A minha parte eu fiz. Agora tenho documentos que me protegem. Quanto mais o tempo passa, mais eu vou vendo que a minha luta é como se fosse vã. Estou nadando contra a maré. Estou meio cansada de tudo isso.
Se vou parar? Não, não vou parar porque sou assim e apesar de saber que posso pouco, me misturar à massa seria suicídio.
Devo ter alguma missão, ainda que muitas vezes eu me sinta sozinha e desprotegida, porque tem vezes que tenho um puta orgulho de ser quem sou e de ser tão abençoada por Deus.
Sempre me vem a cabeça uma imagem de uma noite em Maringá. Eu estava na portaria de um prédio esperando que desse a hora para voltar para casa. Como faltava muito tempo, pois quando saíamos escondidas só podíamos voltar depois da troca de porteiros do nosso prédio as 6:00 da manhã, o porteiro desse prédio vizinho me disse que eu podia dormir num sofá no salão de festas. Tenho a nítida impressão de que ele estava ao pé do sofá olhando para mim deitada e indefesa.
O porque não tentou me agarrar ou me seduzir ao menos foi uma das perguntas que sempre me vinha a cabeça depois. Hoje eu sei que não só nesse dia, mas em pelo menos mais 4 vezes Deus estava cuidando especialmente de mim. Estive em situação de perigo real e não me aconteceu absolutamente nada. Eu tenho certeza que minha vida, do jeitinho que ela é, faz parte dos planos de Deus.
Por isso, mesmo me sentindo fraca, cansada e sozinha, continuo seguindo segura de que Deus tem seu propósito em mim.
E antes que algum leitor desavisado me venha com preconceitos em relação a minha personalidade, já vou avisando que os momentos de tristeza existem, mas não são constantes. Hoje estou falando deles, mais do que os sentindo de fato, porque acho que é uma coisa chata a gente ser julgado tão erroneamente por uma pessoa que nem sabe ler direito. E essas coisas tendem a nos desanimar.
Aí vem essas lembranças de proteção que nos reconfortam e nos fortalecem.
Se fui tão especialmente cuidada é porque tenho tarefas importantes a fazer. Não posso me apagar nesse mundo todo injusto.
Outro dia falo desse meu senso de justiça que vem de longa data. Será que já não falei dele? Enfim, vou me repetir então...
O Pedro amanheceu com febre. Agora é a vez do pequeno ficar doente. Sara um, adoece outro... assim é o outono-inverno em Castro...
Mais do mesmo!! porque ela fala o que eu não sei dizer
