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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Esse remédio realmente é o que penso dele. Já comentei que acho que os médicos estão receitando antidepressivos como aspirina para curar dor de cabeça. Estão nos manipulando e nos tornando rebanho. Sim, rebanho. Eu tenho  meus  pensamentos muito bem formados sobre as coisas e defendê-los é como guerrear. Não quero guerrear, quero paz. Mas que culpa tenho de ver além do que a maioria vê? 
Quando fui ao médico naquele dia, tudo o que eu queria era uma semana de folga para poder curtir a tristeza de ter feito uma escolha que doeu muito mais em mim do que em qualquer outra pessoa. Essa dor se deu exatamente porque eu estava certa o tempo todo, mas com uma vontade louca de estar errada. Não estava errada e isso dói. 
Só que como eu chorava o médico concluiu que eu estava com depressão. Eu estava triste, só isso. Logo iria passar como sempre passou. Só que eu aceitei receber o remédio porque não paguei um centavo por ele e porque depois dele vou poder ter sessões de terapia com uma psicóloga, isso sim me interessa muito. Quero poder falar tudo o que eu penso sem ter que me policiar, sem ter medo de que serei traída ou mal interpretada. Quero me olhar no espelho e saber quem eu sou e a que vim para viver tudo o que vivi. 
Ontem o Gui foi revistado na escola apenas porque sempre, desde pequeno, vai ao banheiro muitas vezes e ontem ele deu o azar porque antes dele, alguém fumou maconha lá. A patrulha escolar chamou todos os meninos que apareceram nas câmeras, entre eles meu menininho que sempre cuidei com tanto cuidado.
Quando ele chegou em casa assustado, me contou tudo e eu ouvi passiva as várias vezes que ele repetiu a história, visivelmente assustado com o que viveu. Não me dei ao trabalho nem de pegar o telefone e questionar a direção da escola por ter permitido esse absurdo com meu filho. 
Quando acordei na minha já habitual insônia, meus pensamentos eram todos sobre essa agressividade contra meu filho inocente. Me revoltei comigo por não ter tomado nenhuma atitude comum a Roxana justiceira que sou desde a adolescência. Por que não fiz nada? Maldito remédio que quer moldar minhas ações me tornando robô desse sistema que não pode ter pessoas que pensam. Maldito remédio que me tirou as sensações que uma mãe zelosa deve ter. Maldito remédio que me tirou a emoção que me movia.
Estou vazia de sentimentos... não sou mais a Roxana emotiva. Não sou mais eu. Estou enfraquecendo e isso é como morrer ainda estando viva, bem viva...
Fui à apresentação do Pedro, estava tão feliz porque sabia que iria me emocionar. Não me emocionei. Fingi emoção que não existia de fato. Maldito remédio que me tirou o ruim, e o bom também...
Meu coração está vazio... não derrubei uma úníca lágrima...
Sinto saudades de mim... sinto falta de mim... preciso de mim...
Roxana, volte... Traga tudo que é seu... traga sua ansiedade, traga suas críticas, traga sua ironia. Venha com tudo que é você...Esse silêncio que essa pseudo-paz traz é ausência de vida...


A partir de amanhã vou gradativamente me livrar dessa droga que me manipula a mente. Vou abandonar esse remédio. Só não abro mão da psicóloga... ainda que ela também possa me decepcionar... 
Doutor, sinto muito, mas o senhor me decepcionou... antes tivesse me dado o atestado que eu queria e me deixasse ir embora tomar um chá de erva-cidreira. Meus filhos, meus amigos, meu trabalho e meus alunos teriam me curado em muito menos tempo e com muito mais eficiência... 




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