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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Estou com dor de garganta novamente, começo a me preocupar com isso. Amanhã vou marcar uma consulta com o otorrino. Preciso cuidar da fala, ver como andam minhas cordas vocais.
Mas o que está me incomodando, realmente, hoje é outra história.
Mandei um bilhete para a mãe de um aluno, pois o menininho me parecia muito desorganizado e não fazia as tarefas nem em sala, nem em casa. Hoje quando me trouxe o bilhete assinado, facilmente percebi que era uma falsificação. Peguei o caderno, sem falar nada e desci para confirmar minha suspeita, mas nem precisei, pois o piá veio atrás de mim e confessou que  tinha assinado o bilhete. Pensei que se tratava de mais um dos tantos que enganam a gente, como enganam os pais... um menininho de 11 anos já mostrando falta de caráter.
Mandei que voltasse para a sala e pedi para a pedagoga ligar para a mãe do aluno. A conversa me deixou profundamente triste e com pena desse menino e da tia dele. 
Na verdade, não era mãe, como eu tinha colocado como vocativo do bilhete, era tia. 
A mãe foi embora e deixou os 4 filhos, dois desses ainda bebês. Nos 5 minutos que conversamos, mudei radicalmente meu pensamento sobre o menininho. Sua tia me contou que antes do abandono o menino era outro, mais ativo, mais alegre, mais produtivo. Agora se tornou um menino apático, medroso e sofrido... Combinei com a tia um encontro para podermos ajudá-la.
Voltei pra sala com um nó na garganta e com uma pena desse menino. Eu sei o que ele sente.  Cheguei perto dele, coloquei minha mão em suas costas e falei baixinho que depois a gente conversava, só pedi que ele entregasse o bilhete para a tia.
Preciso não pensar nessa mulher que abandona os filhos, não sei suas razões e não tenho o direito de julgá-la. Não é fácil, mas gastar tempo em pensar os motivos abomináveis que essa mulher teve só vai gerar sentimentos que vão machucar ainda mais essa criança. Na quinta-feira tenho duas aulas com ele, vou usar um tempinho para conversarmos um pouco... preciso mostrar pra ele que estou de seu lado... que sinto pela dor que ele sente e que estou aí para ajudá-lo se ele quiser.Que dor horrível ele está sentindo... Tão pequenininho...

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