Muitos dias sem escrever... Não tenho mais muito o que falar. Desde que o médico disse que tenho que esquecer o passado para ter futuro, tenho me policiado para não ficar nas lembranças e evitá-las sempre que possível. Nem sempre é.
Tenho passado bem... me sinto melhor, mais tranquila para enfrentar meu o coração que me prega peças homéricas.
Estou num momento de paz interior.
Agora sei que tenho uma doença. Que os sentimentos e sensações que eu experimentei com as decepções ao longo da minha vida sempre foram demasiadamente dramáticas... como se eu fizesse escolhas sabendo que eu iria sofrer... eu inconscientemente sempre escolho sofrer. Isso é a minha doença.
O médico prefere chamar de depressão. Eu prefiro dizer que sofro da síndrome do passado latente... busco frustrações presentes para aliviar as passadas na infância e adolescência.
Claro que sei o grande privilégio que eu dou para a única pessoa que não merece nada... ser desprezível... mas até aqui, Sempre foi mais forte do que eu.
Dizem que começamos a nos mudar quando temos uma visão real de quem realmente somos... Não foi muito fácil assumir essa doença, mas se quero me curar preciso enfrentar esse dragão.
Devo falar dos remédio e das reações adversas deles... os neurotransmissores estão conectados que é uma beleza, mas esôfago, estômago, rins, figado, bexiga e intestino estão completamente desconectados uns dos outros... chá disso, chá daquilo, produtos naturais, alimentação equilibrada, água e Academia... nada está resolvendo grandes coisas. Cada dia aparece uma coisa nova. Hoje, por exemplo, estou com uma queimação no esôfago... nem jantei...
Semana passada foi incrível com meus alunos do ensino médio. Eles apresentaram seminário sobre problema na adolescência... eles se abriram comigo... alguns choraram... alguns falaram de si... de seus problemas... foi quase uma terapia em grupo...
Quando alcanço o coração dos meus alunos, eu entendo que Deus escolheu a minha profissão... eu sou útil onde estou... e saber disso é muito bom.
Hoje estou leve... passei um tempo tão agradável com o Arthur... ele faz uma bagunça imensa aqui em casa... parece um furacão, mas seu rostinho lindo, seu jeitinho doce e as nossas gargalhadas me fazem esquecer de tudo... ser vó, ainda que a contragosto, é uma delícia. Amo meu netinho... e sei que ele me ama... coisa boa demais...
O Gui ainda está afastado... fui vê-lo na terça-feira... conversamos por 10 minutos... as coisas continuam assustadoramente quietas... tenho medo...
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