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domingo, 20 de julho de 2014

Musica alta nos ouvidos para conseguir o mínimo de concentração para entrar no clima do que quero falar hoje. 
Sei que meus leitores temporários do momento, - sim, tenho leitores que vem atrás de mim as vezes por suas razões e claro pelo que escrevo especificamente sobre o momento que interessa a eles - estão ansiosos, quase em cólicas por saber meus progressos. Lamento decepcioná-los, não falarei disso com vocês. Mas posso amenizar as coisas, contando coisas que vão levá-los às lembranças mais remotas de um tempo onde a gente achava que ia ser feliz para sempre. 
Peguem seu capacetes, apertem o play e vamos lá... Vocês pode até não gostar de algumas coisas ditas, mas garanto que ouvir a música e sentir o vento das lembranças batendo no seu rosto vão amenizar essas suas rugas de procupação. Sorria, não fomos felizes para sempre, mas ainda estamos vivos... Dá tempo de mudar as coisas... ESPERANÇA, AH, MALDITA ESPERANÇA!!!

Vale a pena ouvir, heim...

Bem, como a partir de uns tempos para cá eu consigo entender que minha infância foi uma mentira só, estou tendo que aprender a lidar com algumas mentira que mudaram minha vida de maneira drástica. Tá, nem tão drástica assim, mas vamos lá...
Já falamos da úlcera de córnea, né? Pois então, vocês sabem que por causa dela fiquei privada de tomar banho de mar? Sim, fiquei. Foram anos de infâncias amargos. Irmãos, primos, amigos curtindo a temporada inteira e eu sentada numa pedra só observando e por quê?
O sal da água é ruim para seus olhos. Naquela época não haviam inventado o abrir e fechar de olhos e nem as toalhas para limpa-los... me lembro que consegui burlar essa regra uma vez quando viajei com o tio Giba e a tia Margue. Não sei se eles sabiam da regra da marion, mas se sabiam, fingiram não saber. Nadei muito... foi uma maravilha que ainda sinto quando fecho os olhos.
A proibição dos mergulhos também valia para as piscinas. Éramos sócios de 2 clubes e eu não podia aproveitar nenhum deles. Hoje penso que a maldade da marion não começou na minha adolescência, mas bem antes disso, embora eu fosse muito pequena para saber. 
Claro que foi bem antes. Sim, estou me lembrando do episódio do sapólio no doce. E o da sopa de milho. Ou quando fui para o quarto de empregada. Ou os pontapés que tenho em flash da casa da vó May?
É, realmente não foram maldades que vieram com o tempo. Elas sempre estiveram ali. Desde sempre, ali.
Então tá explicado o porque sempre chorei quando voltava para casa depois de uma temporada na casa de alguém diferente. Eu era bem tratada na casa dos outros.  Quando me tratam bem eu choro até hoje.
Me lembro do Ney me chamando de panaca porque a Gisele sempre dava um jeito de ir na frente no carro quando ele nos levava para a escola. Mas só eu sabia o que a marion dizia para mim sobre a preferência pela Gisele.
Uma vez apanhei porque eu disse que não ia apagar a luz do quarto, afinal sempre era eu (coisas de irmãos), e então a Gisele começou a gritar e a marion veio me agredindo e me chamando de cavala. 
"Você só está aqui para servir a gente, sua bugra."
"Você é nossa escrava."
Não é possível que vocês se achem no direito de alguma coisa aqui. Eu sou a vítima, fui eu que senti o que senti. Eu fui a ofendida. Nada que se faça, mudará isso.
Apesar de tudo o que tenho na minha memória, eu estou aqui. 
Talvez não do jeito que eu gostaria de estar, mas estou viva... só quero encontrar minha mãe...
Serve um irmão ou uma tia... talvez eu tenha uma história boa para contar para meus netinhos...
E se os médicos me perguntarem das doenças de família eu possa dizer a verdade...
Sim, eu tenho casos de problemas cardíacos na família...
Não, eu não tenho caso de câncer na família...

Queria falar de tantas coisas que me passam pela cabeça agora.
Das coisas boas, dos amigos, das festinhas, das roupas, dos passeios, dos filmes... 
Lembram das descidas para a praia?
Carro lotado de crianças... e quando íamos com o tio Gley? tínhamos medo da velocidade... 
Dos passeios de bicicleta brisa rosa... Ou dos nossos tênis M2000 horríveis.
Do colégio Integral...
Do Anderson levantando assustado e sem graça do sofá na casa da vó Gilda...
Das reuniões para montarmos a árvore na casa da vó...
Do vô caindo enquanto dançava com a tia Leoni num natal quando ele passou da conta na bebida e ficou muito engraçado... me lembro do sorriso do vô Horst no sonho da semana passada...
Do dia que caí com o vestido azul e rasgou tudo...
Da bota branca da xuxa que eu tinha e usei até arrebentar do lado...
Das brincadeira de inventores de máquina com lixo...
Do expresso quase me atropelando...
Das máscaras que tive que usar para que os outros não percebessem o quanto eu sofria...
Do Sérgio e de qualquer outro namoradinho da adolescência que me fizeram companhia imaginária, sem saber, nas noites de pânico em que eu estava sofrendo... 
Aprendi muito cedo, e por isso não consigo me livrar disso agora, a depositar minhas esperanças num salvador que iria me salvar do perigo... não que não quisesse, mas nunca puderam... nunca achei ninguém assim... talvez eu devesse parar com isso... 
Mas essa busca silenciosa minha me permite entender a Valéria... mas ela é muito nova para entender o que digo sobre isso... 
Tantas coisas já passaram na minha cabeça desde que comecei a escrever... eu sabia que essas músicas me levariam longe... vou tomar um banho agora para varrer da mente as coisas ruins e ficarei só com as coisas boas daquela época.
Fui feliz, não sempre, mas fui feliz... 
E essa felicidade só existe porque existem vocês... não somos inimigos... vocês são meus irmãos!

Espero que ouçam as músicas até o final...


Preciso agradecer especialmente ao grande amigo por sua ajuda infinita... As vezes não temos o que queremos de alguém, mas temos sua melhor parte... obrigada, meu querido!



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