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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Vingarmo-nos de um mal de que fomos vítimas é privarmo-nos do conforto de gritarmos contra a injustiça.”
Cesare Pavese

Me deparei com essa frase e logo fui procurar saber quem era seu autor.
Um poeta italiano, comunista que se suicidou quando tinha 42 anos. Até aqui nada de anormal. Muitos poetas foram ou são comunistas e muitos mais se suicidaram ou vão se suicidar. Pensar, refletir e analisar a vida particular e alheia é ofício de doido mesmo. Mas o que me chamou atenção foi seu diário póstumo. Um livro que foi lançado depois de sua morte com o título de O OFÍCIO DE VIVER. foram 15 anos de escritos que viraram livro. Não vou sossegar enquanto não ler.
Fazendo uma breve pesquisa, encontrei:

Não há dúvida de que é inútil e prejudicial lamentarmo-nos perante o mundo. Resta saber se não é igualmente inútil e prejudicial lamentarmo-nos perante nós próprios. Evidentemente. De facto, ninguém se lamentará perante si próprio, a fim de se incitar à piedade, o que nada significaria, dado que a piedade é, por definição, o voluptuoso encontro de dois espíritos. Para quê, então? Não para obter favores, porque o único favor que um espírito pode fazer a si próprio é conceder-se indulgência, e toda a gente percebe quanto é prejudicial que a vontade seja indulgente para com a sua própria e lamentável fraqueza. Resta a hipótese de o fazermos para extrair verdades do nosso coração amolecido pela ternura. Mas a experiência ensina que as verdades surgem apenas em virtude de uma pacata e severa busca, que surpreende a consciência numa atitude inesperada e a vê, como de um filme que parasse de repente, estupefacta, mas não emocionada. Basta, portanto.

E ainda:


"A dor não é em absoluto um privilégio, um sinal de nobreza, uma lembrança de Deus. A dor é uma coisa bestial e feroz, banal e gratuita, natural como o ar. É impalpável, escapa a todos e a qualquer luta; vive no tempo, é a mesma coisa que o tempo; se possui sobressaltos e gritos, é tão-somente para deixar mais indefeso quem sofre nos momentos subsequentes, nos longos momentos em que se torna a provar o tormento passado e aguarda-se o seguinte. Esses sobressaltos não são a dor em si mesma, são momentos de vitalidade criados pelos nervos para que se possa sentir a duração da verdadeira dor, a tediosa, exasperante, infinita duração do tempo-dor. Quem sofre está sempre em estado de espera - do sobressalto e do novo sobressalto. Chega a hora em que se prefere o acesso do grito à sua espera. Chega a hora em que se grita sem necessidade, desde que se rompa a corrente do tempo, desde que se sinta que está acontecendo alguma coisa, que a duração eterna da dor bestial interrompeu-se por um instante - ainda que para ser intensificada. Às vezes, surge a desconfiança de que a morte - o inferno - consistirá ainda no fluir de uma dor sem sobressaltos, sem voz, sem momentos, só tempo e eternidade, incessante como o fluir do sangue num corpo que não morrerá mais."

Certamente preciso ler isso...

Ah! Sobre a frase inicial, ela tem razão de ser... 
   
Estive fora por uns dias... voltei...

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