Não gosto de fases ruins, mas quem é que gosta?
Estes dias especialmente, tenho vivido algumas tristezas que me parecem tão desnecessárias.
Acredite, uma das coisas mais difíceis com as quais tenho que conviver é a minha carência afetiva. Sabe o que é se sentir totalmente dependente de uma pessoa? Precisar dela como precisa de ar? Esperar dela a proteção e o afeto que você nunca teve? E essa pessoa não corresponder nem 10% das suas expectativas? Consegue imaginar isso?
Você deve estar pensando que é amor demais... não é.
Por não ser amor, a dor é ainda maior.
É dependência emocional... é doença...
Se fosse amor se confortaria em alguma poesia ou música triste... encontrar na arte um refrigério para alma apaixonada é alívio de pertencer a mesma dor sentida...
Comigo não é assim...
Amor é doação... eu não me doo... eu não penso no outro, eu não confio nele, o problema dele não pode ser maior que o meu...
Sabe o quanto isso é capaz de doer?
Sabe qual é o resultado disso na minha vida?
Ontem terminei um relacionamento exatamente por esse motivo...
Ele precisava de uma Roxana que não sou...
Eu precisava de um Anderson que ele não era...
O amor nada tem a ver com precisar...
E saber disso me dói tanto.
As vezes as pessoas me perguntam porque ainda não perdoei a marion e eu sei que nunca vou conseguir fazer isso porque a dor que ela me causa é diária... ela é culpada dessa minha carência e dessa objetividade que aparento ter.
Cada ato de violência dela, cada palavra destrutiva me fez ser quem eu sou... e eu odeio saber disso.
Tudo bem, vocês devem estar achando que é exagero... que não sou só coisas ruins, que aprendi a ser humana, cuidar com amor dos meus filhos e alunos... que desconstruí o vivido para me tornar infinitamente melhor do que ela... sim, certamente que sim... mas hoje é domingo chuvoso... tenho o direito por decreto de sofrer o fracasso do amor errado.
Anos de terapia e eu ainda não mudei comportamento...
E antes que você tire conclusões simplistas vou esclarecer e exemplificar que não se trata de relacionamentos ligados ao eros.
Sou igualmente egoísta em relação a Rita. Ouvi dela essa semana que não a procuro... e é verdade.
Foi dia das mães, ela é minha mãezinha do coração e eu não enviei nada para ela. Ela enviou pra mim... ruim, muito ruim... pior ainda é que eu não consigo lhe dizer o quanto a amo... desconforto eterno. Me sinto egoísta e certamente sou...
Se é, e sabe que é, por que não muda?
Pensa que não tento?
E sabe como me sinto quando dou um pequeno passo? Nua, totalmente desprotegida e com frio...
Aí desencadeia a ansiedade e a necessidade de mais proteção que a outra pessoa nem sabe que preciso.
Quem olha pra mim não enxerga nada disso...
Esses dias o pastor fez uma dinâmica sobre como nos vemos, como os outros nos veem, como somos e como queremos ser...
Eu expus exatamente isso, em palavras menos diretas... Ele disse que bastava conviver um pouco comigo e olhar nos meus olhos para enxergar a verdadeira Roxana... falou isso na frente dos outros... mas ninguém deu atenção... nem mesmo ele conseguiu ver que estou sofrendo... não fui mais ao estudo, nem à igreja... por hora é isso.
Tenho que parar agora... estou preparando uma feijoada...

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