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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Um pouco de dor de cabeça.
Mas no mais, tudo está como deve estar.
Cortei os cabelos ontem e todos estão me dizendo que estou com uma aparência muito melhor, com 10 ano há menos. Sem exageros, realmente as franjas que sempre compuseram meu perfil e foram abandonadas para eu sentir na pele o que um cabelo comprido proporciona, voltou a me remoçar. 
Agora que já senti, preferi voltar ao meu tradicional corte sem tradição. Eu me sinto mais bonita.
Meu cabelo também já estava pedindo uma renovada.
Assim que puder, posto uma foto.
Quero que meu neto-leitor veja que nem sempre fui esse maracujá azedo sentada imóvel nessa cadeira.
Quando escrevo isso, realmente fico me maginando velhinha, sentada com uma cobertinha a aquecer meu corpo pequenino e frágil. Me imagino como a vó May. Mãe do meu pai que por causa da sua osteoporose, ficava tomando sol sentadinha miúda numa cadeira em frente a sua casa lá em Foz. Poucas vezes tive o prazer de vê-la assim, mas quando me lembro dela, é assim que ela está. Consigo lembrar tão nitidamente do quintal grande da casa dela, de como era gostoso poder brincar por entre as árvores. 
A vó May era muito nervosa, devo imaginar que sua vida não foi muito fácil. Pouco sei, mas do que sei posso concluir que antigamente as mulheres eram destinadas a uma vida de repressão, ora dos pais, ora dos maridos e depois desses, dos filhos.
Da minha vó, só sei que cortou os pulsos na tentativa de acabar com o sofrimento de ser casada com um alcoólatra. Sei também que meu avô, o velho Joãozinho, depois desse episódio nunca mais colocou uma gota sequer de álcool na boca e sofria demais quando em Maringá, nas férias, via seu filho bêbado.
Deve ter sido difícil para ele também.
Mas do vô Joãozinho lembro de episódios mais felizes. Ele sempre muito carinhoso e brincalhão.
Talvez, ao cumprir sua promessa, ele tenha se sentido perdoado. Ela, ao ter sobrevivido, talvez nunca o tenha perdoado. E eu, aqui, certamente nunca saberei.
E sem saber, imagino, penso e fantasio.
Meus avós paternos... tivemos pouco tempo de convivência... mas eu gostava deles e penso que eles também gostavam de mim.
Quero falar mais deles... preciso puxar da memória...
Quero ser uma vó meio como o meu vô Joãozinho...
Pena não poder ter convivido com ele...

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