encantam, mas as reais muito mais que isso, me moldam.

Ontem queria ter escrito alguma coisa, mas acabei optando por assistir ao 12 anos de Escravidão.
Outra história real. Apesar de ser o filme que recebeu o oscar de melhor filme do ano de 2013 eu não gostei tanto assim do filme porque ele deixou algumas lacunas. Vou precisar ler o livro para entender algumas coisas. E se vou ler, a decepção com o filme será certeira. O que não aconteceu com o filme de A Culpa é das Estrelas.
Não levem em consideração esse meu último parágrafo. Não tenho a menor possibilidade de fazer crítica de cinema. Tudo está baseado apenas na minha visão parcial das coisas.
O filme conta a triste história de Solomon Northup que foi sequestrado e escravizado por 12 anos e que depois disso arranjou forças para lutar por essa causa. Se a Rita soubesse que o sofrimento muito mais do que nos endurecer, nos humaniza, teria polpado sua voz com os conselhos. Encontrar Deus em meio ao sofrimento não é aleatório... é escolha... 
Isso aprendi como todos os dramas que li... é disso que falo quando digo  MOLDAR.
Terapeuta, não se preocupe, as leituras me ajudam mil vezes mais do que me atrapalham... e isso é desde sempre... desde quando eu lia escondida das recomendações médicas... e isso não é aleatório... isso é escolha...
 
 
 
 A prova da pós foi inacreditável. Surreal até. 
Vou preparar o almoço e lavar as calçadas. Férias... não se vá!

 

 


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