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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Em troca dos devaneios enlouquecidos de quem não consegue aguentar a verdade, vou contar uma história:

Enquanto a verdade é remédio amargo, a mentira é veneno doce!





Era uma vez o povo do Norte que vivia em guerra entre si. Uma guerra silenciosa, mas tão mortal quanto as sangrentas batalhas medievais. Os filhos gerados em uma família tradicional tinham o dever de seguir a tradição e se casar com as moças do Norte e assim o fizeram. Os três irmãos eram nada mais que o que seu pai fizera deles. 
Toda família tradicional tem um patriarca que governa absolutamente sobre seus parentes, determinando-lhes até a roupa que devem usar e as palavras que devem falar. E assim seguia a tradicional família do Norte. O pai e a mãe esbanjando sorrisos e carinhos aos parentes que não pertenciam ao seu convívio direto e aos estranhos dispunham de gentilezas que fazia deles uma família querida. Se reuniam nos Natais e festejavam alegremente a união que mantinha viva a chama do amor familiar.
Mas como nem tudo é o que parece ser, a família perfeita do Norte tinha seu lado obscuro. Em noites de lua cheia ou em outra lua qualquer o patriarca deixava as escondidas sua família e ia ter com uma cortesã. E lá passava tórridas noites de amor. Deixavá-a chorosa quando os primeiros raios da manhã surgiam no céu. Foram anos atrás de anos. Sempre que o patriarca podia, repetia sua façanha amorosa acreditando de coração que sua amada esposa dormindo o sono dos justos jamais saberia que ela a traia. 
Os homens se perdem na sua percepção egoístas das coisas. Sua esposa sempre soubera as traições e só não o confrontava com a verdade porque a verdade não é fácil de enfrentar. Talvez mais pelo fato do que os parentes distantes iriam pensar ou pior, dizer: "Nossa, como pode essa aí se rebelar contra seu marido?" "Louca, com 3 filhos para criar, vai passar fome." "Mas pra que largar? Fora as traições ele é tão bom para você. Não te deixa faltar nada." E tantas outras frases que a família distante adora dizer porque não sente a dor da traição na pele e no coração.
Os filhos repetindo os exemplos se casaram e o mais velho, desorganizando as ordens naturais das coisas engravidou uma jovem vinda de Hádria. Oh que terrível praga acometeria a tradicional família do Norte! Vai ter que casar. Assumir o estrago e reparar o erro. E mais. É seu dever fazer isso direito, afinal vocês faz parte da nossa família, menino. A partir de hoje serás um homem de família. Terás suas responsabilidades. Tu vais ser pai, dizia-lhe o pai em mal português que demonstrava a sua origem de homem que viveu muito tempo nas cavernas. 
O filho que tinha o nome grego Rosa não teve outra opção a não ser obedecer seu pai e entrar no casamento fingindo ser feliz até que a morte o separasse da jovem de Hádria.
Tiveram filhos e mais ou menos viviam até que o moço precisou lutar em terras estranhas do Sul. A coitada da esposa ficou com a tarefa de educar as crianças. E o marido trazia o sustento. Ao menos era assim que os parentes distantes deviam pensar. A realidade nem sempre condiz com o que deixa-se transparecer, ainda mais quando mentir é arte aprimorada de geração em geração.
Numa das muitas andanças pelas terras do sul, o homem cor de Rosa conheceu Luz do Amanhecer.
Não antes de ter traído sua esposa umas muitas vezes debaixo de seu nariz, tal como aprendera com o pai. Mas a jovem de Hádria tinha sangue nas veias e não conseguia agir como uma rã gelada frente ao desamor tão marcante, tão visível, tão real. 
Os parentes distantes vinham com sua ladainha e ela os ouvia, refletia e não conseguia encontrar paz nesse martírio de traições e tradições. 
Em Hádria as mulheres eram mais independentes, algumas até eram professoras. Nesse conflito de mulher pensante e esposa de família tradicional se estabeleceu um abismo. 
A jovem de Hádria não sabia se voltava atrás e seguia seu instinto de fêmea que cuida da cria enquanto o macho sai caçar, ou se usava suas asas e enfrentava o abismo voando até uma outra terra. Nesse conflito de dor, o tempo passava...

Continuo a história amanhã



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