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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Enquanto você não der o primeiro passo, ficará no mesmo lugar. Basta o primeiro passo e o que era, já não é mais. 
Por mais difícil que seja, é importante o recomeço, o refazer-se, o retomar.
As quedas nos tornam mais humanos, mais reais...
Hoje acordei sem medo... Vou retomar a vida de fato... Responder aos amigos...
Hoje percebi que há vida me precisando...
Essa sensação de vida é o melhor antídoto contra a maldade...
E aos maus, o tempo...
E Deus...




Fui à ginástica, fui vencida pela chantagem emocional... 
Tá certo, preciso lembrar que a atividade física me ajuda muito em relação as dores na bacia.
Não aguentei muito tempo, comecei a ficar tonta com os movimentos de girar. Consegui fazer outros e alonguei... estou me sentindo muito melhor... 

domingo, 28 de abril de 2013

O Gui me pediu desculpas, não antes de me testar de várias maneiras. De certa forma me sinto bem por não ter cedido e nem me descontrolado. Ser mãe de adolescente não é fácil.

Acordei as 5 da manhã novamente, tive tonturas e sinto ainda a cabeça pesada, outra coisa que tenho observado é que quando acordo e estou muito cansada ainda, minha perna fica se movimentando de forma meio involuntária por diversas vezes de uma maneira muito estranha. Mas pela minha reação com  o problema do Gui, acho que mesmo que eu não perceba, o tratamento está fazendo algum efeito. 

Também não me sinto com vontade de falar sobre nada, nem os acontecimentos do passado, nem os últimos. 
Verdade é que não tenho vontade de fazer nada, nada mesmo... por mim ficava deitada o dia todo lendo.
Terminei ontem As Aventuras de Pi. Estou bem ansiosa para começar a ler Garota Exemplar. Li uma resenha que me deixou bastante interessada. Hoje leio as revistas e amanhã começo o novo livro.

Uma última frase de impacto de As Aventuras de Pi para deixar saudade:


"Na vida, é importante concluir as coisas do modo certo. Só então a gente pode deixar aquilo para trás. Caso contrário, ficamos remoendo as palavras que podíamos ter dito, mas não dissemos, e o nosso coração fica carregado de remorso."


Gosto dos livros porque se terminam bem posso voltar para eles quando sinto saudade e se termina mal, fecho-os e está tudo acabado. Que bom seria se a vida pudesse ser assim...



sábado, 27 de abril de 2013

Nono dia de tratamento e também nono dia que não durmo direito.
A partir de amanhã a dose aumenta e talvez as coisas se regularizem.
Continuo sentindo melhora, mas ainda não estou completamente bem. Sei disso porque continuo sem vontade de ver meu celular. Ele fica na primeira gaveta do criado-mudo, bem à minha mão, no entanto vez ou outra acendo-o, vejo que têm mensagens e ligações, mas não quero ver. Tenho medo...
Nem o telefone fixo não quero atender e não atendo. Tenho medo...
Enquanto não vencer esse medo, sei que não ficarei bem, sei também que esse meu medo é uma besteira. Mas é maior que eu.
Sou assim e já falei disso... Quem sabe a psicóloga me ajuda a enfrentar a realidade com mais coragem...
Eu preciso disso.

Aproveitei o dia para descansar. Brinquei com o Pedro e o Fê. O Gui continua bem arredio, mas como estou mais calma, consegui ignorar seu olhares desafiadores e pela primeira vez não me sinto culpada por ter lhe tirado os celulares e a bicicleta. Ele merece o castigo. 

A semana que vem vai ser mais tranquila, está tendo jogos estudantis aqui na cidade. O Amanda serve de alojamento. Faremos umas atividades extra para não precisar repor aula. Pra mim tudo isso é muito positivo.     
Vou ter mais tempo para me recuperar. 

Vou terminar de ler as Aventuras de Pi e dormir...o remédio já está fazendo efeito, sinto a cabeça pesando. Isso me entristece profundamente.



sexta-feira, 26 de abril de 2013

Estou acordada desde as 3:20 da madrugada, não estou com sono, mas meu corpo está cansado. 
Estou com problemas com o Gui. Têm dias que não é fácil. Ontem ele resolveu sair de casa. Já era noite, não demorou muito a voltar, mas foi suficiente para me deixar muito nervosa. Liguei para o João e acabei tendo que conversar com seu Valdomiro que veio aqui para me ajudar. No final das contas ele acabou me falando algumas palavras de conforto. Bem diferente de nossa última conversa.
Uns 20 minutos depois o Gui aparece com a cara mais lavada e entra como se nada tivesse acontecido. 
Tomou uma bronca bem dada do João e está de castigo por tempo indeterminado. Não é fácil. 
Ele se preocupa muito conosco, mas está na adolescência e se acha o dono da casa. As vezes sinto que ele inverte os papeis e eu me torno a filha. 
Ainda bem que estou bem tranquila, não vou entrar no joguinho dele. Sou a mãe e eu que mando. Ainda bem que o João está me apoiando. 
Estou meio confusa hoje, não estou ordenando bem as ideias. A tosse e a falta de ar estão me tirando a concentração. 
Vou parar por aqui.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Ontem a noite eu já me sentia melhor, bem melhor. 
Hoje até dei risada e consegui fazer humor com algumas situações, sinal de que estou quase voltando ao meu estado original. Claro que ainda tenho algumas vertigens e me sinto um pouco angustiada, mas nada se compara aos dias da semana passada.
A voz ainda não está completamente reestabelecida, mas amanhã ao menos poderei dar aula sem que minha garganta arda. A tosse ainda é feia, mas minhas tosses sempre são feias.
O Pedro também já esta melhor. Estamos na fase de dar carinho um ao outro, fazer dengo e se curar. 
E agora o que faço com esses remédios? 
Bem, como sei que sou ansiosa e que se eu não me tratar, certamente outra crise vai me abater, vou continuar o tratamento e quando o doutor me vir novamente, quero dizer que faço questão de continuar o tratamento. Vou até a psicóloga. Preciso ouvir alguma fórmula mágica sobre como sublimar o meu passado.  
É nele que estão todas as respostas. Eu sei disso, sei também que minhas escolhas na vida também têm raízes lá. 
Estes dias estive pensando sobre a minha personalidade. Optei por ser pessoa respeitável, profissional competente, mãe atenta e amorosa. Faço sempre o meu papel da melhor maneira que posso, no entanto escolhi para mim homens com perfis exatamente opostos ao meu. Agressividade, promiscuidade, maldade, vícios, mentira... coisas que eu abomino são a marca principal deles, não que os três tenham todas essas características, mas ao menos uma, sim. 
Talvez a psicóloga me diga que eu procuro neles o que eu proibi em mim. Será?
Mas se ela me disser isso, não terá dito nada de novo... me dá uma preguiça de pensar que vou conversar com uma psicóloga sobre assuntos tão constrangedores. 
Me dá uma preguiça de começar tudo de novo...
No fundo no fundo, bem que estar doente é estar numa situação cômoda. 
A vida cobra atitudes que não estou disposta a ter...
Quem sabe esse seja um sinal de que eu pense que estou curada, mas que na verdade é só uma maneira ardilosa de me enganar.
Na dúvida, sigo o tratamento e espero honestamente me curar da ansiedade.
Estou sozinha em casa, como há muito não estou, vou aproveitar isso pra me sentar em frente a TV e assistir alguma bobeira, tomando um chá como eu fazia lá no início do meu casamento. Uma época tranquila que nunca mais vai voltar...


quarta-feira, 24 de abril de 2013


Felicidade

Marcelo Jeneci

Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz
Sentirá o ar sem se mexer
Sem desejar como antes sempre quis
Você vai rir, sem perceber
Felicidade é só questão de ser
Quando chover, deixar molhar
Pra receber o sol quando voltar
Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz
Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais
Melhor viver, meu bem
Pois há um lugar em que o sol brilha pra você
Chorar, sorrir também e depois dançar
Na chuva quando a chuva vem
Melhor viver, meu bem
Pois há um lugar em que o sol brilha pra você
Chorar, sorrir também e dançar
Dançar na chuva quando a chuva vem
Tem vez que as coisas pesam mais
Do que a gente acha que pode aguentar
Nessa hora fique firme
Pois tudo isso logo vai passar
Você vai rir, sem perceber
Felicidade é só questão de ser
Quando chover, deixar molhar
Pra receber o sol quando voltar
Melhor viver, meu bem
Pois há um lugar em que o sol brilha pra você
Chorar, sorrir também e depois dançar
Na chuva quando a chuva vem
Melhor viver, meu bem
Pois há um lugar em que o sol brilha pra você
Chorar, sorrir também e dançar
Dançar na chuva quando a chuva vem
Dançar na chuva quando a chuva vem
Dançar na chuva quando a chuva vem
Dançar na chuva quando a chuva vem
Nada de trabalhar e nem sentar no lago, fiz um programa diferente.
Fui a uma exposição de arte sobre os índios. Gostei do que vi, me assustei também. Senti cheiros, tive sensações e me desliguei de mim. Tive a impressão de me sentir real novamente. Estou viva!
Meu passeio cultural não parou ali. Fui até a biblioteca central e fiquei por alguns minutos conversando com uma moça inteligente. Trocamos ideia sobre como melhorar o espaço e ela me agradeceu grandemente por ter lhe apontado uma nova forma de abordagem ao leitores jovens. Gosto de pessoas estranhas, elas não nos olham com olhares preconceituosos. Conseguem nos ver como somos, ou como pensamos que somos.
Espero receber notícias da biblioteca. 
Ainda passei na igreja matriz, fiquei por alguns minutos apreciando a arte barroca. Não gosto da arte barroca, mas respeito o trabalho rico em detalhes. Fiquei observando o contraste estranho do barroco com o moderno: lustres rico em detalhes contrastando com holofotes modernos, os afrescos dividindo espaço com caixas de som de última geração, todas as imagens de santos entalhadas em madeira maciça no mesmo ambiente de um telão gigante. Achei tudo tão feio. Por que não deixam a matriz impecavelmente como era em 1700? A modernidade estraga e torna o passado desnecessário. Não gosto desse tempo. Quem sabe em 1700 as coisas fossem mais tranquilas para as almas das pessoas. Menos consumismo, menos gente, menos informação, menos sofrimento...
Se eu acreditasse em vidas passadas, iria querer saber o que eu era no período barroco. 
Todas as pessoas que fizeram regressão, dizem que eram princesas nessa época, usavam vestidos decotados e longos. O mundo devia ser povoado apenas de princesas e príncipes, um ou outro cigano, mas nenhum pobre, miserável ou assassino. Por essas e por outras que não acredito nessas coisas.
Pra mim, uma vida só já está de bom tamanho para as minhas besteiras que faço. Imagina se eu tivesse umas 200 reencarnações? Jesus do céu, não quero nem pensar...
Me sinto melhor... consegui passar um lápis no olho e um batonzinho...minha aparência está melhorando visivelmente a cada dia... isso é bom!