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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Fui a Ponta Grossa e para variar estava chovendo. 
Mas as notícias são boas. Os exames deram uma pequena alteração e o médico me deixou bastante confiante. Vou iniciar alguma atividade física como havia previsto. Amanhã mesmo, vou ver preços e horários. Se tudo correr bem, inicio a musculação mês que vem. Não chego a estar otimista com isso, mas sei que é necessário.
O que realmente me deixa contente é minha saúde. Quando estava grávida do Pedro, fiz exames e mais exames. Sem nenhuma alteração... Sou mesmo forte.
A Marion sempre dizia que eu tinha sangue de índio, por isso que era forte. Santa ignorância, mas repleta de todos os preconceitos imagináveis e inimagináveis, eu imagino...
Lógico que essa afirmação era mais agressiva do que elogiativa (teria eu criado uma nova palavra? - vou pesquisar). Pra ela eu sempre era a bugra, a índia, a cabocla.
Sou muito desorganizada com minhas coisas, desde criança. Apanhei muito por causa disso, não que a Marion fosse um exemplo de organização, mas esse era mais um bom motivo para as surras que ela achava que eu merecia.
Em abril de 1985 ela me colocou pra dormir nas dependências de empregada da nossa casa, tamanha era a minha desorganização e minhas bagunças. Me lembro apenas de que o armário tinha uma porta e minhas roupas ficaram realmente uma bagunça naquele armário pequeno. Logo o Frederico nasceu e ela me deixou voltar para o meu quarto. Não que eu tenha pedido - eu não ousava me dirigir a ela para pedir nada - mas talvez por causa das visitas que recebem as mulheres com bebês-recém-nascidos. Prefiro acreditar que era isso, do que pensar que ela foi movida por algum sentimento de amor por mim.
Ela não me amava e eu nem percebia.
Nesse episódio eu tinha 10 anos. A idade do Fernando.
E não consigo entender algo dessa crueldade sendo feita a uma criança como meu filho, por mais desorganizado que ele seja. Aliás, meus filhos são tão desorganizados quanto eu era e eu não vejo problema algum nisso... talvez um pequeno estresse quando quero que vistam uma roupa que foi guardada suja na ultima vez que usaram. 
Que criança já não fez isso? E que mãe tem atitude tão radical frente a isso?
Sempre me lembro desse episódio e ele me dói. 
Morávamos no Sidarta... será que minha vó não sabia disso? Será que meu avô não sabia disso? 
Por que o Ney não me protegeu? Por que os adultos não me defenderam? 
Talvez porque os tempos eram outros...
Minha geração de pais é fruto desse momento, onde muitos  pais eram repressores e cruéis... por isso hoje são pais opostos a  isso, se tornaram  permissivos e "democráticos".
Uma geração tentado corrigir a anterior...

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